terça-feira, 5 de outubro de 2010

Proteja-se dos e-mails falsos que ajudam o Serra.




É uma coincidência, mas a baixaria só beneficia o Serra

O Conversa Afiada recomenda sugestão de navegante para ir ao site “anti-tucano”:

http://anti-tucano.blogspot.com/2010/09/lista-de-emails-falsos-contra-dilma.html

Aproveite para ler esse artigo do Ivo:



A campanha Dilma descobriu a pólvora.

Ivo Pugnaloni

“Alguém está usando e-mails falsos para denegrir a candidata de Lula!”

Ora, que novidade!

Francamente, não foi por falta de aviso.

O “Império” já fez isso e muito pior nas eleições na Venezuela, na Ucrânia, na Moldávia, na Romênia, no Irã e mais recentemente na Colômbia, onde ficou célebre o “mago indiano Ravi Singh”…

Aquele, que por sinal, já andou por aqui, na campanha Serra, mas que “não funcionou” e foi mandado embora ( mas sobre o qual agora muita gente estará pensando: “será que ele não funcionou mesmo?” )

E-mail falso é coisa antiga, mas muito eficiente.
Até a campanha de Obama foi gravemente ameaçada por essa tática básica.
Mas lá nos EUA a política não é uma brincadeira.

E ninguém se impressiona mais com “gênios” e “gurus”, que mandam você fingir que não está acontecendo nada e o que vem de baixo não te atinge.

Para combater as mentiras vindas do submundo, sem assinatura, a campanha Democrata criou uma página oficial de desmentir baixarias.

Simples assim: ao apócrifo, Obama respondeu com o Oficial, o assinado, o verdadeiro.

Nela, em vez de receber em seu computador e-mails falsos com baixarias, os usuários eram convidados, nas inserções de televisão da campanha de Obama, a visitar um site onde já encontrava uma coleção das calúnias, vídeos, documentos e fotos falsificadas que os republicanos espalhavam sobre ele.

A coleção de calúnias era aumentada todos os dias com a contribuição dos usuários, que eram convidados a enviá-las, de preferência com os e-mails que vieram junto com a mensagem.

Junto, no site, havia o desmentido oficial, as provas da falsificação e ainda um grande e enfático pedido ao usuário que retransmitisse o desmentido para o maior numero de internautas.
Tudo isso sem nenhuma observação do tipo “spam é feio, indelicado e politicamente incorreto”…
Foi assim que operou Obama, desmistificando, tirando o ar de “segredo”, de verdadeira “revelação”, da informação falsa que “misteriosamente” chegava ao e mail individual de cada usuário.

E você sabe, para o iniciante de internet, o que é “misterioso” tem valor…faz quem recebe a informação parecer único, especial, superior, diferente da massa que apenas vê TV…
A campanha Dilma teria percebido isso mais cedo e tomado essa providencia básica, de criar um site de desmentido, se não estivesse contaminada por três erros.

O primeiro erro é o clima de “já ganhou” ,não da candidata que leva tudo bem a sério, nem da direção, mas da própria militância, contaminada compreensivelmente talvez pelo comodismo natural da campanha midiática e pelos institutos de pesquisas, que podem ter inflado os índices para cima, atrapalhando mais o trabalho político do que quando os põe para baixo.

O segundo erro é acreditar muito no efeito da TV, veículo cuja credibilidade vem sendo erodida diariamente, esquecendo de convidar a militância ( não a paga, mas a voluntária) para a discussão nas ruas, para a panfletagem, para as portas de fábricas, para os terminais de ônibus.
O terceiro erro foi achar que o email é “coisa do passado”e que a moda agora é o twitter, as redes sociais e parafernálias a que a grande massa de internautas não tem acesso por serem ainda muito complicadas.Acontece que a maioria da população e principalmente a nova classe C só comprou seus computadores há poucos anos ou até meses.

Assim, a grande massa de usuários, não consegue ainda usar e ter acesso às complicadas ferramentas que os entendidos acham “o must” e recomendam, em lugar do “ultrapassado e mail”…

Quem pensa assim, e esquece que essa enorme massa consegue perfeitamente receber e mails falsos com links que a levam a vídeos falsos contra a Dilma no Youtube, pois seus endereços podem ser captados facilmente por sistemas de inteligência dedicados a obter e mails válidos na internet.

Afinal, se isso fosse difícil, não receberíamos dezenas de e mails por dia, anunciando “milhões de e mails válidos para a sua empresa vender mais”.

Essa terceira praga espalhou um tipo de “bom-mocismo” irracional, ingênuo e despolitizado entre a militância da campanha Dilma, dizendo coisas como:


1. “Mandar e mail para quem você não conhece é feio e isso não deve ser usado, pois isso é spam e o spam é politicamente incorreto” ( mas o outro lado pode mandar dezenas de spams por dia para a minha caixa..)


2. “O e-mail é coisa do passado, a moda é o twitter e as redes sociais”, ( na verdade só uma minoria de internautas usa essas coisas, mas com várias identidades, principalmente para paquera, dando a impressão que são muito mais usuários do que realmente são );


3. “Não adianta a campanha fazer vídeos desmentindo boatos, pois fazendo assim nós estaríamos entrando no mesmo nível dos adversários. O melhor é fingir que não está acontecendo nada e cada um fazer seus próprios vídeos e colocar no Youtube,de preferência engraçados, para se tornarem “virais” ( sem comentários…)


Esses conceitos, copiadas de algum livro escrito pelo mais novo sabichão da moda “nos States”, desarmou nossa militância, deixando-a pensar que sozinhos, os blogs particulares de abnegados jornalistas e militantes de esquerda, o twitter e os facebook da vida resolveriam o problema e conseguiriam fazer frente à mídia pró-Serra, que tem mais de 60 anos de experiência em dar golpes de estado e fazer oposição com tecnologia.

Para tentar recuperar os estragos não é difícil. Mas exige determinação e urgência:
a. Colocar no ar, imediatamente uma página de desmentidos, do tipo “É mentira deles!”, parecida com a do Obama.( por falar nisso: o PT não havia contratado uns especialistas da campanha do Obama? Onde eles andam? Que dizem?)


b. Divulgar o endereço de internet da página “É mentira deles” em todos os cartazes, folhetos e “santinhos” da campanha e principalmente, na campanha de TV e rádio, dizendo que só desesperados e gente sem proposta, que quer ganhar a eleição a qualquer custo, faz aquilo.


c. Usar o enorme tráfego que isso irá gerar para essa página, para mostrar, na condição de vítima das calúnias e do bloqueio da mídia, todas as propostas de Dilma, em detalhes, e principalmente os números e as realizações do governo Lula, que a mídia golpista esconde há oito anos.
No tempo do movimento para depor Sarney e dar o golpe tipo Honduras com Perillo e Gilmar Mendes, o senador Mercadante se queixou que “não agüentava mais a pressão de seus eleitores pelo Twittwer”.

No Irã, mensagens falsas dizendo “Pai, estou cercada na praça, venha rápido!”, atraiam milhares de pais desesperados para suas “manifestações espontâneas contra a fraude eleitoral”, onde se viam no meio de bombas e de correria…

Até quando vamos acreditar que informática é um convento de freiras e que tudo ali é real e verdadeiro?

Até quando vamos deixar de levar em conta que quem criou toda essa tecnologia tem condição de dominá-la a tal ponto de com não mais que dez pessoas conseguir automatizar procedimentos de envio que são feitos aos milhões e disseminados, na ponta, às centenas, por milhares de militantes reais da direita?

A revolução não será nem televisionada nem twittada, pessoal!

Chega de acreditar em Papai Noel e só em TV e apenas na militância virtual!

Vamos convocar para as ruas a militância consciente e organizada, como fazíamos no passado, pois a maioria de nós só espera um chamado, uma hora e um local, que nunca vem!

Vamos colocar o bloco na rua, nos pontos de ônibus, distribuindo folders com a comparação Lula x FHC, as propostas de Dilma e com o endereço da nossa página de desmentidos, a “É mentira deles”, ou qualquer outro nome que os marqueteiros queiram dar.

Temos que fazer do limão da calúnia uma limonada e um autêntico tiro no pé para eles.
E rápido!

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2010/10/05/proteja-se-dos-e-mails-falsos-que-ajudam-o-serra-2/

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Iletrados de São Paulo elegem palhaço.

http://esquerdopata.blogspot.com/2010/10/iletrados-de-sao-paulo-elegem-palhaco.html

Vergilius.


Publius Vergilius Maro, ou simplesmente Virgílio como passou à história, nasceu perto de Mântua em uma família de camponeses. Estudou filosofia e retórica em Cremona, Milão e finalmente Roma, com grandes mestres, e passou a freqüentar os círculos eruditos da cidade. Protegido de Mecenas, tornou-se o poeta oficial do imperador Augusto.
É um poeta...



http://contextolivre.blogspot.com/2010/10/vergilius.html

Os resultados no Senado Federal.


do leitor Sérgio

Quem caiu fora

Artur Virgílio – FORA

Heráclito Fortes – FORA

César Maia – FORA

Tasso Jereissati – FORA

Gustavo Fruet – FORA

Marco Maciel – FORA

José Carlos Aleluia – FORA

Heloísa Helena – FORA

Mão Santa – FORA

Rita Camata – FORA

Germano Riggoto (o censurador) – FORA

Raul Jungmann – FORA

Antero Paes de Barros – FORA

Leitor Marx acrescentou à lista

César Borges (DEM-BA) – FORA

Leitor Fábio Rodrigues incluiu mais um

Efraim Morais (DEM-PB) — FORA

http://www.viomundo.com.br/politica/leitor-sergio-os-resultados-no-senado-federal.html

José Serra continua no segundo turno o mesmo demagogo e mentiroso de sempre. Hoje, em Minas, Serra elogiou Marina e disse espera "aproximação" com verdes no segundo turno."Ela merece respeito e a admiração da minha parte", disse Serra.


Mas não era isso que Serra pensava até uma semana atrás quando esteve frente a frente com Marina no debate da Globo. Veja o vídeo confira

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/10/serra-acusa-marina-de-mensalao-agora.html

Agora é Dilma ou o retrocesso à privataria.

José Serra (PSDB) foi o Ministro do Planejamento de FHC da privataria, em 1995/1996 (Na foto, batendo o martelo em leilão de privatização, ao lado da então diretora de privatização do BNDES, Elena Landau, que depois virou diretora do Banco Opportunity, de Daniel Dantas).

E ele não mudou na ânsia de vender partrimônio público. Em 2008, como governador de São Paulo, tentou privatizar a estatal de energia CESP, rifando o patrimônio público paulista.
O Leilão fracassou porque as hidrelétricas são concessões federais que voltariam à união em 2015. Quem comprasse a CESP poderia ficar sem as usinas ou ter que recomprar a concessão em 2015. Como confiar o patrimônio público da Petrobrás, do Pré-Sal, de Furnas, dos Correios, do Banco do Brasil, da CEF, à ele?

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/10/agora-e-dilma-ou-o-retrocesso.html

Dilma tem que conquistar o “voto religioso”


Dilma tem que tratar da sua religiosidade



Os colonistas (*) da Globo se excitaram demais com a vitória que significou levar a eleição para o segundo turno.

Devagar com o andor.

O PiG (**) e seus colonistas (*) não levaram a eleição para o segundo turno.

Não foi a Lunus 2010 e a ação conjunta de denúncias, que começaram com a quebra de sigilo do Eduardo Jorge e terminaram com a Erenice.

A Dilma parou de subir e a Marina começou a subir com a questão religiosa.

O aborto.

O ateismo.

A luta política clandestina.

A Bláblárina Silva capitalizou tudo isso, e enrolou numa bandeira “verde”, capitalista.

A Traíra in natura – embora tenha perdido a eleição no Acre.

Ela não ganhou voto porque seja verde, cripto-capitalista ou porque seja da Natura.

E, sim, porque encarnou a “religiosidade”, a evangélica pura, imaculada.

Aquela que não acredita em Darwin.

Esse é o desafio da Dilma.

O Serra não herda isso automaticamente.

O Serra é tão religioso quanto democrata.

Não é Fernando Henrique quem diz que o Serra tem um “demoniozinho” dentro do peito ?

O Ricardo Guedes, da Sensus, me disse neste domingo à tarde que só um fator tirava a vitória da Dilma no primeiro turno.

A “questão religiosa”.

Esse é um voto silencioso, subterrâneo, confessional, que pesquisa de opinião pública não capta.

Fica todo mundo preocupado com a economia, com a reação política à economia e se esquece da “questão religiosa”, quando ela se associa à discussão de valores morais.

Quem melhor pode explicar como isso funciona, hoje, no Brasil, é a deputada federal eleita pelo Rio, Jandira Feghali.

Ela estava praticamente eleita Senadora e, na véspera da eleição, as igrejas do Rio foram invadidas de panfletos que a acusavam de defender o aborto.

Guedes lembrou o que aconteceu na primeira eleição do Bush.

Esqueça a Florida, diz o Guedes, onde houve fraude.

Em muitos outros pontos do país, sem que os institutos de opinião captassem, o eleitor foi para o Bush com medo do casamento gay.

Ao lado de tudo isso, deve haver, também, uma inclinação mais acentuada do voto feminino, da mulher religiosa, que zela e inspira a família.

A Dilma vai ter que levar os líderes religiosos para o palanque.

Explicar de novo o que pensa do aborto.

O Lula tem que relembrar que sempre foi católico devotado.

Falar da D Lindu.

Levar o José de Alencar para o programa eleitoral.

A Bláblárina e seus 19% aplicaram à política brasileira dose cavalar de um fenômeno insólito: a religião.

O bolso não foi a parte mais sensível do corpo do eleitor, no primeiro turno.

Como previu o Conversa Afiada, pode ser pela sacristia que o eleitor de Classe C, que o Lula fortaleceu, comece a votar no Berlusconi.

De novo, por não existir uma Ley de Medios, e, por isso, como não há debate sobre políticas públicas, foi possível enfiar a questão do aborto por debaixo da porta da campanha.

Não vai ser o Serra que vai conquistar esse voto.

Ele vai levar o voto neoliberal da Marina.

Do neoliberal que, no primeiro turno, votou na Marina, porque teve vergonha de votar no Serra.

O “voto religioso” deve ser da Dilma.

De novo, o Lula vai explicar isso a quem votou – por equívoco – na Marina.

Ele faz isso melhor do que ninguém.

Paulo Henrique Amorim


Em tempo: a leitura matinal do PiG (**) me obriga a enfatizar que o PiG (**) não levou a eleição para o segundo turno. Os 19% da Bláblárina não leem o PiG (**), não assistem à GloboNews nem distinguem a urubóloga de uma assombração. Deve ser um eleitor (especialmente eleitora) despolitizado, que, sinceramente, acreditava que a senhora do jatinho de US$ 50 milhões chegaria à Presidência. O PiG (**) pode espinafrar a Dilma, celebrar Onan e pensar que ressuscitou: mas, a eleição é outra. – PHA


(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.


http://www.conversaafiada.com.br/politica/2010/10/04/dilma-tem-que-conquistar-o-%e2%80%9cvoto-religioso%e2%80%9d/

No 2º turno, é Dilma lá e Ana Júlia cá! Obrigada, Pará!


Muito, mas muito obrigada de coração ao povo do meu Pará por mais esse voto de confiança!

Meu carinhoso muito obrigada a toda a militância que não arredou pé um instante sequer, até garantir o segundo turno.

Meu muito obrigada aos 14 partidos que compõem a Frente Acelera Pará. E à valorosa companheirada!
E meu especial agradecimento ao carinho do povo, da militância, dos amigos, conhecidos, simpatizantes. Recebi muitas vibrações positivas pelo celular, diretamente, no meu twitter Particularmente ontem, dia da eleição em 1º turno, esse carinho veio em carradas, energizando minha alma e me dando a certeza de que vamos continuar trabalhando e vamos vencer! Com muita fé e alegria.

Para que o Pará não pare, não volte ao tempo do retrocesso, agora, é trabalho até 31 de outubro, às 5 da tarde, data da eleição em 2º turno !
Vamos acelerar, trabalhar muito e vencer as eleições. No Brasil, com a companheira Dilma e aqui, com a minha candidatura ao governo.

Meu grande abraço, meu povo. Agora é trabalho, trabalho e trabalho! Pro Pará seguir no rumo certo!(Fotos de liza Soane, da equipe do blog).

A vitória foi apenas adiada.



Faltaram pouco mais de seis milhões de votos para Dilma vencer no primeiro turno. Conforme as urnas foram sendo abertas foi ficando claro que a votação de Marina Silva seria maior do que os institutos de pesquisa previram, compensando a menor votação que o PSDB obteve em várias eleições presidenciais, empurrando a disputa para mais um segundo turno.

Dilma conseguiu mais de 47,6 milhões de votos*, superando numericamente na votação de Lula no primeiro turno em 2006 (46,6 milhões) e proporcionalmente, apenas 1,7% *abaixo dessa votação. Por outro lado, Serra teve menos votos numericamente e proporcionalmente que a votação de Alckmin em 2006, apontando para o fato que a votação do PSDB diminui votação a votação:

39,9 milhões (41,6%) no 1º turno de 2006


37,5 milhões (39,1%) no 2º turno de 2006


33,1 milhões (32,6%) no 1º turno de 2010*


Marina herdou esses 7% do eleitorado que os tucanos perderam, além dos 1,7% de votos que Dilma teve a menos que Lula no primeiro turno de 2006, formando os 9% a mais que a terceira via obteve nesse primeiro turno em comparação ao que Heloísa Helena obteve em 2006.

Somados os votos dos candidatos a presidente que não passaram para o segundo turno, encontra-se um total de 20,7 milhões de votos*. Dilma precisa manter os votos que obteve no primeiro turno e conseguir pouco menos de 3,2 milhões de votos* para vencer as eleições do segundo turno.

Ainda não se sabe qual vai ser a posição a ser adotada por Marina e pelo PV no segundo turno das eleições presidenciais, no entanto, independente do que for decidido, muitos dos votos dados à Marina em algum momento penderam para Dilma, sendo portanto mais provável que essas pessoas votem em Dilma no segundo turno, apesar de não ser possível afirmar com certeza, no entanto, historicamente a terceira via possui votos de esquerda que jamais votariam no PSDB. (Vou aproveitar o texto do meu amigo Len e fazer um comentário: penso que o posicionamento de Marina Silva quanto ao segundo turno será de neutralidade; entretanto, o Partido Verde irá se manifestar favorável à candidatura tucana).

Provavelmente haverá menos votos válidos e mais ausências no segundo turno, diminuindo ainda mais a margem de votos que Serra precisa herdar dos outros candidatos para superar Dilma. No primeiro turno a diferença entre Dilma e Serra foi de 14,5 milhões de votos*, e supondo que ambos mantenham os votos que obtiveram no primeiro turno, Serra precisaria conseguir 85% dos votos dos demais para ganhar as eleições.

Por mais que estejamos chateados de não vencer logo, não é motivo que se fique por aí desqualificando Marina ou os seus eleitores, primeiro porque respeitamos o contraditório e o direito soberano dos Brasileiros em votar em quem quiserem sem ser patrulhados, e jamais me comportaria como quem critico e segundo porque Dilma vai precisar desses votos. Atacar Marina e seus eleitores é dar tiro no próprio pé e jogá-los no colo dos tucanos.

Vamos buscá-los, voto a voto, parabenizando pelo resultado excelente que Marina conseguiu e mostrando a eles que agora o importante é manter as conquistas do presidente Lula, apontando quem está ao lado dos usineiros e desmatadores, quem esteve ao lado dela por toda uma vida e aqueles que foram contra. Vamos pesquisar o que os tucanos falavam de Marina quando ela era ministra de Lula, mostrar como é incoerente que ambientalistas fiqeum ao lado de pessoas como Kátia Abreu e Ronaldo Caiado.

Esses são os bons argumentos, não vamos entrar no jogo sujo que o outro lado vem usando. A maior vitória é a final.

*com 99,99% dos votos válidos até o fechamento do texto.

By: Blog do LEN


http://contextolivre.blogspot.com/2010/10/vitoria-foi-apenas-adiada.html

sábado, 2 de outubro de 2010

Lula: "Se eu tivesse seguido FHC, o Brasil tinha quebrado"



Em entrevista concedida à Carta Maior e aos jornais Página/12 (Argentina) e La Jornada (México), na manhã desta quinta-feira (30), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala das comparações que são feitas entre seu governo e o de Fernando Henrique Cardoso, rebatendo a ideia de continuidade. "Nós só chegamos onde nós chegamos porque nós fizemos as coisas diferentes", diz."Se eu tivesse seguido a política do Fernando Henrique, o Brasil tinha quebrado", agfrega o presidente, que diz se considerar “um homem de esquerda. A seu ver, “os resultados das políticas que nós fizemos são tudo o que a esquerda sonhava que fosse feito".Segundo Lula, agora há prioridades para o futuro: "Primeiro convencer o meu partido de que a reforma política é importante, e vou trabalhar para isso. E depois, convencer os partidos aliados de que a reforma política é importante. Se tivermos maioria, poderemos votar a reforma política, eu diria, nos próximos dois anos".
Carta Maior: Algumas pessoas elogiam seu governo dizendo que o presidente Lula é a continuidade do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso...
Lula: Primeiro vamos ter claro o seguinte: "Nós só chegamos aonde nós chegamos porque nós fizemos as coisas diferentes. Eu só queria te dizer que quando eu tomei a Presidência a Petrobras valia US$ 13 bilhões. E hoje a Petrobras vale US$ 220 bilhões. Alguma coisa mudou, sabe?
Quando eu cheguei aqui no governo, a palavra de ordem era que o governo não poderia gastar, não poderia fazer investimentos, porque tudo tinha que garantir o superávit primário. E era preciso cuidar do déficit. Ora, o que aconteceu, o que aconteceu meu filho? Nós, que ficávamos subordinados ao FMI, nos livramos do FMI. Nós, que não tínhamos nenhuma reserva, vamos chegar no final do ano a US$ 300 bilhões de reservas. Nós, que éramos devedores, viramos credores do FMI. E a situação do Brasil mudou radicalmente, ou seja, nós incluímos os milhões de excluídos que não eram levados em conta. Nós éramos um país de economia capitalista sem capital, sem crédito, sem investimento. Eu acho que não... Eu não me importo muito com determinadas avaliações. Quando eu comecei a minha vida política, no sindicato, tinha gente da ultraesquerda que me chamava de agente da CIA, sobretudo o pessoal do partidão daquele tempo. Quando eu virei favorável... eu era contra a ocupação do Afeganistão pelos russos, aí, eu virei agente da CIA. Então, as pessoas ficavam querendo saber o meu perfil ideológico, então, muitas vezes, eu ia a um debate e as pessoas: “O que você é? Você é isso, é aquilo?”. Eu dizia: eu sou torneiro mecânico. “Você é comunista?”. Não, eu sou torneiro mecânico. É porque eu nunca gostei de ser muito rotulado. Cada país tem as suas particularidade. Eu acho que os Kirchner, tanto o Néstor quanto a Cristina, têm o seu estilo de governar. O dado concreto é que a Argentina está melhorando, esse é o dado concreto e objetivo. Nosso querido Pepe Mujica tem seu modelo de governar; o fato concreto é que o Uruguai está melhorando. Eu tenho o meu tipo; o fato concreto é que o Brasil está melhorando. O Evo tem seu tipo; o fato concreto é que está melhorando, e assim vale para todo mundo. É isso que me interessa. Esse negócio da imprensa dizer: ”O Lula é bonzinho e o Chávez é mau”. O Chávez tem que ser bom para o povo da Venezuela, e eu tenho que ser bom para o povo do Brasil, e a verdade é que a Venezuela melhorou com o Chávez, essa é a verdade. Quantas eleições o Chávez participou nesse tempo, gente? E ganhou todas, acaba de ganhar mais uma: “Ah, mas não fez a maioria absoluta”. Ótimo, eu acho que vai ser bom para o Chávez, porque ele vai ter que exercitar o debate político com mais força, exercitar mais a democracia. Eu acho isso extraordinário.
Carta Maior: Considerando essa posição, o senhor acredita que continua sendo um homem de esquerda?
Lula: Eu me considero um homem de esquerda, e os resultados das políticas que nós fizemos são tudo o que a esquerda sonhava que fosse feito. Você veja uma coisa: é um pouco um paradoxo que eu seja o único presidente que este país teve que não tem diploma universitário e sou o presidente que mais fez universidade, e sou o presidente que mais coloquei jovens na universidade e que mais fez escolas técnicas. Fomos os que mais geramos empregos, os que mais combatemos a pobreza, os que mais exercitamos os direitos humanos e os que mais fortalecemos a democracia. Este Palácio aqui não é um palácio em que só entrou príncipe e primeiro-ministro. Neste palácio entra sem-teto, entram todos os representantes das minorias, entram desempregados, entram todos os movimentos. Isto aqui virou um verdadeiro palácio do povo brasileiro, e eu acho que essa é uma política de esquerda não populista, porque a direita também pode ser populista, a direita pode ser populista. Agora, o problema é que você sente no jeito de falar e nos olhos, quando um dirigente é político populista ou quando ele é um político popular. São duas coisas distintas.
Carta Maior: Qual é a diferença?
Lula: A diferença é que um presidente populista, necessariamente, não tem que ter relação com a sociedade, não tem um compromisso com a sociedade. Você faz pesquisa de opinião pública, você sabe quais são as preferências do povo e você passa a falar aquilo que aparece como resultado na pesquisa. Um político populista, necessariamente, ele não tem uma relação com o povo muito forte. Ele decide de cima para baixo e acha que está bom. Um dirigente popular, mais demorado, mas ele prefere construir de baixo para cima, ou seja, fazendo com que a sociedade participe das decisões. Essa é a forma mais extraordinária de você praticar a governança e de você exercitar a democracia.Eu tenho dito que aqui na América Latina, em vez de nós sermos governantes, nós deveríamos ser cuidadores do povo, porque, na verdade, o que nós precisamos é cuidar de cada mulher, de cada criança, de cada pessoa, sobretudo dos mais necessitados. É cuidar, é priorizar a força que o Estado tem para ajudar aqueles que realmente precisam do Estado. Então, eu penso que isso está acontecendo aqui no Brasil.
Carta Maior: As transformações futuras, para se consolidarem e avançar, necessitam, aparentemente, de reformas. O senhor está comprometendo, mais ou menos, com a ideia de uma Assembleia Constituinte autônoma?
Lula: Eu, dois anos atrás, recebi uma delegação de advogados aqui para discutir a reforma política, e naqueles tempos eu disse que talvez fosse necessário a gente pensar em uma Constituinte exclusiva para fazer a Reforma Política. Porque o Brasil precisa de reforma política; é inexorável que nós precisamos de reforma política, que você tenha a fidelidade partidária, que você tenha financiamento público de campanha, que você tenha partidos mais fortes, com quem você possa negociar. Quando você constrói coalizão, é uma negociação de vários partidos que vão fazer parte do governo. E se os partidos forem fortes, você negocia com as direções do partido as votações no Congresso. E por isso que eu acho que a reforma política é importante.
Agora, o que eu sinto? Eu sinto que há muita dificuldade no Congresso em votar a reforma política. Porque as pessoas preferem manter o status quo que têm. Então, “quem já é deputado, quem já é senador, para que mudar? Vamos ficar assim mesmo”. Eu acho que é um erro para o Brasil e é um erro para credibilidade do Congresso. E isso não pode ser feito pelo Presidente da República, isso tem que ser feito pelos partidos políticos. Então, uma das coisas que eu posso contribuir é: primeiro convencer o meu partido de que a reforma política é importante, e vou trabalhar para isso; e depois, convencer os partidos aliados de que a reforma política é importante. Se a gente construir uma maioria, a gente poderá votar a reforma política, eu diria, nos próximos dois anos.
Carta Maior: O senhor acha que o Estado também teria que ter reformas? O senhor recebeu um Estado debilitado, em alguns aspectos. A Dilma fala que o Ministério de Minas estava reduzido a dois engenheiros, que tem muito mecanismo de controle e pouco mecanismo de operação, de atividade. Que tipo de melhoria do Estado, reforma do Estado serão necessários, além do sistema propriamente dito?
Lula: Olha, eu acho que nós precisamos cuidar de tornar o Estado brasileiro menos burocrático e mais ágil. E isso é muito fácil de falar e muito difícil de fazer, porque, para mexer nisso, você vai mexer com as centenas de corporações que, no fundo, no fundo, governam o Brasil. Porque são as instituições que têm o seu poder, seja do Poder Judiciário, seja da Receita Federal, seja da Polícia Federal, seja do Ministério Público... Ou seja, você tem instituições poderosas que, no fundo, no fundo, são as instituições que têm poder de pressão dentro do Congresso Nacional. Eu vi na Constituinte a experiência do poder de pressão da chamada sociedade organizada. O desafio está em você propor uma reforma no Estado que não seja um estupro, ou seja, que seja uma coisa construída a várias mãos, e que as pessoas percebam que cada um tem que ceder um pouco. E eu acho que tem muita coisa para ser feita, muita, muita coisa, redefinir papel de muita coisa no Brasil. Agora, esse é um processo em que você não pode ter a loucura de imaginar que num mandato de quatro anos você fará. Você tem que construir, eu diria, quase uma ação envolvendo todos os segmentos da sociedade, construir um grupo muito grande para ir pensando as reformas necessárias, discutir com o Congresso Nacional, discutir com um movimento social, e quando você estiver pronto, você fazer.
Eu vou te dar dois exemplos: a questão trabalhista. Eu criei um grupo de trabalho entre o movimento sindical, empresários e governo que chegou quase próximo, mas não chegou a decidir. A reforma da Previdência, tem um grupo de trabalho também criado por mim, que ele chega em algum ponto que trava.Então, eu estou convencido, pelo que eu conheço do movimento social brasileiro, de que nós estamos num processo de amadurecimento como jamais tivemos no país, uma relação de confiança que está estabelecida entre vários atores da sociedade, que a gente pode dar passos, e eu acho que, certamente, vai depender muito da definição de prioridades se a Dilma for eleita presidente. Não sei quando... Eu estou convencido de que ela vai ser eleita presidente, mas como eu sou um democrata, eu tenho que falar... eu estou dando a entrevista na quinta-feira e a eleição será no domingo – faltam dois dias e meio –, eu sou obrigado a só poder ser contundente mesmo depois da eleição. Mas eu estou convencido de que essa é uma coisa que ela vai ter que definir, porque um governo, Emir, - essa é uma coisa que eu aprendi também -. um governo, não pode querer fazer 500 coisas. Um mandato é muito rápido. Um mandato demora muito para a oposição, mas para quem está no governo, quatro anos não é nada. Então, ela tem que definir corretamente quais as prioridades dela e atacar aquilo, porque se tentar fazer 500 coisas, ela não consegue fazer. Veja, o Obama, ele perdeu o primeiro ano para fazer a reforma na área da saúde. Foi aprovada no Congresso, mas até ser executada, vai levar mais um ano. Então, você não pode perder todo o seu tempo apenas numa coisa. O governo tem que utilizar a sua energia positiva para cuidar deste país 24 horas por dia, e esses debates vão fazendo paralelo do governo com os ministros, até que a gente conclua a proposta concreta para mandar para o Congresso Nacional, porque senão trava o governo.
Carta Maior: Eu só quero perguntar, presidente, se o senhor sonha acordado. O que tem em seus sonhos ainda?
Lula: Eu sou um eterno sonhador. Acredito que o que nós fizemos no Brasil foi apenas dar início ao movimento que consolidou na consciência da maioria do povo brasileiro que é possível saber fazer as coisas diferentes do que vinham sendo feitas, que é possível fazer as pessoas acreditarem que gasto com a saúde não é gasto, é investimento, que quando você dá dinheiro para os pobres é investimento, não é só quando você empresta dinheiro para um rico, quando você dá dinheiro para um pobre é investimento. Eu sonho que se a sociedade brasileira mantiver, para os próximos anos, a autoestima que ela tem hoje, a credibilidade que ela tem hoje no seu país e a confiança que ela tem no país, o Brasil será um país muito importante nos próximos anos. Então eu sonho com essas coisas internas para melhorar, eu sonho com a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, eu sonho com mais democratização nas instituições multilaterais e eu sonho com mais compromisso na tomada de decisões pelos países mais ricos deste mundo globalizado. Hoje, quando um país rico tiver que tomar uma decisão econômica, ele não tem que discutir apenas os benefícios e os malefícios internos, ele tem que saber qual será a repercussão da decisão em outros países que têm uma economia dependente, sobretudo neste mundo globalizado. Eu sonho em contribuir para o desenvolvimento da África, eu sonho em ajudar a América do Sul e a América Latina a serem mais fortes, a serem mais ricas, a se desenvolverem mais rapidamente, ou seja, eu vou morrer sonhando que eu não deveria morrer. É assim.
Carta Maior: Recentemente o senhor defendeu que é preciso melhorar as relações entre partidos, movimentos sociais e sindicatos da América Latina e da África...
Lula: Qualquer sindicato da América Latina tem mais reuniões com a Alemanha do que entre nós, ou com os americanos do que conosco mesmos. Então, o que eu quero? Primeiro, que a gente consolide, não apenas uma boa relação partidária, mas uma boa relação sindical, uma boa relação cultural, que os nossos intelectuais... Daí, a minha alegria de poder estar inaugurando a Universidade da América Latina – a Unila – que eu acho um sonho que foi realizado. A aprovação, pelo Congresso brasileiro, da criação da Universidade Brasil-África, que é outro sonho de ter uma universidade aqui para formar gestores, engenheiros, doutores para a África. Acho que é esse tipo de integração que nós precisamos fazer: em que o Brasil pode ajudar a América Latina? Por exemplo, nós estamos plantando soja em Cuba, nós estamos plantando soja na Venezuela com tecnologia brasileira, com conhecimento tecnológico brasileiro, estamos ajudando. Nós estamos ajudando a Venezuela a construir cadeias produtivas na área de alimentos, nós estamos ajudando a fazer sistemas habitacionais como o Brasil faz, e eu acho que é nisso que nós podemos contribuir. Nós estamos levando a Embrapa para o Panamá, que é a nossa empresa de tecnologia, para ajudar no desenvolvimento agrícola da América Central. Então, eu acho que é isso que nós poderemos fazer. Eu não tenho mais interesse de voltar para o partido, eu não quero voltar para ser quadro do partido, fazer reunião dentro do partido. Eu já estou com 65 anos de idade. Estatisticamente, eu posso ter mais dez ou quinze anos de vida, eu acredito em estatística. Eu sei que, quando a gente completa 60 anos, cada ano, a partir dali, vale por dez. Então, eu tenho noção de tempo e eu tenho noção de que me resta menos de um quarto do tempo que eu já tive – ou um quinto – para fazer coisas que eu acredito que possam ser feitas. Então, eu tenho que definir e focar corretamente uma ou duas prioridades.

Fonte: Carta Maior

Seu voto mudará a sua vida



Peço ao leitor que envie este texto a quem achar que precisa lê-lo. Imprima ou envie por e-mail. E sugiro que use o título acima. Contudo, se achar outro título melhor, fique à vontade. Só não deixe de dar estas informações a todo aquele que se enquadra no tipo de eleitor que o texto descreve. Mas faça isso já, porque a eleição é neste domingo.
*
Você pode nunca ter percebido, mas passou a vida reclamando de alguma coisa que tem relação com o ato de votar. E pode não ter percebido isso ainda porque, em um país como o Brasil, desde a infância recebemos estímulos a não prestar atenção na política e a vermos “os políticos” como “coisas” das quais temos que manter distância.

Estou escrevendo este texto, portanto, para convencê-lo a escolher candidatos a todos os cargos para os quais será possível votar no próximo domingo, dia 3 de outubro de 2010. E faço isso porque, quando tais cargos forem ocupados por aquele em quem a maioria vier a votar, quem ocupá-los terá como interferir nas nossas vidas – e muito.

Por exemplo:

Quando você reclama do atendimento no hospital, seja ele público ou particular, está reclamando do governo. Não necessariamente daquele governo que está no poder no momento, a depender do tempo em que um presidente, por exemplo, estiver governando.

O mau atendimento no hospital naquele momento em que você mais precisa de apoio pode ter sido ruim e te feito sofrer – ou a alguém que você ama – mais do que seria inevitável se quem o atendeu, seja médico ou enfermeira, tivesse tido condições físicas ou psicológicas de cuidar dos seus pacientes da melhor forma possível.

Você poderia ter dado condições de trabalho àquele médico ou àquela enfermeira, eleitor, se tivesse escolhido melhor o seu candidato.

E, mesmo que tenha votado em outro candidato que não aquele que não cuidou para que hospitais públicos ou particulares sejam obrigados a dar o melhor atendimento – ou que tenham meios de dar tal atendimento –, você poderia ter trabalhado para eleger o candidato que agora você confirma que sabia que ele poderia ter sido a melhor alternativa.

O patrão faz com você o que quer e você não pode reclamar? É injusto o seu salário? Você acha que é explorado? Bem, você pode ser culpado por não ter votado em políticos que não apenas disseram que iriam melhorar a vida de quem tem que trabalhar para sobreviver, mas que tinham currículos que revelavam de que lado ficaram na hora de propor ou votar leis que poderiam proteger o trabalhador.

E não se esqueça de que trabalhador não é só aquele operário, aquele peão, mas também você que trabalha em escritórios, em lojas etc. Quando você vê gente dizendo que não dá pra fazer esta ou aquela lei que propõe tornar mais fácil a sua sempre dura vida de empregado, abra o olho.

Recentemente, um telejornal apresentou uma notícia sobre proposta de acabar com direitos trabalhistas como 13º salário, férias etc. para tornar mais “barato” para os patrões contratarem seus empregados, pois assim eles contratariam mais gente. O comentarista da emissora de televisão opinava que essa proposta seria melhor para quem trabalha.

Será que essa proposta é para o seu bem mesmo, eleitor? Onde está a prova de que isso é verdade. Você aceitará só a palavra do comentarista da televisão ou do jornal? Não acha que é pouco? Que tal ouvir uma opinião diferente e comparar as duas versões? Se o jornal ou a televisão ou a rádio não derem opinião diferente, desconfie.

Depois, para escolher o seu candidato, procure saber se ele defendeu uma idéia dessas, de reduzir os benefícios que sua empresa está obrigada a lhe pagar. E se não tiver ouvido falar do assunto, dessa proposta de diminuir direitos, procure se informar. De preferência com pessoas ou meios de comunicação que defendem cada um dos candidatos a presidente,e não só neste caso de leis trabalhistas.

Se você for autônomo, se for patrão ou mesmo se não precisa trabalhar, enfim, se você tiver uma vida mais confortável, dinheiro, saúde etc., lembre-se de que quando todo mundo está em dificuldade há mais pessoas que perdem o controle ou se desesperam a ponto de pensarem em cometer um crime para ter como sobreviver com mais conforto, com menos dificuldades.

As pessoas muito pobres estão sempre muito próximas de cometerem o ato de desespero de tirar alguma coisa de que precisam daquelas pessoas que têm de sobra o que lhes falta. Em geral, é dinheiro. E, quase sempre, conforme o grau de desespero que leva alguém a cometer um crime para obter aquilo de que precisa, a violência acaba sendo o caminho.

Claro que há aqueles que cometem os crimes porque são malvados. São pessoas que já vivem com dignidade, mas querem luxo. Essas precisam de outra providência dos que governam para impedir que façam mal às pessoas roubando ou até agredindo. Para essas pessoas, a solução é uma polícia que proteja a você e a todos nós.

Neste ponto, lembre-se de que uma boa polícia não é só aquela que tem carros e armas, mas uma polícia que queira ajudá-lo, protegê-lo. E para querer fazer isso o policial tem que ser não apenas bem escolhido, mas tem que ser pago de forma que esteja estimulado a se dedicar ao seu trabalho.

Quem escolhe o governo que paga o salário do policial, por exemplo, também é você, eleitor. Quando não vota ou prega que votar não adianta, você está trabalhando para que o malvado ou o desesperado que decidam tirar dos outros, por meio da violência, aquilo que querem ou que precisam, não sejam contidos pela polícia.

Esse princípio vale para tudo. A escola pública ruim, a escola particular que você paga para si ou para os seus filhos dentro dos seus padrões de renda e que não oferece ensino como o das escolas mais caras…

Tudo que não está bem, está desse jeito devido à escolha dos candidatos que poderiam mudar essa situação, sejam candidatos a vereador, a deputado, a senador, a prefeito, a governador, a senador ou a presidente.

Mas se as coisas estão indo bem para você e para os seus, não se esqueça de que isso pode ter muita relação com o voto que você deu. Se não tivesse dado aquele voto em uma época em que as coisas estavam ruins, talvez não tivessem melhorado.

Enfim, não tome uma decisão sobre esse fato só com base no que ouve dizer. Ouça ou leia várias opiniões, de quem pensa de um jeito ou de outro. Jamais as de um só lado.
Aliás, sempre que você tiver dificuldade em ler ou ouvir quem pensa diferente, desconfie. Se o jornal ou a televisão ou o rádio ou a internet dizem sempre a mesma coisa sobre este ou sobre aquele político ou partido, procure saber o que dizem os que pensam diferente. Jornalista não é Deus.

Ninguém tem a última palavra quando o assunto é política, quando o assunto é o SEU voto, que só pertence a você. Jamais dê bola quando alguém lhe disser que não deve nem prestar atenção ao que diz um dos lados em uma disputa entre políticos por cargos como presidente, deputado, governador etc.

E não pense só em você quando for escolher seu candidato. Lembre-se de que o que você acha que pode ser melhor para você, se não for melhor para todos você também poderá vir a ter problemas, pois em um país em que há muita gente sofrendo o ambiente se torna mais propício a que as pessoas façam loucuras, cometam desatinos que podem atingir a qualquer um, por mais rico ou satisfeito em suas necessidades que possa estar.

Se não foi assim que fez no passado, saiba que muito do que lhe aconteceu de bom e de mau pode ter acontecido apesar de você não ter votado bem ou por ter votado mal. E mesmo que tenha votado com a cabeça, se o seu voto não tiver funcionado isso pode ter acontecido porque você não tentou convencer outros a votarem direito.

Só não faça uma coisa, eleitor: não deixe de escolher com a cabeça e com cuidado os seus candidatos na eleição deste ano. Faça isso em benefício do seu futuro e do futuro daqueles que você ama. E não dê ouvidos a quem prega que não adianta votar porque “todos são iguais”. Essa pessoa está prejudicando a si mesma e a todos nós.

Justiça tira site do ar: “Falha de S. Paulo” não pode, jornal esculhambador pode!



O Beto Richinha não quer pesquisa que aponte derrota dele. Assim, ele não brinca de eleição.

A “Folha” quer esculhambar todo mundo. Mas não quer ser esculhambada. Assim, o Otavinho não brinca.

É a democracia dessa gente.

O site “Falha de S. Paulo” foi retirado do ar, a pedido do jornal. Era um site que brincava com as barbaridades cometidas pela “Folha”.

Recentemente, a “Folha” “matou” o Tuma. Antes, tinha botado ficha falsa na capa, manchete mentirosa sobre conta de luz. Esculhambação geral. Por que não pode um site brincar com isso?
A “Folha” aderiu ao lulo-chavismo de linha coreana?

Fiquem adevrtidos: Beto Richa e Otavinho, vocês querem segurar a represa que vai arrebentar, botando o dedinho na rachadura (eu sou um blogueiro sujo, por isso posso escrever essas coisas: dedinho na rachadura). Não vai adiantar nada, Otavinho.
Você e o Beto Richa caíram no ridículo.

Fiquem advertidos!

Uma realidade transformada pelo Bolsa Família.



A cidade brasileira que tem a maior cobertura do Bolsa Família, Junco do Maranhão, passou a ostentar uma das menores taxas de mortalidade infantil, uma frequência escolar acima da média nacional e testemunhou uma queda vertiginosa na taxa de desnutrição de crianças até dois anos.

Os dados constam da ótima matéria de Sabrina Lorenzi, no IG, que foi até a cidade maranhense, a 235 km de São Luiz, e constatou as melhoras nos indicadores sociais, no comércio e no dia-a-dia das pessoas nos últimos três anos.

Em Junco do Maranhão, 91,6% das famílias recebem o benefício do Bolsa Família. Mas ao invés de pararem de trabalhar e ensinar isso a seus filhos, como a mulher de Serra classificou os beneficiários do programa do governo Lula, aproveitaram a ajuda para melhorar de vida e fazer a cidade progredir.

O Bolsa Família, com benefícios que variam de R$ 68 a R$ 200, injeta na cidade R$ 1 milhão por ano desde 2008, e de lá para cá, segundo a reportagem do IG, foram abertas uma loja de eletrodomésticos, pet shop, hortifruti, padaria, lanchonete, lan house, duas farmácias, duas lojas de material de construção, dois postos de gasolina, dois pontos de atendimento bancário, alguns mercadinhos, açougues e várias lojinhas de roupas. A paisagem mudou com o comércio e a substituição de casas de pau-a-pique por alvenaria.

E o que tem o Bolsa Família a ver com a redução da mortalidade infantil? Uma das condições exigidas pelo governo federal para o recebimento do benefício é a realização de exames pré-natais. Junco do Maranhão teve em 2008 oito mortos para cada mil nascidos, abaixo da média do país, com 19 mortos para cada mil nascidos, e muito melhor que a média do Nordeste, de 27 mortos por mil nascidos.

Além da redução da mortalidade infantil, a taxa de desnutrição entre crianças de até dois anos caiu de 30,9% em 2000 para 2,3% em 2008 (ver gráfico), o que se deveu à eficácia das políticas públicas e às transferências de renda, que permitiram um maior consumo de alimentos, como observou Adson França, responsável pelo Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil e Materna, uma das metas dos Objetivos do Milênio das Nações Unidas (ONU).

Esse é o Brasil de verdade, que proporciona oportunidades reais a seus filhos, e vem solucionando problemas sociais que se arrastavam há séculos. É o Brasil que queremos e que vai continuar com a escolha de Dilma pela maioria da população, no domingo, para levar adiante o compromisso com os mais pobres e necessitados, assumido por Lula.

Gilmar Mendes será denunciado na ONU por telefonema de Serra.


A ligação telefônica, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, teria ocorrido na quarta-feira 29, durante o julgamento de recurso do PT contra a obrigatoriedade de dois documentos para votar.
por Rodrigo Martins, em Carta Capital

O suposto telefonema do presidenciável José Serra (PSDB) ao ministro Gilmar Mendes, durante uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), levou a ONG Justiça Global e uma série de outras organizações de direitos humanos a encaminhar uma denúncia para as Nações Unidas, devido às suspeitas de falta de independência do magistrado. A ligação telefônica, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, teria ocorrido na quarta-feira 29, durante o julgamento de recurso do PT contra a obrigatoriedade de o eleitor portar dois documentos no dia da votação.

O recurso já havia sido acolhido por sete dos atuais dez ministros da Corte (Eros Grau se aposentou e ainda não foi substituído) quando Mendes decidiu pedir vistas do processo. No dia seguinte, votou contra a requisição petista. De toda maneira, a votação terminou em oito votos favoráveis e dois contra. E, agora, o eleitor pode se apresentar no pleito com qualquer documento de identificação oficial com foto. Vitória do PT, que temia que os eleitores de baixa renda e escolaridade deixassem de votar em função da exigência de dois documentos.

Para as entidades que subscrevem a denúncia, o caso apresenta indícios claros de interferência política nas decisões do Supremo. “Um juiz da mais alta Corte do País não pode receber telefonemas de uma das partes interessadas no meio do julgamento. Pediremos que as Nações Unidas avaliem o caso e cobrem providências do governo brasileiro, para que se faça uma investigação criteriosa dos fatos, inclusive com a quebra judicial do sigilo telefônico se for o caso”, afirma a advogada Andressa Caldas, diretora da Justiça Global.

De acordo com ela, o documento deverá ser encaminhado na tarde desta sexta-feira à brasileira Gabriela Carina de Albuquerque da Silva, relatora especial da ONU sobre a independência de juízes e advogados, e ao Alto Comissariado das Nações Unidas. “Normalmente, encaminhamos esse tipo de denúncia apenas à relatoria da ONU, mas como a titular do cargo é brasileira talvez ela se sinta impedida de avaliar o caso”. Razões para isso não faltam, afinal Gabriela foi assessora de Mendes na época em que ele era presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Andressa ressalta ainda que o ministro Gilmar Mendes, ex-advogado geral da União no governo Fernando Henrique Cardoso, foi acusado outras vezes de atuar de forma parcial no Supremo. “Em diversos casos, o magistrado se pronunciou antes de avaliar os autos do processo e emitiu opiniões contestáveis, por exemplo, ao criminalizar a atuação de movimentos sociais, como o MST”, afirma a advogada. “É por isso que está tomando corpo um movimento pelo impeachment de Mendes. Não temos posição firmada a esse respeito, mas consideramos que esse caso do suposto telefonema de Serra ao ministro, durante o julgamento de um recurso apresentado pelo partido de sua principal oponente nas eleições, deve ser criteriosamente investigado. E, caso se comprove a falta de autonomia, o magistrado precisa ser punido”.

Entre as entidades que subscrevem a denúncia, estão a Rede Nacional de Advogados Populares (Renap), o instituto Ibase e a ONG Terra de Direitos. Além de reportar o caso do telefonema de Serra, o documento enumera outros deslizes do ministro e expõe sua estreita relação com políticos ligados ao PSDB.


Uma surra amazônida.



por Luiz Carlos Azenha

Estou em Manaus há três dias, gravando para uma série de reportagens.
Aqui José Serra tomará uma surra amazônida, que só não será maior porque alguns amazonenses acreditam que o governador paulista é um exemplo de competência administrativa. Nem desconfiam que Serra deverá ser derrotado… em São Paulo.
Marina Silva e Plinio de Arruda Sampaio só não serão mais bem votados aqui por terem desperdiçado as oportunidades de dizer que os trens metropolitanos paulistas são superlotados, que o metrô é superlotado, que o rio Tietê é um esgoto só, etc. etc.
Alguns eleitores daqui não entenderam que a promessa de Serra de fazer no Brasil o que fez em São Paulo deve ser entendida como uma ameaça…
Este é um dos efeitos nacionais da blindagem que a grande mídia proporcionou ao ex-governador.
Blindagem que poderia ter sido desfeita se o próprio PT não precisasse, em São Paulo, do voto da classe média, o que levou o partido a adotar a estratégia de dizer que as coisas vão bem em São Paulo, mas para alguns.
Os manauaras vibram com as obras que o governo federal fez e continua fazendo aqui e com o fato de que a cidade será uma das sedes da Copa do Mundo.
Mas o mito de Serra, o “administrador competente”, continua intacto, assim como o “paulistismo” que envenena qualquer candidato fora de São Paulo.
Ah, sim, o ex-governador é visto como inimigo da Zona Franca de Manaus. E um dos pilares tucanos, Arthur Virgílio, reencarnado como Artur Neto, tenta se reiventar desesperadamente para salvar a cadeira no Senado.


Emir Sader: “Marina é a falência do movimento ecológico brasileiro”



Emir Sader: “Marina é a falência do movimento ecológico brasileiro”

por Conceição Lemes
Pesquisa divulgada pelo Datafolha na terça-feira, 28, colocou em cheque, de novo, a credibilidade do instituto, que já andava baixa. Dizia que Dilma Rousseff (PT) caíra três pontos percentuais em relação ao levantamento realizado na semana anterior, quando tinha 49%. O candidato José Serra (PSDB) teria mantido 28% e Marina Silva (PV) subido de 13% para 14%.

“Enquanto as pesquisas em geral dão 10% de vantagem para Dilma em relação à soma dos outros candidatos, o Datafolha deu 4%. Enquanto o Datafolha cogita o segundo turno, Sensus, Vox Populi e Ibope continuam jurando que vai dar Dilma no primeiro turno”, disse, em entrevista ao Viomundo, o sociólogo-político Emir Sader. “O mínimo que se pode dizer é que, na margem de erro, está havendo manipulação.”

Ao ser indagado sobre o que faremos até a reta final da campanha, Emir brincou: “Lexotan”. Depois, falando sério, afirmou: “Quem está empenhado num candidato, intensificar o trabalho. Mas, sobretudo, tentar desmentir os boatos, as falsidades que andam espalhando por aí”.
Eis a segunda parte da entrevista que nos concedeu.

Viomundo — Que falsidade o senhor destacaria?

Emir Sader – A mídia está passando uma imagem platônica da Marina, que não tem nada a ver. Na hora em que teve de enfrentar uma luta concreta, ela ficou contra os povos indígenas.

Emir Sader – Exatamente. O registro para fins comercias de frutas tropicais da Amazônia feito pela Natura, cujo presidente [Guilherme Leal] é o vice da chapa verde. A Marina ficou do lado dele contra os interesses e os saberes naturais dos povos indígenas, dos povos da Amazônia, ao dizer que a Justiça é que decidiria.
Tenho dúvidas sobre a “preocupação” ecológica da empresa. Qual a política salarial dela? Qual a política para exploração dos recursos naturais? Qual a política da propriedade intelectual? Eu não vejo nada de significativo na prática social dela, que pudesse ter um caráter ecológico. A questão ecológica não é só preservar a floresta e os animais em extinção. Essa visão é muito pobre, reducionista.
Curiosamente, até sair do governo Lula, a Marina era o diabo para a imprensa. A mídia dizia que ela era quem mais prejudicava os projetos econômicos com suas picuinhas ideológicas. Essa mesma mídia, agora, exalta a Marina, numa clara instrumentalização, que ela aceita de bom grado. Quando se fala da Marina real, do Serra real, aí é que se vê a verdadeira dimensão deles.

Viomundo – Quem é a Marina real?

Emir Sader – No Fórum Social Mundial, ouvimos o tempo todo que a questão ecológica é transversal. Ou seja, a ecologia cruzaria tudo, assim como na época anterior da esquerda se achava que a questão capital-trabalho cruzava tudo.
A graça da campanha da Marina seria fazer uma campanha em que ecologia cruzasse tudo. Só que ela deixou de ter uma agenda própria, passou a reagir a partir do denuncismo da direita, do bloco tucano-udenista. Chegou a dizer que a violação dos sigilos bancários da filha e do genro do Serra provocava fragilidade na sociedade brasileira. Tomara que fosse essa a nossa fragilidade. Para nós, o que fragiliza a sociedade brasileira é a violência, é o desemprego, é a miséria, é a injustiça…
Nessa campanha, Marina só assumiu posições equidistantes do cerne da questão ecológica. Ela não desenvolveu no governo nem fora uma concepção ecológica do desenvolvimento. O discurso dela não quer dizer nada.
Ao falar de Belo Monte, por exemplo, ela emenda “mas a energia limpa…” Só que Belo Monte é energia limpa. A Marina não tem coragem de se colocar a favor de projetos como Belo Monte, mas também não tem capacidade de elaborar projetos alternativos. Acho que a Marina é a falência do movimento ecológico brasileiro.

Viomundo — Mesmo?

Emir Sader – Sim. O discurso dela pode parecer coerente no papel, mas, quando você questiona, é um vazio profundo. O estado brasileiro como é que vai ser? Qual o modelo desenvolvimento que propõe? Qual o papel do mercado interno? E da exportação? Como seria a política externa brasileira? E as políticas sociais?
São questões cruciais sobre as quais ela não tem nada a dizer — nem contra nem a favor do que está sendo feito. Nada.
Peguemos os transgênicos, uma questão grave. O que a Marina tem a dizer hoje? Vai acabar com eles, com exportação de soja, com a Monsanto? O discurso dela acaba sendo um blefe, já que os segmentos dos transgênicos são totalmente aparelhados pela direita, que hoje a apóiam.
Está na hora de provar a transversalidade da questão ecológica. Não vejo nada disso na campanha da Marina. Onde está a questão ecológica, estruturando o conjunto da plataforma dela? Não tem.
Ela fala em terceira via, mas qual é a política de emprego dela? Qual a política de salários? Qual a política de crédito? Não tem nada. Ela não tem nada a dizer nem dos programas essenciais do governo, como o microcrédito, o Luz para Todos, o crédito consignado. É só blábláblá. O que aparece, para quem está olhando a campanha, é um esvaziamento da transversalidade da questão ecológica.

Viomundo – A mesma mídia que apedrejava a Marina, hoje a enaltece. O Serra nem fala. Para alavancar a candidatura dele e liquidar a da Dilma, a “grande” imprensa assassinou o jornalismo durante essa campanha…
Emir Sader — A questão não é ser a favor ou contra o Lula ou a Dilma. Quando você tem um governo com 80% de aprovação e olha a imprensa, uma coisa não corresponde à outra. A cobertura não reflete a formação democrática e pluralista da opinião pública. Eu não queria que falasse bem, eu gostaria que existisse o pluralismo, os pontos de vista realmente existentes na sociedade. Por outro lado, no governo Lula, avançamos pouco na questão mídia.

Viomundo – Que avaliação o senhor faz da política de comunicação do governo?
Emir Sader – Houve um fracasso enorme. Daí a dificuldade de governar. Se deixou criar um denuncismo, centrado em escândalos, reais ou não, desproporcional, que acaba falsificando o próprio debate político, ou seja, o que mudou na sociedade brasileira para melhor ou para pior. Às vezes dá a impressão de que o governo é um poço de escândalo. O que não é verdade. Isso se deve ao fracasso da política de comunicação do governo.
O interessante é que a massa da população sabe dessa manipulação. Tanto que vota a favor do governo, apesar da mídia. Nós temos de democratizar, desconcentrar, ainda três coisas fundamentais: o dinheiro, a terra e a palavra. São monopólios privados. Não haverá sociedade democrática sem se democratizar essas instâncias.

Viomundo – E o Judiciário?

Emir Sader – É muito ruim que tenha pessoas que se comportam como o Gilmar Mendes e a doutora Sandra Cureau. Estão tão empenhados politicamente que desmoralizam ainda mais o Judiciário. São personagens que refletem a arbitrariedade da Justiça, que deveria ser um órgão justo. Por isso, a reforma do Estado é fundamental. Acho que o Judiciário tem de estar submetido a um controle social.
Há alguns dias a Folha, em editorial, disse que todo poder tem de ter limite. E quem coloca limite no poder mídia monopólica? Quem coloca limite ao Judiciário?
Isso não vai cair do céu. Tem de ser definido em uma instância democrática. A doutora Cureau, como disse a Dilma, tem o direito de se manifestar como cidadã. Mas, ao dizer que o Lula está se empenhando ao máximo para eleger a Dilma, ela poderia dizer também que a imprensa está fazendo o máximo para eleger o Serra.
Acho que estão extrapolando o papel do Judiciário. Fazer uma leitura política de intenções é uma atitude totalmente indevida em relação aos juízes.

Viomundo – Para terminar, o que representa a eleição deste domingo?

Emir Sader — O que está em jogo é o governo Lula. No domingo, o povo vai decidir se o governo Lula foi um parêntese e, aí, as elites tradicionais voltam ao poder. Ou se o governo Lula vai ser uma ponte para a gente construir um país justo, solidário e soberano, tarefa que apenas começamos a fazer. Acho que o povo está optando claramente pela continuação do processo, apesar da direita espernear através dos seus órgãos da mídia.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Por que o debate da Globo não presta.


Nixon e Kennedy: você jamais verá um debate no Brasil

O debate presidencial, aquele que se considerava “decisivo”, porque o Serra ia “virar”, o debate foi ao ar às 22H35.
Depois da novela em que se supõe que os personagens falem italiano.
O debate foi no mesmo horário em que a Globo autoriza que os jogos do Brasileirinho se realizem.(A Cristina Kirchner comprou os direitos do campeonato argentino e distribui a todos os canais, que exibem na hora em que quiserem.)
O debate da Globo é para o brasileiro que pode ir dormir depois da meia noite: ou seja, os ricos.
O debate é uma chatice porque :

1) as perguntas são sobre temas sorteados;

2) quem faz as perguntas são os candidatos.
Por isso, as perguntas não são perguntas, mas plataforma para o candidato dizer o que quer.
E as perguntas são dirigidas ao adversário que esconda o maior rival.
Quando a Dilma pergunta ao Plínio, é porque quer esconder o Serra.
E o Serra só entrou no ar às 23H.
O formato da Globo acabou por ser um tiro no pé do Serra.
Quem sabe fazer pergunta é jornalista.
Candidato sabe pedir voto – quando sabe, o que não é o caso do Serra.
Candidato não sabe perguntar.Por isso, o debate ficou assim: insípido, inodoro e incolor.
E por que ficou assim ?Porque os candidatos e os partidos quiseram fugir dos jornalistas.
E por que fugiram dos jornalistas ?Porque os jornalistas brasileiros, em geral, não prestam.
São partidários e, na maioria, tucanos.
Como diz o Mino Carta: o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama o patrão de “colega”.
Para evitar que o debate seja conduzido por perguntas do Jabor, da urubóloga ou do Waack, os partidos amarraram o debate.
Criaram um formato imune à tensão.É como se a bola não pudesse passar da intermediária.É um debate do tipo “risco-zero”.
O debate faz parte do sistema político brasileiro, em que não há discussão de políticas publicas.Não há confronto de idéias.
O que mais informa acaba sendo, como a propaganda da Dilma, o horário eleitoral gratuito.
A lei que regula a entrada de candidatos na televisão também é essencialmente idiota.
Consiste em não aprofundar nada.
Por que ?
De novo, porque os partidos precisavam se proteger, antes de tudo, da parcialidade da Globo.
E aí fica essa bobagem do “dia do candidato”.
Em que o pobre espectador tem que ouvir a Bláblárina Silva – a candidata de duas caras, como disse o Santayana – dizer “é muito grave”, “é prioritário”, faremos “um plebiscito”.
Nos Estados Unidos, por exemplo, os debates são no horário nobre.
Patrocinados por entidades educacionais, geralmente.
E quem faz as pergunta são jornalistas – que todo mundo reconhece como jornalistas sérios, imparciais.
A Dilma aceitaria que só a Miriam fizesse as perguntas ?
Ou o Jabor ?
Melhor ir para o clinch – e não deixar o Serra respirar.
Debate não decide eleição, como profetizou Don Hewitt, que, em 1960, dirigiu o primeiro dos debates na tevê, entre Kennedy e Nixon.
O máximo que faz é acentuar tendência que já prevalecia antes do debate.
Cada um vê no debate o que quer ver. Mas, poderia ser um instrumento de informação e formação.
Se não fosse ao ar no horário do Brasileirinho.
A presidente Dilma Rousseff não foge de uma responsabilidade que se impõe diante dela: promulgar a Ley de Medios.
O brasileiro precisa conhecer, discutir seus problemas.
Do contrário, o sucessor da Dilma será o Berlusconi.

Paulo Henrique Amorim

Jurista cogita impeachment de Gilmar Mendes.


O jurista e professor de Direito, Wálter Fanganiello Maierovitch disse no seu blog que reportagem da Folha de S. Paulo - na qual diz que o ministro Gilmar Mendes, do STF, recebeu telefonema do tucano José Serra antes de interromper o julgamento sobre a exigência de dois documentos para votar - causou "perplexidade" na corte. "Já se fala, mas não se sabe se é o momento adequado, no impeachment do ministro Gilmar Mendes. É o que ecoa a "rádio corredor" do Supremo, caso seja comprovada a denúncia", escreveu. "O fato é grave porque coloca em jogo o direito de cidadania. Trata-se de um ministro do Supremo, que tem como obrigação a isenção."

Especialistas veem 'imoralidade' em ato de ministro

"É uma imoralidade, mas desgraçadamente faz parte dessa nossa história de privilégios", protestou ontem o jurista Luiz Flávio Gomes, referindo-se ao telefonema que o candidato à Presidência José Serra (PSDB) fez a Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), quarta-feira, antes que o ministro interrompesse julgamento do recurso do PT contra a obrigatoriedade de o eleitor exibir dois documentos na hora do voto.Para Gomes, "juiz não tinha que estar sujeito a esse tipo de telefonema no último minuto do jogo".

"Nesse item o PSDB perdeu feio", observa o advogado, ex-juiz de Direito.

"Se tiver havido o telefonema com esse propósito evidentemente preocupa muito na medida em que poderia pairar dúvida a respeito de como as decisões são tomadas nos tribunais", disse o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante.Se houve a ligação nesse sentido fica difícil de compreender, sobretudo para a sociedade.

Tracking fecha um mês. Dilma tem 55% dos válidos.



A dois dias das eleições, Dilma oscilou um ponto para baixo (49% para 48%), Serra variou um ponto para cima (26% para 27%), e Marina se manteve nos 12%, no tracking Vox Populi/Band/IG, que se realiza desde o primeiro dia de setembro.
Brancos e nulos ficaram em 4% e os indecisos oscilaram de 8% para 9%. Com isso, Dilma tem 55,17% dos votos válidos, e vence a eleição no primeiro turno, contra 31,03% de Serra e 13,79% de Marina.

No período de 1º de setembro a 1º de outubro, Dilma caiu de 51% para 48%; Serra passou de 25% para 27%, e Marina subiu de 9% para 12%. Como a margem de erro do tracking é de 2,2 pontos percentuais, Serra não saiu do lugar durante o mês inteiro, enquanto Dilma perdeu um pouco e Marina ganhou um pouco.

A alteração foi muito pequena e não afetou a estabilidade do cenário, que sempre apontou para a vitória de Dilma no primeiro turno.

O tracking Vox/Band/iG conta com 2.000 entrevistas, sendo que um quarto dessa amostra é renovada diariamente.




Telefonema de Serra fez Mendes romper acordo no STF.


Mendes e Serra desmoralizam o Supremo



Mendes já havia deixado os ministros surpresos neste caso. Na sessão secreta de terça-feira, ante a ameaça de um pedido de vista, ministros relataram que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski, teria se proposto a flexibilizar a regra por meio de uma resolução do TSE. Mendes teria reagido à proposta, dizendo que o DEM logo entraria com um processo contra essa resolução.


O comportamento de Mendes praticamente sepultou a proposta do presidente do STF, Cezar Peluso, de promover reuniões reservadas antes de julgamentos polêmicos ou em momentos de crise para evitar conflitos em plenário. Na terça-feira, Peluso convocou os ministros e pediu que evitassem votos longos e polêmicas no plenário. Não queria que o tribunal fosse alvo de novos ataques depois do impasse criado no julgamento da validade da Lei da Ficha Limpa. Os ministros anuíram. Mendes, que estava na reunião, descumpriu o acordo.