quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Serra e as privatizações



Privatas do Caribe: livro do Amaury vem aí!



por Rodrigo Vianna



Na tela do computador, o título chamativo: “A GRANDE LAVANDERIA”. Logo abaixo, um pequeno resumo explica o que são ”as ilhas que lavam mais branco…”. Ilhas do Caribe. É o capítulo 4, de um total de 15, que já seguiram para a editora. Agora, falta a revisão final. E depois tudo vai para a gráfica. À frente do computador, o jornalista responsável pela investigação: Amaury Ribeiro Júnior. “Olha essa frase, tá bom isso, ocê não acha? Hem, hem?” Ele saboreia cada capítulo como se fosse um filho.
“Siga o dinheiro, ele sempre conta a história”, diz Amaury, resumindo o foco de uma apuração que durou 10 anos. O repórter premiado começou a investigar os caminhos (e descaminhos) do dinheiro das privatizações da Era FHC quando ainda era repórter de “O Globo”. Pergunto se conseguiu publicar alguma coisa no jornal carioca: “ocê é doido, rapaz, eles não mexem com isso não”.
O Amaury tem um jeito de matuto. Numa profissão em que jovens jornalistas gostam de se vestir como se fossem executivos do mercado financeiro, ele prefere a simplicidade. E com esse jeito de mineiro que não está entendendo bem o que se passa em volta, consegue tudo: papéis, documentos, informações. Sobre a mesa de trabalho, o caos criativo. Parte daquela papelada vai parar no livro, na forma de anexos: são documentos que ajudam a contar a história. ”Tá bom o livro, não tá? Hem, hem?”. Quase todas as frases do Amaury terminam com esse “hem, hem!”.
Um outro colega passa em frente à mesa do Amaury, e finge que vai levar parte dos documentos: “Ocê é doido, faz isso não”. Depois, emenda uma frase meio enrolada. Parece que ele usa aquela tática do velho Miguel Arraes: metade do que o Amaury diz a gente não entende. Mas o que ele escreve é fácil de entender.
O capítulo 4 conta a história da Citco, empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. “E o que é a Citco?” eu pergunto. “A Citco é uma espécie de barco dos corsários, é por ali que o dinheiro circula”. Segundo Amaury Ribeiro Junior, a Citco é especializada em abrir empresas “offshore”. O termo vem da época dos corsários de verdade: “eles saqueavam os mares, e depois escondiam o fruto dos saques ’offshore’, ou seja, fora da costa, longe dos olhos das pessoas”, explica o repórter.
Em setembro de 2010, publiquei aqui no Escrevinhador um aperitivo sobre o tema: “Citco, esse é o mapa da mina” . Agora, recebo mais mais detalhes, que estarão no livro. Quem já usou esse esquema, Amaury? “Os doleiros do Banestado usavam, a turma da Georgina usava nas fraudes da Previdência, e a turma que faturou com as privatizações também usou”. É o que Amaury vai explicar (e provar, ele garante) no livro “OS PRIVATAS DO CARIBE”. Hoje, ele me mostrou alguns capítulos. Já estão todos prontos. Os títulos dão uma pista do que vem por aí:
- “OS TUCANOS E SUAS EMPRESAS-CAMALEÃO”
- “OS SÓCIOS OCULTOS DE SERRA”
- “MISTER BIG, O PAI DO ESQUEMA”
- “A FEITIÇARIA FINANCEIRA DE VERÔNICA”
- “DOUTOR ESCUTA, O ARAPONGA DE SERRA”.
Quais são as empresas camaleão? Quem administrava as empresas? Quais foram as feitiçarias de Verônica? E quem é o “doutor escuta”? Tudo isso o Amaury promete contar em detalhes.
Aqui, no “VioMundo” do Azenha, você lê um dos capítulos.
Vocês se lembram que, durante a campanha eleitoral de 2010, Amaury foi acusado de quebrar o sigilo da família de Serra, num esquema que serviria ao PT. Amaury nega tudo. Ele tem certeza que as acusações – publicadas com destaque na imprensa serrista – eram uma retaliação: “os tucanos sabiam que eu tinha investigado isso tudo, e que a investigação ia virar livro, tentaram me queimar”. Na reta final da eleição, um emissário de Serra chegou a procurar Amaury. Ligou até na redação da Record atrás dele. Amaury acha que os tucanos queriam propor algum tipo de acordo…
Ao fim da campanha, com Serra derrotado, muita gente chegou a duvidar da existência do livro sobre as privatizações. ”O Amaury blefou”, diziam alguns leitores. A turma do PSDB mesmo deve ter achado que ele não teria coragem de publicar os resultados da investigação de uma década. Agora, podem ter uma surpresa.
Mas não pensem que o livro ficará barato para o PT. Amaury mostra como ele virou pivô de uma luta interna nos bastidores da campanha de Dilma. Um capítulo inteiro é dedicado a essa história: “COMO O PT SABOTOU O PT”.
Amaury só não explica uma coisa: como é que consegue escrever livro sobre dinheiro no Caribe, produzir reportagens especiais pra TV em São Paulo e ainda administrar “a melhor pizzaria do Brasil”. A pizzaria fica em Campo Grande (MS).
“Mas Amaury, repórter dono de pizzaria é piada pronta”, provoco. “Ocê precisa experimentar minha pizza, é a melhor do Brasil”, ele diz, maroto. E emenda mais uma frase incompreensível sobre mussarela e calabresa.
A pizza eu não quero. Prefiro o livro.
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terça-feira, 6 de setembro de 2011

NOVELA DA TV GLOBO MORDE A INFORMAÇÃO E ASSOPRA BOBAGENS SOBRE TRATAMENTO FISIOTERÁPICO. – CREFITO NOTIFICA A EMISSORA.




Se não conhece sobre o assunto, o autor da novela das sete, deveria se informar, ao invés de abordar questões de saúde, como se fosse mais uma das bobagens e futilidades ditas por atores que interpretam personagens de sua novela.


Infelizmente, as novelas ainda possuem um grande poder de ‘passar’ para os espectadores mensagens que acabam funcionando como formadoras de hábitos e opinião. Assim, quando se veicula na novela, uma informação falsa, relacionada com a saúde das pessoas, se ultrapassa o limite do besteirol e se beira a irresponsabilidade.

O CONSELHO DE FISIOTERAPIA reagiu através de notificação, mas, vai ficar por isso mesmo, as novelas das TVs só possuem compromisso com a audiência, e, com honrosas exceções, contribuem para deseducar e perverter, sob o escudo do entretenimento.


Leia a Nota do CREFITO


Crefito-2 notifica a Rede Globo por equívoco na novela Morde & Assopra.


O CREFITO-2 vem manifestar repúdio à grave distorção no enfoque dado no capítulo da novela “Morde & Assopra” da Rede Globo de Televisão, exibido em 31 de agosto de 2011, quarta-feira. No diálogo entre os personagens, um médico sugere que o menino Rafael deve submeter-se a tratamento de fisioterapia e indica um enfermeiro, que também é “AUXILIAR DE FISIOTERAPIA”. Ele estaria habilitado, pois havia realizado cursos técnicos e trabalhado em clínicas de FISIOTERAPIA.


A Presidente do CREFITO-2, Dra. Regina Figueirôa, ao tomar conhecimento do ocorrido, acionou a Assessoria Jurídica do Conselho e imediatamente foram expedidos Ofícios ao autor e ao diretor da novela, como também ao diretor-geral da emissora, manifestando nossa surpresa e preocupação com o equivocado enfoque e pleiteando a correção, onde o tratamento seja assumido por fisioterapeuta.


A criação de um personagem intitulado “AUXILIAR DE FISIOTERAPIA”, assumindo o tratamento fisioterapêutico na referida criança, mesmo sendo ficção, pode incentivar e promover o exercício ilegal da profissão de fisioterapeuta, tão combatida por este Conselho Regional.


Esperamos que as distorções sejam sanadas, em defesa de uma boa assistência de Saúde à população.


Diretoria do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 2ª Região


A crise não é de mentirinha




Estamos diante de um momento extremamente sério e a cobertura de imprensa parece não se dar conta disso. O cenário econômico internacional está se deteriorando a olhos vistos. Mas estamos aqui discutindo se o Banco central agiu bem ao fazer exatamente o mesmo que todos os outros bancos centrais do mundo fazem quando há risco – e risco “iminente”, segundo a insuspeita Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI – de uma recessão: baixar os juros para estimular a economia.


Outro diretor do FMI, o brasileiro Paulo Nogueira Batista Jr. , diz que a análise por lá é de que “quase alarme”, como temor que a economia dos principais países desenvolvidos “possa sofrer uma crise semelhante àquela que ocorreu depois do colapso do banco Lehman Brothers em 2008″.


Mas enquanto o nosso pessoal “sabichão” aqui torce para termos inflação e por juros altos, lá de fora há gente séria que não nos vê assim.


Hoje, o economista americano Eric Leeper, professor da Universidade de Indiana, elogiou a política monetária e fiscal do Brasil, dizendo que o país não vive pressões para administrar sua dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e tem a tendência de juros básicos em queda.


“Japão, Estados Unidos e Europa não estão em condições de dar lições para ninguém nos regimes fiscal e monetário; agora alguns países da América Latina, principalmente o Brasil, são exemplos importantes”, disse Leeper, segundo o Valor.


Mas o nosso pensamento conservador só sabe a fórmula da “roda-presa”: juros altos, na bonança ou na tempestade.


E, para justifica-los, agita o terrível dragão da inflação. Temos subida de preços no Brasil? Sim, puxada por setores localizados. Um deles, o de serviços, fortemente influenciado pelo “terror inflacionista” . Preparei e posto aqui um comparativo do IGP-M, menos sujeito a pressões pontuais que o IPCA, do ano de 2008, quando a crise explodiu em setembro, e o deste ano. Basta olhar e ver que a trajetória de baixa da inflação que ocorreu então já vinha ocorrendo hoje.


Só que, então, Henrique Meirelles resolveu esperar o atestado de óbito e a missa de três meses do falecimento da atividade econômica para baixar em um ponto a taxa de juros. E amargamos uma baita retração no primeiro trimestre de 2009 por conta deste atraso. Mas a banca e os rentistas pegaram mais “um por centinho” durante três meses.


Deu para trocar o iate. E dane-se a turma que perdeu o emprego.


Folha ‘atacou’ Alckmin para simular ‘isenção’




Sim, você leu direito: enfim algum grande meio de comunicação publicou uma “denúncia” contra um tucano. Na verdade, o que é mais surpreendente é que a “denúncia” cita familiares do governador Geraldo Alckmin, o que, até então, pensava-se ser regalia exclusiva de petistas. E, para completar, foi parar na primeira página (!?) da Folha de São Paulo.
Corte para a entrevista que o ex-ministro José Dirceu concedeu no último domingo ao programa É Notícia!, da Rede TV, comandado pelo jornalista Kennedy Alencar, que também trabalha na Folha. Lá pelas tantas, travou-se um diálogo entre entrevistador e entrevistado que explicará o súbito surto de “imparcialidade” do jornal paulista.
—–
(…)
Kennedy Alencar
– O PT ajudou a implantar no Brasil um padrão ético muito rigoroso. Cobrava muito dos outros partidos.O senhor mesmo, na CPI do Collor… Mas o PT tem dificuldade de aceitar ser cobrado pelo mesmo padrão que ele cobrava os outros. Aí, como o Jaques Wagner já disse, não é o pecado do pregador? O PT não tem que ser mais cobrado, ministro, porque, justamente, foi o partido que cobrava muito dos outros ética?
José Dirceu – O PT é o único partido cobrado…
Alencar
– Não é verdade…
Dirceu – Os escândalos do PSDB…
Alencar
– Não é verdade…
Dirceu – Os escândalos do PSDB…
Alencar
– O PR, agora…
Dirceu – Não, estou falando da oposição. Os escândalos do PSDB, geralmente…
Alencar
– Recentemente teve uma matéria na Folha sobre familiares da mulher do governador de São Paulo.
Dirceu – Mas os grandes escândalos não se transformaram em grandes matérias jornalísticas.
Alencar
– Mas o PT não merece ser mais cobrado?
(…)
—–
Primeiramente, a idéia de Alencar é absurda. Por que o PT merece ser mais cobrado? Porque exigia ética quando estava na oposição? Ora, o PSDB exige ética do PT no governo federal há quase nove anos e nem por isso a mídia cobra os tucanos em São Paulo. O PSDB também merece ser mais cobrado?
Mas o fato principal não é esse. Viram como Alencar aludiu à primeira e única matéria supostamente incômoda para o governador de São Paulo que saiu na primeira página – e, provavelmente, nas páginas internas – neste ano? Então… Foi para isso.
A matéria saiu no dia 30 do mês passado e nunca mais se tocou no assunto. E ela não se espalhou pela mídia paulista, como acontece com as matérias contra o PT. Ficou circunscrita àquela edição isolada da Folha e, de acordo com o que costuma acontecer quando algum veículo publica alguma coisa incômoda para os tucanos, o assunto desaparece logo depois e não volta nunca mais.
Dirceu cometeu um erro, naquele ponto da entrevista. Deixou o dito pelo não dito. Não insistiu no assunto de que, como disse a Alencar, o PT é o único partido de quem a mídia cobra ética. Se explorasse o tema encurralaria o lépido entrevistador, apesar de ter se saído bem na entrevista.
A matéria da Folha é uma piada. Não tem nada que ver com o governador. A empresa de familiares de Lu Alckmin é investigada sob suspeita de ter se beneficiado de uma fraude de R$ 4 milhões contra a Prefeitura de São Paulo. O caso ocorreu entre 1994 e 1999. A fraude apontada teria sido efetuada na gestão do então prefeito Celso Pitta, já morto.
Em 2001, a prefeita Marta Suplicy ( PT) mandou arquivar o caso contra o adversário político. Claro que não foi em frente porque a denúncia não tinha futuro. Por isso a Folha publicou.
Dirceu perdeu a chance de citar todos os escândalos tucanos que a mídia esconde. O do Rodoanel (superfaturamento), o das obras de desassoreamento do rio Tietê (dinheiro foi desviado das obras para publicidade do governo Serra), sem falar em mais de cem pedidos de CPI que dormitam na Assembléia Legislativa paulista por ordem do PSDB, e a imprensa não dá um pio.
Poderia ter sido feito um desafio a Alencar: apurar os últimos doze meses de matérias da Folha, ao menos, e quantificar quantas denúncias o jornal fez contra governos petistas e tucanos. Acabaria com a conversa e desmontaria a estratégia da mídia de publicar alguma denúncia besta contra o PSDB episodicamente para se dizer “isenta”.
O que se pode extrair disso tudo é que esse jornal encenar tal farsa – que Alencar usou descaradamente – revela que a mídia está acusando o golpe. Ou seja: se tenta provar que é isenta é porque se sente incomodada pelos que dizem que não é. Certamente acha – ou sabe – que, apesar de não falarmos tão alto quanto ela, acabamos sendo ouvidos.


Privatas do Caribe: livro de repórter identifica esquema de espionagem tucano




O novo livro de Amaury Ribeiro Jr., Privatas do Caribe, já foi entregue à editora.
Acrescido de uma informação bombástica sobre o esquema de espionagem que teria servido ao ex-governador paulista José Serra desde 2008, inclusive no período eleitoral de 2010. Segundo Amaury, Serra recorreu a uma empresa de um ex-agente do Serviço Nacional de Informações, paga com dinheiro público.
O Amaury garante que, desta vez, o livro sai: o lançamento será entre o final de outubro e o início de novembro.
O trecho que li é muito bem documentado e, politicamente, devastador.
Segue a abertura do livro:
Privatas do Caribe
A fantástica viagem das fortunas tucanas desde os porões da privataria até o paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas
Amaury Ribeiro Jr.
Prepare-se: o que está logo adiante não é uma narrativa qualquer.
Você está embarcando em uma grande reportagem que vai devassar os subterrâneos da privatização realizada no Brasil sob FHC.
Os porões da privataria.
É, talvez, a mais profunda e abrangente abordagem jamais feita deste tema.
Mas que não se limita a resgatar a selvageria neoliberal dos anos 1990, que dizimou o patrimônio público nacional, deixando o país mais pobre e os ricos mais ricos.
Se fosse apenas isso, o livro já se justificaria.
Mas vai além ao perseguir a conexão entre a onda privatizante e a abertura de contas sigilosas e de empresas de fachada nos paraísos fiscais da América Central.
Onde se lava mais branco não somente o dinheiro sujo da corrupção, mas também o do narcotráfico, do contrabando de armas e do terrorismo.
Um ervanário que, após a assepsia, retorna limpo ao Brasil.
Resultado de uma busca incansável de mais de dez anos do autor, Amaury Ribeiro Jr. — um dos mais importantes e premiados repórteres investigativos do país, com passagens por IstoÉ, O Globo, Correio Braziliense entre outras redações — o livro registra as relações históricas de altos próceres do tucanato com a realização de depósitos e a abertura de empresas de fachada no exterior.
Devota-se particularmente a perscrutar as atividades do clã do ex-governador paulista José Serra nesse vaivem entre o Brasil e os paraísos caribenhos.
Sempre calcado em documentos oficiais, obtidos em juntas comerciais, cartórios, no ministério público e na Justiça.
Assim, comprova as movimentações da filha do ex-candidato do PSDB à Presidência, Verônica, e as de seu marido, o empresário Alexandre Bourgeois.
Que seguiram, no Caribe, as lições do ex-tesoureiro de Serra e eminência parda das privatizações, Ricardo Sérgio de Oliveira.
Descreve ainda suas ligações perigosas com o banqueiro Daniel Dantas.
Detém-se na impressionante trajetória do primo político de Serra, o empresário Gregório Marin Preciado que, mesmo na bancarrota, conseguiu participar do leilão das estatais.
E arrematar empresas públicas!
Estas páginas também revelarão que o então governador Serra contratou, com o aporte dos cofres paulistas, um renomado araponga antes sediado no setor mais implacável do Serviço Nacional de Informações, o extinto SNI.
E que Verônica Serra foi indiciada sob a acusação de praticar o crime que, na disputa eleitoral de 2010, acusou os adversários políticos de seu pai de terem praticado.
Desvinculado de qualquer filiação partidária, militante do jornalismo, Ribeiro Jr. do mesmo modo como rastreou o dinheiro dos privatas do Caribe, esteve na linha de frente das averiguações sobre o “Mensalão”.
Seu olhar também visitou os bastidores da campanha do PT para averiguar os vazamentos de informações que perturbaram a candidatura presidencial em 2010.
E sustenta que, na luta por ocupar espaço a qualquer preço, companheiros abriram fogo amigo contra companheiros, traficando intrigas para adversários políticos incrustados na mídia mais hostil à Dilma Rousseff.
É isso e muito mais. À leitura.
O Editor


Luiz Carlos Azenha




Crise no ninho do tucanato




A pesquisa Datafolha para a Prefeitura de São Paulo não permite nenhuma conclusão, exceto a que os dois nomes mais conhecidos mostram o patamar de onde partem para a disputa. A ex-prefeita Marta Suplicy tem um terço do eleitorado; o ex-governador José Serra, um quinto.
Se para Marta a situação é confortável, mesmo com a manifesta preferência do ex-presidente Lula por uma renovação política em São Paulo, para Serra o retrato não podia ser pior. Ele sai de um governo do Estado e de uma candidatura presidencial deixando de ser reconhecido como nome natural para a direita.
E alguém acredita que Alckmin colocará a máquina do Estado em favor de Serra?
Os resultados obtidos por Netinho de Paula (PCdo B) e por Paulinho da Força (PDT), somados ao de Marta, chegam perto dos 50%. Os de Serra, somados aos de Soninha Francine e a Eduardo Jorge (PV-Kassab), não vão a 30%.
Com um pouco de juízo e muita articulação, o tucanato pode perder seu reduto paulistano.


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Mídia reage ao Congresso do PT com ameaças golpistas




Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que levo muito a sério o que direi neste texto algo longo que até tentei adiar, mas que não pude postergar diante da questão crucial e grave de que trata. Se você, leitor habitual desta página, já conseguiu ver qualquer valor nas análises que aqui são publicadas, sugiro que respire fundo e me conceda a atenção mais integral que já dispensou a algo que escrevi.


Não farei suspense sobre o assunto. Uma primeira reação declarada da mídia antipetista (acima de tudo) que sucedeu a divulgação do documento final do 4º Congresso Nacional do PT na noite de domingo me obriga a dizer que tal manifestação contém ameaça explícita e intolerável de tentativa de golpe contra o governo Dilma caso envie ao Congresso Nacional um projeto de marco regulatório amplo para a Comunicação no Brasil.


Mas não é só. Pelo tom da ameaça, as retaliações subentendidas poderão ocorrer até mesmo se, conforme o documento final do Congresso do PT, o partido realmente propuser às Casas Legislativas da nação um projeto de lei sobre tema que os barões da mídia não aceitam sequer discutir, ou seja, que tenham que respeitar regras e, mais do que isso, desfazerem-se de parte de seus impérios no âmbito de um veto legal à propriedade cruzada de meios de comunicação.

O veto legal à propriedade cruzada, para simplificar, significaria que as Organizações Globo, por exemplo, não poderiam mais ter jornal, revista, rádio, televisão e portal de internet nas mesmas regiões; o Grupo Folha, não poderia ter jornal e portal de internet do porte da Folha e do UOL; o Grupo Estado, não mais poderia deter uma grande rádio, um grande jornal e um grande portal de internet; e a Editora Abril, teria que escolher, sempre exemplificando, entre suas publicações impressas e seu portal de internet.


Em países como os Estados Unidos é normal que o Estado obrigue grupos empresariais a se desfazerem de parte de suas empresas quando estas ameaçam constituir monopólio ou oligopólio. No Brasil mesmo, isso também acontece. Mas aqui, à diferença de lá, o Estado impedir concentração de mercado jamais incluiu a Comunicação, pois esta sempre foi gerida pela direita que governou este país entre 1964 e 2002, em sua última investida.


Durante esses mais de quarenta anos, esses impérios de comunicação se consolidaram e conseguiram se tornar nem um quarto Poder, mas o primeiro. Adquiriram meios de chantagear a classe política com seus instrumentos de calar ou dar voz a quem bem entendessem e, por isso, jamais tiveram seus monopólios e oligopólios contestados.


Quando ameaçam, portanto, mesmo sendo por um de seus tentáculos menores – mas que serve de amostra do todo que integra –, por conta do que a história nos mostra me vejo obrigado a levar muito a sério e, assim, a vir a público dizer que não duvido de que nesse discurso que abordarei, forjado para repelir a decisão autônoma e constitucional tomada pelo PT em seu Congresso de propor regulamentação da comunicação, há uma clara ameaça às instituições brasileiras.


A gravidade desse texto decorre de sua origem. Foi escrito por alguém que tem servido de voz oficiosa a um dos quatro grandes tentáculos da imprensa golpista que já produziu um golpe de Estado neste país e que vive defendendo aqueles que durante vinte anos subjugaram a nação através dos métodos que todos conhecem.


Reinaldo Azevedo publica, na noite de domingo, um texto furioso ameaçando claramente o maior partido político do Brasil, uma estrutura partidária gigantesca com cerca de um milhão de filiados, detentora de dezenas e dezenas de milhões de votos em todos os níveis eletivos e que governa o país sob a aprovação efusiva da maioria absoluta e incontestável dos brasileiros há quase nove anos ininterruptos.


Não preocupam as inversões dos fatos, as meias verdades e as mentiras inteiras que esse homem escreveu, mas as ameaças que, na condição de uma célula cerebral da direita midiática que submeteu este país à ditadura militar, e em consonância com outros fatos que serão abordados, sugerem que os interesses comerciais, financeiros e políticos que seriam feridos com uma lei da mídia similar às que vigem nos países mais desenvolvidos deixariam os que se sentiriam prejudicados dispostos a tudo para impedir que isso ocorra.


É sempre penoso ler uma simples frase desse homem, dessa caricatura de si mesmo que ele construiu para fazer jus às recompensas do patrão pela fúria teleguiada que despeja diariamente em sua página hospedada no portal da revista Veja na internet. Todavia, não há remédio. Teremos que mergulhar no esgoto.


Afinal, Azevedo não diz um A sem autorização do patrão e este não deixa dizer se o que tiver que ser dito não for discutido antes com o resto desse organismo midiático, militar, empresarial e político que tem antecedentes bem conhecidos neste país. Quem viu a foto do José Dirceu demoníaco que ilustrou boa parte do noticiário do fim de semana sobre o 4º Congresso do PT, não tem dúvida disso. Publicaram em uníssono aquela manipulação vergonhosa.


Reproduzo a seguir, portanto, parágrafo por parágrafo dessa peça alucinada, tecendo comentários do blog logo após cada um deles. Peço que tenham paciência até chegarem ao ponto do texto que considero grave e sobre o qual acredito que o PT deve pedir explicações públicas.


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Os fascistas saem da toca!
Reinaldo Azevedo


É sob pressão que pessoas, partidos e até instituições revelam a sua real natureza. Os cemitérios tendem a ser iguais nas ditaduras e nas democracias. A grande diferença se dá mesmo no mundo dos vivos. O 4º Congresso do PT, que começou ontem e termina hoje, está prestando um grande serviço ao país e à política. Os petistas revelam que não aprenderam nada nem esqueceram nada depois de nove anos de poder. Continuam os autoritários de sempre, decididos a substituir a sociedade pelo partido, conforme seu projeto original. Quem presta um pouco de atenção à história das idéias não está surpreso.


A que autoritarismo de petistas esse homem se refere? Lula apanhou da imprensa a cada dia de seu mandato a partir de 2005 depois de apanhar de 1989 a 2002, quando era oposição. Mesmo tendo chegado ao poder, não houve reação a insultos, ridicularizações, desqualificações de toda sorte. Ele e seu partido são chamados há anos de criminosos impunemente, sem qualquer comprovação de nada, com base apenas na retórica dos adversários político-partidários e midiáticos.

O petismo é um descendente do bolchevismo no que concerne à organização da sociedade, entendendo que a nação deva ser conduzida por um ente que decide em lugar dos cidadãos, porém adaptado — e como! — aos tempos modernos. Para o modelo, que ainda está em construção, pouco importa se os petistas estão ou não oficialmente no poder: eles sempre estarão por intermédio dos fundos de pensão, dos sindicatos, do aparelhamento das estatais. O petismo é um fascismo de esquerda.


O “petismo”, segundo esse indivíduo, é um mal a ser erradicado, uma organização criminosa. E a quem ele representa, quando diz isso? A ele mesmo e àqueles que lhe pagam os salários, e mais meia dúzia de barões da mídia e políticos que vêm perdendo eleição após eleição para “o petismo”. Provavelmente porque ninguém são, neste país, considera o PT uma doença, para ser chamado de “petismo” – o sufixo do substantivo indica anomalia doentia.


No que concerne à ordem econômica, tudo vai muito bem para os companheiros, até porque têm como seu principal aliado o capital financeiro, que não quer saber a cor dos gatos desde que eles cacem ratos. O curioso embate que se dá no Brasil é entre a esquerda financeira, financista e rentista, com a qual os petistas compuseram, e a direita assalariada, que trabalha. Chamo de “direita” aqui, para deixar claro, as pessoas que ainda se ocupam de alguns dos velhos (!) e bons fundamentos das sociedades liberais: liberdade individual, igualdade perante a lei, incentivo ao empreendedorismo, estado enxuto, tudo o que parece hoje fora de moda. Os petistas não querem mexer no “sistema”. Ao contrário: pretendem reforçá-lo por meio, por exemplo, de uma reforma política estúpida, que extrema todos os males do modelo vigente.

De onde ele tirou que a direita é “assalariada” e o PT é “financista e rentista”? Basta ver os setores que mais votam nos partidos preferidos e defendidos pelo blogueiro da Veja – que dispensam apresentações – e os que votam no Partido dos Trabalhadores. A tese saiu da cachola do cara, portanto. Quem tiver dúvida sobre o assunto, basta consultar as pesquisas de opinião estratificadas para saber quem é o eleitorado primordial de quem, apesar de que a imprensa vive confirmando o que digo de forma a tachar o eleitorado do PT de “inculto”, “desinformado” e, portanto, “pobre”.

Só uma coisa incomoda o PT: o regime de liberdades públicas que se respira no país. Isso eles não podem suportar. Então um partido ganha uma eleição — ou três… ou dez —, e ainda há gente na imprensa que se atreve a criticá-lo, que não concorda com suas ilegalidades, que resiste às suas tentações e práticas totalitárias, que não se submete a seus desejos e Vontades? “Mas a gente não conquistou nas urnas o direito de fazer o que bem entende?”, eles se perguntam espantados. E a resposta, evidentemente, é “Não!” Eles conquistaram nas urnas A OBRIGAÇÃO de seguir as regras do estado de direito, de se submeter à lei, de nos servir por intermédio de um mandato, que pode ser revogado numa nova eleição ou mesmo num processo de impedimento.


Ahá! Impedimento, é? Um impeachment de Dilma, suponho… Sob que motivo? É uma ameaça. Azevedo propõe impedir Dilma se ela enviar ao Congresso um projeto de lei que obrigue seu patrão a se desfazer de parte de seu império, por exemplo. Mas como isso seria feito? Afinal, se o projeto for enviado seria legal, obviamente. E quem decidiria sobre ele seria o Congresso. Como propor o impeachment de uma presidente por enviar uma medida inquestionavelmente legal ao Legislativo para que sobre ela delibere?


O delirante blogueiro da Veja afirma que o PT não quer a democracia, apesar de reconhecer que ganha eleições sem uma única evidência de um único ato do partido que afronte a democracia ou qualquer tipo de liberdade individual. E ainda atribui “ilegalidades” ao partido. Que ilegalidade o PT cometeu, enquanto instituição? Quer dizer que quando petistas são acusados de corrupção a culpa é do partido, mas quando tucanos como Eduardo Azeredo ou demos como José Roberto Arruda são acusados, aí a culpa é das pessoas e não das instituições?


Com a reportagem que revelou as lambanças de José Dirceu em Brasília, VEJA denunciou mais do que as lambanças do “consultor de empresas privadas” — poderoso chefão de um “governo paralelo” e sua mímica asquerosa de chefe de máfia —; a revista denunciou um método. E os petistas estão infelizes. Em outros tempos, eles mandariam empastelar a publicação, fariam quebra-quebra, perseguiriam os profissionais, exigiriam a demissão desse ou daquele, lotariam os porões do regime com essa gente recalcitrante… Hoje eles se civilizaram; pretendem perseguir seus desafetos por meio de instrumentos legais.


Os petistas lotariam os porões do regime com seus adversários?!! Que regime os petistas já implantaram no Brasil que tivesse “porões” e que cometesse violências de qualquer sorte? Quem tinha porões eram os militares que integraram a ditadura e os quais Azevedo vive exaltando e defendendo, e aos quais serve, frequentemente, de porta-voz ao repudiar propostas como a da Comissão da Verdade. Está tudo lá no blog dele. Não é preciso acreditar em mim.


O texto do PT que volta a pregar o controle da “mídia” expõe como nunca a natureza do jogo. Eles até se mostravam dispostos a condescender com a democracia desde que nós não fizéssemos uso efetivo dela. Era como se dissessem: “Nós garantimos a sua liberdade, mas a condição é que não nos incomodem”. Tanto é assim que, não faz tempo, a Executiva Nacional do partido aprovou um documento em que abandonava essa estupidez. Mudou radicalmente de idéia. VEJA decidiu demonstrar que liberdade de imprensa não é uma licença que se pede no cartório partidário, mas um direito garantido pela Constituição, um fundamento das sociedades livres. Nos limites da lei, não pede licença nem pede desculpas.

Azevedo considera que é liberdade de imprensa mandar um garoto recém-saído da faculdade de jornalismo tentar invadir o quarto de um adversário político em um hotel e ali colocar escutas ou câmeras de vido sem autorização da Justiça e em flagrante violação do código penal, o que fez as polícias civil e federal aceitarem a denúncia contra ele? Acho que não…


Aí não dá! Figurões do partido como Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, defenderam ontem a “regulamentação da mídia”. Não custa notar que, durante a campanha — e mesmo depois de eleita —, Dilma Rousseff repudiou qualquer forma de controle. Ministros exercem cargos de confiança e falam pela presidente. Chegou a hora de enquadrá-los ou de confessar um estelionato.


Esse homem não joga palavras fora. Sabe muito bem o que escreve. Como é que ele sugere “enquadrar” os ministros? Posso pensar em várias hipóteses, vindo essa conversa de alguém que vive tomando partido de chefes militares que defendem a ditadura militar. E como seria estelionato se a proposta de regulamentar a Comunicação é bandeira antiga do PT?


Os fascistas de esquerda descobriram o gosto pelo capitalismo, mas não viram graça nenhuma na liberdade, que será sempre a liberdade de quem discorda de nós. Mas vão perder.


Será que ele quer dizer que os petistas perderão nas urnas ou está pensando em derrotá-los de outra forma, já que através de eleições os políticos que apóia não têm conseguido?


É crescente o número das pessoas que lhes dizem: “Não, vocês não podem. Não podem porque estamos aqui”.


Crescente? Onde está esse dado? Em que pesquisa? Por que método ele chegou a essa conclusão? E quem são “eles”? A quem ele representa, para falar na terceira pessoa do plural? Dirá que o leitorado do seu blog ou o da Veja irão impedir “o petismo”?


—–


Você acha que Azevedo é um bobão, um boquirroto que escreve coisas assim só por estar de cabeça quente? Esqueça. O que ele escreve são recados. São ameaças. E o PT não pode aceitar que tais palavras sejam ditas assim, sem explicação. Até porque, esse sujeito não as diria sem o seu patrão aprovar e este não aprovaria se os seus bons companheiros que consigo controlam a Comunicação no Brasil não estivessem de acordo.


Espero que me levem a sério. Tudo isso se coaduna com propostas de manifestações públicas “contra a corrupção” que nada mais são do que uma reedição do Cansei que pode vir vitaminada por sindicatos e até participantes pagos. Essas manifestações se somarão ao noticiário que derrama relatos de “corrupção” no governo Dilma todos os dias. No domingo, por exemplo, a Folha publicou um caderno só sobre corrupção onde o PSDB não figura e o PT aparece em destaque.


A campanha moralista que serviria para retaliar uma proposta que faça os barões da mídia perderem dinheiro e poder vem aí e não me surpreenderia se os militares boquirrotos que vivem insultando Lula, Dilma e o PT não estivessem dispostos a pôr as caras para fora da caserna “em defesa da liberdade e contra a corrupção do petismo”. Anotem, pois, o que digo, petistas. Quem avisa amigo é.


sábado, 3 de setembro de 2011

Tucanos perdem o rumo com a decisão do BC




A decisão do COPOM, colegiado do Banco Central, de baixar de 12,5% para 12% a taxa SELIC provocou reações iradas nos economistas ligados ao mercado financeiro e, claro, influenciou seu braço político, os parlamentares demo-tucanos. Foi uma decisão importante do Banco Central, mostrando uma afinação total da equipe econômica da presidente Dilma Roussef, que havia anunciado um superávit extra de mais 10 bilhões para esta ano de 2011 e agora baixa a taxa básica de juros da economia, reafirmando que o governo vai continuar combatendo a inflação mas que vai preservar o crescimento da economia, a geração de empregos e, em suma, o poder aquisitivo da população, que aumentou nos últimos oito anos, gerando um novo e vigoroso mercado interno.


Aliás, foi esse mercado interno que salvou o país na crise de 2008/2009 e foi a esse mercado interno que o presidente Lula dirigiu-se em dezembro de 2008, quando foi à televisão pedir que os brasileiros continuassem comprando, em defesa do emprego e da renda. A chamada nova classe média, surgida das políticas acertadas do governo de Lula, vai continuar sendo prestigiada por Dilma e é isso que está por trás da das decisões de aumentar o superávit e de baixar os juros. Dilma quer combater a inflação sem minar o crescimento econômico do Brasil.


E porque baixar os juros, num país que tem uma das maiores taxas do planeta causa tanto rebuliço e tanta revolta entre os economistas tucanos e seu braço político, os parlamentares demo-tucanos? Porque, aparentemente, o Banco Central, em nova fase, simplesmente ignorou esses analistas e "donos" das previsões sobre o que acontece na economia. E a verdade é que essas previsões não são como aquelas que todos fazemos a respeito de futebol e outros esportes. As análises e previsões sobre juros, por exemplo, são vendidas a peso de ouro no mercado financeiro. Não é apenas isso. As previsões geram apostas bilionárias, onde quem mais acerta, mais ganha.


Assim, temos uma situação interessante. Os economistas fazem suas previsões, apostam, ganham bilhões todos os anos e torcem para que os juros continuem altos. Seu braço político, os parlamentares demo-tucanos criticam os juros "mais altos do planeta", esquecendo-se de que no governo FHC a taxa SELIC chegou a 45% (certamente, numa homenagem ao número dos tucanos).


Quando o Banco Central "desobedece" uma regra não escrita, de avisar a turma de que vai baixar os juros, quando a equipe economica trabalha sem divergências, de forma afinada, para controlar a inflação e garantir o crescimento econômico do país, isso pode ter ferido os interesses bilionários de quem apostava em juros permanentemente altos. Os economistas perderam dinheiro e seu braço politico perdeu o rumo.


A TUJA - Torcida Uniformizada dos Juros Altos está em clima de perda de campeonato mundial. E os políticos demo-tucanos, aflitos com a possibilidade de Dilma conseguir o que Lula não conseguiu, por causa da crise de 2008: juros de um dígito. Isso é contra os interesses demo-tucanos, porque pode significar um governo mais forte e popular.



Washington Post: CIA virou máquina de assassinar




Não vi em nenhum jornal menção à grave matéria publicada hoje pelo The Washington Post afirmando que, desde o 11 de setembro, a CIA mudou sua prioridade: de espionagem para simples assassinato.
A matéria mostra que a força contra-terrorismo da agência passou, nestes dez anos, de 300 para 2 mil agentes, espalhados pelo mundo e contando, agora, com uma força de aviões não tripulados que já matou cerca de 2 mil pessoas no mundo árabe. Neste momento, as execuções estão concentradas no Iemen, onde – dizem eles – há grupos simpatizantes da Al Qaeda.
Segundo o jornal, a CIA não reconhece oficialmente o programa drone – zangão, nome dos aviões não-tribulados- “e muito menos dá explicação pública sobre o que atira e quem morre, e por que regras.”“Estamos vendo a volta CIA em mais de uma organização paramilitar, sem a supervisão e responsabilidade que tradicionalmente esperam dos militares”, disse Hina Shamsi, o diretor do Projeto Nacional de Segurança da União Americana pelas Liberdades Civis.
Sobre isso, a ONU afirmou que… Ah, a ONU não afirmou nada, ignora.
Se alguém, com inglês melhor que o meu – o que não é difícil – puder trazer mais detalhes, a matéria está aqui.




A notícia que abalou o mundo


Dani Bolina revela que panicats são garotas de programa.


As bolsas de valores caíram, Kadafi se entregou, Berlusconi não faz mais bunga-bunga, o dólar despencou, Maluf confessou que tem dinheiro em paraíso fiscal.

Ex-Panicat e eliminada de "A Fazenda 4", Dani Bolina gravou na última quinta (1) uma participação polêmica no quadro "Vale Tudo Só Não Vale Mentir", do "Tudo é Possível".


Durante a entrevista, que é medida por uma máquina "detectora de mentiras", Dani revelou que algumas Panicats são garotas de programa. Oh,Oh,Oh........................


Procurada pela reportagem do NaTelinha, a Record disse que aconteceu sim a gravação, porém o material ainda não foi editado e não tem uma data definida para ir o ar.


O NaTelinha também consultou o empresário de Dani Bolina no final da manhã de hoje. Ele informou que não foi bem isso que a ex-Panicat declarou.


Já no início da noite, Dani usou seu Twitter para esclarecer a situação.

"(...) Fui participar de um quadro do programa Tudo e Possível onde ficamos ligadas a máquina da verdade com o cara que controla! Não podemos mentir senão a máquina acusa mentira", contou, introduzindo o assunto.


"Foi feita uma pergunta e eu dei a resposta, em nenhum momento citei q eram panicts atuais e não expus ninguém. Existiram muitas meninas que passaram por lá", escreveu em seu perfil.

A ex-Panicat aproveitou o momento e falou sobre gratidão: "Eu trabalhei 7 anos lá sou muito grata a tudo o que o @alanrapp e @programapanico fizeram por mim! Não tentem inventar historias e distorcer minhas palavras para me jogar contra eles! Alias hj já conversei com o Alan [Rapp, diretor do Pânico na TV] e o Emilio {Surita, apresentador] não temos problema algum!"
Com Jornal do Brasil



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

BC de Tombini desconcerta os neolibelês (*). Quem mandou derrubar os juros ?




Na primeira página, o Valor anuncia a hecatombe universal.


Tombini cortou 0,5 ponto percentual da Selic porque há um “inquestionável” (sim, agora se usa adjetivo em “reportagem” de Economia …) desaquecimento da economia doméstica.


Além da “forte (sic) deterioração da situação externa”. Na primeira página da Folha (**) lê-se que o Banco Central agiu “sob pressão” (sic).


Qual ?


A irrelevância do PiG (***) ?


Contam amigos navegantes que, nesta quarta-feira, à noitinha, na rádio que troca a notícia, a CBN, a Urubóloga e um âncora gastaram 96 minutos da santa paciência do ouvinte com uma análise profunda sobre o que o Tombini ia fazer.


Erraram tudo.


Por que não esperaram a decisão que vinha a seguir ?


Não !Eles sabem mais …


Na Folha (**), ainda, na segunda página, se sabe que não há explicação possível para o gesto irresponsável do Tombini: ele cedeu à pressão (vai ver que essa é a “pressão” …) política (só pode ser da Presidenta).


Quando o Henrique Meirelles, que foi presidente mundial do BankBoston e, ocasionalmente do Banco Central, aumentou os juros, no auge da crise do banco Lehmann, em 2008, ninguém disse que ele agiu “sob pressão” dos pares – os banqueiros.


Clique aqui para ler “A Presidenta avisou: corta que os juros caem”, onde há referência a uma “traição” do Meirelles descrita pelo Delfim.


O que Tombini deixou claro, primeiro, é que não fez nem pretende fazer carreira em banco privado.


Segundo, que, de fato, o esforço que o Governo Dilma faz para cortar gastos vai dar certo.


E, terceiro, que “o jornalismo de Economia no Brasil não é uma coisa nem outra”.


A frase é do Delfim, mas ele nega peremptoriamente.


Paulo Henrique Amorim


(*) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.


(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.


(***) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.




quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A próxima capa da Veja




Está cada vez mais difícil acreditar na Veja, para quem quer. Não bastando provas materiais e testemunhais de que seu repórter tentou invadir o domicílio de José Dirceu e a ausência de mísero indício de que ele se reunia com correligionários em um hotel de Brasília para fazer negociatas e conspirações, ela se porta como culpada e ele, como inocente.
O ex-ministro supostamente é o acusado. Ao menos para o grande público, que, ainda – eu disse ainda –, não ficou sabendo do que a revista andou aprontando. Dirceu, no papel de culpado, deveria estar fugindo da repercussão e a Veja, no papel de acusador, deveria estar surfando nela.
Exposta em bancas de jornais por todo país e tendo recebido alguma cobertura da grande mídia, a revista estaria em melhores condições para continuar a vender a sua denúncia do que Dirceu a dele. O que se esperaria, portanto, é que a Veja estivesse falante.
Não é o que se vê. Ontem, assisti a uma extensa reportagem da Record News sobre o caso. Uma matéria correta que contou com entrevista de José Dirceu, que desceu a lenha na Veja. Essa emissora foi o primeiro grande meio de comunicação a se somar à extensa cobertura de pequenos veículos que vem suprindo a afasia jornalística dos grandes.
Dirceu está em uma maratona de manifestações públicas sobre o caso, iniciada quando denunciou em seu blog que a Veja mandou alguém tentar invadir seu quarto de hotel. Nos últimos dias, porém, a frase mais repetida da política tem sido a de que a revista não irá comentar o assunto com a fila de veículos que se propõem a ouvir a sua versão dos fatos.
Claro que deve estar caçando alguma coisa para tentar “matar” o assunto em sua próxima edição. Veja procura algum indício que fortaleça a sua matéria. Está engendrando mais um editorial que tentará vender como reportagem. Necessita, desesperadamente, mudar uma pauta de discussão que cada nova negativa de se manifestar, incrementa.
A próxima capa da Veja, portanto, reveste-se de expressiva importância para o jogo político. O escândalo surdo que a envolve pode ter desdobramentos na postura do governo Dilma em relação à mídia – ou não, o que não deixará de ser um desdobramento político descomunal. A grande aposta é se a revista tentará mudar de assunto ou virar o jogo.
Façam as suas apostas, pois.



Como aguentamos não fazer nada?




Duas coisas com as quais não me conformo: escrever sem trema e ter que assistir a este país ser esbofeteado por verdadeiras quadrilhas que, com dinheiro do povo doado pela ditadura militar, auferiram meios de manipular a vontade eleitoral dos brasileiros e as próprias instituições, para tanto se valendo de farsas como a que a revista Veja publicou em sua última edição.
Sinto-me um parvo tendo que me limitar a espernear neste blog. A cada nova farsa político-partidária das quatro famílias que controlam a mídia, percebo que só fazem isso porque ninguém toma atitudes além da de protestar na internet. Fico pensando se essa passividade dos que entendemos o que elas pretendem (reverter o processo de redistribuição de renda em curso no Brasil) não permitirá que tenham êxito.
A conduta da Veja é uma bofetada na sociedade brasileira. Uma farsa tão escandalosa como a que tentou tirar da cartola um escândalo baseado apenas em opiniões de uma empresa não deve ser avaliada pelo alvo, o ex-ministro José Dirceu, mas pelo que representa: uma corporação fabricar uma “realidade” a seu bel prazer e ao arrepio da lei.
Vejam bem: a questão não é Dirceu ou não Dirceu, mas o ato praticado contra ele. Até porque, não prejudicou só ao ex-ministro. Os hóspedes do hotel Naoum e até os proprietários do estabelecimento foram expostos aos métodos da Veja. Cada um de nós poderia estar entre essas pessoas.
Não sei como agüentamos não fazer nada além de cobrar de políticos covardes que tomem uma atitude e proponham leis para a comunicação que existem em todos os países civilizados mesmo sabendo que nada farão porque se borram de medo do poder que a ditadura militar concedeu a essas famílias midiáticas.
Sabem o que irá decorrer desse caso envolvendo a Veja e José Dirceu? Nada. O processo irá se arrastar na Justiça por anos a fio e o governo continuará fugindo da obrigação de dotar o país de uma legislação que impeça que um dono de um império de comunicação viole os direitos das pessoas, agindo como se tivesse mais direitos do que o resto da coletividade.
Não dá para aceitar mais que esse tipo de coisa continue acontecendo em um país que pretende se tornar uma potência social, econômica, cultural e até tecnológica. Enfim, um player global e uma terra de justiça e igualdade.
A covardia vai se consolidando como uma característica deste povo. Sempre estamos empurrando a terceiros as nossas responsabilidades. É muito bonito bradar contra aquilo que está errado, mas é patético fazer isso exclusivamente sentado diante de um computador.
E para quem, como este blogueiro, sabe como nossos vizinhos latino-americanos são corajosos e determinados, a situação é ainda mais intolerável.
Estou analisando caminhos para uma reação. Pode não dar certo, pois certamente será necessário que bastante gente se engaje e é justamente aí que a porca torce o rabo. Mas há que tentar. Sempre, mesmo correndo o risco de fracassar. Há que falar e escrever muito, sim, mas é imperativo tentar agir concretamente. Isso é exercício da cidadania.
Não podemos aceitar passivamente que essa gente, além de tudo, também se organize em movimentos para defender nas ruas os crimes das famílias midiáticas. Além de ter todos os grandes meios de comunicação, a direita midiática agora está se organizando para fazer sem causa o que deixamos de fazer tendo a melhor das causas.



Há ranger de dentes na República da Roda Presa




As reações à decisão do Banco Central de baixar os juros – em 0,5% – provocou uma onda de ira na República da Roda Presa.
A colunista Miriam Leitão diz que o BC foi “atropelado pela coalisão inflacionista”, que seria formada pelos ministros da área econômica e outros que envolveram a “pobrezinha” da Presidenta e a fizeram pressionar o Banco Central.
Não é uma análise, é um chororô disparatado.
Tratemos primeiro das tais “pressões políticas”.
Toda semana, senão todo santo dia, o BC sofre pressões políticas. A cada segunda-feira ele próprio solta um boletim, o Focus, com um apanhado do que o mercado “está pedindo” em matéria de taxas de juros. Geralmente, aliás, pedindo para cima.
Não há nada de errado em fazê-lo. Como não há nada de errado em jornalistas, economistas, empresários, sindicalistas, ou qualquer cidadão fazê-lo. Muito menos os ministros ou a Presidenta, aliás quem nomeia os integrantes da direção do Banco Central.
Afinal, o Banco Central é um agente político, pois é quem faz a política monetária. Reparem, não a técnica monetária, porque é uma ação técnica que tem de ouvir, pesar e decidir levando em conta inúmeros fatores econômicos e sociais. Isso não tem nada de mais: afinal, o Ben Bernanke, chefão do Federal Reserve dos EUA não se mostra preocupado com o desemprego, com a retração da economia e diz que, em função disso, manterão os juros baixos?
Mas vamos a um detalhe muito importante: se era pressão, e o Banco Central foi constrangido a ceder, lógico que seria uma concessão mínima. A taxa teria baixado 0,25%, no mesmo ritmo que vinha subindo. O Governo ficaria feliz por sinalizar a a baixa de juros, o Banco Central, se queria manter os juros, teria sofrido uma “derrota mínima”.
Mas não: a redução foi de 0,5% e por cinco a dois, na votação entre os cinco integrantes do Conselho.
E aconteceu porque os cidadãos que ocupam lugares naquele conselho não são cegos, e por não serem estão vendo uma crise recessiva mundial batendo às portas do Brasil. Quando escrevem que “os economistas são unânimes em dizer que não era hora de baixar os juros”, reduzem a unanimidade das opiniões aos analistas de sua predileção, funcionários ou amigos da banca privada.
Uma opinião que nem a banca privada tinha, porque já previa a redução futura dos juros, como você pode ler na matéria publicada na semana passada, por Eduardo Campos, do Valor Econômico
De quem ganha dinheiro com os juros altos e ganham menos dinheiro com juros mais baixos. Para ser preciso, este meio por cento a menos vale R$ 4,7 bilhões a menor nos ganhos, em um ano.
Ontem à tarde, escrevi no blog Projeto Nacional, um post enumerando as razões econômicas que justificavam uma reversão na política de juros. Quem puder ler, creio que encontrará argumentos para discutir e esclarecer a tempestade de mídia que virá por aí.
Escrevo perto de 1 hora da manhã, mas não é difícil adivinhar o que serão as manchetes dos jornais de hoje. A República da Roda Presa está em polvorosa.
Perdeu.



Luiz Estevão, Joaquim Roriz e José Roberto Arruda articulam aliança no DF




Três personagens polêmicos e envolvidos em escândalos de corrupção começaram a articular nas últimas semanas uma aliança para tentar retornar ao poder no Distrito Federal. O ex-senador Luiz Estevão e os ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda buscam unir forças para derrotar, em 2014, o PT do governador Agnelo Queiroz e o PMDB do vice Tadeu Filippelli. Estevão teria a plenitude de seus direitos políticos para disputar o governo, mas os aliados ainda estão longe de definir um candidato.
A volta do ex-senador ao círculo político começou no ano passado, quando teve status de conselheiro do clã Roriz durante a campanha eleitoral. Estevão reluta em disputar um cargo eletivo por sustentar o título de único parlamentar cassado na história do Senado, ao ter sido acusado de envolvimento nas fraudes da construção da sede do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, em 2000. Ele estará liberado pela Justiça para voltar às urnas em 2014, porém responde a uma série de processos em várias instâncias judiciais.
A articulação de Roriz e Estevão ganhou, nas últimas semanas, uma adesão de peso, segundo relato ouvido pela reportagem. Arruda teria conversado com Roriz por telefone e acertado um armistício. A assessoria do ex-governador não confirma o contato direto, mas um ex-secretário dele contou à reportagem que os grupos ligados aos dois políticos buscam um caminho comum para as próximas eleições no Distrito Federal. Outro ex-assessor de Roriz disse que o ex-governador até já montou uma tropa de blogueiros para “começar a falar mal dos adversários”.
O fato que teria provocado a reconciliação foi a divulgação do vídeo em que a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) aparece recebendo um pacote de dinheiro do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa. Segundo interlocutores, a divulgação do envolvimento da filha de Roriz no esquema foi interpretada por Arruda como um sinal de que o ex-aliado não era o principal responsável por sua derrocada. Arruda sonharia agora em voltar ao Congresso, possivelmente como deputado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Salário-mínimo: compromisso honrado





O compromisso foi honrado. Apesar de todas as pressões para que o Governo roesse a corda do acordo feito no ano passado e mudasse a regra prevista no acordo do ano passado sobre o reajuste do salário-mínimo – variação do PIB de dois anos antes mais inflação do ano anterior – a presidenta Dilma cumpriu o combinado.

A ministra Miriam Belchior entregou a Lei Orçamentária do próximo ano prevendo um reajuste do salário mínimo de 13,6% – que é a soma de 7,5% de crescimento do PIB em 2010 e a inflação prevista para este ano, de 6,1%. O valor vai, portanto, a R$ 619,21. Isso significa um aumento médio real, descontada a inflação pelo INPC, de 58, 6% desde o início do Governo Lula, segundo o cálculo do DIEESE. Ou de 91,7%, se usarmos o IPCA como índice deflator.


Pouco, sim, mas no limite do que as contas públicas podem suportar sem nos encalacrarmos em mais dívidas e não um ato demagógico de campanha eleitoral.

Aliás, não é á toa que a direita brasileira fala tanto em demagogia e populismo. Ela entende bem disso.

O Governo pode enfrentar de rosto erguido todos os que reclamaram do reajuste modesto deste ano, quando seguiu as mesmas regras. Mas vai enfrentar muitas pressões por que, agora, não vai haver quem ache que este reajuste é inflacionário. Embora, é claro, tenham dito que vivemos um surto de inflação mesmo sem reajustes expressivos.

Ao contrário. No seu editorial de hoje, para criticar a declaração da presidenta de que os juros devem baixar, o Estadão não teve vergonha de, outra vez, culpar os reajustes salariais pela elevação dos preços:

“O poder de compra tem sido sustentado tanto pelo crédito quanto pelos aumentos salariais. Mais de 80% dos acordos concluídos pelos sindicatos na primeira metade do ano proporcionaram ajustes acima da inflação.”


Deveriam ter sido abaixo? Andam nossos salários tão luxuosos que podem os sindicatos se dar à generosidade de se deixarem ver desvalorizar? E se foi acordo e não greve ou dissídio não estava dentro da possibilidade das empresas de darem?


Vai haver muita chiação da mídia e de partes do empresariado. Paciência. Deveriam lembrar de um antigo ditado que diz que o combinado nunca é caro.



Aqui jaz uma revista




Mair Pena Neto, Direto da Redação“Veja colocou a pá de cal em sua decadente trajetória com a matéria publicada na última edição, na qual se valeu de todos os métodos, inclusive criminosos, para corroborar uma de suas teses, desta vez a de que o ex-ministro José Dirceu conspira contra o governo de Dilma Rousseff.


A matéria não se sustenta jornalisticamente, com uma série de ilações e conclusões frágeis, porém o mais grave foi o seu método de apuração, com recurso à espionagem, invasão de privacidade e outros delitos, o que levou seu repórter a ser denunciado pelo hotel em que José Dirceu estava hospedado por tentativa de violação de domicílio. Para quem não leu a matéria ou o que já foi escrito sobre ela, o repórter da Veja hospedou-se no mesmo hotel de Dirceu, em Brasília, e tentou por duas vezes entrar no quarto do ex-ministro, primeiro passando-se por hóspede do apartamento que tinha esquecido as chaves, e, depois, por assessor da prefeitura de Varginha que fazia questão de deixar no quarto "documentos relevantes".


O que pretendia o repórter caso fosse bem sucedido em sua empreitada? Fuçar papéis e documentos do investigado? Roubá-los caso encontrasse algo que fosse ao encontro da tese da reportagem? Quem o orientou a agir dessa maneira? Seu chefe imediato, os editores da revista, o dono da editora que a publica? As perguntas são muitas e todas complicam ainda mais a situação de Veja e sua forma de fazer jornalismo.


A revista foi além e publicou imagens gravadas no corredor do andar do hotel em que Dirceu se encontrava, que mostram o ex-ministro com outras figuras da política brasileira. Veja não esclarece como obteve as imagens, mas parece pouco provável que as tenha conseguido com o próprio hotel, o que reforça as suspeitas de que tenha instalado algum equipamento por conta própria, o que aumenta a gravidade do delito. Trata-se, primeiro, de um caso de polícia. Depois, de grave atentado à ética jornalística.”Artigo Completo, ::





CASO VEJA:Polícia já tem vídeo do repórter e da camareira






Foto: Reprodução


Imagens de Gustavo Ribeiro, de Veja, que tentou entrar no quarto de Zé Dirceu, estão em poder do delegado Laércio Rossetto; repórter será intimado; gerente e camareira relataram invasão de domicílio; pena é de um a três meses




Evam Sena 247 em Brasília



– A Polícia Civil do DF vai ouvir o repórter da Veja Gustavo Ribeiro e o ex-ministro José Dirceu sobre a denúncia de violação de domicílio do quarto do petista no Hotel Naoum na semana passada. Sob comando do delegado-chefe da 5ª delegacia, Laércio Rossetto, a polícia já ouviu o chefe de segurança e a camareira do hotel envolvidos no caso.


O convite ao repórter e a Dirceu será feito ainda esta semana, segundo Laércio. Assim como os funcionários do hotel, eles serão ouvidos na própria delegacia. O Hotel Naoum já entregou à polícia imagens do circuito interno de Gustavo Ribeiro no mesmo andar em que Dirceu esteve hospedado na semana passada.



“A gente precisa ouvir o jornalista. O comparecimento do Gustavo é uma oportunidade para ele se explicar. Sabemos que ele esteve lá, já vimos a imagem dele e a fatura. Não estamos acusando, estamos apurando”, disse Laércio ao Brasil 247. O repórter de Veja ficou hospedado em uma suíte no hotel ao lado da de Dirceu.

Segundo o boletim de ocorrência registrado na 5ª Delegacia de Polícia do DF na última quinta-feira, 25, Gustavo Ribeiro tentou convencer uma camareira do hotel a abrir o quarto ocupado por Dirceu, alegando ser o hóspede e ter perdido as chaves. A camareira não atendeu ao repórter e comunicou à segurança do hotel, fazendo com que o jornalista deixasse o hotel sem fazer o check-out.


No final de semana, a revista Veja publicou matéria, em que acusa Dirceu de manter um “gabinete” no hotel, onde recebe políticos, e de conspirar contra o governo da presidente Dilma Rousseff.



A reportagem traz fotos do corredor do hotel, em que Dirceu aparece, em momentos diferentes, ao lado de senadores e deputados; do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, e do ministro de Desenvolvimento Econômico, Fernando Pimentel. O hotel afirma que as imagens divulgadas não são de suas câmeras de segurança e acusa a revista de grampo ilegal.


Segundo Laércio, o Hotel Naoum entregou gravações do circuito interno do dia em que foi prestada a queixa. À polícia, o hotel afirmou que não há registro que comprove o diálogo entre o jornalista e a camareira e que ele teria ocorrido em um “ponto cego”. O delegado aguarda ainda as imagens feitas nos outros dias em que Dirceu esteve hospedado.




Mesmo de posse de algumas imagens, Laércio não confirmou se as fotos divulgadas pela Veja são diferentes das capturadas pelas câmeras do hotel. Segundo o delegado, a Polícia Civil vai investigar somente a tentativa de violação de domicílio, e não o suposto grampo da revista ou as conversas entre políticos e Dirceu. O pedido das imagens é para apurar se houve outras tentativas ou até mesmo uma invasão ainda não divulgada.



“A gente não está procurando saber por que as pessoas estiveram com Dirceu. Se for para investigar formação de quadrilha, como diz a matéria, não é no âmbito da Polícia Civil. O Ministério Público que teria que acionar a Polícia Federal. A violação de domicílio é um tipo de crime que, quando chega para a Polícia Civil, é nosso dever investigar”, declarou Laércio.




O delegado afirmou que é necessário que Dirceu confirme que esteve hospedado no quarto, uma vez que a reserva é feita no nome do escritório de advocacia Tessele & Madalena. Ao contrário do que afirmou a revista, o andar da suíte ocupada não é de acesso restrito a pessoas autorizadas. “Existe o acesso até por escada”, disse Laércio.


A investigação deverá ser concluída em menos de um mês. Segundo Laércio, até agora, não há necessidade da entrada da Polícia Federal no caso. “Num primeiro momento, não há nada que pode envolver bens e serviço de interesse da União. Se as pessoas que se encontraram com Dirceu, por ocuparem cargos públicos, acharem que sim, eles deveriam fazer a demanda à PF”, afirmou.