sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"Vendo tudo de longe"



Voltei a este abandonado blog, por uma justa causa, não que o mundo precise de meus textos e minhas convicções, não precisa.


Nunca pensei que fosse acompanhar de longe a campanha da criação do Estado do Tapajós, mas por escolha minha o faço e vejo como o Brasil dessas bandas desconhece o Brasil daquela banda de lá, que eu vejo como a mais deslumbrante! Claro que é porque é a minha banda.


Por aqui ninguém pode saber que você é do Pará que começa o bombardeio do "por quê?". Na cabeça que nem nunca foi e nunca viveu num Pará desigual, a criação do Tapajós e do Carajás é só mais uma maneira de desocupados mamarem as custas do dinheiro público... Mas aí, o paraense que fala bem pra porra, logo explica como é esse Pará que a gente tanto ama... Nunca vi ninguém defender o Não por aqui, mas o Sim, garanto que SIM.


O engraçado é que as pessoas por aqui compreendem, porque convivem com um Tocantins melhor e um Goiás também... e depois de uma conversa produtiva, vem logo a pergunta: e você vai lá votar? Ah, se fosse fácil chegar ao Pará! Uma caravana de paraenses ia rumar ao norte às vésperas do 11/12.


O comercial do TSE convocando a gente mexe com a curiosidade dos outros, dá até a impressão que todo mundo quer votar...


Como eu amo loucamente campanhas eleitorais e guerras de ideias, me é um custo ver tudo isto de longe... Eu gosto de me arrepiar com os textos bons, das edições bem feitas, das bandeiras nas ruas, das estratégias e das táticas bem e mal sucedidas... Se votar por pensamento valesse... meu voto seria 77... e assim, quando eu fosse comprar água na frente do Nilson Nelson no jogo da seleção brasileira, e o vendedor me perguntasse se me sotaque é do Rio, eu mudaria minha resposta, sem menos amor, dizendo que eu SOU DO TAPAJÓS.


Porque se hoje eu tenho orgulho do meu sotaque paraense, eu terei muito mais em ver que minha banda do Brasil é democrática e inteligente.

Depoimento da sócia-proprietária da maior rede de supermercados do oeste do Pará, o grupo CR Supermercados



Eu sou Sônia Maria Moura Ramalheiro, economista, mãe de três filhos e creio ser este o momento oportuno para manifestar minha opinião quanto aos fatos que estão ocorrendo no nosso estado por conta da consulta plebiscitária.

Nasci em Castanhal e durante 12 anos morei em Belém onde me formei. Para acompanhar meu marido mudei para Santarém há 29 anos onde estabeleci fortes laços de amizades.


No começo estranhei muito o modo de vida das pessoas daqui. A região como um todo tem um ritmo de vida completamente diferente daquela que o paraense da capital acredita ser a realidade do estado todo. Quando aqui cheguei ou viajávamos durante três dias de barco até Belém ou esperávamos o avião que só passava nas terças e quintas-feiras. O meio de transporte tradicional, por conta da situação geográfica, é o barco, diferente da realidade do belenense que se movimenta utilizando transporte terrestre para acessar todo o território nacional.


Na época Santarém não consumia produtos frios e congelados porque o transporte era extremamente complexo. Quando começamos a comercializar estes produtos aqui tínhamos que trazê-los de avião. E com o crescimento das nossas atividades precisamos desenvolver uma logística própria, o que acabou sendo o nosso diferencial empresarial.


Eu não acreditava como os moradores daqui podiam ser tão conformados com a realidade, nem entendia porque pacientes seguiam em busca de tratamento de saúde, ou mesmo de empregos, em Manaus e não em Belém que é a nossa capital. Enfim, a região seguia e segue até os dias atuais padrões e costumes que nós que nascemos na região metropolitana carecemos de tempo e olhar carinhoso para compreensão.


Ao longo de minha vida aqui no oeste paraense tenho presenciado essa afinidade maior do povo desta região com o Amazonas, a ponto de crianças saberem citar o nome do governador do estado vizinho e não saberem quem é o governante paraense. Foram os bois de Parintins, e não o carimbó, que inspiraram a parte profana da festa do Sairé realizada na maravilhosa vila de Alter do Chão, que eu aprendi a amar profundamente.

Minha compreensão sobre os porquês dos sentimentos e angústias existentes nos corações dos indivíduos nascidos nesta região aumentou durante o período que assumi a presidência do Conselho da Mulher Empresária – CME no biênio de 2002 e 2003 e que tomei conhecimento do projeto de emancipação da região para a criação do estado do Tapajós. Na época realizamos uma grande movimentação em defesa do projeto, começando com a realização de um seminário para debater o assunto onde gestores de toda a região se fizeram presentes ou representados.


Deputados estaduais e federais do Pará participaram do evento e todos levaram consigo os resultados da atualização de estudos que comprovavam desde aquela época a viabilidade econômica desta região a partir da sua emancipação. Neste evento recebemos os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Mozarildo Cavalcante, de Roraima, que foi o autor da emenda apresentada no Senado. Posso afirmar que a movimentação pela divisão não é coisa de meia dúzia de políticos como afirmam os representantes contrários à causa. É luta vivida e sentida pelo povo.


Minha manifestação neste momento é movida pela indignação que sinto ao ver tantas pessoas carentes de ações e da presença do poder público sem que este se volte para o povo. Ora, projetos esporádicos apenas amenizam situações problemáticas, mas a luta agora é por soluções definitivas.


Como economista, tive acesso ao estudo de viabilidade e posso afirmar que é consistente. Fechar os olhos para isso é matar a esperança de mais de três milhões de pessoas que vivem anos à espera da presença do estado. Fingir que somos capazes de administrar um território tão grande como o do Pará atual, com tamanha diversidade sociocultural, é ser irresponsável. E com isso não posso concordar.


Mesmo não tendo nascido aqui, assumi essa causa como minha e a defendo com todo amor e carinho por um povo que sempre acolheu a todos tão bem.


Dia 11 sairei de casa cedo munida com título de eleitor e vou depositar naquela urna um voto confiante de que a esperança de toda uma região não precisa morrer por causa de outros irmãos paraenses.


Rogo que meu manifesto chegue aos moradores de Belém e provoque reflexão. Você que neste momento me lê talvez não saiba por que está dizendo não. Porém, creia! Nós sabemos muito bem porque estamos dizendo SIM à divisão do Pará.

Presente de Natal do Serra: saiu o livro do Amaury!






Chegou o presente de Natal que a tucanada mais temia.
A CartaCapital que sai amanhã traz na capa o livro que há mais de um ano vem fazendo os mais ilustres tucanos roerem as bem tratadas unhas.



A Privataria Tucana, a reportagem de Amaury Ribeiro que se transformou, ela própria, em notícia, vai aos porões dos anos infames do Governo FHC, onde o patrimônio do povo brasileiro migrou para mãos privadas, deixando grossos pingos de sujeira que a nossa zelosa imprensa nunca quis ver.



Recebemos o livro hoje, por cortesia da Editora – a Geração Editorial - e a noite será dedicada à leitura do texto, para comentar.



Por enquanto, fica a entrevista dada por Amaury à CartaCapital, reproduzida pelo Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim.



CartaCapital: Por que você decidiu investigar o processo de privatização no governo Fernando Henrique Cardoso?
Amaury Ribeiro Jr.:
Em 2000, quando eu era repórter de O Globo, tomei gosto pelo tema. Antes, minha área da atuação era a de reportagens sobre direitos humanos e crimes da ditadura militar. Mas, no início do século, começaram a estourar os escândalos a envolver Ricardo Sérgio de Oliveira (ex-tesoureiro de campanha do PSDB e ex-diretor do Banco do Brasil). Então, comecei a investigar essa coisa de lavagem de dinheiro. Nunca mais abandonei esse tema. Minha vida profissional passou a ser sinônimo disso.



CC: Quem lhe pediu para investigar o envolvimento de José Serra nesse esquema de lavagem de dinheiro?
ARJ:
Quando comecei, não tinha esse foco. Em 2007, depois de ter sido baleado em Brasília, voltei a trabalhar em Belo Horizonte, como repórter do Estado de Minas. Então, me pediram para investigar como Serra estava colocando espiões para bisbilhotar Aécio Neves, que era o governador do estado. Era uma informação que vinha de cima, do governo de Minas. Hoje, sabemos que isso era feito por uma empresa (a Fence, contratada por Serra), conforme eu explico no livro, que traz documentação mostrando que foi usado dinheiro público para isso.


CC: Ficou surpreso com o resultado da investigação?
ARJ:
A apuração demonstrou aquilo que todo mundo sempre soube que Serra fazia. Na verdade, são duas coisas que o PSDB sempre fez: investigação dos adversários e esquemas de contrainformação. Isso ficou bem evidenciado em muitas ocasiões, como no caso da Lunus (que derrubou a candidatura de Roseana Sarney, então do PFL, em 2002) e o núcleo de inteligência da Anvisa (montado por Serra no Ministério da Saúde), com os personagens de sempre, Marcelo Itagiba (ex-delegado da PF e ex-deputado federal tucano) à frente. Uma coisa que não está no livro é que esse mesmo pessoal trabalhou na campanha de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, mas sob o comando de um jornalista de Brasília, Mino Pedrosa. Era uma turma que tinha também Dadá (Idalísio dos Santos, araponga da Aeronáutica) e Onézimo Souza (ex-delegado da PF).



CC: O que você foi fazer na campanha de Dilma Rousseff, em 2010?
ARJ:
Um amigo, o jornalista Luiz Lanzetta, era o responsável pela assessoria de imprensa da campanha da Dilma. Ele me chamou porque estava preocupado com o vazamento geral de informações na casa onde se discutia a estratégia de campanha do PT, no Lago Sul de Brasília. Parecia claro que o pessoal do PSDB havia colocado gente para roubar informações. Mesmo em reuniões onde só estavam duas ou três pessoas, tudo aparecia na mídia no dia seguinte. Era uma situação totalmente complicada.



CC: Você foi chamado para acabar com os vazamentos?
ARJ: Eu fui chamado para dar uma orientação sobre o que fazer, intermediar um contrato com gente capaz de resolver o problema, o que acabou não acontecendo. Eu busquei ajuda com o Dadá, que me trouxe, em seguida, o ex-delegado Onézimo Souza. Não tinha nada de grampear ou investigar a vida de outros candidatos. Esse “núcleo de inteligência” que até Prêmio Esso deu nunca existiu, é uma mentira deliberada. Houve uma única reunião para se discutir o assunto, no restaurante Fritz (na Asa Sul de Brasília), mas logo depois eu percebi que tinha caído numa armadilha.



CC: Mas o que, exatamente, vocês pensavam em fazer com relação aos vazamentos?
ARJ:
Havia dentro do grupo de Serra um agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que tinha se desentendido com Marcelo Itagiba. O nome dele é Luiz Fernando Barcellos, conhecido na comunidade de informações como “agente Jardim”. A gente pensou em usá-lo como infiltrado, dentro do esquema de Serra, para chegar a quem, na campanha de Dilma, estava vazando informações. Mas essa ideia nunca foi posta em prática.


CC: Você é o responsável pela quebra de sigilo de tucanos e da filha de Serra, Verônica, na agência da Receita Federal de Mauá?
ARJ:
Aquilo foi uma armação, pagaram para um despachante para me incriminar. Não conheço ninguém em Mauá, nunca estive lá. Aquilo faz parte do conhecido esquema de contrainformação, uma especialidade do PSDB.


CC: E por que o PSDB teria interesse em incriminá-lo?
ARJ:
Ficou bem claro durante as eleições passadas que Serra tinha medo de esse meu livro vir à tona. Quando se descobriu o que eu tinha em mãos, uma fonte do PSDB veio me contar que Serra ficou atormentado, começou a tratar mal todo mundo, até jornalistas que o apoiavam. Entrou em pânico. Aí partiram para cima de mim, primeiro com a história de Eduardo Jorge Caldeira (vice-presidente do PSDB), depois, da filha do Serra, o que é uma piada, porque ela já estava incriminada, justamente por crime de quebra de sigilo. Eu acho, inclusive, que Eduardo Jorge estimulou essa coisa porque, no fundo, queria apavorar Serra. Ele nunca perdoou Serra por ter sido colocado de lado na campanha de 2010.



CC: Mas o fato é que José Serra conseguiu que sua matéria não fosse publicada no Estado de Minas.
ARJ: É verdade, a matéria não saiu. Ele ligou para o próprio Aécio para intervir no Estado de Minas e, de quebra, conseguiu um convite para ir à festa de 80 anos do jornal. Nenhuma novidade, porque todo mundo sabe que Serra tem mania de interferir em redações, que é um cara vingativo.


O bandido João Dias e a mafiosa Veja




Por Altamiro Borges


O policial João Dias, o bandido-fonte da Veja no linchamento do ex-ministro Orlando Silva, voltou a ser preso ontem (8). Na grotesca invasão ao Palácio Buriti, quando atacou duas funcionárias, gritou palavrões, esbanjou racismo e exibiu um pacote com R$ 159 mil, ele também agrediu um policial.


Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, a sua prisão está amparada no Artigo 209 do Código Penal Militar, porque ele quebrou o dedo de um sargento destacado para contê-lo. O crime, portanto, não é pela agressão às servidoras públicas, mas por ferir um integrante de sua própria corporação.


Cadê a punição à revista Veja?


João Dias está detido na Corregedoria da PM e será levado para uma ala especial do presídio da Papuda, onde ficam os presos militares. Na prisão de ontem, ele pagou uma fiança de R$ 2 mil e foi liberado. Agora, voltou à cadeia. O Código Penal Militar é rigoroso contra policiais que atacam os seus pares.


Esse criminoso "amalucado" e violento foi a principal fonte da revista Veja contra o ex-ministro dos Esportes. Fez inúmeras denúncias sem apresentar qualquer prova. Destruiu a imagem do jovem Orlando Silva. Agora, ele está preso. E a criminosa revista Veja? Ela ficará impune por seu crime?


Ela deu espaço nobre para um bandido - acusado por desviar recursos públicos, por enriquecimento ilícito (uma mansão, três carrões importados e duas academias de ginástica) e até por homicídio. Será que ninguém fará nada contra este tipo de jornalismo criminoso, murdochiano?


O governo continuará evitando o debate na sociedade sobre a regulação da mídia? Será cúmplice dos crimes destes jagunços midiáticos?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Porque a Chevron ainda não fechou o poço




Não há qualquer repercussão nos sites dos grandes jornais, mas a repórter Cláudia Schüffner, do Valor, publica hoje que a Chevron está, aparentemente, tendo dificuldades para selar o poço de onde vazou petróleo para o oceano, na Bacia de Campos.
Segundo a reportagem, “em condições normais, o abandono de um poço na bacia de Campos é feito entre uma semana e 15 dias. É uma tecnologia dominada, mas a Chevron completou 20 dias de tentativas na sexta-feira – contados a partir do dia 13, quando apresentou o primeiro projeto aprovado em regime de urgência pela Agência Nacional do Petróleo (ANP)”.
A demora é resultado de uma simples questão: há uma enorme externsão de “poço aberto”, sem revestimento de tubos e sem as sapatas de sustentação e vedação previstas no plano de perfuração.
As evidências estão se tornando impossíveis de esconder. Embora, deva registrar, as fontes de informações sejam poucas e reticentes. A indústria do petróleo, mais que qualquer outra, fecha-se para proteger-se dos pecados que todas as petroleiras têm.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Arrogância, cinismo e hipocrisia

Manuel Dutra
Jornalismo, Ciência, Ambiente






Por Ednaldo Rodrigues*


Arrogância, cinismo e hipocrisia, em vez de propostas, são as posturas mais evidentes que conseguimos extrair dos dois representantes do “não” contra o SIM 77. O plebiscito para criação dos estados do Tapajós e Carajás tem contribuído também para revelar a forma com que as elites da capital tratam os paraenses empobrecidos, ou seja, com deboche, desprezo, preconceito e xenofobia.


Quando Zenaldo Coutinho e o Celso Sabino dizem que somos meia dúzia de políticos, isso é uma mentira absurda e uma ofensa grotesca às lutas sociais de gerações que lutaram e lutam pela emancipação do Pará desde 1850, ora mais forte, ora mais tímida, mas esse ideal sempre foi perseverado pela nossa gente.
Em 2007, ajudei a coordenar um abaixo-assinado para a coleta de 500 mil assinaturas na região oeste do Pará, solicitando a aprovação do plebiscito. Esse documento está protocolado no Congresso Nacional e é do conhecimento de Zenaldo. As 500.151 pessoas que participaram do abaixo-assinado não são meia dúzia. Além disso, o projeto que o Congresso Nacional aprovou detém uma emenda com outro abaixo-assinado com 17 mil assinaturas em anexo.

No entanto, para mim, que faço parte da luta pela criação do Estado do Tapajós há 10 anos, trabalhando como voluntário, essa postura leviana não é novidade. Aos paraenses que não acompanharam a nossa luta jamais poderiam imaginar que em Brasília, nos últimos anos, Zenaldo sempre nos humilhou, com a mesma postura autoritária e com a mesma cara cínica e arrogante.


Em Brasília, sempre lutou contra a realização do plebiscito, de forma covarde a traiçoeira, desarticulando a luta de pessoas humildes que não tinham mandato, mas pessoas honradas que sempre sonharam com dias melhores à nossa gente. Hoje continua usando de má fé o mandato para se promover. Zenaldo sabe que a criação do Estado do Tapajós é irreversível, mas está aproveitando o momento para semear discórdia entre os paraenses e impor sua candidatura à Prefeitura de Belém e os belenenses nem se dão conta disso.


Quando Zenaldo e Celso nos tratam de forma preconceituosa, nos chamando de separatistas e esquartejadores do Pará, afirmando que estamos tirando toda a área territorial e as riquezas minerais do Estado, mais uma vez revelam que não nos consideram e nem nos respeitam como paraenses e demonstram total desprezo pelos mais empobrecidos e necessitados. Essas áreas também nos pertencem, pois temos direitos maiores, pois somos nativos da região e a nossa história fala por nós.


Esse plebiscito é uma oportunidade ao povo da região do Tapajós de reconquistar tudo o que nos foi usurpado pelos colonizadores da capital. A história antropológica da região afirma que antes da instalação da capital, Belém, já havia um povo nessa região que tinha a sua independência administrativa, mas com a invasão dos Portugueses tudo o que pertencia a esse povo foi usurpado pelos colonizadores e tanto Zenaldo como Sabino representam muito bem os colonizadores e os escravocratas, que historicamente oprimiram e continuam oprimindo o nosso povo.


Se existe alguém que precisa reconquistar o território é a nossa gente e não a elite política de Belém. Alias, é bom lembrar que, com o lastro de nossas riquezas, essa mesma elite política fez vultosos empréstimos internacionais para aumentar o patrimônio pessoal deles e construir obras faraônicas, que só beneficiam as elites da capital. O pagamento, no entanto, desses empréstimos é feito com os impostos de todos os paraenses, inclusive, dos mais empobrecidos do Tapajós, Carajás, Salgado, Marajó e pela periferia pobre da capital. É pra isso que servimos, Zenaldo? Para pagar a dívida de meia dúzia de folgados, como os políticos tradicionais e os empresários opressores da capital?


O posicionamento dos dois defensores do não representa a manutenção do latifúndio que é uma herança cruel, centralizadora, concentradora e escravagista das Capitanias Hereditárias, inspirada no feudalismo. Zenaldo e Sabino representam os senhores feudais do século 21. Na visão deles, os mais empobrecidos do Pará somos os servos que só temos o dever de trabalhar para pagar os impostos e eles usufruírem. Nós não temos direito de lutar para melhorar a vida das pessoas que vivem abandonadas pelo Estado do Pará tanto na região oeste como no sul do Estado.


A postura dos dois deputados, que falam de forma cínica dos políticos, como se ambos não o fossem também, deixa muito claro o desprezo que eles têm pela luta secular de gerações, que vêem na criação do Estado do Tapajós uma alternativa para oferecer mais dignidade aos paraenses que moram distante da capital, Belém. Nos debates se esforçam de todas as formas para confundir a cabeça do eleitor menos esclarecido.


Zenaldo e Celso revelam que o minério e a área territorial do Estado, ou seja, o latifúndio, são mais importantes que os problemas enfrentados pelos paraenses do interior e da periferia do Pará. Falam como se tudo o que há fosse propriedade do Parazinho. Falam como se a falta de médicos, segurança pública, infraestrutura, educação, falta de moradia, saneamento básico e outros serviços públicos não significassem nada. Isso significa a vida das pessoas e é pelas nossas vidas que os dois Pinóquio tem desprezo.


Infelizmente, o Pará não consegue atender às demandas sociais de seu povo, mas esse tema é ignorado e aos dois é natural crianças, idosos e grávidas morrerem por falta de leitos e de hospitais. É por tudo isso que eu digo a todos os paraenses do interior e da capital que estamos diante de uma oportunidade única. Precisamos votar SIM 77 ao Tapajós e ao Carajás e se realmente amamos o Pará, precisamos amar também o seu povo. Com a criação de dois novos Estados estaremos garantindo o futuro de nossos filhos e das gerações futuras.


Para finalizar, recordo que ontem Zenaldo encerrou a sua apresentação teatral na televisão falando de sentimento pela área territorial, minério, bandeira e cultura do Pará. O que diriam a ele as mães que perderam suas crianças, no interior do Estado, por falta de atendimento básico? Os filhos dos idosos que perderam seus pais por falta de assistência médica? Os maridos que perderam suas esposas e filhos prematuros durante o parto por falta de leitos nos hospitais no interior do Pará e mais recentemente, na Santa Casa, em Belém? Eles também não têm sentimentos por seus entes queridos?


Pergunto ainda mais aos meus amigos internautas e também ao Zenaldo e ao Celso: área territorial, minério, bandeira e a cultura do Pará têm mais valor do que a vida das pessoas? A união que eles nos propõem é essa? Vida digna às elites da capital e a morte aos nossos paraenses do interior do Estado? Essa é a repetição do velho filme que motivou a Cabanagem em 1835, quando as elites da Capital mandaram matar milhares de pessoas humildes do interior, que eles, os chamavam de Cabanos. É isso que pretendem fazer novamente se não nos rendermos ao jugo dessas elites conservadoras, autoritárias e cínicas? Eu refuto o sentimento falso do Zenaldo e, humildemente, peço a todos que votem NO DIA 11 DE DEZEMBRO SIM 77 AO TAPAJÓS E AO CARAJÁS.


O autor é jornalista e professor universitário*


Bye, bye, Chevron




O ministro Edison Lobão não é, propriamente, uma fera.
Quando ele diz hoje que, se não cumprir com a reparações devidas ao país pelo vazamento de óleo no campo do Frade, no Rio de Janeiro, a petroleira americana “será expulsa do Brasil” é porque já sabe que a batata da Chevron já assou.
Não é preciso ser nenhum clarividente para perceber isso.
Porque há dez dias Lobão falava que “o vazamento não era tão grave assim”.
A esta altura, a ANP e o Governo brasileiro já sabem o que causou o vazamento, até porque o que a empresa fez está em total desacordo com o que se comprometeu a fazer durante a perfuração dos poços.
Houve, é verdade, uma pressão inesperada, maior do que a prevista, em formações que a empresa julgava que não a produziriam.
E que, por isso, a encorajou a eliminar etapas técnicas na perfuração.
Etapas que faziam parte de seu plano de perfuração, registrado e aprovado, e que foi descumprido.E por economia.A punição exemplar que a Chevron receberá é o maior plano antipoluição que a indústria do petróleo poderia receber.
Quebrou o contrato, ao fraudar seus planos de exploração e aproveitar-se da escuridão abissal do mar para enganar o governo brasileiro.
E servirá como exemplo desencorajador para outros, que o desejem fazer acreditando que aqui tudo acaba em samba.
Não haverá reação internacional, porque, como já afirmei, não é uma medida ideológica.
É o castigo a uma empresa fraudadora e poluidora.
Por mais que a mídia brasileira se omita, a verdade virá à tona e, como ocorreu com a mancha de óleo, será impossível escondê-la.
Quando Edison Lobão fala deste jeito, não pode haver mais dúvida do que está para acontecer.


Globo, Estadão e Folha demitem




Por Altamiro BorgesNa semana passada, o sítio Meio & Mensagem revelou que a Editora Globo pretende reduzir em 30% o seu quadro de funcionários.


Os cortes tiveram início já na segunda-feira (28), com demissões nas redações das revistas Época São Paulo, Globo Rural e Monet.


Cerca de 300 profissionais devem perder o emprego até o final do ano, incluindo jornalistas, publicitários e funcionários administrativos.




Tapajós: o mesmo PIB há quase meio século.

Manuel Dutra
Jornalismo, Ciência, Ambiente


Trecho da entrevista do deputado Lira Maia, presidente da Frente Pró-Tapajós, hoje no Diário do Pará."Há 40 anos o PIB [Produto Interno Bruto] do Tapajós é o mesmo. Desde a época do governador Magalhães Barata (mais de 50 anos) é o mesmo PIB. No balanço do Estado do ano passado, dos quase R$ 12 bilhões arrecadados, se gastou menos de 5% em todo o Tapajós. Foram R$ 502 milhões, sendo R$ 433 milhões de gastos com a máquina pública e só R$ 69 milhões foram investimentos. E olha que ano passado foi ano eleitoral.


Os governos do Pará, e não estou falando apenas do atual, não têm recursos suficientes pra cuidar desse Estado como um todo. Quase 83% do dinheiro do Pará, do ano passado, foi gasto aqui [na Região Metropolitana de Belém]. Esse tratamento desigual não é porque esses governadores não gostam do Tapajós, não gostam de Carajás. A pressão é grande, o povo é muito, o Estado é grande e o recurso é pouco".


A seguir, veja o vídeo que o governador Simão Jatene quer tirar do ar. É que a Frente Pró-Tapajós mostra, nesse vídeo, que Jatene participou do ato do governo FHC, de seu partido, que isentou as mineradoras do Pará do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS. E que, agora, Jatene afirma querer remediar com a criação de uma taxa sobre o minério exportado. Mas essa taxa é impossível, porque inconstitucional. Percebendo a baixa popularidade do governador paraense, a Frente Tapajós investe no sentimento popular contra o governo de modo geral (Se o vídeo não abrir, clique AQUI).









http://blogmanueldutra.blogspot.com/2011/12/tapajos-o-mesmo-pib-ha-mais-de-meio.html

tuff homenageia o Doutor

Lupi caiu. Quem será o próximo?



Por Altamiro Borges


No início da noite deste domingo (4), o ministro Carlos Lupi, do Trabalho, entregou uma carta com seu pedido de demissão do cargo. Ele não agüentou o linchamento midiático, iniciado em 9 de novembro pela revista Veja – sempre ela no papel mais sinistro da operação “derruba-ministro”. Na curta mensagem, o presidente licenciado do PDT afirma que foi vítima da perseguição midiática (leia abaixo).


Segundo a secretaria de imprensa do Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff “aceitou” o seu pedido de demissão. Paulo Roberto dos Santos, atual secretário executivo da pasta, assume o cargo de ministro em caráter interino. O PDT deve se reunir nesta segunda-feira para tratar do traumático episódio e para definir a sua participação no governo federal.


A loteria macabra da mídia


Este é o sétimo ministro do governo Dilma Rousseff a cair em menos de um ano de mandato – um recorde na história recente do país. Pela ordem, já foram fuzilados: Antônio Palocci (Fazenda), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa), Pedro Novais (Turismo), Wagner Rossi (Turismo), Orlando Silva (Esporte) e, agora, Carlos Lupi (Trabalho).Cumprida mais uma etapa da operação derruba-ministro, a mídia demotucana já faz as suas apostas na loteria macabra para saber que será a próxima vítima. Três nomes aparecem no noticiário da chamada grande imprensa.


1- O mais vulnerável é o ministro das Cidades, Mário Negromonte, do PP. O tiroteio contra Lupi o deixou fora do alvo por alguns dias. Ele é acusado pela mídia de ter adulterado um projeto de transporte para obras da Copa de 2014. Na próxima semana, dia 8, ele será ouvido no Senado, conforme solicitação do senador tucano Álvaro Dias, uma dos mais exaltados com a onda denuncista.


2- Neste sábado (3), o jornal O Globo incluiu o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, na lista macabra. Acusou o petista mineiro de tráfico de influência em licitações da prefeitura de Belo Horizonte (MG). Segundo o excitado Estadão, “a presidente Dilma já ordenou que o ministro detalhasse a sua atuação como consultor empresarial”.


3- O terceiro da lista é o mais explosivo. Líderes tucanos têm insinuado que Guido Mantega, do estratégico Ministério da Fazenda, teria interferido na operação de socorro ao Banco Panamericano. A Folha deste domingo, com seu típico terrorismo, reforça este coro da direita. Afirma que a Caixa Econômica Federal sabia dos desvios do banco de Silvio Santos antes de comprá-lo.


Faça as suas apostas


Quem será a próxima vítima? Faça as suas apostas. O ex-líder de FHC, o rancoroso Arthur Virgílio, já especula sobre a queda de Guido Mantega, o que seria um golpe duro no governo de Dilma Rousseff. Num artigo para o sítio Brasil 247, ele escreveu que “o mercado começa a temer o eventual envolvimento de algum membro proeminente da equipe econômica em escândalo”. Na opinião do derrotado candidato ao Senado do PSDB, a queda deste “membro proeminente... seria abalo bem maior do que os muitos anotados até aqui. O binômio corrupção-inflação suga a energia do governo e prejudica a sociedade. É de se ligar o sinal amarelo”. Ele aposta tudo na via golpista. Especula contra o ministro da Fazenda, mas o seu alvo é a presidenta Dilma Rousseff.


*****


Nota oficial do ex-ministro Carlos Lupi: Tendo em vista a perseguição política e pessoal da mídia que venho sofrendo há dois meses sem direito de defesa e sem provas; levando em conta a divulgação do parecer da Comissão de Ética da Presidência da República – que também me condenou sumariamente com base neste mesmo noticiário sem me dar direito de defesa -- decidi pedir demissão do cargo que ocupo, em caráter irrevogável.


Faço isto para que o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o Trabalhismo não contagie outros setores do Governo.


Foram praticamente cinco anos à frente do Ministério do Trabalho, milhões de empregos gerados, reconhecimento legal das centrais sindicais, qualificação de milhões de trabalhadores e regulamentação do ponto eletrônico para proteger o bom trabalhador e o bom empregador, entre outras realizações. Saio com a consciência tranquila do dever cumprido, da minha honestidade pessoal e confiante por acreditar que a verdade sempre vence.


Carlos Lupi - Ministro do Trabalho e Emprego



sábado, 3 de dezembro de 2011

Carajás e Tapajós: dividido em três, o Pará será mais rico e mais cobrado pela população

Blog do Manuel Dutra
Jornalismo, Ciência, Ambiente



Administrações mais próximas da população local seriam mais cobradas, melhor fiscalizadas e teriam, dessa forma, renovadas condições para preencher o atual vácuo administrativo.


Por Leonardo Attuch




Nas mãos dos eleitores do Pará, no domingo 11, o Brasil tem uma chance histórica para dar dois passos à frente. Cerca de 4,6 milhões de paraenses irão às urnas para votar no plebiscito que pode dividir sua atual área territorial em três, criando dentro dela os Estados de Carajás e Tapajós.


À primeira vista, de pronto se enxerga mais políticos (dois governadores, seis senadores, dezenas de deputados federais e estaduais) e novas estruturas de poder (sedes governamentais, assembleias legislativas, etc.). Uma antevisão, infelizmente, forte o suficiente para embotar a razão, mas que precisa ser ultrapassada. Esses dois novos Estados, se aprovados, terão extrema importância para a economia não só do Pará, mas de todo o Brasil.


Tome-se, em benefício da análise, as mais recentes criações de Estados no Brasil. É consensual, hoje, que o corte do antigo Mato Grosso em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, efetuado em 1977, foi um acerto de duração permanente, mesmo tendo ocorrido em plena ditadura militar.


A divisão daquela imensa área levou para municípios e populações antes desassistidas novos serviços públicos. Estes, por sua vez, aceleraram o desenvolvimento econômico e social regional, consolidando atualmente Mato Grosso do Sul como um dos maiores produtores de alimentos do País. Não houve, como contrapartida, qualquer esvaziamento da riqueza inerente a Mato Grosso. Mais ­recentemente, em 1988, nasceu, de um vértice de Goiás, o Estado do Tocantins. Imediatamente após sua criação, a nova capital, Palmas, tornou-se um grande polo de atração de indústrias e serviços.


Onde hoje há apenas o gigantesco Pará, com seu 1,24 milhão de km² (equivalente a quatro Itálias!) de conflitos sociais e péssimos indicadores de ­desenvolvimento humano, amanhã o quadro tem tudo para ser outro – caso os eleitores locais superem a desinformação inicial e abram passagem para o crescimento.


Vítima do desmatamento, por meio do qual o banditismo impera e se produz um noticiário repleto de crimes políticos e chacinas, sabe-se, há muito, que a atual estrutura de governo do Pará é insuficiente para elucidar todas as suas complexas equações. Os fracassos administrativos se acumulam, governo após governo, à esquerda ou à direita. A verdade é que há, naqueles limites, um Estado cujo tamanho equivale ao de vários países europeus, mas apenas um único e singular governo.


Ao mesmo tempo, Carajás e Tapajós nasceriam sobre terras férteis para a agricultura, ricas para a mineração e amplas o suficiente para que nelas conviva o gado. Administrações mais próximas da população local seriam mais cobradas, melhor fiscalizadas e teriam, dessa forma, renovadas condições para preencher o atual vácuo administrativo. O Brasil, cujo tamanho territorial é comparável ao dos Estados Unidos (8,5 milhões de km² contra 9,6 milhões de km²), chegou a um PIB de US$ 2,19 trilhões em 2010. O irmão do Norte, mesmo combalido, atingiu US$ 14,7 trilhões – mais de seis vezes maior. Aqui, são 27 Estados. Lá, 50. A relação entre produção de riquezas, território e organização administrativa, goste-se ou não, é direta.


Um presente de Natal para o Rio e para o Brasil




Quem passa pelo Elevado da Perimetral, no Rio de Janeiro, vê dois gigantescos navios atracados ali.


À esquerda de quem olha o mar, o OSX-1, o primeiro navio-plataforma que operará nos campos do empresário Eike Batista, na Bacia de Campos. À direita, ainda maior, um grande petroleiro, com a pintura fosca pelo tempo e o nome Petrobras pintado meio “a bangu”.


E se o cidadão continuar rodando por ali, entrar na ponte Rio-Niterói e olhar à esquerda verá ainda outro intenso movimento à esquerda, onde navios da Petrobras trabalham na recuperação do cais de atracação de um velho e imenso estaleiro.


O navio com o nome Petrobras era um petroleiro chamado Titan Seema, construído em 93 e tornou obsoleto por ter um conjunto de máquinas já inadequado para viagens transoceânicas. Foi comprado por cerca de R$ 40 milhões pela Petrobras, preço de liquidação para uma nave de tem 326 metros de comprimento, 57 de largura e capacidade para armazenar 1,4 milhões de barris de petróleo, 40% mais que o navio gigante que está ao lado dele, no cais do Rio.


O estaleiro era o Ishikavajima, abandonado há quase 20 anos, depois de ter sido o maior do Hemisfério Sul e empregar mais de dez mil trabalhadores. Foi inaugurado por Juscelino, como parte de sua divisão de tarefas: indústria automobilística para São Paulo, indústria naval para o Rio de Janeiro.


Escrevi, semana passada, que os dois veteranos vão se encontrar e renascer.


E este encontro começa em duas semanas, quando a Petrobras receberá as propostas dos estaleiros para assumirem e reformarem o Ishikavajima – que voltará a chamar-se Inhaúma, que era seu nome antes de os japoneses fazerem ali a sua planta naval. Nele, serão transformados o Titan Steel – agora P-74 – e três outros navios semelhantes, que se tornarão FPSO ( sigla que quer dizer Produção, Armazenamento e Transbordo Flutuantes) para operar nas áreas do pré-sal conhecidas como Franco e Libra, na Bacia de Santos.


O custo é estimado em R$ 2 bilhões de reais, que serão empregados no reforço estutural dos cascos, reforma e ampliação de instalações diversas, construção de alojamentos e a colocação de sistemas de ancoragem dinâmicos, que permitem à embarcação compensar o movimento de correntes, ventos e marés e permanecer estacionado no centro de uma teia de dutos ligados ma diversos poços de petróleo.


Depois de renovados, outra licitação, cujo valor deve se um pouco maior, escolhe os responsáveis pela instalação, sobre o navio, da planta de processamento de petróleo que vai deixar pronto para embarque um volume de “apenas”, 150 mil barris (um bilhão de litros) de petróleo por dia.


A opção pela compra de petroleiros usados, uma tradição na construção de FPSOs, explica-se pelo fato de que estes navios ficarão praticamente fixos e – recuperados e reforçados estruturalmente – custam apenas uma pequena fração do que custaria fazer e equipar um novo. E, ainda, reduz o prazo que ocupam nos estaleiros, abrindo espaço para novas encomendas. O preço do casco, numa FPSO, é de apenas 5% do valor total.


A reforma do estaleiro e os quatro navios-plataforma e suas instalações vão gerar nada menos que 11 mil empregos diretos e recolocar, outra vez, o Rio à frente de uma vocação que, há mais de 50 anos, Juscelino consagrou trazendo o Ishilavajima para cá.


A partir de junho do ano que vem, um a um, os quatro gigantes vão ficar ali, com suas proas quase invadindo as pistas da Ponte Rio-Niterói, como um símbolo monumental do que, hoje, quem cruza a Baía da Guanabara, já percebe: o renascimento de uma região que sofreu, como poucas, a discriminação e até o ódio de governos soturnos do período militar, que detestavam o Rio de Janeiro e suas tradições de alegria, irreverência e liberdade.


O carioca, que é gente que veio para cá de todos os lugares, ao contrário do que fizeram pensar, trabalha muito. Mas, durante mais de 30 anos, tiraram-lhe o emprego.


Trabalhamos tanto e com tanto gosto que podemos dar nova vida a quatro mamutes do mar, que recebemos agora, e e vamos cuidar de mandar embora para alto mar o mais rápido possível, dizendo-lhes: vão, vão lá para o meio do mar, enfrentar as ondas e as profundezas, cuidar de tornar o Brasil mais rico e melhor, para todos os nossos irmãos, de todas as partes deste país.


Maitê Proença e a desigualdade social do Brasil que começa e termina na Previdência




O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, mas muitas vezes não sabemos porque isso acontece. A atriz Maitê Proença, que participou do vídeo contra a hidrelétrica de Belo Monte, pode nos ajudar a entender como funciona o motor da desigualdade, mantida pelo estado e confirmada pela Justiça.


A atriz tem uma pensão vitalícia de 13 mil reais por ser filha de funcionário público e solteira. Está na lei, e ela tem direito ao dinheiro de contribuinte, informa o site Pragmatismo Político. A atriz participa de novelas da Rede Globo e apresenta um programa em canal fechado da mesma rede e, possivelmente, recebe um rendimento mensal de dar inveja a 99% dos brasileiros. Mesmo assim, é sustentada pelo Estado.


Maitê é um exemplo de como se constrói a desigualdade no Brasil. A previdência dos servidores públicos vai pagar este ano 53 bilhões de reais para 958 mil. Já o INSS vai pagar 43 bilhões de reais para 24 milhões de cidadãos. Isso é um escândalo. Bem que os atores da Globo poderiam fazer um vídeo contra esse absurdo.


A SPPrev, autarquia vinculada à Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, tentou suspender o benefício em 2009, com base em um trecho de um livro de Maitê dizendo que tinha vivido em relação estável por 12 anos. A declaração deveria ser suficiente para excluí-la da categoria “solteira”, no entendimento da SPPrev. Numa decisão em meados do ano passado, a Justiça brasileira suspendeu a decisão da autarquia e concedeu o direito à pensão para a Srta. Proença. A lei complementar de 1978 garante o direito à pensão paras as filhas solteiras de servidores públicos, desde que não se casem nunca; em se unindo em matrimônio, perdem a pensão. Não há outra palavra exceto “absurdo” para qualificar a aplicação dessa lei, mais ainda no caso específico. (texto integral).




sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Ex-repórter da Globo aponta enfraquecimento de Ali Kamel




Foto: Divulgação


Chegada de Patrícia Poeta ao JN marcaria o início da queda do diretor-geral de Jornalismo; leia artigo de Rodrigo Vianna


A Globo confirma a saída de Fátima Bernardes do “JN”. No lugar dela deve entrar Patrícia Poeta – atual apresentadora do “Fantástico”.


Fiz hoje pela manhã – no twitter e no facebook – algumas observações sobre a troca; observações que agora procurarei consolidar nesse post. Vejo que há leitores absolutamente céticos: “ah, essa troca não quer dizer nada”. Até um colunista de TV do UOL, aparentemente mal infomado, disse o mesmo. Discordo.


Primeiro ponto: a Patrícia Poeta é mulher de Amauri Soares. Nem todo mundo sabe, mas Amauri foi diretor da Globo/São Paulo nos anos 90. Em parceria com Evandro Carlos de Andrade (então diretor geral de jornalismo), comandou a tentativa de renovação do jornalismo global. Acompanhei isso de perto, trabalhei sob comando de Amauri. A Globo precisava se livrar do estigma (merecido) de manipulação – que vinha da ditadura, da tentativa de derrubar Brizola em 82, da cobertura lamentável das Diretas-Já em 84 (comício em São Paulo foi noticiado no “JN” como “festa pelo aniversário da cidade”), da manipulação do debate Collor-Lula em 89.


Amauri fez um trabalho muito bom. Havia liberdade pra trabalhar. Sou testemunha disso. Com a morte de Evandro, um rapaz que viera do jornal “O Globo”, chamado Ali Kamel, ganhou poder na TV. Em pouco tempo, derrubou Amauri da praça São Paulo.


Patrícia Poeta no “JN” significa que Kamel está (um pouco) mais fraco. E que Amauri recupera espaço. Se Amauri voltar a mandar pra valer na Globo, Kamel talvez consiga um bom emprego no escritório da Globo na Sibéria, ou pode escrever sobre racismo, instalado em Veneza ao lado do amigo (dele) Diogo Mainardi.


Conheço detalhes de uma conversa entre Amauri e Kamel, ocorrida em 2002, e que revelo agora em primeira mão. Amauri ligou a Kamel (chefe no Rio), pra reclamar que matérias de denúncias contra o governo, produzidas em São Paulo, não entravam no “JN”. Kamel respondeu: “a Globo está fragilizada economicamente, Amauri; não é hora de comprar briga com ninguém”. Amauri respondeu: “mas eu tenho um cartaz, com uma frase do Evandro aqui na minha sala, que diz – Não temos amigos pra proteger, nem inimigos para perseguir”. Sabem qual foi a resposta de Kamel? “Amaury, o Evandro está morto”.


Era a senha. Algumas semanas depois, Amauri foi derrubado.


Kamel foi o ideólogo da “retomada consevadora” na Globo durante os anos Lula. Amauri foi “exilado” num cargo em Nova Yorque. Patrícia Poeta partiu com ele. Os dois aproveitaram a fase de “baixa” pra fazer “do limão uma limonada”. Sobre isso, o Marco Aurélio escreveu, no “Doladodelá”.


Alguns anos depois, Amauri voltou ao Brasil para coordenar projetos especiais; Patrícia Poeta foi encaixada no “Fantástico”. Só que Amauri e Kamel não se falavam. Tenho informação segura de que, ainda hoje, quando se cruzam nos corredores do Jardim Botânico, os dois se ignoram. Quando são obrigados a sentar na mesma mesa, em almoços da direção, não dirigem a palavra um ao outro. Amauri sabe como Kamel tramou para derrubá-lo.


Pois bem. Já há alguns meses, logo depois da eleição de 2010, recebemos a informação de que Ali Kamel estava perdendo poder. Claro, manteria o cargo e o status de diretor, até porque prestou serviços à família Marinho – que pode ser acusada de muita coisa, mas não de ingratidão.


Otavio Florisbal, diretor geral da Globo, deu uma entrevista ao UOL no primeiro semestre de 2011 dizendo que a Globo não falava direito para a classe C (o Brasil do lulismo). Por isso, trocou apresentadores tidos como “elitistas” (Renato Machado saiu pra dar lugar ao ótimo Chico Pinheiro – aliás, também amigo de Amauri). A Globo do Kamel não serve mais.

Lembremos que, desde o começo do governo Lula, a Globo de Kamel implicava com o “Bolsa-Família”. Kamel é um ideólogo conservador. Por isso, nós o chamávamos de “Ratzinger” na Globo. É contra quotas nas universidades, acha que racismo não existe no Brasil. Botou a Globo na oposição raivosa, promoveu a manipulação de 2006 na reeleição de Lula (por não concordar com isso, eu e mais três ou quatro colegas fomos expurgados da Globo em 2006/2007). E promoveu a inesquecível cobertura da “bolinha de papel” em 2010 – botando o perito Molina no “JN”. Nas reuniões internas do “comitê” global, ao lado de Merval Pereira, tentava convencer os irmãos Marinho dos “perigos” do lulismo.


Lula sabe o que Kamel aprontou. Tanto que no debate do segundo turno, em 2006, nem cumprimentou Kamel quando o viu no estúdio da Globo. Isso me contou uma amiga que estava lá.


Os irmãos Marinho parecem ter percebido que Kamel os enganou. O lulismo, em vez de perigo, mudou o Brasil pra melhor. Mais que isso: a Globo agora precisa de Dilma para enfrentar as teles, que chegam com muito dinheiro e apetite para disputar o mercado de comunicação. Kamel já não serve para os novos tempos. Assim como os “pitbulls” Diogo Mainardi e Mario Sabino não servem para a “Veja”.


Dilma buscou os donos da mídia, passada a eleição, e propôs a “normalização” de relações. O governo seguiu apanhando, na área “ética” – é verdade. O que não atrapalha a imagem de Dilma. Há quem veja na tal “faxina” um jogo combinado entre a presidenta e os donos da mídia. Será? Dilma tiraria as “denúncias” de letra (o custo ficaria para Lula e os aliados). Do outro lado, os “pitbulls” perderiam terreno na mídia. É a tal “normalização”. Considero um erro estratégico de Dilma. Mas quem sou eu pra achar alguma coisa. O fato é que a estratégia hoje é essa!


Patricia Poeta no “JN” parece indicar que a “normalização” passa por Ali Kamel longe do dia-a-dia na Globo (ele ainda tenta manobrar aqui e ali, mas já sem a mesma desenvoltura). Isso pode ser bom para o Brasil.


Não é coincidência que a Globo tenha permitido, há poucos dias, aquela entrevista do Boni admitindo manipulação do debate de 89. A entrevista (feita pelo excelente jornalista Geneton de Moraes Neto) foi ao ar na “Globo News”. Alguém acha que iria ao ar sem conhecimento da família Marinho? Isso não acontece na Globo!


Durante os anos de poder total de Kamel, a Globo tentou “reescrever” o passado – em vez de reconhecer os erros. Kamel chegou a escrever artigo hilário, tantando negar que a Globo tenha manipulado a cobertura das Diretas. Virou piada. Até o repórter que fez a “reportagem” em 84 contou pros colegas na redação (eu estava lá, e ouvi) – “o Ali é louco de tentar negar isso; todo mundo viu no ar”.


Ali Kamel nega o racismo, nega a manipulação, nega a realidade. Freud explica.
Agora, Boni reconhece que a Globo manipulou em 89. Isso faz parte do movimento de “normalização”. O enfraquecimento de Kamel também faz.


Tudo isso está nos bastidores da troca de apresentadores do “JN”. Mas claro que há mais. Há a estratégia televisiva, pura e simples. Fátima Bernardes deve comandar um programa matutino na Globo. As manhãs são hoje o principal calcanhar de aquiles da emissora carioca. A Record ganha ou empata todos os dias. Com o “Fala Brasil”, e com o “Hoje em Dia”. Ana Maria Braga não dá mais conta da briga – apesar de ainda trazer muita grana e patrocinadores.


Fátima deve ter um novo programa nas manhãs. Ana Maria será mantida. Até porque na Globo as mudanças são sempre lentas – como no Comitê Central do PC da China. A Globo é um transatlântico que se manobra lentamente.


Se a Fátima emplacar, pode virar uma nova Ana Maria. O programa dela deve contar com outras estrelas globais (Pedro Bial, quem sabe?).


A mudança de apresentadores tem esse duplo sentido: enfraquecimento de Kamel (que continuará a ter seu camarote no transatlântico global, mas talvez já não frequente tanto a cabine de comando); e estratégia pra recuperar audiência nas manhãs.


Para estimular mercado interno, governo baixa IPI da linha branca




Mantega ensina consumidor a pechincar no comércio por descontos maiores do que a redução de tributos



São Paulo – O Diário Oficial da União publica em edição extraordinária nesta quinta-feira (1º) a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de eletrodomésticos da chamada linha branca. As medidas também valem para os estoques nas lojas e vão vigorar até 31 de março de 2012. A ideia é manter o mercado interno aquecido e diminuir os impactos da crise financeira global sobre a economia do país, mantendo a produção e os níveis de emprego.

O IPI do fogão, por exemplo, cairá de 4% para zero. A geladeira terá o imposto reduzido de 15% para 5% e a máquina de lavar, de 20% para 10%. No caso de máquinas de lavar semiautomáticas (tanquinhos), a redução será de 10% para 0%. A medida de estímulo ao consumo de bens duráveis só vale para produtos com índice de eficiência energética classe A.


O governo reduzirá ainda o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado sobre o financiamento ao consumo de 3% para 2,5%, anunciou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista coletiva para detalhar as medidas.


Mantega aposta, porém, que a população irá contribuir para além da redução de impostos estabelecida pelo governo. "Espero que chegue ao consumidor não só o que foi reduzido de impostos, mas que as lojas façam promoções vendendo além disso. O consumidor deve pechinchar e discutir com o varejista, dizendo: 'O governo está reduzindo 10 pontos percentuais no imposto da geladeira, eu quero mais do que isso (de desconto). E com um financiamento mais barato'", ensina.


Obstáculos


A eficiência da redução do IPI dos eletrodomésticos da linha-branca para estimular o mercado interno e manter o crescimento econômico do país pode não garantir efeitos tão positivos quanto os alcançados em 2009, diante das instabilidades externas da época. O pesquisador na área de finanças públicas e crédito da Fundação Getulio Vargas (FGV) Gabriel Leal de Barros lembra que, diferentemente de dois anos antes, dados do Banco Central mostram que o nível de endividamento das famílias brasileiras está mais alto. Isso pode reduzir o poder de compra, mesmo com IPI reduzido.


"Até onde esse estímulo do mercado interno via aumento do consumo se sustenta dado o atual nível de endividamento das famílias; Até onde é possível avançar dado esse estoque de dívida que as famílias têm hoje em mãos?", avalia.


Segundo Barros, outra questão é saber que impactos a desoneração do setor industrial pode ter na arrecadação do governo federal. "Nós ainda não temos uma medida de quanto isso vai custar em termos fiscais, qual o tamanho dessa desoneração", diz. Ele reconhece, porém, que toda a desoneração incentiva o consumo e causa um "efeito multiplicador" na economia, ampliando a arrecadação.


De acordo com o pesquisador, é preciso aguardar os efeitos da medida, para saber se o governo precisará adotar novas políticas contra a crise econômica mundial.


Com informações da Agência Brasil

Tags: emprego, eletrodomésticos, mercado interno, crise, crédito, economia, indústria, mantega


Duda Mendonça ao 247: "Dividir o Pará é urgente"






Foto: NILTON FUKUDA/AGÊNCIA ESTADO




Um dos publicitários mais renomados do Brasil, Duda Mendonça mergulhou de cabeça na campanha pela divisão do Pará em três estados, com a criação de Carajás e Tapajós; “Estou nessa briga de graça, por puro idealismo”


Leonardo Attuch 247 – No mundo da publicidade, poucas pessoas têm um currículo comparável ao do baiano Duda Mendonça. A agência DM9, que fez história na propaganda brasileira, era de Duda mais nove – um deles, Nizan Guanaes, que hoje é o dono da marca. Duda se tornou ainda mais conhecido por conta de suas campanhas políticas, à esquerda e à direita. Ele ajudou a fazer de Paulo Maluf prefeito de São Paulo e a eleger Luiz Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil. O momento mais dramático de sua vida aconteceu em 2005, no auge do Mensalão, quando ele admitiu ter recebido boa parte dos recursos das campanhas do PT fora do Brasil – o que poderia ter causado o impeachment de Lula. Depois disso, Duda continuou realizando campanhas públicas e privadas, mas submergiu. E só voltou à cena agora para liderar a campanha pela divisão do Pará em três estados, com a criação de Carajás, cuja capital seria Marabá, e de Tapajós, onde a sede do governo seria Santarém. “Entrei nessa por puro idealismo”, disse ele ao 247. “Estou fazendo a campanha de graça”. O plebiscito, marcado para o dia 11 de dezembro, tem exacerbado as emoções dos paraenses.


Personagem polêmico, Duda passou a ser atacado em vários frentes. A Folha de S. Paulo o apontou como patrocinador de vaquejadas no Pará. “A imprensa brasileira é hoje uma vergonha”, diz ele. “As pessoas te ligam perguntando uma coisa e publicam outra”. Na Veja, o colunista Roberto Pompeu de Toledo o criticou, lembrando que Duda, duas décadas atrás fez uma campanha contra a divisão da Bahia, dizendo que o “Jorge não poderia se separar do Amado”, o “João do Gilberto”, e assim por diante. “Foi uma matéria sem vergonha, feita para ser usada aqui na campanha política”.


Duda conhece a realidade do Sul da Pará. Tem uma fazenda em Xinguara, onde engorda cerca de 10 mil bois. “Quem é contra nunca visitou esse pedaço do Brasil”, diz ele. “O Pará tem mais de 1 milhão de pessoas que vivem com dois reais por dia; tem gente que para ter acesso a um hospital precisa viajar cinco dias de barco; em Carajós e Tapajós a presença do Estado é inexistente; a tal ponto que os políticos de Belém nem vêm mais aqui pedir votos”.


Estado rico, com povo pobre


Do ponto de vista de atributos naturais, o Pará é um dos estados mais ricos do Brasil. Carajás tem a maior província mineral do mundo e condições ideais para a pecuária. “Mas a Vale deixa menos impostos em Carajás do que uma rede de supermercados”, diz Duda. Só com a Lei Kandir, que retirou receita dos estados exportadores, o Pará perdeu R$ 21 bilhões, segundo o publicitário. “E o governador, o Simão Jatene, era amigo do Antônio Kandir e do Fernando Henrique”, diz Duda.


Tapajós, por sua vez, possui terras em quantidade suficiente para a produção de grãos, num modelo de desenvolvimento sustentável. Mas as duas regiões, onde a presença do Estado é frágil, são marcadas por chacinas e conflitos agrários permanentes.


Somos, sim, a favor


Aqui, no 247, não escondemos nossa posição. Somos amplamente favoráveis à criação dos estados de Carajás e Tapajós – e também de outros, como a Bahia do Oeste. O projeto deste portal prevê a criação de uma rede nacional de jornais online. Além do Brasil 247, já temos Brasília 247, Bahia 247, Rio 247 e Pernambuco 247. Em 2012, teremos o Pará 247, mas também os jornais Carajás 247 e Tapajós 247, mesmo que a divisão não seja aprovada no plebiscito do dia 11. O Pará é grande demais para ser um só. E o Brasil deveria ter a grandeza de olhar para o Pará com generosidade – e não com a mesquinhez de quem enxerga apenas mais senadores, deputados e estruturas administrativas.


Leia, aqui, o artigo Carajás e Tapajós, que publicamos a respeito da divisão do Pará.


FMI VEM AO BRASIL PEDIR DINHEIRO EMPRESTADO - BANCA DE AGIOTAS ESTÁ FALIDA



QUEM DIRIA ?!!! - PRESTE ATENÇÃO DONA MÍRIAM LEITÃO


O FMI considera o Brasil um dos poucos países bem preparados e em condição de enfrentar a crise econômica/moral que "consome" o mundo. Isso dito pela gerente da banca de agiotagem internacional.


Que tal se o Brasil cobrar juros exorbitantes pelo dinheiro emprestado e fizer algumas exigências absurdas, como o FMI e outros organismos financeiros internacionais sempre fizeram conosco, antes do governo Lula.


Política econômica dos últimos anos protege Brasil da crise internacional, diz Lagarde.


Luciene Cruz e Wellton Máximo

Repórteres da Agência Brasil


Brasília – Como resultado da política econômica dos últimos anos, o Brasil é um dos países mais preparados para enfrentar o agravamento da crise internacional, disse hoje (1º) a diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. Em entrevista à imprensa junto com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ela declarou que o Brasil está protegido pelos fundamentos macroeconômicos.


“Nenhum país pode estar totalmente imune à crise, mas alguns estão mais bem preparados que outros. Na nossa visão [do FMI], o Brasil está mais protegido do que qualquer outro país por causa da força do mercado interno e de boas políticas financeiras e macroeconômicas”, destacou.


Para Lagarde, os três pilares que regem a política econômica brasileira desde o fim da década de 1990 – metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal – garantem a robustez do país neste momento de turbulências econômicas internacionais. “O Brasil passou por um histórico de crises e reconstrução e hoje tem um sistema financeiro capitalizado e uma economia sólida”, disse.


No encontro, foi discutida a situação econômica internacional e eventuais aportes que os países terão de fazer ao FMI para ampliar a capacidade de o Fundo ajudar países em dificuldade. O ministro da Fazenda ressaltou que esta foi a primeira vez que um dirigente do FMI vem ao Brasil pedir recursos, apesar de as negociações com os países emergentes se estenderem há meses.


“Desta vez, o FMI não veio trazer dinheiro, mas pedir dinheiro para o Brasil emprestar a países avançados. Prefiro ser credor a devedor”, destacou Mantega. Apesar de ter se comprometido a ajudar o FMI, o ministro defendeu que o aporte seja feito por meio de acordos diretos entre o Fundo e o país. Ele, no entanto, não especificou o montante que o Brasil pode emprestar.

Pela manhã, Lagarde encontrou-se com a presidenta Dilma Rousseff. Ela almoçou com Mantega e, no momento, está reunida com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.


Edição: Aécio Amado


Jornal Nacional: a influência continua?



Foto: FABIO MOTTA/AGÊNCIA ESTADO


A substituição de Fátima Bernardes por Patrícia Poeta na bancada aponta para uma redefinição do principal telejornal brasileiro; a apresentadora do Fantástico leva beleza para os telespectadores, na tentativa de reverter um dos piores índices de audiência do JN, que tinha mais de 50 pontos no Ibope com Cid Moreira e Sérgio Chapelin; mas Patrícia tem credibilidade?


247 – A escolha da apresentadora do Fantástico para substituir Fátima Bernardes na bancada do Jornal Nacional acena para uma mudança no perfil do principal telejornal brasileiro. A chegada de Patrícia Poeta indica que o JN vai ter um caráter mais revistado, como o programa dominical, com jeito descontraído e até mais glamour. A decisão de levar para o lugar de Fátima a jornalista consagrada como “garota do tempo” pode ser uma manobra da TV Globo para alavancar a audiência do Jornal Nacional. Enquanto nos tempos áureos de Cid Moreira e Sérgio Chapelin, o JN registava mais de 50 pontos no Ibope, hoje a média é de 30 pontos (segundo a Record, 29).


Apesar de bastante vistosa, Patrícia não tem a trajetória de Fátima, que começou carreira na Globo como trainee, atuou em várias áreas de produção e reportagem até ascender à âncora, em 1998, ao lado do marido, William Bonner. A recém-anunciada âncora do Jornal Nacional começou carreira na Band em Porto Alegre, em 1997. Três anos depois, mudou-se para São Paulo para apresentar na Globo a previsão regional do tempo. Em 2001, casou com o então diretor da Globo Internacional, Amauri Soares, e tornou-se correspondente em Nova York. Sete anos depois, substitutiu Glória Maria no Fantástico.


Neste ano, Patrícia Poeta protagonizou uma gafe presidencial que virou meme na internet. Ela levou uma patada de Dilma Rousseff e ficou visivelmente constrangida no ar. Ao tratar das ações do Congresso Nacional, a jornalista perguntou: “Como é que a senhora controla esse toma-lá-dá-cá, cada vez mais sem cerimônias das bancadas?” À queima roupa, Dilma disparou: “Você me dá um exemplo do dá-cá que eu te explico o toma-lá”.


Mas a falta do jogo de cintura da jornalista não implicou reprovação dela no teste da direção da Globo. Justamente porque a emissora busca agradar à audiência de hoje com menos hard news – política e economia – e mais frivolidades. Patrícia Poeta faz o estilo jornalista-modelo, não por ser um exemplo de jornalista com carreira impecável, mas uma jornalista com pose de modelo.


Para o público Homer Simpson, como William Bonner definiu o telespectador médio em 2005, seria mais empolgante assistir a notícias bobas e leves do que entender, de fato, as grandes questões do País. Se Cid Moreira e Sérgio Chapelin emprestavam voz e seriedade às notícias do Jornal Nacional, foi William Bonner que se tornou ícone do jornalismo com personalidade da Globo. Primeiro, ao lado de Lillian Witte Fibe e, depois, com Fátima – este dueto, muito bem recebido em milhões de lares brasileiros. A despeito da popular dobradinha, os números da Globo caem ano após ano.


A aposta do JN em Patrícia Poeta lembra a estratégia das telenovelas, cada vez mais depositando fichas em mulheres bonitas às 19h e 21h. Como não ter beleza e “presença” às 20h? Nesse jornalismo que cultiva a aparência (afinal, é TV, oras!), Patrícia Poeta tem credibilidade?