segunda-feira, 5 de março de 2012

Lula não pode arriscar a vida por uma campanha eleitoral




Na noite de 31 de outubro de 2010 fui com a família à avenida Paulista comemorar a vitória de Dilma Rousseff. Um grupo de amigos reunira-se em um dos bares do quarteirão da rua Joaquim Eugênio de Lima com a avenida, que ficou conhecido como “Prainha Paulistana”. Ali, encontrei Marcos Lula, um dos filhos do então presidente da República.


Conversa vai, conversa vem, Marcos me confidenciou a dificuldade instransponível para convencer seu pai a se afastar de atividade que tanta dor tem trazido à sua família nos últimos tempos, desde que o ex-presidente anunciou que estava sofrendo de câncer, em razão dos ataques políticos que não o poupam nem em momento de tanta dificuldade.


Segundo o filho de Lula, seu pai sempre prometeu à família que um dia deixaria a política, mas esse dia nunca chegou. E, assim, a família inteira vai tendo que conviver com os sucessivos ataques ao patriarca, os quais sempre conseguem ser mais rasteiros e desumanos do que os anteriores.


Na semana passada, reuni-me com amigos na inauguração da nova sede do Centro de Estudos Barão de Itararé, na rua Rego Freitas, no prédio em que fica o Intervozes. Entre sindicalistas, militantes, jornalistas, diplomatas e políticos, não encontrei uma só pessoa que não concordou com a tese de que Lula deve virar alvo de pesada artilharia, nos próximos meses.


Todos lembraram o quanto a direita midiática está assustada com a entrada dele no processo eleitoral de 2012 e de como, desse medo, têm emanado os ataques mais virulentos, baixos e covardes que se possa conceber. E de como aumentarão ainda mais se Lula voltar ao palco político.


No fim da tarde de domingo, os portais de internet anunciavam a nova internação de Lula, desta vez por conta de infecção pulmonar e febre. Há algumas semanas, fora internado por dores na garganta e dificuldade de deglutir.


Eu e minha família temos comentado que a aparência de Lula não nos está agradando. Em nossa opinião, o ex-presidente está claramente sentindo mais o tratamento do que a presidente Dilma. Talvez pela localização de seu tumor, talvez pelo fato de que mulher é mais forte, só sei que o fato é que Lula ficou impressionantemente abatido.


Qualquer pessoa comum, sofrendo do mal que acomete o ex-presidente, se afastaria por completo de atividades desgastantes tanto do ponto de vista emocional quanto físico, como sói ser uma campanha eleitoral – ainda mais em um país como o nosso, onde política é uma guerra em que abundam os golpes baixos.


Luiz Inácio Lula da Silva já fez o que podia pelo país. Trabalhou como um cavalo durante seus 8 anos na Presidência. Jornadas de trabalho ocupavam dois terços dos seus dias, fins de semana inteiros eram dedicados à política. Ninguém pode exigir mais nada desse homem. Doente como está, participar de campanha suja como a que vem por aí, é loucura.

CartaCapital recusa anúncio da Eternit a favor do amianto

por Conceição Lemes


13 de fevereiro de 2012 já entrou definitivamente para a história. Juízes italianos anunciaram em Turim a condenação dos ex-proprietários da Eternit, o barão belga Jean-Louis de Cartier de Marchienne e o magnata suíço Stephan Schmidheiny, a 16 anos de prisão e ao pagamento de quase 100 milhões de euros a um extenso elenco de cidadãos, instituições e entidades. Ambos foram declarados culpados por desastre ambiental permanente e omissão dolosa de medidas de segurança, que levaram à morte 2.160 trabalhadores.


Desde então, a Eternit do Brasil está tendo de se explicar. Inclusive nas últimas semanas, publicou anúncio em vários veículos, afirmando, entre outras que:


“não tem nenhuma relação com a Eternit de outros países, inclusive com o caso da Itália”.


“a atividade no Brasil é regulamentada pela Lei Federal nº9.055/95, que dispõe sobre o ‘uso controlado e responsável do amianto’”.


“a extração e beneficiamento do amianto crisotila por sua controlada SAMA, bem como a utilização do mineral nas fábricas da Eternit, seguem rígidos padrões de segurança que superam as exigências legais”.


O anúncio foi veiculado, primeiramente, nos principais jornais do país, entre os quais Estadão, Folha, Globo, Valor Econômico e Estado de Minas. Depois, nas revistas semanais Veja, IstoÉ e Época.


CartaCapital recusou. Em matéria publicada na edição de 24/2/2012 (a íntegra no final), ainda explicou por quê:


“É um direito e um dever da empresa prestar esclarecimentos aos consumidores. Como também é obrigação de CartaCapital checar as informações publicadas na revista, mesmo quando se tratar de peças publicitárias e quando assim for entendido necessário. Foi o que fizemos. Diante do interesse da Eternit em veicular seu anúncio em nossas páginas, achamos por bem conferir os argumentos apresentados na ‘nota de esclarecimento’. A totalidade dos especialistas entrevistados rechaçou as explicações”.


“A decisão foi da direção de redação”, revela Sérgio Lírio, seu redator-chefe. “Além de lermos documentos e pareceres públicos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Ministério Público Federal (MPF) e vários estudos a respeito, consultamos diversos médicos, todos referendados por outros especialistas. A Eternit também foi procurada e repetiu o teor da ‘nota de esclarecimento’.”


“A saúde pública prevaleceu sobre o poder econômico”, aplaude a engenheira Fernanda Giannasi, auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e fundadora da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea). “Parabéns à CartaCapital. Deu uma lição de cidadania e responsabilidade social à mídia nacional.”


O médico René Mendes, especialista em Saúde Pública e em Medicina do Trabalho e professor titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enviou a seguinte carta ao Estadão, Folha, Globo, Valor Econômico, Estado de Minas, Veja, Istoé e Época:


“Sob o conceito de ‘fato relevante’, a Eternit no Brasil mandou inserir matéria paga, em que tenta se distanciar da gravidade da questão do amianto crisotila enquanto fibra comprovadamente causadora de câncer (como mesotelioma maligno de pleura, entre outros), reduzindo um grave problema de Saúde Pública e de Meio Ambiente a uma suposta querela comercial e de disputa de mercado.


Apega-se, de má-fé, à Lei Federal no. 9.055/95, cuja flagrante inconstitucionalidade já tem parecer favorável do Ministério Público Federal e do Ministro Relator do STF, e ainda, tenta desqualificar a inteligência e a sensibilidade dos legisladores dos estados onde o amianto já foi proibido, reduzindo o clamor de milhares de vítimas das doenças do amianto crisotila, à suposta pressão de concorrentes da Eternit.


Como cidadão e profissional de Saúde, registro minha indignação por tanta desfaçatez e conclamo o Poder Legislativo, o Poder Judiciário e o Poder Executivo Federal a que se unam para acelerar as iniciativas pelo banimento total do amianto crisotila no Brasil, imediatamente. Que o Brasil não faça vexame na Conferência Rio + 20, de junho, e consiga mostrar – a nós mesmos e ao mundo – que suas políticas públicas não são definidas pelos lobbies de uma empresa, e sim, são comprometidas com a defesa da saúde e do meio ambiente, como manda a Constituição Federal”.

René Mendes está nessa batalha desde o início da década de 1980. Assegura que a sociedade precisa ser mais esclarecida sobre os malefícios do amianto crisotila à saúde. Esse mineral é comprovadamente cancerígeno à saúde humana.


“Agarrar-se à lei nº 9055, para dizer que a extração do amianto, fabricação de produtos à base do mineral e sua comercialização são legais, é enganoso”, ressalta Mendes em entrevista a esta repórter. “Eles sabem que esta lei tem os dias contatos, pois está, inclusive, sendo questionada no STF. A ADI [Ação Direta de Inconstitucionalidade] 4066 contra a lei nº 9055 já recebeu parecer favorável do seu relator e do procurador Geral da República.”


“Além disso, focar nas condições de trabalho da mina, em Minaçu [Goiás], para dizer que ela é maravilhosa, é falacioso”, avisa Mendes. “Após sair da mina, o mineral cancerígeno se espalha por uma dezena de empresas que o manipulam para fazer manufaturados; daí, ele vai para centenas de distribuidores, que vendem os produtos contendo amianto a dezenas de milhares de consumidores.”


“A sociedade tem de estar atenta isso”, alerta Mendes. “A Eternit não aborda a questão da perspectiva de saúde pública, nem da cadeia produtiva, nem do ciclo completo de vida do amianto, que vai da extração da fibra até 40, 50 anos após o seu uso.”


Talvez alguns questionem: será que não é mesmo possível o uso controlado do amianto crisotila?
“No máximo, os sistemas de filtragem adotados, a partir dos anos 80, conseguem reduzir a concentração de pó de amianto dentro das fábricas, mas isso não significa ambiente seguro, pois não existe limite abaixo do qual a exposição ao mineral não oferece risco à saúde humana”, esclarece Fernanda Giannasi. “Também não se consegue controlar o produto depois que sai das fábricas e vai para o público.”


Um exemplo está na própria construção civil, onde é frequente a instalação de telhados, gerando grande concentração de fibras no ar. Devido à alta rotatividade de mão-de-obra do setor, os operários não têm noção de que aquele produto, que estão furando e cortando, tem amianto. E acabam respirando as fibras sem qualquer proteção. O mesmo pode acontecer no ambiente doméstico.


Talvez alguns rebatam: mas isso é de responsabilidade da construção civil, do trabalhador, do sindicato, do Ministério do Trabalho e não da indústria do amianto.


“É problema das indústrias que produzem com amianto, sim”, volta à carga Fernanda. “Elas têm responsabilidade por toda a cadeia produtiva: mineração, produção, transporte, colocação no mercado e até a destinação dos resíduos quando o produto atingir o final de sua vida útil. E como é que elas vão controlar o manuseio desses produtos pela população? É impossível. O uso controlado é uma ilusão total. Uma falácia!”


Talvez alguém ainda insista em afirmar: a Eternit brasileira “não tem nenhuma relação com a Eternit de outros países, inclusive da Itália”.


A empresa Eternit S.A. do Brasil, que foi nacionalizada a partir de 2000, tem sua origem no grupo belga-suíço, o mesmo que foi condenado na Itália e também está no banco dos réus na Bélgica e na França, e que se instalou aqui nos anos 30.


“Na Itália, Suíça, França e Bélgica, como aqui, a Eternit sabe desde o início do século XX dos malefícios do amianto à saúde humana”, arremata Fernanda Giannasi. “A condenação na Itália é uma demonstração inequívoca de que a impunidade que cerca as empresas de amianto, ao redor do mundo, está chegando ao fim e atingiu o ‘rubicão’, ou seja, atingiu um ponto que não tem mais volta.”

Marco Aurélio Garcia chama secretário-geral da FIFA de vagabundo



Tudo começou com o atrevimento e maus modos do secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, dizendo na sexta-feira que o Brasil merecia um “pontapé no traseiro” por causa da organização da Copa do Mundo, referindo-se à recusa do governo brasileiro em aceitar imposições exageradas da FIFA.


No sábado, o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, respondeu que o governo brasileiro não receberia e não conversaria mais com Valcke. A FIFA que escale outro interlocutor decente.


No domingo, pouco depois de chegar na Alemanha, na comitiva da presidenta Dilma, o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, foi além:


- O interlocutor (da Fifa) já está riscado. Esse cara é um vagabundo!...


- É um boquirroto. Ele não criou um problema para nós: criou um problema para a Fifa.


- Não me parece que bunda seja uma palavra diplomática, mesmo se traduzir como traseiro…


Aproveitando da nacionalidade francesa de Valcke, Garcia completou com ironia:


- ...os franceses nunca se deram bem no colonialismo no Brasil...Garcia disse que o Brasil fará as obras necessárias, no tempo necessário, e que o ritmo é o mesmo dos europeus.


Dilma está na Alemanha para participar da maior feira de tecnologia do mundo, a CEBIT, a convite da primira-ministra alemã Angela Merkel.
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2012/03/marco-aurelio-garcia-chama-secretario.html

domingo, 4 de março de 2012

Tomara que o Cerra acredite no Datafalha




Como se sabe, o Conversa Afiada não acredita em pesquisa eleitoral no Brasil.


O “mercado” é dominado por duas e só duas instiituições.


O Datafalha e o Globope, no PiG (*), por definição, se transformam em gazuas para fomentar o Golpe contra governos trabalhistas.


Tão simples quanto isso.As pesquisas iniciais, quando a campanha mal começa – essas, então, são, historicamente, uma beleza.


Servem para anabolizar os candidatos que o PiG quer – e reunir financiadores de peso – e fulminar os que o PiG não quer – e desmobilizar seus financiadores para a campanha que se avizinha.Tão simples quanto isso.


Nos Estados Unidos, a média ponderada de CEM pesquisas erra.


Como errou agora nas primárias do Partido Republicano.


Aqui, o Globope e o Datafalha tem a consistencia de um editorial da Folha ou do Globo: zero !


Na primeira página deste domingo, a Folha (*) estampa com entusiasmo: “Cerra sobe nove pontos !!!”.


Um jenio.


E diz, complementarmente, que 66% dos eleitores acham que ele vai abandonar a prefeitura, como fez em 2006, embora dissesse na televisão e em papel timbrado da própria Folha que ficaria no cargo até o fim.


Os leitores da Folha foram poupados de informação que se encontra na pág. A6 do Estadão:




“Em seu primeiro dia de campanha na rua, o pré – candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Cerra, foi vaiado por jovens que estavam no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso.”


Aliás, esses tem sido dias especialmente propiciosos ao tucano.




Foi espinafrado por um líder tucano de Ermelino Matarazzo.


Como já tinha sido por uma líder tucana, também.Aliás, nem o FHC aguenta mais ele. Embora, depois tenha desmentido. Aliás, o FHC desmente sempre – “esqueçam o que eu escrevi”…


E o Kassab confirmou que, contra o Aécio, Cerra apoiará Dilma em 2014.


O que só faz reforçar suas chances com o eleitor tucano de São Paulo.


Tomara que ele acredite no Datafolha.


Porque faça chuva ou sol, o Datafalha sempre terá 30% à disposição dele.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Folha de S.Paulo; Um jornal a serviço do PSDB

Jornal Folha de São Paulo; 20/02/2012: “Serra busca estratégia para vencer rejeição”



Segundo a sondagem mais recente do Datafolha, concluída em janeiro, 33% dos eleitores de São Paulo dizem que não votariam de jeito nenhum em Serra. No cenário mais favorável para sua candidatura, ele tinha 21% das intenções de voto em janeiro.


Folha de São Paulo; Domingo, 04 de março de 2012 - 13 dias depois: “Serra sobe nove pontos e lidera disputa em SP”


Levantamento feito pelo Datafolha entre quinta e sexta-feira mostra Serra com 30% dos votos num cenário em que estão os principais postulantes ao cargo.


No fim do mês de janeiro, ele tinha 21%.


Serra lidera em todos os cenários em que participa.


Alguém sabe informar o que José Serra fez de relevante nesses 13 dias para subir 9 pontos?

DataSerra em ação


Entre titulo e matéria, a briga costuma ser feia, principalmente na chamada "grande imprensa". O leitor que lê a manchete na capa do jornal pendurado na frente da banca, pensa que o Serra já ganhou.


Folha partidária


Se depender da Folha, panfleto do PSDB, o tucano José Serra não vai precisar gastar com marqueteiro.No jornal, a propaganda extemporanea do candidato Serra, já começou.


O jornal, não está fazendo uma cobertura dos candidatos a prefeitura de São Paulo.Está fazendo uma campanha para o candidato à presidência ou prefeito, José Serra (PSDB). Não é de hoje que a Folha se tornou um panfleto oficial de propaganda e cabo eleitoral do PSDB.


José Serra nem precisa se preocupar em gastar com propagandas e panfletos do partido para exaltar suas obras e análises apenas positivas de seus ex governos. Basta ler a Folha de São Paulo. E se o PSDB estiver disposto a fazer um acordo direto com o Otavinho, pode distribuir o jornal nas casas dos seus eleitores durante a campanha....


Do jeito que a coisa vai, a Folha ainda chama seu ex-repórter Márcio Aith, atual assessor de José Serra de volta para ampliar o leque de opções na sua campanha contra Haddad. É o modelo de Veja está fazendo escola.

A pior audiência da história da Globo




Por Altamiro Borges


Líder de audiência há mais de quatro décadas, a TV Globo teve o pior mês de fevereiro de toda a sua história. Segundo sondagem do Ibope, entre as sete da manhã e a meia noite, a emissora registrou uma audiência média de 14,4 pontos na Grande São Paulo no mês passado (há um ano ela tinha 15,9 pontos). A péssima notícia deve ter preocupado os filhos de Roberto Marinho.


Mas eles têm um consolo. A queda de audiência foi generalizada, o que indica que os brasileiros estão cada vez mais distantes da péssima programação da televisão. Ainda segundo o Ibope, a Record registrou 6,8 pontos (há um ano, ela marcava 7,2 pontos); o SBT caiu de 5,6 para 5 pontos; a Band, de 2,5 para 2 pontos; e a RedeTV! de 1,4 para 1,1 ponto.


Queda do número de aparelhos ligadosAlguém poderia ponderar que a queda foi compensada pelo aumento do número de assinantes da tevê a cabo, controlada pelas mesmas famílias que monopolizam a mídia no país. Mas o Ibope revela que o número de aparelhos de televisão ligados caiu de 41,9 para 39, em média. Pelo jeito, há uma fadiga com o conteúdo difundindo pelas emissoras.


Os brasileiros estariam migrando para outros atrativos, principalmente para a internet, o que abala o modelo de negócios dos barões da radiodifusão brasileira. Neste cenário, algumas emissoras enfrentam graves crises (como a RedeTV!) e outras assistem a queda de suas audiências. O império da famiglia Marinho sofre rachaduras.

Deputado do PSDB cria projeto para "curar" gay

Deputado do PSDB de Goiás quer possibilidade de "recuperar" homossexuais.


Se existem inconstitucionalidades explícitas na proposta de lei que pretende mudar uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP), para permitir que psicólogos possam atuar na chamada "cura gay", caberá ao Congresso Nacional decidir. Mas o objetivo da bancada evangélica de pautar novamente um antigo debate na Câmara dos Deputados já foi atingido.


A proposta, de autoria do presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), deverá pautar as discussões da Comissão de Seguridade Social e Família ainda no primeiro semestre, em uma, duas ou até mais audiências.


Trata-se de um projeto de decreto legislativo que tem por objetivo abolir dois dispositivos aprovados em 1999 pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). Um das normas contestadas pelo Legislativo veta a participação dos psicólogos em atividades públicas que reforcem preconceitos sociais.


RELATOR FAVORÁVEL


Além disso, o projeto apresentado pelos evangélicos tem o objetivo de suprimir o parágrafo único da resolução do conselho que diz: "Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades".


No fim do ano passado, foi apresentado requerimento de audiência pública pelo relator do projeto, deputado Roberto de Lucena (PVSP), que havia elaborado parecer em favor da aprovação da proposta.


Geralmente, as audiências públicas servem para instruir o relator em seus pareceres e são feitas antes de o relatório ser apresentado. Nesse caso, houve uma inversão do trâmite. Lucena se justificou dizendo-se surpreendido pela polêmica sobre o assunto, daí a decisão de pedir as audiências, mesmo depois de já ter elaborado seu parecer.


"Fiquei muito honrado pela oportunidade e confiança de relatar essa proposta e meu voto foi pela aprovação. Só que me dei conta da complexidade da matéria", justificou-se Roberto de Lucena.

Relator defende a proposta


O relator do projeto, deputado Roberto de Lucena (PVSP), contou que recebeu "vários emails e telefonemas em meu gabinete, de pessoas que são a favor e também de entidades representativas da sociedade que defendem a causa gay. Por isso, decidi pedir a audiência para ouvir todo mundo", disse. "Vou para a audiência como uma folha de papel em branco."


Embora os dispositivos do Conselho Federal de Psicologia contestados pelo projeto falem explicitamente de cura da homossexualidade, o relator defendeu-se dizendo que a proposta não abrirá espaço para considerar a homossexualidade uma doença.


Em 2005, o então deputado federal Neucimar Fraga (PLES), também integrante da bancada evangelica, tentou convencer os 52 parlamentares da Comissão de Seguridade Social e Família a aprovarem sua proposta que garantia o "tratamento" pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Na época, Neucimar chegou a coletar histórias de homens que diziam-se curados da homossexualidade depois que tiveram ajuda de profissionais ou de religiosos. Ele ainda ressaltou que a proposta tinha o objetivo de garantir tratamento gratuito para quem "voluntariamente".
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2012/03/deputado-do-psdb-cria-projeto-para.html

Mídia expõe e Datafolha pesquisa


Por Altamiro Borges


Há quase duas semanas, José Serra é presença obrigatória na mídia paulista. É capa dos jornalões e figura de destaque nas tevês. Em meio a esta amplíssima exposição, o Datafolha divulga hoje uma pesquisa – feita entre quinta e sexta-feira – em que o eterno candidato tucano surge como franco favorito para a eleição paulistana. Mera coincidência ou mais uma manipulação grotesca?Um momento bem oportunoSegundo o Datafolha – também conhecido como DataSerra –, o pré-candidato do PSDB subiu nove pontos na comparação com a pesquisa anterior, de janeiro, e atinge 30% das intenções de voto. É quase imbatível! Em segundo lugar surge Celso Russomanno (PRB), com 19%; em terceiro, Netinho de Paula (PCdoB), com 10%. O petista Fernando Haddad obtém apenas 3% da preferência.


Como a própria reportagem da Folha reconhece, a pesquisa “foi feita na semana em que Serra teve muita exposição devido ao anúncio de que queria concorrer. Isso ajuda a explicar o crescimento de 2% para 12% em sua intenção de voto espontânea (quando não é apresentado ao eleitor o nome de nenhum candidato)”. Mesmo assim, a Folha fez estardalhaço na sua manchete.


Objetivos matreiros da pesquisa


A pesquisa cumpre vários objetivos. De cara, ela ajuda a enterrar os dois pré-candidatos que disputarão a prévia do PSDB, adiada para 25 de março. Pode ser até que José Anibal e Ricardo Tripoli desistam antes da data marcada para o espetáculo circense – outros dois “flanelinhas”, Andrea Matarazzo e Bruno Covas, já deixaram o lugar vago para o caudilho tucano.


O DataSerra também contribui para as articulações políticas do ex-governador, que se atrasou na definição da sua candidatura – já que ele mesmo considera a prefeitura paulistana um “enterro”. A pesquisa ainda ajuda a pavimentar alianças com os partidos pragmáticos, que costumam apostar no “cavalo ganhador”, e a garantir apoios, principalmente financeiros.


Calcanhar de Aquiles do eterno candidato


Mas nem tudo são flores para o pré-candidato do PSDB. A pesquisa confirmou sua alta rejeição, que oscilou de 33% para 30%, dentro da margem de erro. Ela também aponta que Serra é o mais conhecido do eleitorado (99% sabem quem ele é), enquanto outros ainda são desconhecidos – desvantagem que durante o horário eleitoral na rádio e televisão tende a ser superada.


Para piorar, a pesquisa expôs seu calcanhar de Aquiles. 76% dos entrevistados se lembram que Serra abandonou a prefeitura em 2006, após assinar um documento jurando que não trairia seus eleitores; e 66% acham que ele vai deixar novamente a cidade para concorrer à presidência em 2014. Será que, mesmo assim, o paulistano vai votar num mentiroso contumaz?

A OAB precisa denunciar seu presidente

Da coluna Elio Gaspari, na Folha de S. Paulo:


A dura vida do presidente da OAB


É dura a vida do presidente da Ordem dos Advogados, Ophir Cavalcante. No último ano ele condenou o tamanho da fila dos precatórios de São Paulo, a farra dos passaportes diplomáticos, as fraudes nos exames da Ordem, a atuação de advogados estrangeiros em Pindorama, o enriquecimento de Antonio Palocci e a blindagem dos “ficha suja”. Defendeu a autonomia salarial do Judiciário e os poderes do Conselho Nacional de Justiça.


Como se sabe, Ophir Cavalcante é sócio de um escritório de advocacia em Belém e procurador do governo do Pará, licenciado desde 1998, quando se tornou vice-presidente da seccional da Ordem. Até aí, tudo bem, pois Raymundo Faoro era procurador do Estado do Rio, apesar de não lhe passar pela cabeça ficar 13 anos com um pé na folha da Viúva e outro na nobiliarquia da Ordem.


Em agosto do ano passado, quando o Tribunal Regional Federal permitiu que Senado pagasse salários acima do teto constitucional de R$ 26.723, Cavalcante disse o seguinte: “O correto para o gestor público é que efetue o corte pelo teto e que as pessoas que se sentirem prejudicadas procurem o Judiciário, e não o contrário”.


Em tese, os vencimentos dos procuradores do Pará deveriam ficar abaixo de um teto de R$ 24.117. Seu “Comprovante de Pagamento” de janeiro passado informa que teve um salário bruto de R$ 29.800,59. O documento retrata as fantasias salariais onde a Viúva finge que paga pouco e os doutores fingem que recebem menos do que merecem. Isso não ocorre só com ele, nem é exclusividade do Ministério Público do Pará.


O salário-base do doutor é de R$ 8.230,57. Para os cavalgados é isso, e acabou-se. No caso de Cavalcante, somam-se sete penduricalhos. Há duas gratificações, uma de R$ 6.584 por escolaridade, outra de R$ 7.095 por “tempo de serviço” (na repartição, ficou três anos, mas isso não importa); R$ 4.115 por “auxílio pelo exercício em unidade diferenciada” (a procuradoria fica em Belém, mas ele está lotado na unidade setorial de Brasília).


Esse contracheque levou uma mordida de R$ 5.196 do Imposto de Renda. Se o doutor trabalhasse numa empresa privada, com salário bruto de 29.800,59, tivesse dois dependentes e pagasse, como ele, R$ 2.141 na previdência privada, tomaria uma mordida de R$ 6.760.


Finalmente, há R$ 314 de auxílio-alimentação, o que dá R$ 15,70 por almoço. A OAB precisa protestar: o Ministério Público paraense passa fome.

Demóstenes Torres: cai a máscara de mais um falso moralista do Senado

Lembram senador Demóstenes Torres (DEM), um dos falsos moralistas do Senado? Em 2008, ele usou a Veja para acusar o hoje deputado Chiquinho Escórcio (PMDB) de arapongagem. A própria PF absolveu o deputado maranhense. No ano passado Demóstenes, baixou o nível contra o presidente do Congresso, José Sarney (PMDB), que reagiu à altura (reveja). Em entrevista a Veja, o ex-governador José Roberto Arruda (Distrito Federal) já tinha informado ter arrecadado dinheiro para campanha do senador e do governador Marconi Perilo (PSDB-GO), outro que acusou Chiquinho de arapongagem (reveja). Agora ambos foram flagrados pela Polícia Federal com estreitas ligações com o bicheiro Carlinos Cahoeira. Leia a reportagem da Época:

Por Andrei Meireles e Marcelo Rocha, da Época:


Na quarta-feira (29), a Polícia Federal deflagrou a Operação Monte Carlo, com a prisão do empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e dezenas de policiais civis e militares, acusados de envolvimento na exploração ilegal de máquinas caça-níqueis em Goiás e na periferia de Brasília. Foram presos também dois delegados da Polícia Federal e o ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. Cachoeira e Dadá foram personagens de alguns dos principais escândalos políticos, como o Caso Waldomiro Diniz.


Segundo a apuração da PF, Carlinhos Cachoeira mantinha forte influência na política goiana. Nas cerca de 200 horas de gravações telefônicas, captadas com ordem judicial, Cachoeira conversa com freqüência e intimidade com deputados federais de vários partidos e com o senador goiano Demóstenes Torres, líder do DEM no Senado Federal.


De acordo com os investigadores, em julho do ano passado Carlinhos Cachoeira deu um generoso presente de casamento para o senador goiano: uma cozinha completa. ÉPOCA ouviu Demóstenes. O senador confirma ter recebido, em seu casamento, um fogão e uma geladeira do casal Cachoeira. “Sou amigo dele há anos. A Andressa, mulher dele, também é muito amiga da minha mulher”, diz Demóstenes.


Segundo o senador, Cachoeira mantém conversa também com políticos de todas as tendências em Goiás. “Depois do escândalo Waldomiro Diniz, eu pensei que ele tivesse abandonado a contravenção, e se dedicasse apenas a negócios legais”, afirma Demóstenes. “Para mim, foi uma surpresa as revelações feitas por essa operação da Polícia Federal.”


Entre os presos na Operação Monte Carlo, o ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Wladmir Garcez, era interlocutor freqüente do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). S


Segundo investigadores, Garcez trocou dezenas de torpedos pelo celular com o governador.


Depois, segundo a polícia, o ex-vereador repassava as informações para Cachoeira. Por intermédio de sua assessoria, o governador Perillo disse que há anos mantém relações políticas com Garcez, com quem fala com frequência e troca mensagens eletrônicas. “Não me lembro bem sobre o que a gente falava, só que ele me ajudou a vender uma casa”, diz Perillo por meio da assessoria.


Nas escutas telefônicas, metade da bancada de Goiás na Câmara conversava habitualmente com Cachoeira. Entre eles, o deputado Jovair Arantes, líder do PTB na Câmara. “Eu sempre falei com o Cachoeira, mas não tenho negócios com ele”, afirma Arantes. “Ele sempre foi ligado à política. Eu liguei recentemente para ele, por exemplo, para pedir apoio porque sou candidato à prefeitura de Goiânia. Mas era uma ajuda legal”.


Outro interlocutor habitual de Carlinhos Cachoeira é o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. “Nossas famílias são amigas há muitos anos. Nunca escondi nossa amizade, sempre freqüentei a casa dele. Mas nunca tive negócios com ele”, afirma o deputado Leréia.



Grosseria ou malandragem?




Sobre a inominável grosseria do cidadão Jerome Valcke, que tem o direito de criticar o que quiser na organização da Copa mas não tem o direito de dizer que “o Brasil merece levar um pé na bunda”, o que levou o Governo Brasileiro a tomar a atitude de não mais recebê-lo como interlocutor da Fifa, é importante que se leia o que escreve Juca Kfouri, que entende como poucos de cartolagem, Ricardo Teixeira e o jogo sujo que corre por ali.



É sabido que a Fifa adoraria poder levar a Copa de 14 para a Inglaterra e parar de apanhar dos ingleses.


É sabido que Jérôme Valcke é parceiro de Ricardo Teixeira, a ponto de passarem férias juntos.


E que o secretário-geral da Fifa é pau para qualquer obra, até para ser condenado como foi pela Justiça da Suíça por litigância de má-fé, como foi no “caso Mastecard”.

A Fifa não dá ponto sem nó e não cometeria a indelicadeza que cometeu ao dizer que o Brasil precisa levar um pé na bunda para se mexer, por mais que saibamos que as coisas, de fato, estejam atrasadas por aqui.


Alguma coisa mais grave tem por trás de tal atropelo a um mínimo de diplomacia.


E não restou outra atitude ao governo brasileiro que não a reação do ministro Aldo Rebelo, exigindo a troca do interlocutor.


Pode ser o começo do fim da Copa no Brasil, nessas alturas com prejuízos incalculáveis diante de tudo que já está, mesmo que atrasado, em andamento.


Teixeira certamente se diverte com isso tudo e, quem sabe, se apresente como salvador, como algodão entre cristais, para evitar a catástrofe.


Seja como for, esta não é uma guerra de luvas de pelica, mas de gangsters (os cartolas da Fifa, evidentemente) mesmo.


Meu comentário: Não é improvável que as manobras sejam estas que Juca Kfouri descreve, mas a Fifa não está em condições de fazer o que bem quiser. A entidade, todos sabem, está abalada por escândalos e escândalos e, no mundo, não é como aqui que a Globo “absolve” a CBF nas instâncias cíveis e criminais. A reação do Governo brasileiro foi o mínimo que poderia fazer, e está-se agindo com a maior diplomacia, ao contrário do cavalo de cartola que responde pela secretaria da Fifa. Terrível é que a imprensa brasileira, que torce pelo fracasso da Copa, não tenha nem mesmo a dignidade – com raras exceções, como a que se transcreveu – de reagir a uma afronta grosseira como a que se fez.

Demóstenes já foi herói de Reinaldo Azevedo

Blogg do Amoral Nato
AMIGÃO DO BICHEIRO CARLOS CACHOEIRA, O SENADOR MORALISTA DO DEM ERA UMA DAS FONTES PRINCIPAIS DO BLOGUEIRO MAIS RADICAL DA IMPRENSA BRASILEIRA; ALÉM DISSO, PASMEM, DEMÓSTENES TAMBÉM DEFENDIA UMA CPI PARA INVESTIGAR OS BINGOS NO BRASIL; SÓ RINDO


247 – É triste o fim do senador Demóstenes Torres (DEM/GO), amigo do peito do mafioso Carlos Cachoeira. Afinal, como ensina a sabedoria, perdoa-se o pecador; o pregador, jamais. Demóstenes Torres sempre foi um pregador moral no Congresso, pronto a atacar qualquer desvio da base aliada. Assim, ele se tornou fonte preferencial de boa parte daquilo que se convencionou chamar de PIG, o Partido da Imprensa Golpista, cujo representante mais célebre é o jornalista Reinaldo Azevedo.


Pois Demóstenes sempre foi um dos grandes heróis do blogueiro da revista Veja. Num post recente, Reinaldo exaltou “a coragem de Demóstenes”. E deu como subtítulo o texto “Por uma direita democrática, por mais rigor penal, contra as contas raciais e NÃO à descriminação das drogas”.


Só rindo. O amigo do bicheiro defendia mais rigor penal e combatia a liberação das drogas. Eis o que escreveu Reinaldo Azevedo sobre seu herói:


“Admiro a sua atuação política, como sabem os leitores deste blog. Nem sempre concordo com ele, é fato. Mas sempre lhe reconheço a argumentação consistente e corajosa. Está entre as pouquíssimas vozes do Congresso que dizem o que pensam com clareza, sem temer os “aiatolás” de causas privadas tornadas autoridades públicas. Demóstenes afirma, e eu concordo plenamente, que um dos males do país são as oposições, muitas vezes, querem se parecer com o governo. Defende, entre outras tantas, algumas das boas causas: maior rigor penal contra o crime, fim das cotas raciais e um “não” peremptório à descriminação das drogas.”


Abaixo, alguns trechos da entrevista citada à Veja:


Sobre Palocci


Tudo indica que, depois do escândalo do caseiro, ele novamente tenha caído em tentação. Mais uma vez, a mão forte do governo parece estar pesando sobre o Congresso. Essa tentativa de blindagem que foi arquitetada pela base aliada só transmite duas mensagens: que Palocci realmente deve e que o governo é conivente com as atitudes dele, o que é inconcebível em um país democrático. Todo homem público deve prestar contas à população.


(nosso comentário: o senhor também caiu em tentação, Demóstenes?)


Sobre Segurança Pública


Defendemos uma política de segurança pública sem tantos benefícios aos detentos, como indultos e progressão de pena. A violência só refluiu em locais nos quais se aplicaram com rigor as políticas convencionais. É o caso do estado de São Paulo, onde os índices de homicídio diminuem ano a ano. A frouxidão penal é uma lástima e um incentivo para os criminosos.


(nosso comentário: bicheiros devem ser presos, senador?)


Sobre ser de direita


A direita não tem compromisso com a quebra da ordem constitucional. Ao contrário, ser de direita é justamente defender os valores institucionais, como a lei e a democracia. Por isso, a meu ver, ser de direita significa combater o ideário que põe em risco os valores mais nobres da democracia ao pregar o aparelhamento e o inchaço do estado, o desperdício de dinheiro público e o assistencialismo desmedido.


(nosso comentário: ser de direita é defender a lei recebendo presentes de mafiosos, senador?)

Sobre descriminação das drogas


A droga é a origem de inúmeros crimes, e o usuário não pode ser tratado apenas como uma vítima, uma vez que alimenta esse ecossistema pernicioso. Além disso, a lei já o protege, impedindo o cumprimento de pena. Em vez de liberar o consumo de drogas, o governo deve construir centros dignos de tratamento e reabilitação para viciados.


(nosso comentário: quem joga não alimenta nenhum sistema pernicioso?)


No caso do senador Demóstenes Torres, a incoerência entre o que diz e o que faz é tamanha que, em 2004, ele defendeu a criação de uma CPI dos Bingos, quando se descobriu que o ex-assessor da Casa Civil, Waldomiro Diniz, pedia propinas a Carlinhos Cachoeira. Ué, mas o Carlinhos Cachoeira não havia abandonado o crime?


Leia, abaixo, reportagem da época:


O senador Demóstenes Torres (PFL-GO) leu da tribuna os resultados de pesquisa do Datafolha divulgada nesta terça-feira (2), a qual revela que 81% dos eleitores do país querem a CPI para investigar o caso Waldomiro Diniz e outros 83% apóiam uma CPI para investigar as atividades dos bingos no Brasil. Já 67% dos entrevistados afirmaram que o ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, deve se afastar do cargo ou se demitir definitivamente.


Para ele, o governo Lula está "abatido, sem ânimo moral," por causa das denúncias dos últimos dias envolvendo em corrupção um assessor do ministro José Dirceu. Demóstenes Torres acha que, "depois de ter perdido o primado da probidade", o governo do PT "perambula em sérias indecisões éticas e desencontros políticos".


- Durante 24 anos, o PT apedrejou o Estado brasileiro como se ele fora uma mulher adúltera. É compreensível que o partido, que ostentava ímpeto raivoso a cada passo em falso dos governos de então, perca a sede de escândalos e das CPIs - acrescentou.

Para o senador, a esta altura "nem mesmo Eremildo, o idiota, personagem do jornalista Elio Gaspari", acredita nas CPIs do Waldomiro e dos bingos.


Instalada a crise após as denúncias, continuou Demóstenes Torres, "o núcleo duro do governo reage como se tivesse miolo mole" e patrocina atos como o jantar de desagravo a José Dirceu na casa do ministro das Comunicações, na última quinta-feira, "que acabou se convertendo em convescote alcoolizado". Depois, continuou, "imaginou-se o fechamento dos bingos e caça-níqueis e, o que era para ser um ato de agenda positiva, se transforma numa manifestação de protesto de 320 mil desempregados dos bingos".


- O PT não está preparado para enfrentar protestos. Bastaram as manifestações maciças em São Paulo para que o ministro da Justiça dizer uma coisa pela manhã e mudar de opinião à tarde, sobre a MP dos bingos - observou.


O senador Demóstenes Torres disse que continuará exigindo, como vem fazendo desde o ano passado, que a Caixa Econômica Federal forneça ao Senado a documentação completa sobre a renovação de contratos com a empresa norte-americana Gtech. Citou informação da revista Istoé Dinheiro de que a Getech "possui extensa folha corrida globalizada de falcatruas".


Em aparte, o senador Arthur Virgílio Neto (AM), líder do PSDB, lembrou ter assinado com Demóstenes, em junho passado, o pedido de informações à Caixa, negadas até agora. "O governo não está sequer aceitando que existe uma crise. Isso pode custar a governabilidade do país", disse.


Também em aparte, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sustentou que a questão ética continua sendo o norte do PT e observou que "até a Polícia Federal terá dificuldades" para investigar o caso Waldomiro Diniz, pois o principal envolvido se recusou, nesta terça-feira (2), a responder a 50 perguntas do delegado que comanda as investigações.


sexta-feira, 2 de março de 2012

TSE barra PT na TV e multa Lula e Dilma



O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu o programa eleitoral gratuito do PT previsto para esse semestre e multou a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula em R$ 5 mil cada.

A decisão foi tomada no julgamento de um programa anterior do PT, que foi veiculado em 13 de maio de 2010. Na ocasião, segundoo TSE, o horário gratuito do partido foi utilizado para elogiar Dilma, que era pré-candidata à Presidência da República. Mas, na visão do TSE, o horário deveria ter sido utilizado para divulgar ideias do partido, e não de candidaturas.


A decisão foi unânime. Além das multas simbólicas aplicadas a Lula e Dilma, o TSE também multou o PT, em R$ 25 mil.

Gasolina cara ou barata? Depende do lobby




Publiquei agora há pouco, no Projeto Nacional, um post sobre a incrível contradição entre estas duas matérias, publicadas com um intervalo de 15 dias, por O Globo.


Há 15 dias, nossa gasolina era 70% mais cara que em Nova York, hoje está 21% mais barata que nos EUA.


Como Nova York é nos Estados Unidos e não houve nennhum salto no preço por aqui, uma das duas é uma “furada”.


Adivinhem que é o assessor para assuntos petrolíferos de O Globo, nas duas matérias… Sim, ele mesmo, o indefectível Adriano Pires, da ANP de FHC.


Claro que o preço dos combustíveis terá de aumentar, se não cessarem as pressões bélicas envolvendo Estados Unidos e Irã.


Mas este tipo de exploração não diz nada ao leitor. A gasolina é cerca de 30% a 40% mais barata na bomba nos EUA- varia muito de estado a estado – por causa, essencialmente, dos tributos que incidem sobre os combustíveis, que são estaduais.


E que, excetuados os EUA, por sua cultura, continuam sendo uma tributação menor (13%) do que a praticada nos países desenvolvidos, onde supera os 100%.


Aqui, andamos na faixa dos 50%, duas terças partes deles estaduais: o ICMS.


Como se vê, o assunto não é tratado com seriedade, mas como propaganda. Contra a Petrobras, contra o Governo.


E, sem muito disfarce, uma esperançazinha de que um aumento no preço da gasolina ajude a deter a queda da inflação e, com ela, a queda dos juros.


Política é guerra




Acostumamo-nos a pensar na política como uma estrada esburacada e pedregosa por onde transita a democracia, mas, em verdade, ela não passa de um preço que se paga para viver no regime democrático, pois é uma atividade intrinsecamente vil, ainda que imprescindível.

Vemos políticos se portando como lordes ingleses em relação aos adversários e muito mais em relação aos correligionários, ao menos publicamente. Entretanto, isso não impede que mandem a fleuma para o espaço quando lhes convém.


Essa imagem de civilidade e respeito mútuo que os políticos tentam passar à sociedade é um biombo para uma atividade repleta de jogadas baixas, de covardia, de egolatria, de mentiras, de perversidade, de mesquinhez e, acima de tudo, da mais deslavada hipocrisia.


Mas as pessoas se esquecem de que os políticos não vieram de Marte, de Venus ou de outra dimensão. Eles saem do seio do povo e, quer queiramos quer não, são um retrato da sociedade que os elege. Isso quando há democracia – veja você, leitor.


Quando não há um sistema para excluir setores da sociedade da representação política – fenômeno que subverte o conceito de democracia –, os partidos, seus eleitos e as militâncias se constituem em mera amostragem do tecido social. E essa é a verdadeira democracia.


Se prevalecer esta tese – e, na opinião deste que escreve, prevalece –, não será bonito o retrato deste povo. Todavia, podemos nos consolar com o fato de que em praticamente qualquer sociedade a política é a mesma guerra que se vê no Brasil.


Ao contrário do que se pensa, os embates políticos mais duros – e, muitas vezes, os mais sujos – são travados, primeiro, entre os grupos políticos e em privado. Só depois de estabelecidas as estruturas de poder intrapartidárias é que os políticos passam a se engalfinhar publicamente.

Entre os grupos políticos é que começa a luta dissimulada, ou nem tanto, pelo protagonismo. Talvez este seja o estágio mais duro da política, pois aqueles que deveriam ser pares chegam a usar, sem hesitação, golpes que hesitariam em usar contra adversários declarados.


A diferença da política para a guerra é a de que a primeira não virou a segunda, ainda que ambas sejam faces da mesma moeda. No estágio político puro, portanto, os golpes são contra a imagem dos adversários do seu ou de outros grupos. Quando tais ataques “evoluem” para a violência, aí a política também “evolui” e vira guerra declarada.


E o pior é que ninguém foge da política. Pode-se fugir da partidária, mas não se foge da política que fazemos em nosso cotidiano em família, entre amigos ou no trabalho.


Estamos sempre buscando uma condição superior na hierarquia social ou na pública e quem se interpõem em tal busca acaba tendo que ser anulado, e não se anula um adversário usando flores e beijos…


Impressiona que, com tantos avanços tecnológicos que o homem logrou no curso da história, tão pouco tenha avançado em termos de organização social e política. Nesta última, aliás, foi onde logrou menos. Nesse ponto, estamos onde estávamos há pelo menos cem anos.


A conclusão é inescapável: um sinal de que o homem se civilizou um pouco mais só virá no dia em que surgir uma forma nova e menos vil de organização social e política, pois a forma atual nos mantém em um conflito permanente e irracional com os semelhantes.


PHA processa Globo, Folha...





O Dr Cesar Marcos Klouri, advogado de Paulo Henrique Amorim, tomou nesta quinta-feira, 1 de março de 2012, as medidas para processar judicialmente instituições e articulistas diante do que publicaram sobre o acordo celebrado entre Paulo Henrique Amorim e Heraldo Pereira de Carvalho.


Os processados judicialmente serão:

- O Globo

- O Globo online

- G1

- Folha

- UOL

- Estadão online

- Band

- Blog do Noblat

- Jornal do Commercio de Recife

- A Tarde da Bahia

- Reinaldo Azevedo

- 247

- Demétrio Magnoli

E Conjur, membro destacado do Sistema Dantas de Comunicação.


CTB lança campanha em defesa da unicidade sindical

Blog do Celso Jardim
Muito Além do Jardim





Por sindicatos fortes e representativos


A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) lançou oficialmente, nesta quinta-feira (1º), uma campanha inédita, de abrangência nacional, em nome da unicidade sindical.


A partir da publicação de uma série de materiais de comunicação, como anúncios em jornais, outdoors, publicidade em ônibus, na internet e nas redes sociais, a Central espera promover um debate a respeito do fortalecimento do movimento sindical e da classe trabalhadora.


“Na condição de uma central sindical classista, sentimos que era necessário promover esse debate. No entanto, entendemos que esse debate não deve se restringir à unicidade versus pluralidade. Precisamos ir além”, afirmou Wagner Gomes, presidente da CTB.


A campanha tem como destaque a bandeira da unicidade sindical, mas ela está permeada por um mote muito claro: a necessidade de o Brasil alcançar um padrão mais elevado de desenvolvimento, a partir da valorização do trabalho e da distribuição de renda.

A partir dessa premissa, a CTB decidiu direcionar sua campanha aos dirigentes sindicais de todo o país. Para Eduardo Navarro, secretário de Imprensa e Comunicação da Central é preciso se contrapor de uma maneira firme em relação àqueles que lutam contra a pluralidade e a divisão dos trabalhadores.


“A CTB traz a público esta campanha em defesa da unicidade sindical como um grito preso na garganta. São muitos os que tentam dividir a classe trabalhadora, como o DEM e o PSDB, além de centrais sindicais equivocadas, entre outros. Os trabalhadores exigem sindicatos fortes e estão imbuídos da importância de financiarem sua própria organização”.


Sindicatos fortes


A CTB, desde sua fundação, defende a manutenção do Artigo 8º da Constituição Federal, que, entre outros pontos importantes, garante a unicidade e a contribuição sindical. Sua posição é clara: a unicidade é uma proteção legal e um freio para a fragmentação dos sindicatos, ao garantir uma única organização por base territorial."Um sindicato forte não pode ser dividido. E, para que seja forte, precisa ser custeado pela classe trabalhadora, por meio da contribuição sindical”, defende Wagner Gomes.Participe da campanha!


A partir de 1º de março, é importante que todos os sindicatos filiados à CTB participem dessa discussão sobre a unicidade. Isso pode ser feito por meio da distribuição de materiais em cada base.


Além disso, todos podem participar dessa discussão por meio das redes sociais na internet. Basta curtir no Facebook a página da Unicidade Sindical, seguir o perfil da Campanha no Twitter (@unicidadectb) e acompanhar o canal de vídeo no YouTube (Unicidade Sindical). Se preferir, envie sugestões para o endereço unicidadesindical@portalctb.org.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Tem cara de 1964, cheiro de 1964, mas é 2012… Ou não?




Além de previsível, por estranho que pareça julgo positiva a nova insubordinação de cerca de cem chefes militares da reserva contra a comandante-em-chefe das Forças Armadas, Dilma Vana Rousseff, que, coincidentemente, é também a presidente da República Federativa do Brasil, eleita em dia 31 de outubro de 2010 com 55.752.529 votos, os quais contabilizaram 56,05% do total de votos válidos.


Os militares da reserva – que muitos chamam de militares de pijama, mas que adotam discurso grandiloqüente e ameaçador que obriga a duvidar de que sejam só velhinhos mal-humorados – deixam ver que continuam dando tão pouco valor ao voto popular quanto davam há pouco menos de meio século, quando jogaram no lixo outros tantos milhões de votos e puseram o eleito para correr, após o que passaram a impedir que a sociedade expressasse seus desejos políticos devido a que certamente achavam que estes não seriam de seu agrado.


Como na época em que os militares aplicaram seu peculiar conceito de democracia, conceito esse que passava pela nulidade do voto popular, também temos hoje setores da imprensa falando pelos possíveis golpistas, mandando recados ameaçadores a quem a vontade dos brasileiros transmudou em comandante suprema das Forças Armadas.


Um peão que disputa com extensa fila de concorrentes o posto que Carlos Lacerda ocupou um dia, saiu recitando trecho dos Lusíadas em que a personagem de Camões recomenda “cuidado” aos portugueses, e faz isso no mesmo texto em que critica a presidente por ter exigido de cada uma das Forças Armadas que repreenda seus membros inativos e insubordinados.


Este blog vive recebendo comentários iguais. Recentemente, leitor postou que se Dilma tentar aprovar uma leia da mídia os seus amigos militares a derrubarão como derrubaram Jango Goulart. Esse tipo de comentário, neste blog, é freqüente. Alguns dos que postam essas coisas se dizem militares e dão a entender que são da reserva, apesar de que não dão seus nomes.


A diferença desses para o tal colunista é a de que este está ligadão a militares da reserva, aos amigos desses militares na política e, supõe-se – devido à grandiloqüência de suas ameaças –, também aos militares da ativa…


Nesse aspecto, julgo que esse episódio é positivo. Há, na esquerda, uma moçada que não consegue sequer cogitar a hipótese de que hoje os militares ousariam deixar os quartéis para derrubar o governo, fechar o Congresso, estabelecer a censura, prender sem mandato, torturar e assassinar como ocorreu há quase 50 anos e durante os vinte anos seguintes.


Quem está certo, este cinqüentão ultrapassado ou a garotada confiante na força da nossa democracia? Eles que se entendam com o tal colunista que todos sabem que não passa de um boneco de ventríloquo, de forma a descobrirem se a sua ameaça a Dilma é só para contentar idosos preocupados em ter que prestar contas da valentia de há meio século ou se é algo mais.

De qualquer modo, é bom que tenha ocorrido essa insubordinação. Se realmente estivermos em 2012 em vez de em 1964, esses militares terão que baixar a bola, terão que adotar o silêncio a que a opção pela caserna os obriga constitucionalmente. Do contrário… Bem, prefiro nem descrever o contrário.


Neste momento, portanto, há que saber se essas pessoas que o Estado sustenta na aposentadoria podem ou não ser enquadradas nas leis que regem a nação por questionarem a legitimidade do Poder Legislativo para aprovar a Comissão da Verdade e por policiarem as opiniões da superior hierárquica.


De uma coisa podemos estar certos: o desenlace desse episódio revelará se estivemos brincando de democracia no último quarto de século ou se ela é para valer. Se houver o risco de o voto dos brasileiros ser novamente rasgado, pelo menos já iremos escolhendo logo entre lutar ou capitular diante da ditadura até então camuflada, pois é melhor um fim terrível do que um terror sem fim.

Globo e Record na briga pela Copa




Por Altamiro Borges


Em clima de euforia, a TV Globo anunciou ontem (28) a extensão de um “acordo” com a Fifa que garante o direito de transmissão da Copa do Mundo até 2022 – o que inclui os mundiais que serão disputados na Rússia e Catar. Diante do inesperado “golpe”, a TV Record chiou e informou que entrará na Justiça contra a decisão. Em nota oficial, a direção da emissora protestou:


“O acordo com a concorrência foi anunciado sem que qualquer outra empresa de comunicação brasileira tenha sido consultada”. A Record, que já manifestará aos cartolas da Fifa a intenção de disputar o direito de transmissão dos jogos, considerou o anúncio “estranho”. Lembrou que a entidade promove licitações nos outros países, mas não adotou o mesmo procedimento no Brasil.


As históricas negociatas com a Fifa


A nota também fustiga a rival, sem citar seu nome, que “gosta de se auto- intitular como um dos maiores grupos de comunicação do mundo”, mas “não aceita concorrência livre em que a melhor proposta seja a vencedora”. A decisão da TV Record de ingressar na Justiça para atrapalhar as históricas negociatas entre a Fifa e a TV Globo – em que os telespectadores são as maiores vítimas.


Diante das críticas, a TV Globo tratou com o seu habitual desdém as outras emissoras. “Não há qualquer obrigação legal de uma entidade privada como a Fifa fazer concorrência”. Arrogante, disse que “a Fifa destacou que sua decisão foi o reconhecimento do valor da parceria bem sucedida com a Globo, que contribui, com seu alcance, audiência e qualidade, para a grande valorização dos eventos”, segundo relato do portal Terra.


*****


Leia a íntegra do comunicado oficial da Rede Record


A Rede Record vem a público manifestar absoluta surpresa com a decisão da Fifa de prorrogar o acordo de direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2018 e 2022 para o Brasil com uma outra emissora sem qualquer licitação.


A Record foi informada em 2010, logo após o término da Copa do Mundo, pelo diretor de TV da Fifa, sr. Niclas Ericson, de que haveria uma concorrência pelos direitos de transmissão dos eventos promovidos pela Fifa em 2018 e 2022, conforme provam e-mails trocados entre executivos da Record e a Fifa. No encontro realizado no Hotel Fasano, no Rio de Janeiro, a direção de nossa empresa ouviu garantias de que a licitação seria pública, transparente e aberta em regime semelhante ao que a Fifa realiza em países do mundo inteiro. Na oportunidade, a Record também entregou à Fifa um documento oficial afirmando que concorda com todas as condições para a aquisição dos eventos.


O acordo com a concorrência foi anunciado sem que qualquer outra empresa de comunicação brasileira tenha sido consultada, A informação foi divulgada no mesmo espaço de notícias em que a Fifa anuncia a abertura de licitação dos direitos para centenas de países da Europa, como Alemanha, Itália e Portugal; da Ásia como China e India; da Oceania como Austrália, da África, além de Estados Unidos, Canadá, América Central e da própria América do Sul.


É estranho verificar que para o Brasil o método seja outro. Um contrato sem concorrência decidido “fora do horário comercial”, sem ser à luz do dia e de forma transparente.


Relevante, também, ressaltar que a empresa que teve seu acordo prorrogado com a FIFA gosta de se auto intitular como um dos maiores grupos de comunicação do mundo. Em contrapartida, mostra em seus métodos que não aceita concorrência livre em que a melhor proposta seja a vencedora.


A Record informa que pretende estudar as melhores medidas judiciais cabíveis na Suiça e no Brasil que garantam os direitos internacionais de negociação.


Acreditamos na justiça e nas entidades mundiais de defesa do livre comércio sediadas na Suiça. Organizações que, justamente, combatem práticas de monopólio, protecionismo e corrupção.

Caso Celpa e as mentiras sobre as privatizações

Manuel Dutra
Jornalismo, Ciência, Ambiente




A Celpa, empresa que distribui energia elétrica no Pará, jogou a toalha. É um exemplo claro do desastre das privatizações irresponsáveis, em que empresas públicas construídas com o dinheiro suado do zé-povo vai para as mãos de grupos desqualificados. Outro grande exemplo, do governo FHC, foi a entrega da Embratel para especuladores estrangeiros.


A Celpa, uma das empresas controladas pelo Grupo Rede, foi privatizada através de leilão público no dia 7 de julho de 1998, no primeiro governo de Almir Gabriel. O preço de venda da empresa alcançou, na época, a cifra de R$ 450 milhões. Era muito dinheiro na época. O que foi feito com essa grana toda? Nada, além daquelas coisas sobre as quais são eternas as suspeitas.


O certo é que há anos a Região Metropolitana de Belém vive alternando apagões pelos diversos bairros. A instabilidade da corrente elétrica é um fato. Uma porcaria que se verifica pelo interior do Estado. No entanto, durante a farra das privatizações - a palavra é essa mesmo, farra! - o que foi que Almir e FHC disseram? Que os capitais privados é que dariam o impulso ao crescimento da infraestrutura do país.


No dia 9 de dezembro do ano passado o Diário do Pará publicou a notícia que segue:"A direção da Celpa não confirmou, mas também não negou, nesta quinta-feira (8), a informação de que o controle da Rede Energia foi posto à venda. A notícia, com origem em São Paulo, onde fica o comando do grupo, foi veiculada ontem por agências de notícias nacionais. “A Celpa não vai se pronunciar hoje (ontem) sobre o assunto”, afirmou uma fonte da assessoria da empresa.


Ela admitiu a possibilidade de ser divulgada hoje uma nota expondo oficialmente a posição da companhia. Se isso acontecer, a nota provavelmente confirmará a venda.


A matéria mais completa sobre a anunciada venda do controle da Rede Energia foi publicada pelo Valor Econômico. Segundo o jornal, o Grupo Rede, dono da concessão de distribuidoras de energia em sete Estados brasileiros – incluindo o Pará, com a Celpa – vem enfrentando há anos dificuldades financeiras, com prejuízos frequentes e tendo de administrar um alto endividamento.
O último balanço do grupo, com dados do terceiro trimestre deste ano, conforme revelou o Valor, mostra vencimentos de empréstimos e financiamentos de curto prazo na ordem de R$ 2 bilhões, além de outros R$ 5 bilhões de obrigações de longo prazo".


Hoje, anotícia que está na praça é a seguinte:


A Celpa, distribuidora de energia elétrica do Pará controlado pelo Grupo Rede Energia, entrou com pedido de recuperação judicial, informou a empresa ontem (28).


“A despeito dos esforços da administração junto a credores e potenciais investidores, o pedido de recuperação judicial mostrou-se inevitável diante do agravamento da situação de crise econômico-financeira da Celpa e do imperativo de proteger a continuidade dos serviços públicos por ela prestados”, informa a empresa.


Segundo o comunicado, a medida visa proteger o valor dos ativos da Celpa, atender aos interesses dos credores, na medida dos recursos disponíveis e manter a continuidade das atividades da companhia.


A Celpa é uma das distribuidoras com pior desempenho do Grupo Rede Energia e segundo o balanço patrimonial fechado em setembro de 2011, tinha uma dívida de curto prazo de 1,4 bilhão de reais e de longo prazo também no mesmo valor.


Uma fatia de 54% do acionista majoritário da Rede Energia, Jorge Queiroz Jr, está a venda em uma operação da qual o grupo AES e a a chinesa State Grid já desistiram, diante dos riscos regulatórios e do preço pedido pela participação.