quinta-feira, 4 de abril de 2013

A estratégia da direita midiática para retomar o poder no Brasil

 


Quem melhor definiu o quadro político neste ano pré-eleitoral foi a jornalista e escritora Maria Inês Nassif, irmã do jornalista Luis Nassif, quem, após deixar sua coluna no jornal Valor Econômico por pressão política, foi trabalhar no Instituto Cidadania, do ex-presidente Lula.

Maria Inês disse, em recente reunião de que ambos participamos, que a esquerda, no Brasil, “não sabe exercer a hegemonia como a direita” quando esta chega ao poder.

O que significa isso? Que, apesar de não ter o Poder Executivo, a direita midiática tem o controle – não influência democrática que qualquer lado da política tem que ter, mas o controle, a hegemonia – do Judiciário e, em certos aspectos, até do Legislativo. Sem falar da mídia…

O PT chegou ao poder em 2003 através de Lula e os dois mandatos dele que se seguiriam e o da sucessora que indicou e conseguiu eleger, constituíram-se em um sucesso incontestável – ao menos do ponto de vista da maioria do eleitorado brasileiro em todas as classes sociais e na quase totalidade das regiões país.

Contudo, está sendo criada uma estratégia que pode surpreender quem acredita que Dilma “já ganhou”.

Estamos a um ano e meio da sucessão de Dilma Rousseff. Há, portanto, tempo de sobra para despertar os setores da sociedade que entendem e apoiam o processo de soerguimento econômico e social que o Brasil experimenta há uma década.

Leio nos jornalões antipetistas e antigovernistas que foi “Dilma” quem desencadeou a sucessão presidencial antes da hora. Editorial do jornal Folha de São Paulo de quarta-feira, 3 de abril de 2013, bate nessa tecla seguindo a linha do resto dessa “grande imprensa”.
Esse trecho do editorial resume a versão absurda dos fatos que está sendo difundida pela oposição e pela mídia a ela aliada:

“(…) A deletéria antecipação da corrida eleitoral de 2014 leva a presidente Dilma Rousseff a reciclar o jogo fisiológico e o loteamento de ministérios (…)”

Qualquer um que tenha a menor noção de política sabe que presidente nenhum quer a antecipação da própria sucessão. A expressão em inglês “Lame Duck” – que, em português, pode ser traduzida livremente como “pato manco” – alude justamente à perda de poder que um presidente experimenta quando o fim de seu governo se aproxima.

Quem desencadeou a sucessão presidencial não foram Dilma, Lula ou o PT; foi parte da oposição e até dos aliados do governo que estão sendo tentados pelo canto da sereia destro-midiático.

Apesar de pesquisa Datafolha recente ter detectado que se o pleito de 2014 fosse hoje Dilma seria reeleita em primeiro turno com 58% dos votos, todos sabemos que durante os processos eleitorais as coisas nunca são tão fáceis.

Lembremo-nos de como, em 2010, todos foram surpreendidos com a realização do segundo turno por conta, principalmente, do levante de católicos e evangélicos contra a candidatura Dilma a partir da premissa de que ela seria “abortista”.

Além disso, a vitória por apenas dez pontos percentuais em um momento em que a economia estava bombando, com emprego em alta, renda crescendo, pobreza despencando, dá bem uma dimensão de como a sociedade não se pauta sempre pela lógica na hora de votar. Dilma deveria ter vencido com muito maior folga.

Para 2014, a mídia conservadora conseguiu elaborar uma estratégia mais sofisticada do que a de 2010. Marina Silva deve vir com tudo. Mesmo se não passar do patamar de 16% dos votos que obteve na última pesquisa, lá se vão parte dos votos que seriam de Dilma. Eduardo Campos pode extrair mais um naco importante, se for candidato.
Contudo, a coisa não fica por aí. Reproduzo, abaixo, notícia extraída do Estadão e que circulou fartamente por vários outros veículos.

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O Estado de São Paulo
2 de abril de 2013


“A Procuradoria da República no Distrito Federal abriu seis procedimentos para investigar as acusações feitas pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza no depoimento prestado em 24 de setembro de 2012. Condenado pelo Supremo como o operador do mensalão, ele acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter se beneficiado pessoalmente do esquema. O petista classificou o depoimento, prestado sigilosamente à Procuradoria-Geral, como mentiroso.
(…)
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, esperou o fim do julgamento do mensalão para despachar o depoimento.

(…)

A Procuradoria da República em Minas já investiga os repasses feitos por Valério à empresa do ex-assessor da Presidência da República Freud Godoy. O operador do mensalão afirmou ter depositado um cheque de R$ 100 mil na conta da Caso Sistema de Segurança, uma empresa do setor de segurança privada.

Ao investigar o mensalão, a CPI dos Correios detectou, em 2005, um pagamento feito pela SMPB, agência de publicidade de Valério, à empresa de Freud. O depósito foi feito, segundo dados do sigilo bancário quebrado pela comissão, em 21 e janeiro de 2003, no valor de R$ 98.500.

Em busca de benefícios. Em meio ao julgamento do mensalão, Valério foi voluntariamente à Procuradoria-Geral da República no dia 24 de setembro na tentativa de obter algum benefício em troca de novas informações sobre o caso. Em mais de três horas de depoimento, disse que o esquema do mensalão ajudou a bancar “despesas pessoais” do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Esses processos foram propostos pelo atual procurador-geral da República – cujas posições oposicionistas todos conhecem – a instâncias estaduais do MPF com o evidente objetivo de se tornarem uma grande polêmica em pleno processo eleitoral de 2014.

Lula, o grande eleitor que elegeu Dilma e que deverá ter larga influência na próxima eleição, estará sob fogo cerrado, com “descobertas” sendo apresentadas ao eleitorado no momento em que ele terá que decidir quem continuará comandando este país.

Dirão, com boa dose de razão, que o uso de factoides e candidaturas lançadas só para reduzir a força dos candidatos petistas não começou hoje, mas o espectro de candidaturas que não têm pretensão outra além da de atrapalhar Dilma, pois não têm chance, será muito maior desta vez, potencializando o efeito Marina de 2010, agora com Eduardo Campos pela esquerda, Marina por um centro “sonhático” e o candidato da direita, possivelmente do PSDB, que carrega sempre uma parte consistente do eleitorado.

A antecipação da campanha eleitoral, pois, interessa à oposição e aos aliados do governo que se assanham com a possibilidade de voos solo. Essas candidaturas estão sendo construídas com grande antecedência, bem como o ataque ao grande eleitor de 2014 e, ainda, com uma conjuntura econômica internacional que sempre carrega surpresas.

Ano que vem, o país assistirá a uma campanha eleitoral que tem tudo para ser a mais virulenta do pós-redemocratização, por incrível que possa parecer à luz do que foram as anteriores. Aqui vai, portanto, um alerta: o pior inimigo de Dilma é o “já ganhou”.


http://www.blogdacidadania.com.br/2013/04/a-estrategia-da-direita-midiatica-para-retomar-o-poder-no-brasil-3/

Lula começa a ocupar o espaço de Chávez e Fidel

 


Com a morte do líder venezuelano e o ocaso de Fidel Castro, ex-presidente brasileiro já trabalha para se converter na principal referência política da América Latina; nesta quarta-feira, o jornal uruguaio La Republica publicou entrevista de quatro páginas com o petista, que vai a Montevidéu nesta quinta para participar de seminário na sede do Mercosul; nesta semana, o brasileiro deu início à campanha presidencial na Venezuela, com vídeo de apoio para o presidente em exercício no país, Nicolás Maduro, herdeiro político de Chávez

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja nesta quinta-feira para Montevidéu, onde participa, no prédio do Mercosul, do debate “Transformações em risco? Perspectivas e tensões do progressismo na América Latina”, com o presidente uruguaio José Mujica e o secretário-geral da Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas, o paraguaio Victor Báez. E esse é apenas um dos movimentos que evidenciam que, com a morte de HUgo Chávez e o ocaso de Fidel Castro, o ex-presidente brasileiro trabalha para se converter na principal referência política da América Latina.

No início da semana, Lula apareceu em vídeo dando início à campanha presidencial venezuelana, declarando apoio ao presidente em exercício e herdeiro político de Chávez, Nicolás Maduro (leia mais). Nesta quarta-feira, o uruguaio La Republica publicou entrevista de quarto páginas com Lula, em que o ex-presidente, mais uma vez, não descartou totalmente voltar a se candidatar à Presidência, e defendeu o Mercosul, dizendo que as críticas ao bloco "não têm sustentação teórica, econômica ou social".

Leia a íntegra da entrevista, que foi traduzida pelo Instituto Lula:

Instituto Lula - O jornal uruguaio La República publicou nesta quarta-feira (3) uma entrevista de quatro páginas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na entrevista, Lula defende o Mercosul, diz que a integração latino-americana não pode se ser apenas comercial e que é necessário pensar em um parlamento do bloco, com autoridade para tomar e implantar decisões.

Lula disse que as críticas ao Mercosul "não têm sustentação teórica, econômica ou social", e completou: "nós temos diferenças como qualquer bloco ou qualquer aliança de negócios", como deve ser em um mundo democrático. O bloco serve justamente para que essas divergências sejam explicitadas e que uma solução seja encontrada. Lula lembrou que, se compararmos o Mercosul de hoje com o de 2002, fica fácil perceber o grande avanço. "O caso do Uruguai é um bom exemplo: em 2002, o fluxo de comércio com o Brasil foi EUA $ 825 milhões, em 2010 e chegou a US $ 2,9 bilhões", disse.

O ex-presidente viaja nesta quinta para Montevidéu, onde participa de um evento promovido pela Friedrich Ebert Stifung do Uruguai. Além do ex-presidente participarão o presidente uruguaio José Mujica e o secretário geral da Conferência Sindical de Trabalhadores das Américas, o paraguaio Víctor Báez.

Clique aqui para ler a entrevista no jornal La Republica (em espanhol).

Leia abaixo a entrevista completa (em português):
 
 http://profdiafonso.blogspot.com.br/2013/04/lula-comeca-ocupar-o-espaco-de-chavez-e.html

Repórter da Globonews desmente Kamel

 
 
Por Antônio Mello, em seu blog:
O diretor de Jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, sempre afirmou que o Jornal Nacional não deu a notícia do acidente da Gol, que se chocou com o jatinho Legacy pilotado por dois norte-americanos, em que morreram as 154 pessoas a bordo, porque a informação só chegou quando o telejornal estava no ar e ainda era imprecisa.

Não foi o que disse uma jornalista da Globonews em um curso na Petrobras, de que participou o jornalista e blogueiro Daniel Dantas. Em seu blog, Dantas conta que participou por três meses de curso de Comunicação Empresarial, como exigência da empresa (o destaque em negrito é meu):

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Estivemos com uma jornalista de rádio (CBN), de impresso (Agência Estado) e tevê (Globonews).
 
As aulas com essas três profissionais ocorreram na semana seguinte ao primeiro turno eleitoral de 2006 - que ocorreu em 01 de outubro. Dois dias antes da eleição, ocorreu a tragédia com o vôo 1907 da Gol, que caiu matando todos os 154 passageiros e tripulantes após o choque com um jato privado. 
 
A segunda-feira nos alcançou a todos ainda chocados com o acidente. 
 
Lembro que estava no quarto de hotel assistindo o Jornal Nacional que só falava das fotos vazadas pelo delegado Bruno do dinheiro que petistas usariam para comprar o dossiê Vedoin contra Serra - foram presos em meados de setembro, no escândalo conhecido como "dos aloprados".
 
Logo após o fim do jornal, após o primeiro break da novela das nove, William Wack entrou em plantão informando o desaparecimento da aeronave.
 
Algum tempo depois, a Globo foi acusada de ter manipulado a edição do jornal para prejudicar a candidatura de reeleição do presidente Lula. Raimundo Pereira assinou uma matéria na Carta Capital afirmando que a emissora já sabia do acidente da Gol antes do início do Jornal Nacional mas preferiu segurar a informação para valorizar a divulgação das fotos do dinheiro na edição do jornal.
 
Só então fez sentido um fato ocorrido na aula com a representante da Globonews, ocorrida ainda na segunda-feira, 02 de outubro. Eu mesmo perguntei a ela como a Globonews lidava com a matriz com respeito a possíveis furos jornalísticos. A jornalista nos explicou que a Globonews não dá furos, mas os segura para a Globo. Eles podem até fazer um aprofundamento mais detalhado que a matriz, mas sempre os furos pertencem à Globo.
 
Nessa hora, ela usou como exemplo o caso do acidente da Gol. Segundo seu relato, a redação da Globonews já sabia do acidente desde o início da noite, mas houve uma orientação da direção da emissora para segurar qualquer notícia até que a própria Globo noticiasse. Assim, quando William Wack interrompeu a programação normal informando o desaparecimento do avião, a Globonews entrou com uma pauta já bastante adiantada no aprofundamento da notícia. [leia a postagem completa aqui]
 
*****
Esse depoimento da jornalista da Globonews confirma tudo o que a blogosfera suspeita há tempos e que foi relatado por repórteres da própria emissora, alguns deles que saíram de lá por não concordarem com a manipulação do noticiário sob ordem de Ali Kamel.
 
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/04/jornalista-da-globonews-desmente-kamel.html

Dilma tem que escolher um “do lado de cá” para o STF



Serrano tira a máscara do STF: chega de proteger a Casa Grande ! E a legitimidade da Satiagraha, quando sai ?

O Conversa Afiada reproduz artigo de Pedro Serrano, do site da Carta Capital

As nomeações para o STF


Será anunciado em breve, pela presidenta Dilma Rousseff, o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal que substituíra o recém-aposentado Carlos Ayres Brito.

O fato enseja a oportunidade do debate sobre o papel e o perfil que a Suprema Corte deve ter em nosso sistema.

Até o começo de nosso atual período democrático, com a exceção de breves períodos históricos, nossa Corte teve a tradição de comportar-se como quase um apêndice do Poder Executivo, o mais tíbio e menos relevante de nossos poderes. Nossa herança e cultura autoritária de organização estatal certamente contribuíram para isso.

Que ditadura ou ditador convive bem com uma jurisdição realmente livre e autônoma? Certamente nenhum.

Com o correr do período democrático, contudo, nossa Corte maior foi exercendo de forma cada vez mais plena e autônoma seu papel de intérprete e guardiã de nossa Constituição.

Mesmo setores progressistas de nossa vida política recebem com surpresa o exercício desta autonomia.

Estranham o papel protagonista do Judiciário no trato de grandes temas regulados por nossa Constituição, chegando a confundir com ativismo judiciário o que muitas vezes é meramente um exercício pleno da intepretação constitucional.

Novo por aqui, esse papel está mais do que consolidado nas democracias de primeiro mundo.

Provavelmente por conta do período ditatorial, quando Constituição e a Jurisdição eram apenas perfumarias de um regime autoritário, nossa esquerda democrática nunca promoveu análises e debate sobre as questões jurídicas, a jurisdição e mesmo à própria teoria do Estado.

São agora surpreendidos por fatos pelos quais não possuem a tradição de uso de instrumentos de analise adequados à sua compreensão. Mais que isso, em conjunto com a chamada “governabilidade’ e um certo “republicanismo” de fundo elitista e autoritário, essa falta de relevância dada às analises e propostas de esquerda ao tema são os fatores que levam a uma inusitada situação: passados 10 anos de gestão de esquerda democrática no Poder Executivo e realizadas numerosas nomeações para o STF, essa Corte continua com o perfil conservador que, de uma forma ou outra, sempre teve.

Erro estratégico da esquerda democrática, vitória de nossas elites conservadoras.

Um dos aspectos positivos dos debates havidos em torno do julgamento do “mensalão” foi a consolidação nas opiniões pública e publicada no papel político que o STF tem na conformação do Estado brasileiro.

Embora tenha tal papel político reivindicado como forma inconstitucional de flexibilizar-se a presunção de inocência num processo crime, a consequência é que fica inegável por esses mesmos interlocutores o papel de protagonismo politico que a Corte tem no exercício da jurisdição constitucional, como no julgamento de grandes temas regulados por nossa Constituição diretamente, como foram o caso do uso indevido de algemas, a união estável gay, o aborto de anencéfalos  a regulação do mercado de comunicação social, etc.

Ao representar a garantia contra-majoritária dada aos direitos humanos fundamentais individuais e coletivos previstos em nossa Constituição, a Suprema Corte, no exercício de seu papel interpretativo da Constituição, conforma também de fato e nas situações concretas o papel da soberania popular em nosso sistema.

Ao julgar temas Constitucionais o STF determina onde, quando e em quais limites devem se dar as decisões adotadas pela maioria da população; e, uma vez adotadas, se são validas ou não e em qual extensão.

Num modelo estratégico de ação política democrática como o adotado por nossas forças trabalhistas, progressistas e de esquerda, em que a vontade eleitoral da maioria da população é o mecanismo de poder utilizado para conquistas de avanços no território da distribuição de riquezas e direitos sociais – e também como veículo de modernização de nosso capitalismo “feudal” e plutocrático – não ocupar espaço na Corte que define os limites dessa soberania popular é entregar nas mãos das elites a palavra final sobre a validade, real extensão e continuidade dessas conquistas obtidas pela maioria democrática.

Decisões estratégicas eventualmente adotadas por lei majoritária, como a aplicação das determinações constitucionais de fim do monopólio de meios de comunicação social e a chamada lei de meios, imposto sobre grandes fortunas e outras conquistas progressistas que podem se realizar dependerão sempre da decisão final de nossa Corte. O mesmo se diga com relação a conquistas já obtidas como o Prouni ou Bolsa Família.

Isso sem contar as tentativas judicionalizadas de desmonte político da imagem de lideres como o ex-presidente Lula, sempre engendradas por alianças não declaradas entre os veículos da mídia conservadoras e agentes estatais incumbidos e investigar e julgar.

O papel protagonista da Corte Suprema na definição dos limites da soberania popular é e será uma realidade enquanto houver no país um Estado democrático de Direito. Esse é seu mister como Judiciário democrático.

Cabe aos setores progressistas ter a coragem de trazer a público o debate sobre o perfil ideológico e político de seus candidatos a ministros. Como aliás é fito na maioria das nações democráticas do mundo.

Este é um debate que deve sair dos corredores palacianos e chegar às ruas. É no debate público que mora a transformação e a justiça real e é nele que a democracia se fortalece.


Leia também sobre  “Decisão do Supremo sobre a Lei da Anistia envergonha o continente americano”.

Sobre a diferença entre o lado de cá e o lado de lá, leia “Fernando Lyra, o importante é o rumo “.


 http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2013/04/03/dilma-tem-que-escolher-um-do-lado-de-ca-para-o-stf/

terça-feira, 2 de abril de 2013

Requião: Folha esconde quem paga viagens de FHC



Operário metalurgico não pode viajar, Otavinho ? Tem que saber falar inglês ?

 O Conversa Afiada reproduz discurso do senador Roberto Requião no Senado, nesta segunda feira.

Clique aqui para ver Requião espinafrar os piguentos especialistas multi-uso, que nada entendem de tudo .

 

 http://www.blogdacidadania.com.br/2013/04/as-midias-e-o-dinheiro-publico/

As mídias e o dinheiro público



Considero-me uma das pessoas com mais autoridade para falar e escrever sobre o investimento de dinheiro público em mídias tradicionais ou alternativas porque devo ser o único autor da blogosfera que registrou em cartório sua posição sobre o tema.

Em 2007, em assembleia juntamente com mais de cinco dezenas de cidadãos – que podem testemunhar o que digo –, fundei a ONG Movimento dos Sem Mídia e, então, fiz inscrever no estatuto da entidade a proibição expressa de ela receber um único centavo de dinheiro público.

Fui chamado de trouxa para cima – ou para baixo – por criar um tipo de entidade que se caracteriza por se financiar com verbas oficiais e me recusar a recebê-las, mas entendia – e continuo entendendo – que o tipo de trabalho ao qual me propus tem que ser assim.
Como blogueiro, há alguns anos ignorei uma verba que a Secom disponibilizava para blogs. E teria todas as condições para receber meu quinhão, caso o critério de distribuição fosse “técnico”.

Penso, porém, que se a grande mídia tradicional recebe tanto dinheiro público a mídia alternativa tem todo direito de pleiteá-lo. Mas este blog, volto a repetir, não se interessa por esse tipo de financiamento pelas mesmas razões que seu signatário não se interessou quando criou uma ONG.

Por outro lado, penso que se um veículo qualquer – alternativo ou tradicional – for depender de dinheiro público para subsistir, está malparado. Sobretudo se tratar de política.
Explico: suponhamos que um veículo da mídia alternativa, por exemplo, comece a se sustentar por dinheiro vindo do governo do PT e, ano que vem, por alguma dessas infelicidades que a vida nos reserva um político tucano vencesse a eleição presidencial. Então teria acabado a vida de tal veículo, pois certamente o novo presidente lhe puxaria o tapete.

Já quanto à mídia tradicional, o ideal seria que as concessões públicas de rádio e televisão tivessem obrigação de veicular de graça tudo que o governo precisa divulgar, como parte da obrigação inerente à sua natureza de propriedade de todos explorada pelo setor privado.
Já a mídia impressa ou a internet, essas, sim, poderiam ser remuneradas se o governo entendesse que tais meios de comunicação fossem úteis a esta ou àquela campanha publicitária.

Nesse ponto, haveria que existir uma mescla de critérios “técnicos” (audiência) e estratégicos para a comunicação do país. Além da audiência, deveria ser estimulada a criação de novos veículos.

Só o que não entendo é o governo anunciar em veículos impressos como uma Folha de São Paulo ou o Estadão ou a Veja. Tal prática tem cada vez menos sentido. Quem compra jornal certamente tem acesso à internet e, assim, anunciar na rede seria muito mais barato e eficiente.

Eis por que o Brasil precisa de um novo marco regulatório para as comunicações. Todas essas questões deveriam ser regulamentadas em lei.

O que revolta é que a direita midiática vive acusando blogueiros simpáticos ao governo federal de serem financiados por dinheiro público, mas nunca conseguiu dizer quem são além de dois ou três que também atuam na televisão e, por isso, têm uma quantidade enorme de leitores.

A realidade é que 99,99% da blogosfera dita progressista não recebe um centavo do governo federal. Muitos blogueiros, porém, pensam diferente de mim e querem, sim, a parte que lhes cabe nesse latifúndio e tal pretensão é absolutamente legítima.

Este que escreve, friso de novo, entende que a natureza do trabalho que faz nesta página é incompatível com o recebimento de verbas públicas, pois elas não devem ser aplicadas com fins políticos e, como eu já disse mil vezes, tenho lado.

Mas se alguma empresa privada ou pessoa física quiser anunciar aqui e pagar por isso, para mim está ótimo. Ando precisado, pois fazer um blog bem feito e com bom público custa uma bela grana. Só não aceito propaganda da Veja e assemelhados.


http://www.blogdacidadania.com.br/2013/04/as-midias-e-o-dinheiro-publico/

"Barões da mídia são os mesmos de 64"

 
 
Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:

Paulo Pimenta, corajoso deputado federal do PT (RS), subiu hoje à tribuna da Câmara em Brasília para denunciar a tentativa, da Globo e de outros meios de comunicação, de sufocar os blogs e o pensamento alternativo. A iniciativa do deputado é histórica! O PT precisa perder o medo da Globo. Paulo Pimenta mostrou o caminho.

E nós aqui na blogosfera precisamos parar só de falar em Ali Kamel (um capataz a serviço dos patrões) e em Roberto Marinho (morto há uma década). Os processos são uma tentativa de intimidação comandada pela Globo. E a Globo é dirigida por três bilionários com nome e sobrenome: Roberto Irineu, José Roberto Marinho e João Roberto Marinho. Vamos botar o guizo no gato, trazendo os três e a Globo para o centro do debate – como fez Brizola no passado! E como teve a coragem de fazer agora o deputado Paulo Pimenta.

“Esses grandes barões da mídia são os mesmos que em 1964 estiveram ao lado dos militares para combater o regime democrático da época. E eles estão novamente mostrando sua determinação e sua força contra qualquer possibilidade de movimentação de qualquer setor da sociedade que atente contra os seus interesses.”

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Discurso do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) hoje, 1 de abril, às 14h21, na Câmara dos Deputados (notas taquigráficas sem revisão)

O SR. PAULO PIMENTA (PT-RS. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, na realidade, Sr. Presidente, eu pretendia utilizar esse meu tempo de hoje para fazer um registro histórico sempre necessário nessa data, uma data que não pode jamais ser esquecida pelo povo brasileiro e que marca uma ruptura institucional, que na realidade os historiadores dizem que foi o 1º de abril, mas costumou-se conhecer como Golpe de 31 de Março de 1964.

No entanto, Sr. Presidente, eu quero fazer esse registro, mas registrando um fato que, do meu ponto de vista, tem muita relevância no processo democrático no País, e com a afirmação desses valores da liberdade de expressão, da independência jornalística e assim por diante. Na última sexta-feira, um dos mais importantes blogueiros progressistas do País, o jornalista Luiz Carlos Azenha, do blog Vi o Mundo, anunciou que fechará o seu blog.

E por que isso, Sr. Presidente? Porque o Azenha – assim como outros blogueiros, como o Rodrigo Vianna, também ex-servidor da Rede Globo, o Marco Aurélio Melo, também ex-servidor da Rede Globo, os criadores do site Falha de S.Paulo, o Paulo Henrique Amorim, o Nassif e tantos outros blogueiros – foi condenado pela Justiça por ter feito matérias que, segundo a Justiça, constituíam uma verdadeira campanha contra a Rede Globo. Um blog organizando uma orquestrada campanha difamatória contra a Rede Globo foi condenado a pagar 30 mil reais.

Ora, Sr. Presidente, o que nós estamos a assistir no País hoje é a um processo muito semelhante ao que foi feito na época da ditadura militar, na época contra jornais como O Pasquim e o jornalMovimento. Qualquer órgão de comunicação alternativo que tinha coragem de questionar o status quo ou chamar a sociedade brasileira para refletir de maneira crítica sobre os anos de chumbo era calado pela baioneta ou era sufocado, asfixiado pela dificuldade de buscar qualquer tipo de apoio publicitário. Nem estou falando do Governo, mas eram perseguidos também os setores da iniciativa privada que, de alguma forma, se dispusessem a apoiar essas iniciativas do jornalismo alternativo.

E hoje estamos a assistir, Sr. Presidente, infelizmente, a algo semelhante, a um processo crescente de judicialização coordenado pelos grandes meios de comunicação, com empenho e apoio do Judiciário conservador, diante de uma nova tecnologia que é a Internet, que possibilita uma multiplicação de protagonistas que podem fazer com que suas opiniões e ideias circulem na sociedade sem a dependência editorial dos grandes e tradicionais meios de comunicação e que vêm sendo perseguidos e condenados pelas suas ações.

E eu estou aqui, Sr. Presidente, para denunciar esse fato, para trazer a público esse episódio lamentável que atenta contra a democracia, contra a liberdade de expressão num País como o nosso, onde esses grandes barões da mídia são os mesmos que em 1964 estiveram ao lado dos militares para combater o regime democrático da época. E eles estão novamente mostrando sua determinação e sua força contra qualquer possibilidade de movimentação de qualquer setor da sociedade que atente contra os seus interesses.

E o que é pior, Sr. Presidente, o que observamos — quero levar para dentro da bancada do Partido dos Trabalhadores este debate e, num segundo momento, para esta Casa — ao que tudo indica, já estamos há mais de 10 anos com Governos populares neste País, com o Presidente Lula e agora com a Presidenta Dilma, mas em praticamente nada se alterou a concentração das verbas publicitárias do Governo Federal para os grandes meios de comunicação, em detrimento de uma política de afirmação de uma mídia regional e de formas alternativas de informação, ou seja, nós e o nosso Governo asfixiamos a possibilidade de acesso a informações a respeito da realidade do nosso País que não sejam aquelas influenciadas pelos grupos e famílias que dominam há tantos séculos a mídia neste País.

Então fica aqui o meu protesto pela ação judicial e pela asfixia econômica que tem levado a esse desserviço à democracia do nosso País.
 
 
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/04/baroes-da-midia-sao-os-mesmos-de-64.html

A Outra Historia do Mensalão: 15 mil vendidos e 2ª edição



Nem a Globo consegue vender um produto ruim

Qual deles encalhou, amigo navegante ?


O Conversa Afiada recebeu a seguinte informação da Geração Editorial, responsável também pelo lançamento do “Privataria Tucana”, que o brindeiro Roberto Gurgel – o “prevaricador”, segundo o senador Collor – não leu nem mandou investigar.

A 2ª edição, com 7 mil exemplares, do provocativo A Outra Historia do Mensalão está a caminho. O título vendeu 15 mil exemplares nos primeiros 30 dias e alcançou todas as listas dos mais vendidos do país e esgotou nos estoques da editora. Com a 2ª edição, já foram impressos 25 mil exemplares do livro político mais polêmico do ano.

Mesmo com uma cobertura modesta da imprensa nacional. A ampla divulgação nas redes sociais e as contradições apontadas pelo autor fizeram do livro um sucesso. Quem leu gostou, quem comprou não se arrependeu e a Geração Editorial não foi notificada ou processada. Afinal, quem cala, consente.

O leitor poderá encontrar a obra em todas as grandes livrarias do país e na versão e-book, nas principais lojas online.

O autor Paulo Moreira Leite, de A Outra História do Mensalão – As contradições de um julgamento político (R$ 34,90, pag. 352), ousa afirmar que o julgamento do chamado mensalão foi contraditório, político e injusto, por ter feito condenações sem provas consistentes e sem obedecer a regra elementar do Direito segundo a qual todos são inocentes até que se prove o contrário.


Em tempo: o conversa afiada perguntou a “especialista” na matéria como vendia o livro assemelhado do Ataulfo Merval de Paiva (*). Esta é a resposta:

Muito pouco, depois da “campanha publicitária” com exposição diária no Globo, entrevista no Jô e até sorteio na CBN, com vinheta de meia em meia hora, não pegou. Nas listas da Veja, do Valor e do Publishnews não aparece entre os 20 mais vendidos. Já era.Vai fazer parte da lista de best sellers globais, que tem o Gilberto Freire com “I” (**) à frente.

Em tempo2: quem manda ter prefácio do Big Ben de Propriá ?

Paulo Henrique Amorim

(*) Até agora, Ataulfo de Paiva era o mais medíocre dos imortais da história da Academia Brasileira de Letras. Tão mediocre, que, ao assumir, o sucessor, José Lins do Rego, rompeu a tradição e, em lugar de exaltar as virtudes do morto, espinafrou sua notoria mediocridade.

(**) Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da história da Globo (o ansioso blogueiro trabalhou com os outros três), deu-se de antropólogo e sociólogo com o livro “Não somos racistas”, onde propõe que o Brasil não tem maioria negra. Por isso, aqui, é conhecido como o Gilberto Freire com “ï”. Conta-se que, um dia, D. Madalena, em Apipucos, admoestou o Mestre: Gilberto, essa carta está há muito tempo em cima da tua mesa e você não abre. Não é para mim, Madalena, respondeu o Mestre, carinhosamente. É para um Gilberto Freire com “i”.

 http://www.conversaafiada.com.br/politica/2013/04/01/a-outra-historia-do-mensalao-15-mil-vendidos-e-2%C2%AA-edicao/

Azenha diz que 'Viomundo' fica, graças a leitor





 

Em texto intitulado "O leitor que me fez mudar de ideia", jornalista Luiz Carlos Azenha anuncia que desistiu de fechar seu blog, vítima de processo judicial que o inviabilizaria; mas o projeto passará por mudanças; leia para saber os detalhes

 

247 - O projeto do blog 'Viomundo' não será mais abandonado. Mas passará por mudanças. Leia o texto em que o jornalista Luiz Carlos Azenha anuncia a decisão:


por Luiz Carlos Azenha

A ideia de puxar o plug e simplesmente deslogar o Viomundo, depois de mais de 10 anos de existência, foi pessoal, familiar e amadurecida ao longo do tempo. Confesso: me emocionei com a tremenda onda de solidariedade de todos vocês nas redes sociais, que surpreendeu mesmo os meus melhores amigos. Minha mãe, de 88 anos de idade, recém-recuperada de uma operação de cataratas e, portanto, testando a nova capacidade visual no computador, riu muito de uma foto inventada pelo Gerson Carneiro, ainda que não tenha entendido muito bem o motivo de todo aquele fuzuê: estava muito mais interessada no programa da Fátima.

Em minha participação no I Encontro Nacional de Blogueiros, fiz duas observações em meu discurso: revelei minha antipatia à ideia de depender de governos, que mudam de opinião e de prioridades ao longo do tempo e que, frequentemente, acreditam que o dinheiro do Estado, que deveria ser investido em políticas públicas de longo prazo — por exemplo, na promoção da diversidade cultural e pluralidade de ideias — lhe pertence, quando este dinheiro é, evidentemente, público. Propus, na ocasião, uma cooperativa de blogueiros que vendesse clics coletivamente no mercado.

Meu segundo ponto: a crítica da mídia estava desgastada, como se fosse um pensamento único de esquerda, e era preciso gerar pauta e conteúdo próprios.

Explico: o grande poder da mídia corporativa no Brasil é o de definir a agenda do debate político. O tal consórcio midiático é formador de consensos: haverá um apagão que provará a incompetência geral do governo trabalhista, as filas de navios significam que é preciso privatizar os portos, a Petrobras é um fracasso e precisa ser "reestatizada" (isso do povo da Petrobrax, dos que faliram a indústria naval e que defendem a terceirização) e o mensalão foi o maior escândalo da História da República que merece um replay de 18 minutos no Jornal Nacional às vésperas da eleição municipal de São Paulo.

Embora não sejam mais completamente reféns da pauta da direita, os meios progressistas ainda subsistem dentro de um espaço de debate cujos marcadores são definidos pela grande mídia. Se o telejornal de maior audiência do Brasil tivesse dedicado uma boa parte de seus recursos e competência editorial aos incêndios nas favelas paulistanas, por exemplo, durante o governo do ex-prefeito Gilberto Kassab, é provável que um grupo muito maior de brasileiros se interessasse pelo assunto, cobrasse explicações e, lá no fim, seria levado pelo menos a especular se alguns episódios foram intencionais, obedecendo à politica de expulsar os pobres que tão bem serve à especulação imobiliária.

Nada disso aconteceu, obviamente e nenhum meio de esquerda que conheço detém os meios financeiros para bancar uma investigação de longo prazo sobre o assunto.

Portanto, voltamos à questão financeira e, apesar das generosas ofertas de ajuda que recebemos nas últimas horas, é óbvio que elas não resolvem os problemas de fundo, que são os que nos interessam. A ação que Ali Kamel venceu, apenas na primeira instância, nunca foi a questão central, mas sim a incapacidade de enfrentar a ofensiva da direita sem as mais simples ferramentas para fazê-lo.

Como tocar um blog que não aceita patrocínios de governos, empresas públicas ou estatais — uma decisão tomada porque esperamos que Globo, Veja, Folha e Estadão nos sigam — e ainda assim tenha capacidade de debater políticas públicas de forma relevante, sem apenas reproduzir opinionismo político? Acreditamos que o Estado deva adotar políticas que incentivem a diversidade e a pluralidade, conforme previsto na Constituição. Que combata a propriedade cruzada. Acreditamos que o Parlamento deve cuidar do Direito de Resposta, uma forma de evitar a judicialização que leva desiguais para se enfrentarem num campo em que prevalece o poder econômico — dos advogados e lobistas.

Isso se agrava pela nossa leitura da conjuntura internacional, que continua muito negativa: depois dos baques de Wall Street e do euro, o neoliberalismo se reorganiza num poderoso tripé: na indústria financeira, que pendurou e continua pendurando a conta nas costas dos direitos sociais, na crescente influência do dinheiro no processo político — basta ver a decisão da Suprema Corte Americana que permite às corporações doarem a campanhas como se fossem 'indivíduos', de forma ilimitada — e, acima de tudo, em uma mídia oligopolizada, de discurso quase unificado, que acima de tudo defende seus interesses econômicos associados ao neoliberalismo. Quando foi o último trabalho de fôlego da imprensa paulistana sobre o adensamento da cidade, se saem todos aqueles anúncios da Abyara nas edições de domingo?

Com as grandes corporações de mídia, vivemos uma espécie de Gulag ao contrário: nosso corpo está livre, mas nosso pensamento frequentemente é prisioneiro de uma pauta que não nos interessa e, mais que isso, desconhece o interesse público, precariza as relações de trabalho e concentra ainda mais o capital na mão de poucos.

A contra-ofensiva neoliberal está em andamento, acreditem: pelo urânio do Mali, pelo petróleo da Líbia, pelas reservas do Orinoco na Venezuela, pelo gás boliviano, pelo pré-sal brasileiro. O neo-imperialismo não obedece apenas às regras clássicas, de conquista militar.  
Associado a interesses nacionais, ele faz lobby no Congresso, compra bancadas e trabalha silenciosamente nos bastidores. No Brasil, a mídia corporativa, concentrada em níveis inéditos, é uma espécie de aríete, capaz de arrombar a porta e implantar ministros-lobistas num governo do Partido dos Trabalhadores!

Sempre perspicaz, o senador Roberto Requião revelou o que está por trás da "falência" da Petrobras, por exemplo.

Estamos entregues às grandes corporações, que implantam vastas extensões de eucalipto, criam empregos de alta qualidade em seus países de origem, agregam valor à terra e ao sol brasileiros, exportam água embutida em seus produtos e nos deixam com os danos ambientais. Vale o mesmo para o agronegócio.

Estamos entregues em Carajás, com o fenomenal trem que arranca o minério num ritmo que não obedece a prioridades brasileiras, mas às necessidades de lucro da associação entre o grande capital internacional e o trabalho escravo chinês, que produz as bugigangas posteriormente exportadas para os Estados Unidos, via Wal Mart, para entre outros motivos manter baixa a inflação e dar à classe média local a sensação de que ela consome, logo existe!

Como se diz no Amapá, foi o manganês da Serra do Navio que financiou o Plano Marshall!
Estamos entregues na transformação dos rios amazônicos em fontes de energia para as grandes mineradoras; Tucuruí nasceu do interesse do Japão de se livrar de suas indústrias eletrointensivas e poluentes. O Brasil fica com o trabalho sujo, enquanto eles desenvolvem alta tecnologia e os empregos do futuro em solo japonês.

Nada disso é discutido com profundidade em nossa grande mídia.

Nosso único recurso — o daqueles que pretendem discutir questões essenciais ao futuro do Brasil sem o cabresto da mídia — é a solidariedade humana, que foi o que vocês demonstraram com profundidade nas últimas horas. Recentemente, li na revista Economist — de todos os lugares! — uma pesquisa sobre a necessidade que as pessoas têm de de sentirem úteis ao mundo, de deixarem sua contribuição, de acreditarem que fazem a diferença. Obviamente o viés da revista servia às grandes empresas, já que as estimulava a incentivar os empregados a se engajarem em ações filantrópicas. O altruísmo de funcionários utilizado para valorizar a marca!

Mas a solidariedade genuína, idealista e altruísta de todos vocês finalmente me convenceu. A mensagem decisiva veio do João Carlos Cassiano Ribeiro, que não conheço pessoalmente, via Facebook. Diz:
Boa noite!!!!

Não sei se o Azenha vai ler isto, mas gostaria que servisse de incentivo.

A um bom tempo me acostumei a ler blogs e abandonar jornais escritos.

Quando aconteceu o primeiro blog que conheci foi o Viomundo, desde então aprendi a conhecer o mundo pelo seu site.

Gosto dos colaboradores e fotos das reportagens históricas feitas pelo jornalista.

Hoje acordei incomodado com o papel que a tv e o CQC exercem na nossa vida. Passei o dia incomodado com o baixo nível intelectual da tv e o comportamento fascista que noto nela.

Até imaginei que se fosse eu no lugar do Genoino ou do Clodovil durante a agressão a que Pânico e CQC os submeteram, acho que não suportaria.

Ser humilhado em frente a tv toda semana, não sei se aguentaria.

Fiquei feliz ao ver seu post sobre seu pai, imaginei que os fascistas passarão mas os bons permanecem sempre. Foi um sopro de alegria na minha tristeza.

Como já havia acontecido em outras oportunidades com o Viomundo, resgatei um pouco da dignidade e do respeito ao ser humano, voltei a acreditar na capacidade criativa e na solidariedade humana.

Respeito sua decisão e compreendo sua necessidade, mas me sinto um pouco órfão com o fim do Viomundo e triste em ver o jornalista abandonando uma das frentes de trabalho por força da opressão.

Choro ao escrever essas palavras pois sei que perdemos um espaço vital para nossa luta. Não sou colaborador e nem costumo interagir com o blog, sou um leitor anônimo e aprendi a observar o seu blog como um filho observa o pai e aprende e se orgulha de estar por perto.

Nossa luta não é partidária ou governamental é pelos mais fracos e pela dignidade humana.
Sempre o terei como amigo sem nem o conhecer, pois me orgulho dos meus amigos e me orgulho muito de você!

Obrigado por ter tido no Viomundo os melhores exemplos de humanidade e um espaço em que sempre me senti à vontade.

Achei muito bacana ver que um trabalho coletivo como o nosso, organizado por poucos mas que afeta muitos, ainda que precário e improvisado, seja capaz de tocar desta forma uma pessoa.

Assim sendo, depois de longas horas de conversa com a Conceição Lemes e o Leandro Guedes, pensamos num jeito de refundar o site (com o nome provisório de, rsrsrs, Democratas).

Uma consulta ao Comitê Central, sempre munidos dos tomos leninistas, nos levou a decidir:

1. Conceição Lemes (conceicaolemes@uol.com.br) se torna a editora-chefe do site, encarregada também da relação com nossos 40 mil seguidores no twitter/facebook;

2. Leandro Guedes (leandro@cafeazul.com.br) adotará um mix de todas as sugestões que nos foram feitas por vocês sobre crowdfunding, além de perseguir eventuais patrocinadores que vocês nos sugerirem; o dinheiro arrecadado com o crowdfunding será todo reinvestido no site e não será utilizado para bancar advogados, dos quais já contamos com os competentíssimos Cesar Kloury, Idibal Pivetta, Airton Soares e um importante escritório de Brasília que ofereceu ajuda solidária.

3. Eu me afasto do compromisso diário de passar de 5 a 10 horas diante de um computador aprovando comentários, traduzindo e publicando textos. Torno-me um repórter voluntário e não remunerado, além de escrever os tradicionais comentários sobre mídia e política.

4. Passo a aceitar, sempre que compatível com minha agenda profissional, todos aqueles pedidos de entrevistas de estudantes, palestras em universidades e conferências, se possível associadas a oficinas sobre as redes sociais oferecidas pela Conceição Oliveira (blogmariafro@gmail.com), que entende tudo do ramo.

5. Acima de tudo, passo a me dedicar à área de minha especialidade, que é a produção de vídeos, mini-docs e docs.

Aqui, uma explicação se faz necessária. No modelo acertado com o Leandro Guedes, da Café Azul, que há meses já vinha estudando o assunto, os leitores poderão tanto indicar as pautas quanto aprovar nossas propostas.

Exemplo: o Gilberto Nascimento quer escrever uma investigação sobre o poder da Opus Dei no Brasil. Calcula o tempo que vai levar e a remuneração adequada, por valores de mercado, à tarefa. Colocamos uma espécie de contador para acompanhar o avanço da meta. As pautas financeiramente aprovadas serão feitas.

Outros exemplos hipotéticos: a Conceição Lemes quer ir a Minas Gerais investigar o choque de gestão dos governos Aécio/Anastasia.

Há mais de um interessado em fazer um mini-doc sobre o impacto da Globo nas eleições de 2006 e 2010.

Serão trabalhos jornalísticos, não de militância, sobre assuntos que a mídia corporativa brasileira simplesmente desconhece, por não se adequarem àquela pauta única a que me referi acima.

Eu, por exemplo, gostaria de investigar pessoalmente o massacre de Felisburgo, em Minas Gerais, até hoje impune.

O Lino Bocchini poderia ser convidado para fazer a Coleção Folha: Como Rose Nogueira 'abandonou' o emprego durante a ditadura.

A Beatriz Kusnir, se aceitasse, poderia fazer uma versão em vídeo do livro Cães de Guarda, aquele que narra o colaboracionismo da mídia brasileira com a ditadura militar.

O Amaury Ribeiro Jr. poderia ficar encarregado, à lá Andrew Jennings, de perseguir e exigir explicações dos privatas que andam por aí. Nosso Michael Moore.

Minha ênfase nos vídeos se deve ao fato de que, eventualmente, eles vão dominar a internet, à medida em que as conexões se acelerarem.

Finalmente, queremos aproveitar o imenso potencial de jornalistas — e quantos!!! — recentemente demitidos, que deixaram suas empresas com boas histórias para contar e projetos nunca realizados.

Quem sabe vocês nos ajudam a financiar o sonho destes colegas.

Portanto, depois de muito matutar, acreditamos ter chegado a uma proposta que permitirá ao Viomundo não morrer, mas renascer das cinzas.

Aguardem, que as mudanças serão implantadas lentamente, inclusive em todo o visual do site.
  

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/97728/Azenha-diz-que-%27Viomundo%27-fica-gra%C3%A7as-a-leitor-Azenha-diz-Viomundo-fica-gra%C3%A7as-leitor.htm

Cerra é viciado em propaganda estatal

 

O Alckmin vai buscar o BV que o Cerra deu à Globo ? E a SECOM ?



Saiu no Estadão:

Estatais paulistas respondem por metade dos gastos do governo com propaganda

Em dez anos de governo Alckmin e Serra, administração direta e empresas desembolsaram R$ 2,44 bilhões, com participação cada vez maior das companhias

(…)

Com o valor gasto em propaganda, seria possível construir, por exemplo, mais de metade da segunda fase da linha 5 do metrô, que vai ligar o Largo Treze à Chácara Klabin, ou custear o Instituto do Câncer por sete anos. O valor gasto com publicidade também equivale a 33 vezes o orçamento da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
(…)

Recorde com Serra. O governo Serra foi aquele em que as cinco estatais mais gastaram com publicidade, com valor total de R$ 756 milhões – média de R$ 189 milhões por ano. No segundo governo Alckmin, entre 2003 e 2006, elas gastaram R$ 188 milhões, ou R$ 47 milhões anuais.
(…)
Das estatais, a Sabesp é a que mais contratou publicidade: foram R$ 557 milhões em dez anos. Em seguida vem a CDHU, com R$ 216 milhões, e o Metrô, com R$ 198 milhões. A Dersa destinou a esse fim R$ 138 milhões e a CPTM, R$ 135 milhões.
No caso da administração direta, o pico de gastos também se deu em 2009, com Serra, quando os desembolsos somaram R$ 246,7 milhões.
(…)


O amigo navegante se lembra da campanha do Padim (derrotada) em 2010.
Aquela da bolinha de papel no jn, do aborto no Chile pode …
A Sabesp era o bureau de mídia da campanha.
O Padim prometeu sanear o Estado do Acre, com a Sabesp de São Paulo.
Na campanha, ele anunciou construir um cano que ia de Sergipe ao Ceará.
Nunca se soube ao certo o que iria dentro do cano.
O que o Estadão não esclarece: em que veículos eram divulgados os comerciais do Cerra ?
Qual a organização de mídia pigal que se beneficiava desse desenfreado desperdício de recursos públicos ?
Clique aqui para votar na enquete trepidante: onde o pensamento e a alma do Golpe de 1964 estão mais vivos ?
Quem souber que empresa recebeu do Governador Cerra, de graça, um terreno invadido numa área comercial nobre de São Paulo, terá mais chance de adivinhar: para onde ia o dinheiro que passava pelo cano do Cerra ?
Como diz o Conversa Afiada, não fosse o PiG (*) esses tucanos de São Paulo não passavam de Resende.

Em tempo: o Governador Alckmin mandará buscar de volta na Globo o BV da propaganda das empresas estatais ? Ou fará como a SECOM, que desrespeita augusta decisão do Supremo Tribunal Federal, que, para mandar o Pizzolatto para a cadeia, decidiu que a Visanet não podia dar o BV para as agências de publicidade do Marcos Valeriodantas ? Um dia, um dia isso vai dar confusão … O amigo navegante já ouviu falar em “prevaricação”?

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2013/04/01/cerra-e-viciado-em-propaganda-estatal/

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Arrastão até no bairro mais tucano de São Paulo

 


Na noite de ontem, quatro homens armados roubaram cerca de 20 pessoas no restaurante japonês Yoi!, na rua Itacolomi, em Higienópolis; moram na região o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o secretário Estadual de Energia do governo Alckmin, José Aníbal


247 – Reduto de tucanos, o bairro de Higienópolis não escapa da ascensão da violência em São Paulo, principal crise do governo Alckmin. Na noite de ontem, quatro homens armados roubaram por volta de 20 pessoas, no restaurante Yoi!, na rua Itacolomi.

Em cinco minutos, bandidos levaram dinheiro, joias, alianças e celulares das vítimas que jantavam. O assalto ocorreu por volta de 21h20. O grupo fugiu num carro sedã preto e ninguém ficou ferido.

Na região moram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o secretário Estadual de Energia do governo Alckmin, José Aníbal.

A violência em São Paulo cresceu nos dois primeiros meses deste ano. Os números da Secretaria de Segurança Pública do estado apontam aumento principalmente nos casos de homicídio. Uma das preocupações é que os índices estão crescendo há sete meses.

Em janeiro e fevereiro deste ano, no estado de São Paulo, os homicídios dolosos - aqueles com intenção de matar - cresceram 15% na comparação com os dois primeiros meses de 2012. As ocorrências passaram de 684 para 787, segundo a Secretaria de Segurança Pública.

O governador de São Paulo disse que, proporcionalmente, o número de mortos por grupo de cem mil habitantes é baixo. “Nós somos a capital com menor índice de homicídios do Brasil por cem mil habitantes, 11. Agora nós vamos trabalhar mais ainda no sentido de reduzir mais fortemente”, disse Geraldo Alckmin.

 http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/97639/Arrast%C3%A3o-at%C3%A9-no-bairro-mais-tucano-de-S%C3%A3o-Paulo.htm

Brasil ainda vive uma ditadura, a ditadura da mentira




Comecei a ler jornal aos treze anos.  Era 1973 e minha leitura favorita era o primeiro caderno do Estadão, o de política – começara a me interessar pelo assunto porque via a família discuti-lo de uma forma que me intrigava. Mesmo dentro de casa, familiares conversavam sussurrando. E interrompiam o assunto quando eu aparecia.
Lendo o Estadão, percebia que faltavam informações. E quando fazia perguntas à família, não conseguia respostas satisfatórias – jovens da minha idade eram tratados como crianças, àquele tempo.
Naquele ano, assisti a uma reportagem no programa Fantástico – que estreara na Globo no mesmo ano – que me faria entender que aquilo que lia no Estadão não traduzia a verdade do que se passava no Brasil.
Lembro-me com clareza do título da reportagem: “Eleição, um show americano”. Mostrava, se bem me lembro, uma convenção partidária nos Estados Unidos – só não me lembro se era do partido democrata ou republicano.
Não era ano eleitoral nos Estados Unidos, mas a matéria era sobre a forma como funcionava a democracia naquele país.
Vejo, como se fosse ontem, as bandeirolas coloridas, um clima de euforia. Parecia uma festa. Tudo aquilo era para escolher um candidato a presidente do país que produzia os filmes, seriados e revistas em quadrinhos que tanto amava.
Mas o que me intrigava era por que, no Brasil, aquilo não existia. Por que em meu país não elegíamos presidentes? O jornal não me contava.
Perguntei à família, mas me enrolaram e não responderam. Nem minha mãe, que desde que me entendo por gente fazia questão de me doutrinar culturalmente por todos os meios, deu-me uma resposta. Sugeriu-me que parasse com a leitura de política porque, em nosso país, não era “bom” se interessar por aquele assunto.
Ficara muito intrigado. Aliás, sentia uma certa revolta. Vira na televisão um país que, então, era tido como exemplo para o mundo fazendo da sua democracia uma festa. Mas, no meu país, aquilo tudo, que me parecia tão positivo, era proibido.
Por que?
Um ano mais tarde, na escola – estudava no Colégio São Luis, em São Paulo –, então no “ginásio”, travei amizade com um rapaz do “científico” (ensino médio) que me contou em detalhes o que passava no Brasil e que a família não me queria revelar.
Daniel era quatro anos mais velho do que eu – tinha 18 anos. Ele fazia parte do que chamou de “partido” e disse que o Brasil estava sob uma ditadura, que militares nos governavam na marra e, assim, não podiam permitir que votássemos porque a maioria não os queria no poder e, assim, se o povo pudesse votar eles não continuariam governando.
Naquele distante 1973, filho de uma família abastada – vivia com mãe e avós e meu avô era um alto executivo da Mercedes Bens –, descobri que o regime militar era nefasto, uma violência. Mas minha repulsa àquele período de trevas se consolidou de forma indelével em meu espírito quando meu amigo Daniel “sumiu”.
Quando parou de ir à escola, após algumas semanas peguei minha bicicleta e fui à sua casa. Sua irmã me atendeu à porta. Tinha um semblante desolador. Fiquei assustado. Disse que Daniel “viajara” e me mandou embora.
De volta à escola, seus colegas de classe, mais velhos do que eu, não quiseram me dar informações.
Alguns poucos anos depois, já sabia que meu amigo tinha sido tragado por uma repressão que destruía a todo aquele que ousava pensar diferente dos ditadores. Mesmo que fosse um rapazola.
Cheguei a frequentar reuniões no colégio Equipe, na Bela Vista. Falavam em resistência, em enfrentar a ditadura. E falavam dos riscos. Tive medo, muito medo e me omiti. Tinha uns 16 anos e, até o fim dos anos setenta, conformei-me em acompanhar pelo Estadão o processo que levaria o Brasil à abertura política. Mas nunca me envolvi.
Até hoje sinto vergonha disso, e só relato aqui como que para expiar minha culpa. Sempre que posso, confesso minha covardia na juventude.
Hoje, quando me dizem “corajoso” por incomodar os barões da mídia que atiraram meu país naquele horror, dou um sorriso amargo e me lembro de quão covarde eu fui. E reflito que ser “corajoso” hoje, em plena democracia, não tem valor algum.
Mas prometi a mim mesmo que sempre que pudesse confessaria a covardia a que me dei na juventude, quando tantos outros como eu deram sua vida para libertar o Brasil de uma ditadura feroz que – há pouco o país descobriu – chegou a torturar bebês diante de mães militantes políticas para obrigá-las a lhe dar informações.
A ditadura, porém, não terminou. Apesar de a ditadura político-institucional ter acabado há décadas, o país ainda é prisioneiro de uma outra ditadura, a ditadura da mentira.
Vejo na internet, nos jornais e até na tevê, inclusive em editoriais desses veículos, justificativas aos crimes daqueles militares e civis que ceifaram a vida de tantos jovens como meu amigo Daniel. Dizem que as vítimas daquele regime criminoso queriam implantar uma ditadura no país e atribuem a “terroristas” como aquele amigo crimes iguais aos que cometeram.
Mentirosos.
Onde estão as famílias das vítimas dos “terroristas” a bradarem contra os assassinatos ou torturas de país, mães, irmãos, amigos? Por que, como as vítimas da ditadura, não se organizam e levam fotos de entes queridos que os que tentavam devolver a democracia ao Brasil teriam exterminado ou torturado?
Claro que, sim, houve alvos militares. E é claro que alguns soldados da ditadura tombaram em combate com “terroristas”. Mas nada que sequer se aproxime dos meninos e meninas que aquele regime hediondo sequestrou, seviciou e exterminou.
Hoje, 1º de abril de 2013, faz 49 anos que o inferno foi desencadeado no país. Sobreviventes que enfrentaram aqueles psicopatas, assassinos, estupradores, ladrões, pervertidos que colocaram este país de joelhos, chegaram ao poder. Aliás, o Brasil é governado por uma heroína que, altiva, enfrentou aqueles demônios.
Contudo, o Brasil não é livre. Enquanto as mentiras que os autores daquela loucura inventaram não forem desmascaradas, enquanto o nosso povo não souber a verdade do que se passou naquelas duas terríveis décadas, a mentira continuará nos governando. Seremos tão prisioneiros dela quanto fomos da ditadura militar.
Deveria escrever mais, muito mais. Mas a boca está seca e os olhos, molhados. Quem sabe um outro dia termino de dizer tudo o que deveria. Talvez, nesse dia, consiga mergulhar fundo naquelas memórias sem ficar no estado emocional em que estou ao terminar este texto. Sobretudo pela culpa por minha omissão, que nunca me deixou em paz.


http://www.blogdacidadania.com.br/2013/04/brasil-ainda-vive-uma-ditadura-a-ditadura-da-mentira/

Está provado PSDB Governa para os Ricos


Blog do Jeso


Fatos e opiniões – Amazônia e Brasil

 

Serviço em imóvel particular custará 416 mil

Em 14 dias, será anunciada a empresa vencedora de uma das licitações mais criticadas da iniciante gestão do prefeito Alexandre Von (Santarém).

Com verbas públicas estimadas em R$ 416 mil, a prefeitura realizará serviços de melhorias no imóvel particular do Sirsan (Sindicato Rural de Santarém) onde é realizada.

anualmente a feira agropecuária, no bairro da Prainha.

A iniciativa foi revelada aqui no blog no início de março.

O valor (exatos R$ 416.666,67) previsto para esse serviço é maior que os gastos que o prefeito Alexandre Von teve com o Carnaval deste ano, que somou R$ 374 mil.

E é quase metade do que será investido na pavimentação da avenida Irurá, orçada em R$ 1,1 milhão.

O processo licitatório da feira agropecuária está sob responsabilidade da pasta de Infraestrutura (Seminfra), cujo secretário adjunto Mário Maués se recusa a dar explicações sobre o serviço ao blog.

 

http://www.jesocarneiro.com.br/contas-publicas/servico-em-imovel-particular-custara-416-mil.html

Democratização das comunicações: Por que não fazer um debate aberto, sem fogo amigo contra o governo Dilma?

 


A reportagem de capa da revista Carta Capital desse sábado (30), está requentando um tema que já comentamos aqui no blog no artigo "Fogo amigo da fulanização, a zona de conforto que empaca a 'Ley dos Médios'" .

A revista, colocou a foto do ministro das comunicações, Paulo Bernardo (PT-PR), na capa, mas cometeu um “pecadinho” típico do PIG: não entrevistou o ministro, para ouvir o outro lado, principalmente em se tratando de uma matéria de capa. A revista fez uma compilação de matérias publicadas na imprensa há mais de uma semana, portanto já desatualizadas, tendo em vista que o ministro deu novas novas declarações. Tudo isso não ajudou em nada para enriquecer o debate. Não trouxe nada de novo em relação ao que já havia sido debatido nas redes sociais, sobre a chamada "Lei dos Meios" e sobre a política industrial de desonerações.

A revista citou um discurso do Deputado Fernando Ferro (PT-PE), mas não ouviu nenhum outro político no Senado ou na Câmara, para conhecer a opinião de cada um sobre o assunto. Ajudaria o leitor da revista a entender melhor qual a posição dos lideres dos partidos no Congresso.

Também faltou entrevistar as lideranças do PT. Três perguntas que aguçam minha curiosidade, seriam estas:

1) Por que o PT nunca inclui democratização das comunicações como tema dos programas partidários a que tem direito na TV a cada semestre? É a hora que o PT aparece na tela da Globo, em horário nobre, sem ninguém para interferir na edição.

2) Por que o PT não apresenta um projeto de lei de iniciativa parlamentar no Congresso, independentemente do governo Dilma?

3) Se contar com a bancada do PCdoB e PT, 20% do Congresso são favoráveis à Lei dos Meios. Se apresentasse um projeto hoje, seja de iniciativa parlamentar ou do governo, os 80%, incluindo partidos da base governista, não poderiam fazer um desmanche no projeto e refazer um pior do que está? A bancada ruralista já fez algo semelhante como o Código Florestal. E como superar esse problema?

Por fim faltou alguma visão popular sobre o tema. Não seria interessante se a revista perguntasse a dez ou vinte populares na rua, em lugar de grande movimento, o que acham do tema (sem induzir respostas)?

Será que a nossa mensagem, dos movimentos sociais, está chegando até o povo como democratização contra a censura dos barões da mídia, ou está chegando mais a mensagem de má-fé dos barões da mídia, de que o "PT" quer "censurar" notícias desfavoráveis?

Na matéria da revista Carta Capital, de novidade só apareceu na segunda página da reportagem uma fotomontagem onde o alvo é a ministra Helena Chagas da SECOM (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, responsável pelas verbas publicitárias), afirmando que: "Helena Chagas voltou a reconcentrar verbas nos grandes grupos". Também não há nenhuma entrevista da ministra sobre o assunto. Tampouco detalhou estas verbas, coisa que o blog "O cafezinho" tomou a iniciativa de fazer.Aliás, a fotomontagem vem também com um trocadilho infame, onde o ex-ministro Franklin Martins é chamado de o "cara". Já Helena, seria a "coroa". Precisava a revista dessa piadinha desrespeitosa?


De todas as declarações que li, o ministro Paulo Bernardo sempre se posicionou favorável ao marco regulatório da radiofusão (sua área) e a democratização das Comunicações, só manifestando ressalvas quanto as condições políticas desfavoráveis, devido à correlação de forças. Inclusive o próprio ministro prestigiou o II Encontro Nacional de Blogueiros, comparecendo e apoiando, quando aconteceu em Brasília. De lá para cá, aparentemente, o governo Dilma enxergou que a Lei dos Meios não tinha massa crítica de apoios minimamente viáveis para ser aprovada, e não haveria como colocar em pauta sem dar um "tiro no pé". Fica difícil compreender que, por esse motivo, muitos blogueiros resolveram queimar pontes logo com o ministério que havia aberto maior canal de diálogo dentro do governo, e que ainda executa muitas políticas históricas defendidas pelo PT e por movimentos sociais de democratização das comunicações, como facilitar outorgas de rádios comunitárias, fazer Cidades Digitais, incluir canais comunitários na TV Digital, e levar internet para todos com preço, velocidade e qualidade decentes.

E não adianta "chorar o leite derramado" da Privataria de 1998, porque já se tornou fato consumado até no judiciário, então não há como deixar de conviver com essa realidade. A solução é investir na Telebras por um lado, começando pelas redes e projetos estratégicos e, por outro lado e ao mesmo tempo, enquadrar as teles privadas para melhorar os serviços e investirem mais (principalmente considerando que um dos objetivos do governo Dilma é aumentar a taxa de investimento sobre o PIB, e esse um dos setores da economia mais dinâmicos, que mais podem contribuir). Além disso, no governo Dilma, passou a haver clara pressão sobre a ANATEL, para exigir fiscalização mais rigorosa. Ainda tem muito a fazer, mas está sendo feito. Qualquer que fosse o nome do ministro que estivesse no cargo, teria que fazer a mesma coisa, porque não existe outra alternativa realista melhor para levar internet aos mais pobres o mais rápido possível.

Quanto à Lei dos Meios, é preciso o PT, o PCdoB, junto com movimentos sociais, traçar uma estratégia e começar por focar melhor o discurso, que acabou caindo na defensiva de que não é censura. E também por separar as coisas, por que do jeito que a chamada "Lei dos Meios" tem sido apresentada, parece um elixir mágico para resolver todos os problemas, desde a existência da mídia conservadora (que continuará existindo em qualquer democracia), até resolução de processos contra blogueiros. E não é verdade que uma lei possa eliminar todos esse males.

É preciso separar Direito de resposta, que deve ser um projeto de lei à parte porque atinge imprensa escrita e a internet também (que não são concessões públicas) e é mais fácil conseguir maioria no Congresso. Regular radiofusão deve ser outra coisa à parte porque é concessão pública. Na Constituição há separação clara entre Direito de Resposta e regulação da mídia. Da mesma forma que Neutralidade de Rede na internet foi separada num projeto especifico. Quanto a cotas para microempresas na SECOM, é outro assunto, não depende do Congresso. Assim fica mais viável formar maiorias para aprovar questões pontuais, uma a uma. 

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2013/03/democratizacao-das-comunicacoes-por-que.html

Movimento convoca reunião em defesa do 'Viomundo'

 

Jornalista da Record Luiz Carlos Azenha anunciou fim do blog após ser condenado a indenizar em R$ 30 mil o diretor da Globo Ali Kamel; evento está marcado para a próxima terça-feira, em São Paulo, e propõe, além de coleta de dinheiro para saldar a dívida, acionar parlamentares para a denúncia de perseguição da Globo à blogosfera


247, com Rede Brasil Atual - Um movimento surgido neste sábado 30 nas redes sociais está convocando uma reunião em defesa do Blog Viomundo para as 17h de terça-feira (2) na sede do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé – rua Rego Freitas, 454, 1º andar, República, Centro de São Paulo.

Na sexta-feira (29) à noite, após tomar conhecimento de que perdera uma ação judicial movida por Ali Kamel, diretor da Central Globo de Jornalismo, o jornalista Luiz Carlos Azenha, responsável pelo Viomundo, anunciou o fim do blog.

Azenha argumenta que não tem como pagar os R$ 30 mil impostos pela sentença, mais os gastos que terá com advogados para recorrer em outras instâncias, e, ao mesmo tempo, manter o blog.

O ato propõe: 

1 - acionar parlamentares para a denúncia da perseguição da Globo à blogosfera;

2 - campanha via internet de coleta da grana para saldar a multa de R$ 30 mil;

3 - atos na Globo contra a censura e em defesa da liberdade de expressão. 26/4 - aniversário da emissora;

4 - acionar relator da ONU para liberdade de expressão para denunciar censura da TV Globo

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/97590/Movimento-convoca-reuni%C3%A3o-em-defesa-do-%27Viomundo%27.htm