sábado, 10 de agosto de 2013

Alstom confirma que abasteceu a Lista de Furnas

Amoral Nato o Blogodita
 
Justiça da Suíça informa que recursos teriam chegado ao País por offshores para financiar políticos em troca de contratos no setor energético

Novo Jornal

A Alstom destinou mais de US$ 20 milhões em propinas ao Brasil e parte do dinheiro foi parar em cofres de partidos políticos (Comentário Amoral: eufemismo usado para falar de denúncias contra qualquer partido que não seja o PT). A constatação faz parte da investigação realizada pela Justiça Suíça e foi obtida com exclusividade pelo “Estado de São Paulo”. Ontem, o jornal revelou como dez pessoas, entre elas os ex-secretários Jorge Fagali Neto e Andrea Matarazzo, foram indiciados pela Polícia Federal por causa do esquema de corrupção da empresa francesa, desmantelado pela apuração na Suíça.

Dinheiro supostamente pago pela Alstom teria sido destinado a Eletrobras e Furnas, pagou US$ 20 milhões em propina a partidos do Brasil, diz Justiça da Suíça.

A investigação mostra que informes internos da Alstom revelam o esquema para ganhar contratos públicos no Brasil nos anos 1990. Neles, a empresa francesa indica o pagamento de propinas para financiar partidos. 

A constatação da Justiça de Berna é de que há "evidências claras de suborno" e até uma "tabela oficial" de propina no Brasil. O dinheiro foi destinado a diversos projetos de energia no Brasil, envolvendo Furnas, Eletropaulo, a Usina de Itá e outros empreendimentos.

Um dos depoimentos que marcam o caso é o de um colaborador do esquema, Michel Cabane, confirmando que a "Alstom e a Cegelec (subsidiária da Alstom) estavam trabalhando juntas para organizar uma cadeia de pagamentos para tomadores de decisão no Brasil". Havia até mesmo uma lista de nomes de brasileiros na empresa.

A Justiça suíça teve acesso a um comunicado interno da Alstom, de 21 de outubro de 1997. Nele, o então diretor da Cegelec, Andre Botto escreveu que o dinheiro era propina. "Isso é uma política de poder pela remuneração", afirmou. "Ela é uma “negociated” via o ex-secretário do governador (RM). Ela cobre - as finanças do partido - o Tribunal de Contas (do Estado) e a Secretaria de Energia."

A meta era cometer o que os suíços ironizaram como "um crime perfeito". Parte do dinheiro iria para os políticos, parte para o tribunal e parte para o secretário de Energia que daria os contratos.

A Justiça suíça não citou partido, mas indicou que a participação política estava sempre presente. Naquele momento, o Estado de São Paulo era governado pelo PSDB.

RM seria Robson Marinho, conselheiro do TCE, que, depois de coordenar a campanha de Mário Covas em 1994, foi chefe da Casa Civil entre 1995 e 1997. O Ministério Público suíço revelou cada uma das transferências às contas de Marinho no banco Safdie em Genebra. O dinheiro chegaria via uma offshore uruguaia, a MCA.

Quem também é citado é Romeu Pinto Junior, indiciado como uma das pessoas que teriam organizado o pagamento de propinas por meio da MCA.

A investigação revela que, em media, 7,5% do valor dos contratos eram destinados ao pagamento de propinas. "De acordo com essas declarações, 7,5% e 1,13% dos contratos iam para a MCA, 3,1% para a Taltos e 0,6% para a Andros, 1,5% para a Splendore." Essas eram empresas fictícias criadas.

Outra empresa era a brasileira Alcalasser, pela qual teriam passado mais de 50 milhões. Em depoimento a autoridades francesas, o ex-diretor financeiro da Cegelec, Michel Mignot, confirma que a Alcalasser foi criada para pagar propinas. "Ela servia para as comissões", respondeu à Justiça. Seu superior, Yves Barbier de La Serre, ex-secretário-geral da Cegelec, também confirmou a "caixa preta".

Documentos que fundamentam a matéria:


O colar de tucanos de Ana Maria Brega




Por Altamiro Borges

Agora é oficial: a inflação em julho teve a menor alta mensal em três anos. O IPCA recuou de 0,26% para 0,03% no mês passado, principalmente devido à queda dos preços dos alimentos e transportes. A inflação acumulada em 12 meses recuou de 6,59% em junho para 6,27% - dentro da meta fixada pelo governo para o ano (6,5%). Diante desta notícia positiva, o que fará Ana Maria Braga, a apresentadora da TV Globo que usou um colar de tomates para fazer terrorismo sobre o descontrole da inflação? Uma sugestão singela: ela pode aproveitar o produto nas suas aulas de culinária e usar agora um colar de tucanos. Afinal, com o propinoduto em São Paulo, este produto está em alta.

A presidenta Dilma, que inclusive já esteve no programa “Mais Você”, poderia sugerir o novo ornamento à “amiga” global. Ao inaugurar um campus universitário em Varginha (MG), nesta quinta-feira, ela festejou a queda da inflação e criticou os pessimistas de plantão. “Da mesma forma que no início do ano falavam que iria faltar energia no Brasil, fizeram a mesma coisa com a inflação”. Dilma até cutucou os tucanos: “No primeiro semestre, criamos 826 mil empregos com carteira assinada. Significa a quantidade de empregos criados em todo o primeiro governo do ex-presidente FHC”. Ela poderia aproveitar a verve polemista para também mandar um recadinho para Ana Maria Braga.

O colar de tomates da entusiasta do movimento “Cansei”, a articulação direitista que apostou no impeachment do ex-presidente Lula, virou um símbolo do terrorismo midiático contra o atual governo. Ele também foi motivo de muita chacota nas redes sociais. Dilma sabe disto e Ana Maria “Brega” – o apelido não é meu, mas do irreverente José Simão –, também. Ela até já ensaia um recuo na cena patética, conforme revelou Mônica Bergamo, na Folha desta quinta-feira:

“A apresentadora Ana Maria Braga, que usou um colar de tomates em seu programa na TV Globo quando o preço do produto explodiu, diz que agora fará outro, ‘de três voltas’, para anunciar que ele despencou. ‘Vou dizer: gente, tá baratinho o tomate'. Caiu bem mesmo’, afirma ela. ‘Já fizemos até reportagem sobre isso’... Alvo de piadas nas redes sociais, a apresentadora leva na esportiva. ‘Disseram que eu causei a inflação do tomate. Mas não fui eu que fiz aquilo, o preço estava alto mesmo’. Ana Maria Braga afirma que, apesar da baixa, ‘o otimismo ainda não voltou, nem a confiança de que a inflação está controlada. Por mais que esteja’’’.

Já que está tão atenta ao cenário econômico e político, bem que a apresentadora poderia aceitar a sugestão e usar um colar de tucaninhos no seu programa. Do contrário, alguém pode pensar que ela usa uma concessão pública de televisão para fazer proselitismo político e para servir de palanque da oposição. O tema do propinoduto tucano está quente. Até o Jornal Nacional da TV Globo, temendo por seu futuro, já está noticiando o escândalo. Ana Maria Brega, vai, usa o colar de tucaninhos!

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/08/o-colar-de-tucanos-de-ana-maria-brega.html

Promotor já achou o crime dos tucanos


A casa caiu – III

Saiu na Folha (*):

Promotor diz que empresas em suposto cartel são organizações criminosas


FLÁVIO FERREIRA
DE SÃO PAULO

Em entrevista coletiva sobre a investigação criminal aberta para apurar as suspeitas de formação de cartel e fraude a licitações de trens em São Paulo, o promotor de Justiça Marcelo Mendroni afirmou nesta sexta-feira (9) que as empresas envolvidas nesses tipos de delitos devem ser consideradas “organizações criminosas”.

No dia 2 de agosto, a Folha revelou que a Siemens apresentou às autoridades brasileiras documentos nos quais afirma que o governo paulista soube e deu aval à formação de um cartel para a linha 5 do metrô de São Paulo. De acordo com a empresa, a operação se deu no ano de 2000, quando o Estado era governado pelo tucano Mário Covas, morto no ano seguinte.

Para o promotor, a análise inicial de documentos enviados pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) já aponta “provas diretas” e “forte indícios” da prática dos crimes.

(…)


Clique aqui para ler ” Cerra ficou pesado demais para o jn”
Aqui para votar na trepidante enquete “Qual a carga que o PiG vai jogar primeiro ao mar?”
E aqui para “Siemens denuncia Cerra. A casa caiu !”
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2013/08/09/promotor-ja-achou-o-crime-dos-tucanos/

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Escândalos do PSDB represados por 19 anos inundam o JN




A notícia dentro da notícia. O Jornal Nacional da última quinta-feira levar ao ar uma reportagem com quase oito minutos de duração tratando de escândalos envolvendo o PSDB de São Paulo foi mais importante do que o conteúdo da matéria, do qual quem se interessa por política já soubera pelos jornais impressos, pelo rádio e pela internet durante o dia.

Abaixo, a matéria lida por Willian Bonner e Patrícia Poeta durante longos minutos, possivelmente um recorde de veiculação de notícia incômoda para o PSDB desde que o partido chegou ao poder federal, em 1995. É longa, mas quem não assistiu deveria ao menos lê-la, pois é surpreendente tanto pela duração quanto pelo conteúdo.

Prossigo depois do texto reproduzido a seguir.
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Jornal Nacional

Edição de 8 de agosto de 2013
Empresa francesa é suspeita de pagar propina a servidores de governos do PSDB
Uma empresa francesa é suspeita de pagar propina para servidores do Governo de São Paulo em troca de benefícios em contratos.

O caso foi em 1998. Foram indiciadas 11 pessoas, inclusive secretários de estado na época.

O pagamento de propina teria ocorrido para viabilizar um contrato entre empresa francesa Alstom e a então estatal de energia do estado de São Paulo, a EPTE.

De acordo com o inquérito da Polícia Federal, a companhia de energia obteve um crédito no exterior, junto ao banco francês Societe Generale, de R$ 72,7 milhões para adquirir equipamentos do grupo Alstom.

A Polícia Federal ressalta que a contratação do crédito milionário foi feita sem licitação. E só foi possível porque a Alstom idealizou um esquema de pagamento de suborno para funcionários públicos paulistas para recompensá-los pela aprovação do contrato.

De acordo com o documento da Polícia Federal, o esquema de pagamento usava pessoas com empresas no exterior que recebiam recursos do grupo Alstom “para depois repassá-los aos beneficiários finais, servidores públicos do governo do estado de São Paulo, no primeiro semestre de 1998″.

Nessa época, o estado era governado por Mário Covas do PSDB. Uma das contas, segundo o inquérito, era de Jorge Fagali Neto. A Polícia Federal diz que naquela época, embora fosse diretor financeiro dos Correios, há evidencias de que ele tinha livre trânsito por todas as secretarias de Estado.

A Polícia Federal afirma ainda que Jorge Fagali Neto integrou na distribuição de valores para agentes públicos paulistas que ele mantinha conta não declarada no exterior e que ocultou a origem de valores recebidos em virtude de pagamento de propinas, também no exterior. Por isso, ele foi um dos indiciados.

Outra empresa no exterior utilizada para lavar o dinheiro da propina foi a MCA Uruguay.

De acordo com reportagem publicada nesta quinta-feira (8) pelo jornal O Estado de São Paulo, “o dono da MCA, Romeu Pinto Junior, confessou a PF ter servido de intermediário do pagamento de propinas a funcionários públicos paulistas a mando da Alstom e por meio da MCA”.

A Polícia Federal afirma que Andrea Matarazzo, na qualidade de secretário de energia e presidente do conselho administrativo da EPTE tinha o pleno conhecimento de tudo.

A investigação cita o depoimento do então presidente da EPTE, Henrique Fingermann. Henrique declarou que o secretário Andrea Matarazzo tinha conhecimento de todos os procedimentos que levaram á assinatura do contrato de crédito com o banco Societe Generale.

A Polícia Federal afirma que há indícios de que Matarazzo tenha se beneficiado juntamente com o partido político, o PSDB, das vantagens indevidas arquitetadas pelo grupo Alstom.

E usa isso como argumento para indiciá-lo por corrupção passiva. A Polícia Federal indiciou os dois ex-secretários e mais onze pessoas em agosto do ano passado.

O inquérito foi encaminhado para o Ministério Público Federal, mas a denúncia ficou parada porque o MP considerou que era necessário obter mais informações sobre o caso.

O advogado que representa a estatal EPTE afirma que não conseguiu ter acesso ao inquérito da Polícia Federal e que o crime prescreveu. 

“A prescrição conforme o Artid, já ocorreu e portanto caberia um pedido de habeas corpus em favor dos meus clientes”, afirmou o advogado Pedro Iokoi.

O Ministério Publico Federal considera que o crime de lavagem de dinheiro ainda não prescreveu.
O ex-secretário de energia de São Paulo, Andréa Matarazzo, qualificou como um disparate ter seu nome ligado a supostos favorecimentos. E disse que no período em que foi secretário não teve conhecimento, não discutiu nem assinou qualquer aditivo ou contrato que esteja sendo investigado. 

Ele afirmou ainda que as atas das reuniões podem comprovar o fato. Andrea Matarazzo acrescentou que é com muita indignação e repulsa que vê seu nome envolvido nas denúncias.

Segundo o ex-diretor dos Correios, Jorge Fagali Neto, o Ministério Público nunca atribuiu a ele qualquer ato de violação à lei penal e que não interferiu em nenhuma das empresas citadas, nem celebrou contratos com a Alston ou a Siemens. 

A empresa MCA Uruguay e o então presidente da EPTE, Henrique Fingermann, não foram localizados.

Em nota, o PSDB declarou que repudia veementemente a tentativa de alguns setores de envolver, sem provas, o partido e seus quadros em casos de corrupção. O PSDB disse ainda que não compactua com a corrupção e espera que os casos sejam investigados e, se houver, responsáveis que eles sejam punidos. 

José Serra é citado em mensagens de diretores de empresa investigada por cartel

O jornal “Folha de São Paulo” publicou nesta quinta-feira (8) uma reportagem, em que afirma que o ex-governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, foi citado em uma troca de e-mails entre executivos da Siemens – uma das empresas investigadas por suposta prática de formação de cartel. Segundo o jornal, uma mensagem sugere que, para evitar atrasos, Serra teria se mostrado favorável a um acordo entre concorrentes, em uma licitação para a venda de trens ao estado. O ex-governador nega ter cometido irregularidade – e afirma que a empresa Siemens não recebeu qualquer vantagem.

Em reportagem publicada nesta quinta (8), o jornal Folha de S.Paulo reproduz um email enviado em 28 de março de 2008 por Nelson Marchetti, funcionário da Siemens, para outros colegas da empresa, entre eles o então presidente da Siemens no Brasil Adilson Primo.

A mensagem do executivo da Siemens relata uma conversa que ele diz ter tido com o então governador de São Paulo, José Serra, e o secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, durante um congresso, em Amsterdã, na Holanda.

O Jornal Nacional também teve acesso ao mesmo e-mail, que diz: “Gostaria de confirmar que conversei com o senhor Serra (governador do estado de São Paulo) e com o senhor Portella (secretário de Tranportes Metropolitanos de São Paulo), em Amsterdã, na semana passada, quando o senhor Serra confirmou que se a proposta da CAF não tiver condições de ser qualificada a concorrência será cancelada”.

Segundo a Folha de São Paulo, na época, a Siemens disputava com a espanhola CAF uma licitação aberta pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos para compra de trens, e ameaçava questionar na Justiça o resultado da concorrência se não saísse vitoriosa.

Na mensagem, o executivo relata o motivo para um eventual cancelamento da concorrência. “A razão básica para este posicionamento é a diferença de preço entre a CAF e o nosso. Estamos pelo menos 15 % acima do preço líquido da CAF. Poderia ser um risco para o governo do Sr. Serra”.

A “Folha de São Paulo” diz que o ex-governador Serra sugeriu a Siemens um acordo para evitar que uma disputa empresarial travasse a licitação da CPTM. No email do executivo da Siemens, a proposta seria detalhada. “Eles mencionaram que considerariam o fornecimento de algo em torno de 30% dos trens, por parte da Siemens. A “Folha de São Paulo” sugere que “eles” seriam Serra e o ex-secretário Portella.

O ex-governador José Serra divulgou uma nota dizendo que resultado da licitação quebrou a hegemonia de algumas empresas no mercado. Serra afirmou que a Siemens não foi subcontratada pela CAF, a empresa vencedora da concorrência. Ou seja, segundo Serra, a Siemens não obteve nenhuma recompensa. Ele afirmou que chegou a dizer publicamente que se a concorrência fosse anulada não contrataria a que estava em segundo lugar, pois a diferença de preços era grande. E que faria nova concorrência. José Serra disse ainda que o estado de São Paulo atuou contra a Siemens na Justiça, para garantir a licitação vencida pela empresa espanhola. A nota também é assinada pelo ex-secretário José Luiz Portella.

A empresa Siemens voltou a declarar que tem cooperado com as autoridades, mas que não pode se manifestar sobre investigações em andamento no Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

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Ufa! Tudo bem que não foi uma reportagem como aquela de cerca de vinte minutos que uma única edição do mesmo Jornal Nacional apresentou contra o PT durante o julgamento do mensalão após meses de longas matérias como essa acima – ou maiores – sendo apresentadas todos os dias, de segunda a sábado. Mas pode-se dizer que, à diferença do de costume, todos os elementos que vão se avolumando contra os tucanos de São Paulo foram apresentados corretamente. Ou quase…

É claro que o que pesa contra Serra não é ele ter interferido numa concorrência em favor de um dos concorrentes a fim de “evitar atrasos”. O que parece é que ele interferiu no processo instruindo concorrentes a “se acertarem”, chegando a avisar a um deles de que seu preço estava 15% mais alto que o do outro e isso é uma ilegalidade que macula o próprio princípio da concorrência, que deveria justamente evitar acertos como esse em busca dos menores preços para o erário público.

Todavia, como ainda não há provas de que isso ocorreu, vá lá que o Jornal Nacional divulgue a explicação de Serra sem deixar muito claro que essa é só a versão dele, diferente do que as investigações sugerem.
Enfim, a matéria não foi má. Até se pode admitir a cautela usada em nome da presunção da inocência a que qualquer um – inclusive os políticos – tem direito.

Porém, algo ficou de fora. Parte desses fatos são conhecidos há muito tempo. O escândalo da Alstom ganhou as manchetes do mundo inteiro em 2008 e até a última quinta-feira jamais tinha aparecido na Globo dessa maneira. Aliás, mesmo nos grandes jornais da época não ganhou tanto destaque quanto tem recebido em toda a grande mídia nos últimos dias.

Dizer que um fenômeno dessa magnitude ocorreu devido à gravidade do caso não chega a ser apropriado, apesar de ser parte da verdade. Há outras causas.

Um escândalo dentro do escândalo é 45 inquéritos referentes às denúncias contra o PSDB paulista terem sido arquivados pelo aparelhado Ministério Público de São Paulo, que teve que desarquivá-los por pressão internacional, pois as multinacionais europeias corromperam políticos em outros países além dos que corromperam no Brasil e as notícias só estavam sepultadas aqui, no único dos países envolvidos no caso Alstom em que ninguém foi punido.

Paralelamente aos tucanos, portanto, a grande imprensa brasileira e o MP-SP têm responsabilidade pela impunidade de políticos que não estão sendo acusados de comprar votos no Congresso para aprovar projetos como os petistas envolvidos no mensalão, mas de roubar em benefício próprio, para enriquecerem.
Fiquemos, porém, no caso da imprensa – por enquanto.

A eterna blindagem de corruptos amigos pela Globo e companhia limitada vem despertando uma irritação crescente na sociedade que vem se voltando contra a grande imprensa em geral e que tem, inclusive, desencadeado violência, com depredação de unidades móveis de vários veículos e expulsão de repórteres da Globo das manifestações, além de depredação de imóveis da emissora.

Dessa maneira, a recente “imparcialidade” que a emissora abraçou pode derivar de medo de ter ultrapassado os limites após constatar a progressiva degradação de sua imagem, até por conta das denúncias de ter cometido crimes contra a ordem tributária que podem colocá-la, cedo ou tarde, no lugar em que o PSDB está hoje.

Recentemente, escrevi que a Ocultação dos escândalos Globo e PSDB-Siemens foi longe demais. Como se vê, a conversão global ao bom jornalismo das matérias acima – que talvez não seja tão bom, mas que é bem melhor do que a artilharia histérica que a emissora dispara todo dia contra o PT desde 1989 –, está longe de ser produto de mera crise de consciência.


http://www.blogdacidadania.com.br/2013/08/escandalos-do-psdb-represados-por-19-anos-inundam-o-jn/

A pressão pela CPI do propinoduto




Por Altamiro Borges

Várias entidades da juventude se reuniram na quarta-feira (7), na sede do sindicato dos professores de São Paulo (Apeoesp), para discutir as recentes denúncias sobre fraudes nas licitações do Metrô – o já famoso propinoduto tucano. Entre outras propostas apresentadas no evento com mais de 100 jovens, uma ganhou forte adesão: a de deflagrar uma intensão pressão de rua para exigir a imediata instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias. Ao mesmo tempo, os partidos de oposição na Assembleia Legislativa (Alesp) iniciaram a coleta de assinaturas para a criação da CPI. Até o momento, eles já conseguiram 26 das 32 assinaturas necessárias.

A base de apoio do governador Geraldo Alckmin, porém, faz de tudo para sabotar a investigação. O PSDB, que adora propor CPIs no âmbito federal, não aceita nem sequer discutir o assunto. “O pedido não tem nenhuma fundamentação, é contra todas as regras regimentais. Não tem nenhum sentido”, esbraveja o presidente da Alesp, deputado Barros Munhoz (PSDB). Em quase 20 anos no comando de São Paulo, os tucanos sempre abortaram qualquer investigação séria na Assembleia Legislativa. Conforme aponta o deputado Luiz Claudio Marcolino, líder da bancada do PT, se depender da base governista nada será apurado sobre o propinoduto tucano.

Daí a importância da plenária unitária das entidades juvenis. Segundo Carlos Eduardo Siqueira (Carlão), presidente estadual da União da Juventude Socialista (UJS), a reunião aprovou um calendário de intensas manifestações de rua. “As atividades se iniciam no próximo dia 13, com panfletagens nas estações do Metrô e nas escolas, e vão até o Dia dos Excluídos, em 7 de setembro. Na próxima quarta-feira, dia 14, também participaremos do protesto organizado pelo Sindicato dos Metroviários para denunciar o propinoduto”. A ideia é realizar manifestações de rua todas as semanas, forçando a investigação. Pelo jeito, o PSDB não terá paz nos próximos dias.

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/08/a-pressao-pela-cpi-do-propinoduto.html

Caso Alstom: PF vê pagamentos de propina e indicia 10 ligados ao PSDB e Alckmin

 
 
 
Documentos da Polícia Federal obtidos pela reportagem mostram como funcionou o suposto esquema de pagamento de propina a integrantes do governo do Estado de São Paulo e ao PSDB pelo grupo francês Alstom. Dois ex-secretários, dois diretores da estatal de energia EPTE (ex-Eletropaulo), consultores e executivos da Alstom - dez pessoas no total - foram indiciados no inquérito da PF.
Autoridades suíças sequestraram € 7,5 milhões - dinheiro que seria de subornos - em uma conta conjunta no Banco Safdié em nome de Jorge Fagali Neto e de José Geraldo Villas Boas. Fagali é ex-secretário de Transportes Metropolitanos de SP (1994, gestão de Luiz Antônio Fleury Filho) e ex-diretor dos Correios (1997) e de projetos de ensino superior do Ministério da Educação (2000 a 2003) na gestão Fernando Henrique Cardoso. Villas Boas é dono de uma das offshores acusadas de lavar dinheiro do esquema.
Apesar de estar fora da administração paulista na época do pagamento de propina (1998), Fagali manteria, segundo a PF, influência e contatos no governo paulista. O caso envolvendo a Alstom teria os mesmo ingredientes do que envolve o cartel metroferroviário denunciado pela Siemens, do qual a Alstom também faria parte.
Fagali foi indiciado sob as acusações de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão. Outros três agentes públicos foram acusados de corrupção passiva. São eles: o ex-secretário de Energia e vereador Andrea Matarazzo (PSDB), o ex-presidente da EPTE Eduardo José Bernini e o ex-diretor financeiro da empresa Henrique Fingermann.
Consultores e diretores da Alstom foram indiciados sob as acusações de formação de quadrilha, corrupção ativa, evasão e lavagem de dinheiro. A reportagem procurou os acusados. A Alstom disse que não ia se manifestar..
Domínio
A PF usa a teoria do domínio do fato contra Matarazzo. Ao justificar o indiciamento, o delegado Milton Fornazari Junior escreveu: "Matarazzo era secretário de Energia e pertencia ao partido político que governava São Paulo à época, motivo pelo qual se conclui pela existência de um conjunto robusto de indícios de que ele tenha se beneficiado, juntamente com o partido político, das vantagens indevidas então arquitetadas pelo grupo Alstom".
Segundo a PF, os beneficiários finais da corrupção eram "servidores públicos do governo no primeiro semestre de 1998", na gestão de Mário Covas (PSDB). A investigação começou após a apreensão na Suíça de documentos com diretores da Alstom sobre subornos. No caso da EPTE, o esquema teria atuado na contratação, sem licitação, de um crédito de R$ 72,7 milhões no banco Société Générale, subscrita por Fingermann, seu diretor financeiro. De acordo com a PF, o dinheiro só foi liberado "porque o grupo Alstom (...) idealizou um esquema de pagamento de vantagens indevidas para funcionários públicos paulistas (...) pela aprovação da celebração do contrato de crédito com declaração de inexigibilidade de licitação". 
O dinheiro serviria para a compra de equipamentos para uma subestação de energia. Mas, quando foram entregues, o governo não havia nem licitado o prédio para abrigá-lo. O dinheiro das propinas teria sido pago por meio de offshore no Uruguai. A PF destacou quatro: a MCA Uruguay, de Romeu Pinto Junior; a Taldos Ltd, de José Geraldo Villas Boas; a Splendore Y Associados Desenvolvimento Econômico, de Jean Marie Lannelongue, e a Andros Management Ltd, de Jean Pierre Charles Antoine Courtadon.
Para justificar a saída do dinheiro, o esquema contrataria empresas de consultoria no Brasil. Entre elas, estariam a Cegelec Engenharia e a Acqua Lux Engenharia e Empreendimentos - esta última de um empresário ligado ao ex-secretário de Governo de Covas e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Robson Marinho.
Dono da MCA, Romeu Pinto Junior confessou à PF ter "servido de intermediário do pagamento de propinas a funcionários públicos paulistas a mando da Alstom e por meio da MCA". A MCA usaria três contas bancárias no UBP Zurich, uma no Banco Audi em Luxemburgo e outra no Bank Audi em Nova York.
O consultor teria recebido da Alstom R$ 40,1 milhões em 2000 e 2001 e de 2005 a 2007. Villas Boas teria recebido R$ 2,65 milhões da Alstom em 2000 e 2002 "sem justificativa plausível". Ele teria feito grandes saques em espécie do dinheiro depositado pela Alstom. Parte foi enviada à Sanmoca Foundation, em Liechtenstein, e apareceu na conta bancária 230-566047, no Banco UBS, na Suíça. Ele alega inocência. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo. Siga o Facebook do nosso blog aqui   
 
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O mensalão do PT e o cartelão do PSDB





Hélio Fernandes 

Esse escândalo que atinge de forma assombrosa o PSDB de São Paulo, há quase 20 anos dominando o governo do Estado, terá, o-b-r-i-g-a-t-o-r-i-a-m-e-n-t-e, influência na retomada do julgamento do mensalão. O MENSALÃO do PT movimentou misérias. E quem recebeu mais (e no exterior) foi o publicitário Duda Mendonça, mais de 10 milhões. Mas esse miliardário, que prestou serviço aqui e recebeu lá fora, foi ABSOLVIDO.

Já no CARTELÃO, os números trafegam na casa dos bilhões e bilhões. E Geraldo Alckmin, que ocupava o governo (Covas morrendo, se licenciaria, morreria logo depois), diz: “Não me lembro de nada, não autorizei nenhum cartel”. Ora, se ele era o vice no cargo, e como a grande privilegiada, a Siemens, diz que foi AUTORIZADA a promover a CARTELIZAÇÃO, quem autorizou?

E o próprio filho de Mario Covas, que não defende o pai? O único desses “grandes” do PSDB paulista que não tinha nada a ver com, a CARTELIZAÇÃO? O filho de Covas foi muito acusado de corrupção com o pai ainda vivo. Não pode sair em defesa do pai, seu passado pode condená-lo.

Essa CARTELIZAÇÃO vai se confrontar com o MENSALÃO, dependendo da velocidade. O MENSALÃO já em julgamento. A CARTELIZAÇÃO, sendo investigada. Dois grandes assuntos para serem discutidos pelo povo nas ruas.


http://asintoniafina.blogspot.com.br/2013/08/o-mensalao-do-pt-e-o-cartelao-do-psdb.html#more

Ataulfo: PT é corrupção. PSDB é democracia




E as maracutaias offshore da Globo , Ataulfo ?

Em homenagem à hipocrisia, o Conversa Afiada tem o prazer de reproduzir notável artigo de Ataulfo Merval de Paiva (*), que considera a AlstomSiemens roubalheira de segundo grau, regional, e o mensalão (que não se provou) do PT (sim, porque o dos tucanos …) crime nacional.

Ataulfo, o 12º juiz do STF, pode vir a ter sério dissabor com o re-julgamento do Dirceu.

Como disse o bravo deputado Fernando Ferro, enquanto não denunciar a fraude da Globo e suas maracutaias offshore, a autoridade moral do Catão da Lopes Quintas fica prejudicada.

Corrupção e democracia, por Merval Pereira


Merval Pereira, O Globo

Outro dia escrevi aqui na coluna, a propósito das investigações sobre a formação de um cartel de empresas estrangeiras na construção do metrô paulista, que “o pior dos mundos para a democracia seria se ficar provado o que os petistas chapa-branca já dão como certo nos blogs e noticiários oficiais: que o esquema seria uma espécie de irrigação permanente de dinheiro ilegal para as campanhas eleitorais dos tucanos desde o governo Covas”.

Foi o que bastou para que esses mesmos pseudojornalistas a serviço do governo petista distorcessem minhas palavras, atribuindo a mim a tese de que as acusações contra o PT são boas para a democracia, e as contra o PSDB seriam prejudiciais.

Para um leitor de boa-fé está claro que não tratava da corrupção em si, mas da maneira como ela fora praticada. Uma coisa são casos de corrupção de agentes políticos isolados, que acontecem em todos os países, outra bem diferente é a organização política se transformar em criminosa para garantir recursos ilegais para a manutenção do poder.

(…)



(*) Ataulfo de Paiva foi o mais medíocre – até certa altura – dos membros da Academia. A tal ponto que seu sucessor, o romancista José Lins do Rego quebrou a tradição e espinafrou o antecessor, no discurso de posse. Daí, Merval merecer aqui o epíteto honroso de “Ataulfo Merval de Paiva”, por seus notórios méritos jornalísticos,  estilísticos, e acadêmicos, em suma. Registre-se, em sua homenagem, que os filhos de Roberto Marinho perceberam isso e não o fizeram diretor de redação nem do Globo nem da TV Globo. Ofereceram-lhe à Academia.E ao Mino Carta, já que Merval é, provavelmente, o personagem principal de seu romance “O Brasil”.

http://www.conversaafiada.com.br/pig/2013/08/08/ataulfo-pt-e-corrupcao-psdb-e-democracia/

Supeita de assédio em afiliada da Globo

 
 
Por Altamiro Borges
O poderoso império midiático da famiglia Marinho vive o seu inferno astral. Nas últimas semanas, a blogosfera progressista - municiada pelos blogueiros Miguel do Rosário (O Cafezinho) e Fernando Brito (Tijolaço) - tem apresentado vários documentos que apontam a sonegação bilionária da Rede Globo. O restante da mídia, como num pacto mafioso, nada fala sobre o assunto. Mas já há pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional. Já nesta quinta-feira (8), o sítio Comunique-se divulgou mais uma notícia negativa sobre o monopólio global:


"A TV Sergipe, afiliada da Rede Globo, decidiu afastar o diretor de jornalismo Roberto Gonçalves. Acusado de ter assediado a jornalista Sayonara Hygia, que era âncora do 'Bom Dia Sergipe', o executivo ficará fora da emissora até que o processo seja julgado... Divulgada pelo Correio de Sergipe, a história começou há quase três anos. De acordo com as informações, Sayonara teria sofrido, em primeiro momento, assédio sexual. Mais tarde, questões morais foram envolvidas. A jornalista começou a perder espaço nas funções que desempenhava. Além disso, a situação teria despertado na profissional uma série de problemas psicológicos".
Procurado pela reportagem, o diretor da afiliada da TV Globo não comentou o caso, seguindo as orientações de seus advogados. O Comunique-se ainda registra que, além desse caso, "a emissora enfrenta outros problemas. Há colaboradores reclamando do acumulo de funções. Existe processo aberto para averiguar o caso". Em outra matéria, o mesmo sítio relata a greve dos jornalistas da CBN de Curitiba, que também pertence ao império global. Ela ocorreu na segunda-feira (5) e tirou do ar as notícias locais da emissora. O motivo, novamente, foi a denúncia de assédio sexual contra os trabalhadores da rádio.
 
 
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/08/supeita-de-assedio-em-afiliada-da-globo.html

Tucano Andrea Matarazzo arrecadou junto à Alstom para o caixa dois da campanha de FHC




Empresa francesa, dona de contratos com governos tucanos, foi punida em vários países onde foi investigada por corrupção. No Brasil, foi blindada pela Assembleia Legislativa e a imprensa

Candidato à reeleição, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), parece  não se sentir constrangido em aparecer na imprensa com o discurso de “eu não sabia”. Se houve cartel, diz ele, o estado é "vítima" e buscará o ressarcimento.

As investigações sobre a existência de propina denunciada pela Siemens apontaram que já existiam indícios de esquemas ilegais nos processos de fornecimento de equipamentos em 1998, na gestão do governador Mário Covas, também do PSDB.

Em 2008, o jornal americano Wall Street Journal revelou que a Alstom estava sendo investigada na França e na Suíça por ter pagado propinas em vários países. Posteriormente, a empresa foi investigada e punida em quase todos os países. Menos no Brasil, graças à blindagem da Assembleia Legislativa e da imprensa.

Serra, Alckmin, Mario Covas... E se mexer mais um pouquinho o cordão de tucanos aumenta mais. Ontem (6), a Polícia Federal indiciou o vereador paulista Andrea Matarazzo (PSDB) por considerar que ele recebeu propina da Alstom quando foi secretário estadual de Energia, em 1998. A PF investigou negócios do grupo francês com o governo de São Paulo entre 1995 e 2003 – governos Covas e Alckmin.

Duas empresas do grupo Alstom foram citadas nas planilhas eletrônicas do comitê financeiro do PSDB que teriam abastecido o caixa dois da campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, em 1998. As empresas são a Cegelec e a ABB. As planilhas atribuíam a Matarazzo, então secretário de Energia, a missão de buscar recursos junto a empresas. 

As estatais de energia eram os principais clientes da Alstom no governo paulista. Em 1998, Matarazzo acumulou o cargo de secretário com o de presidente da Cesp. O vereador nega.

Memorandos internos trocados em 1997 entre diretores da Alstom, na França, apreendidos por promotores da Suíça que investigam operações do grupo, diziam que seriam pagas "comissões" sobre contratos negociados com o governo paulista.

Num desses memorandos, um diretor da Cegelec em Paris se disse disposto a pagar 7,5% para obter um contrato de R$ 110 milhões da Eletropaulo. A Alstom comprou a Cegelec naquele ano. Os papéis citam que a comissão seria dividida entre "as finanças do partido", "o Tribunal de Contas" e "a Secretaria de Energia". A Eletropaulo era subordinada até abril de 1998 à pasta dirigida por Matarazzo.

O ano de 1998 foi marcado por eventos relacionados às investigações iniciadas na Suíça:

1) O contrato em que a Cegelec dizia estar disposta a pagar uma comissão de 7,5% foi firmado naquele ano;

2) Foram feitas  duas transferências de dólares ordenadas pela Alstom francesa, que foram parar na conta da offshore MCA Uruguay Ltd., nas Ilhas Virgens Britânicas, controlada pelo brasileiro Romeu Pinto Júnior, no valor de US$ 505 mil, que seriam usados na propina.

Com a privatização da Eletropaulo, o contrato de R$ 110 milhões foi herdado pela Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE), outra estatal paulista. Com a reeleição de Fernando Henrique Cardoso em 1998, Matarazzo assumiu no ano seguinte o cargo de ministro-chefe de Comunicação da Presidência.

Com Fernando Henrique na presidência, a Alstom, um dos maiores grupos do mundo na área de energia e transportes, tinha contratos à época também com estatais da União, como Petrobras, Eletrobras e Itaipu. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo de dezembro de 2000 mostrou que Matarazzo arrecadou ao menos R$ 3 milhões para o caixa 2 tucano. Na planilha com as metas de arrecadação, aparece o nome "Andrea Matarazzo - MM". Além da relação das empresas, a planilha menciona nomes de diretores ou contatos a serem procurados pelos arrecadadores de campanha.

Rombos e desvios praticados pelo PSDB e publicados pela mídia, ainda que sem citar os nomes dos políticos tucanos ou partido, são apenas a ponta de um icerberg. Se a Justiça aprofundar as investigações, provavelmente encontrará evidências de negociações também no Rodoanel, apelidado de “Rouboanel” nos bastidores.

E no meio da série de denúncias envolvendo o alto tucanato paulista, cabe a pergunta: por onde anda o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o rei das CPIs contra os adversários políticos. Sumiu? Tirou férias?

http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2013/08/andrea-matarazzo-arrecadou-dinheiro-junto-a-alston-para-campanha-de-fhc-5561.html