segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Gilmar Mendes do STF citado em escândalo de caixa 2 com Marcos Valério

 
 
Intimado pela Polícia Federal (PF) como testemunha do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes – que teria sido um dos beneficiados em um esquema de repasse de recursos federais –, o empresário Marcos Valério causou rebuliço, na última quinta-feira (24), na superintendência da instituição, em Belo Horizonte. Seria a primeira vez que o empresário, condenado a 40 anos de prisão, no escândalo do mensalão, voltaria a prestar depoimento à polícia. As informações são do jornal Hoje em dia
Porém, contrariando as expectativas de todos, inclusive às da PF, o empresário não apareceu. Sua defesa alegou que ele marcará data conveniente para prestar explicações à polícia, já que figura apenas como testemunha do ministro. Ele não é visto em público desde a condenação pelo mensalão.
Além de Valério, foram intimados o lobista Nilton Monteiro e seu advogado, Dino Miraglia. Apenas o advogado esteve na PF, na região Centro-Sul da capital. A delegada Vânia Gazzinelli foi a responsável por colher o depoimento e receber os documentos. Miraglia, que defende o lobista, falou por cerca de quatro horas com a delegada. O advogado classificou o depoimento como “intenso e positivo”. Ele questionou a ligação entre Valério e o ministro. “É uma relação, no mínimo, incoerente”.
Os depoimentos fazem parte das investigações do caso que envolve a suposta ligação de Gilmar Mendes e de outras autoridades com Valério. Além do depoimento, Miraglia entregou à delegada documentos que comprovariam o esquema com verba federal. “São mais de 12 quilos de papel, envolvendo várias pessoas. Vão desde favorecimento até tentativa de homicídio. Se a polícia levar a fundo a investigação, poderá vir uma grande mudança no cenário político do país”, afirmou.
O advogado do lobista Nilton Monteiro alega que seu cliente teria sido vítima de um atentado. “Colocaram fogo na casa dele. Um sobrinho chegou a ficar internado. Se isso acontecesse no Estado do Texas, nos Estados Unidos, os responsáveis seriam condenados à morte”, compara.
Caixa dois
O ministro Gilmar Mendes trava uma disputa com  Nilton Monteiro e o advogado criminalista Dino Miraglia desde a divulgação do esquema, que teria beneficiado diversas autoridades durante a campanha para o governo de Minas, em 1998. O suposto caixa dois teria sido articulado por Marcos Valério, que assina a lista de beneficiados, registrada em cartório. O nome do ministro Gilmar Mendes aparece no documento como tendo recebido R$ 185 mil. Nilton Monteiro teria elaborado a lista. O ministro nega o recebimento.
A documentação foi entregue à PF por Miraglia que, além de Monteiro, defende a família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada em 2000. Segundo o advogado, a morte foi uma “queima de arquivo”, pois a modelo seria a responsável por transportar malas de dinheiro do esquema. Na lista, Cristiana teria recebido R$ 1,8 milhão.
 
 http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2013/01/gilmar-mendes-do-stf-citado-em.html

Fortuna dos Marinho é de US$ 21 bi. Ley de Medios ?


É tão pouco dinheiro que mal dá para dar um Golpe e ser o 12.o voto no Supremo.


Sugestão do amigo navegante Otavio:

Fortuna da família Marinho já é de 20,6 bilhões de dólares e supera Eike Batista

Carlos Newton

De acordo com notícia publicada pela “Folha de S. Paulo”, reproduzindo dados da revista “Bloomberg Markets”, publicação mensal da agência de notícias financeiras, os três irmãos Marinho (Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, controladores da Globo Comunicação e Participações, em conjunto, têm a invejável fortuna de 20 bilhões e seiscentos milhões de dólares, superando a do empresário Eike Batista, que baixou para US$ 20,4 bilhões.

A revista “Bloomberg Markets, que passou a publicar a relação dos 200 mais ricos do mundo, informa que a lista dos afortunados continua liderada pelo mexicano Carlos Slim, com 77 bilhões e quinhentos milhões de dólares, seguido de Bill Gates.

O brasileiro que mais enriqueceu neste ano foi Jorge Paulo Lemann, com uma fortuna individual de US$19 bilhões e 100 milhões.

Os donos da Tv Globo, herdeiros do jornalista Roberto Marinho e que conseguiram aumentar o patrimônio da organização após o falecimento de seu fundador, têm hoje, individualmente, as seguintes fortunas: Roberto Irineu Marinho 6,9 bilhões de dólares; João Roberto Marinho 6,9 bilhões de dólares e José Roberto Marinho 6,8 bilhões de dólares, ou seja, somam patrimônio maior que o orçamento da cidade de São Paulo, que é de R$ 40 bilhões e onde vivem 12 milhões de pessoas.

Trecho da lista da Bloomberg:

167. Roberto Irineu Marinho
Net worth: $6.9 billion
YTD change: + $0.06 billion / + 0.8%
Source of wealth: Globo Comunicacao & Participacoes
Industry: Media
Citizenship: Brazil
Age: 65

168. Joao Roberto Marinho 
Net worth: $6.9 billion
YTD change: + $0.06 billion / + 0.8%
Source of wealth: Globo Comunicacao & Participacoes
Industry: Media
Citizenship: Brazil
Age: 59

170. Jose Roberto Marinho
Net worth: $6.8 billion
YTD change: + $0.07 billion / + 1.0%
Source of wealth: Globo Comunicacao & Participacoes
Industry: Media
Citizenship: Brazil
Age: 56

Dá nisso não ter uma Ley de Medios …

Também, com 60% de toda a receita publicitária do Brasil, até os filhos do Roberto Marinho – eles não tem nome próprio – constroem essa pequena fortuna.

Tão pequena que dá para dar Golpe e ser o 12.o voto do Supremo !

Viva o Brasil !

Clique aqui para ler sobre os 30 Berlusconis, uma vergonha nacional.

Paulo Henrique Amorim




http://www.conversaafiada.com.br/pig/2013/01/27/fortuna-dos-marinho-e-de-us-21-bi-ley-de-medios/

Santa Maria e a Lei de Murphy





Sempre que ocorrem tragédias como a que se abateu sobre Santa Maria (RS), parece que a sociedade descobre “de repente” problema que é antigo e para o qual, apesar dos precedentes, nunca ninguém jamais deu bola. Isso, porém, só ocorre porque tantas outras tragédias coletivas, oriundas de uma conjunção de fatores perversos, terminaram no ostracismo.
No entanto, estamos carecas de saber que tragédias como o incêndio na boate “Kiss”, na aprazível cidade gaúcha, são possibilidades vigentes em quaisquer espaços, abertos ou fechados, nos quais  grandes contingentes de pessoas se aglomeram.
Em 2004, em Assunção, no Paraguai, ocorreu um número parecido de vítimas em incêndio no supermercado Ycuá Bolaños. E as semelhanças não param no número de vítimas. Em maioria, as vítimas paraguaias morreram pela mesma causa que as gaúchas: asfixia.
O supermercado tinha três andares e um complexo comercial com restaurantes, escritórios e estacionamento subterrâneo. Houve explosões no primeiro andar. Como em Santa Maria, o pânico também tomou conta das pessoas. Os seguranças do supermercado, assim como se suspeita que possam ter feito os seus equivalentes gaúchos, fecharam as portas para evitar que as pessoas saíssem sem pagar.
A tragédia paraguaia foi um pouco maior do que a gaúcha. O relatório final das autoridades paraguaias confirmou 374 mortos, 9 desaparecidos e quase 500 feridos. A causa seriam instalações defeituosas para condutos de gás inflamável, que explodiu causando o incêndio.
Note, leitor, que se trata de estabelecimentos de naturezas distintas, com prováveis causas distintas, mas que, entre si, guardam uma semelhança fundamental: derivaram da tolerância com a falha, com a assunção de riscos “calculados”, conceito que está por trás da tragédia gaúcha, da paraguaia e de tantas outras por todo o mundo, desde casas noturnas, supermercados, cinemas e teatros  até hospitais, entre tudo mais que pode ser vítima da tolerância com o previsível.
Há, inclusive, epigrama da cultura ocidental que se tornou quase um lugar comum e que explica essa tragédia que ora se abate sobre o Brasil, mas que ocorre com muito mais freqüência do que supomos e com base nos mesmos fenômenos de incompetência e descaso administrativo e organizacional.
O que está na raiz dessas desgraças anunciadas é a inobservância da surrada “Lei de Murphy”, que reza que “Se qualquer coisa puder correr mal, irá correr mal”.
O Murphy que deu nome à teoria, para quem não sabe, é o engenheiro aeroespacial norte-americano Edward A. Murphy. Certa feita, encarregado de conduzir um teste de tolerância à gravidade por seres humanos, viu o experimento falhar devido a sensores que funcionaram mal. Isso ocorreu porque a instalação do equipamento foi feita de forma errada.
Frustrado, Murphy disse a frase que se tornaria célebre adágio: “Se esse cara tem algum modo de cometer um erro, ele o fará”. Dessa frase, decorreu a assertiva de que “Se existe mais de uma maneira de uma tarefa ser executada e alguma dessas maneiras resultar num desastre, certamente será a maneira escolhida por alguém para executá-la”.
E o que foi o desastre de Santa Maria se não uma tarefa mal-executada? A tarefa dos organizadores do evento, das autoridades locais e até da universidade que intermediou sua realização era “cercar” os fatores que poderiam dar errado. Ignoraram, pois, a boa e velha Lei de Murphy.
Nos próximos dias, confirmar-se-ão os absurdos da organização do evento de Santa Maria. O uso de “fogos de artifício” em um ambiente fechado é um absurdo tão grande que, só aí, já bastaria para definir o nível de desprezo por qualquer protocolo de segurança. Como um show tão concorrido (2 mil pessoas) é organizado sem que seus detalhes sejam submetidos à aprovação das autoridades?
Nem vamos falar da insuficiência das saídas de emergência ou dos seguranças que, sem instrumentos para saber o que estava ocorrendo do lado de dentro, possam ter impedido pessoas de sair. Há falhas muito mais óbvias, tais como o forro do ambiente, que, se obedecesse a normas de segurança exigíveis por lei, não pegaria fogo, pois deveria ser de material anti-inflamável.
Logo, portanto, surgirão propostas de novas leis e normas para os estabelecimentos comerciais e demais espaços que atraem grande afluxo de pessoas. Tudo bobagem. Não são necessárias. Regulamentação existe, e muita. O que não existe é cumprimento da regulamentação e, obviamente, fiscalização dessa regulamentação.
Há que refletir, pois, sobre como fazer para que espertalhões parem de correr riscos com a vida alheia ao ignorarem que deixar pontas soltas em questões como normas de segurança é certeza absoluta de que tragédias ocorrerão. E a melhor forma de desestimular esse tipo de mentalidade “empresarial” é punir exemplarmente quem a adota ou facilita.

http://www.blogdacidadania.com.br/2013/01/santa-maria-e-a-lei-de-murphy/

Colunista da Folha pede volta do Mobral para seus colegas


SINTONIA FINA


Sempre independente e transparente.



Contra o desejado

Janio de Freitas

Os juros em alturas imorais eram acusados de impedir a retomada efetiva do crescimento e a capacidade da indústria de competir com a produção estrangeira. Os juros foram baixados. E as correntes que os culpavam entregaram-se a intensas e extensas críticas à sua redução. A energia cara era há muito acusada de obstruir o crescimento econômico e a capacidade de competição da indústria brasileira. Foi reduzida em 32%, um terço, para a produção industrial. E as correntes que a culpavam se entregam a criticá-la e desacreditá-la.

Esse jogo de incoerências proporciona noções importantes para os cidadãos, mas de percepção dificultada pela próprio jogo.

Está evidente na contradição das atitudes o quanto há de política no que é servido ao público a respeito de assuntos econômicos. Na maioria dos assuntos dessa área, o direcionamento é predominantemente determinado por política, e não pela objetividade econômica.

É assim por parte dos dois lados. Mas não de maneira equitativa. Os economistas mais identificados com o capital privado do que abertos a problemas sociais, ou a projeções do interesse nacional, fazem a ampla maioria dos ouvidos e seguidos pelos meios de comunicação.

É esse o desdobramento natural da identificação ideológica e política e das conveniências mútuas, entre empresas capitalistas e "técnicos" do capitalismo. Mas não necessariamente, como supõem certas interpretações ditas de esquerda, um desdobramento forçado aos jornalistas. Também entre os comentaristas e editores há, é provável que em maioria, identificação com os economistas do capital. E, em certos casos, com o capital mesmo. O que vai implicar tratamento político -de apoio ou de oposição- a decisões econômicas e respectivos autores.

Foi a essas críticas políticas que, a meu ver, Dilma Rousseff respondeu junto com a comunicação do corte maior no preço da energia. Nada a ver com o lançamento de campanha reeleitoral que lhe foi atribuído pelo presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, logo seguido pelos porta-vozes, assumidos ou não, do PSDB e dos remanescentes do neoliberalismo.

Do alto de sua aprovação pessoal e da aprovação ao seu governo, o que de menos Dilma Rousseff precisa é precipitar a disputa eleitoral. Essa necessidade não é dela, é dos oposicionistas -como se viu, há pouco, Fernando Henrique propondo o início imediato de um périplo eleitoreiro de Aécio Neves pelo país afora.

Dilma Rousseff fez a promoção de seu governo como Fernando Henrique fazia do seu, e todos os presidentes fizeram e fazem. A afirmação de que falou como candidata leva a uma pergunta: se não a favor do seu governo e da novidade que lança, nem há algo grave, como é que um/uma presidente deve falar?

A redução do preço da energia e a queda dos juros agravam o aturdimento da oposição representada pelo PSDB. Se nela não brota nem uma ideiazinha nova, para contrapor à queda de juros, desoneração da folha de pagamento, redução do IPI, ampliação do crédito para casa própria, só lhe resta dizer que isso não passa de um amontoado de medidas de um governo sem rumo. Mas não ver nesse amontoado, ainda que para criticar, uma coerência e um sentido de política a um só tempo industrial e social, aí já é problema para quem organiza o Enem.
http://asintoniafina.blogspot.com/2013/01/colunista-da-folha-pede-volta-do-mobral.html

Dilma chora ao consolar pais das vítimas no Sul

 
 
Acompanhada por ministros, pelo governador do Rio Grando do Sul, Tarso Genro, e pelo prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, presidente Dilma Rousseff conversou com feridos do incêndio na boate Kiss no Hospital de Caridade e seguiu para o ginásio do Centro Desportivo Municipal (CDM), onde estão parentes dos mortos. Após 15 minutos no local, onde chorou ao consolar familiares de vítimas, a presidente seguiu para Brasília

247 - A presidente Dilma Rousseff foi ao Hospital de Caridade, onde visitou as vítimas do incêndio da boate Kiss, informa o Diário de Santa Maria. Dilma chegou ao local por volta das 13h56min, acompanhada dos ministros Alexandre Padilha (Saúde), Aloizio Mercadante (Educação), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Maria do Rosário (da Secretaria de Direitos Humanos).

Ainda no Chile, a presidente anunciou o cancelamento de sua agenda na cúpula entre América Latina e União Europeia. "É uma tragédia para todos nós. Não vou continuar na reunião, por razões muito claras. Diante do que ocorreu, quem precisa de mim hoje é o povo brasileiro e é lá onde eu tenho de estar", disse.

Acompanhavam Dilma na visita ao hospital o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e o prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer. A presidente chegou a Santa Maria, às 13h35, Segundo informações do Hospital de Caridade. Há entre 50 e 70 pessoas internadas no local. Dilma e os ministros se reuniram no terceiro andar do hospital.

Após a visita às vítimas no Hospital de Caridade, a presidente se dirigiu ao ginásio do Centro Desportivo Municipal (CDM), onde estão os corpos das vítimas do incêndio da boate Kiss, que ocorreu por volta das 2h30min deste domingo. A presidente ficou por cerca de 15 minutos no local, onde cumprimentou familiares das vítimas e chorou ao consolar pais de jovens mortos na tragédia. Dilma foi embora sem falar com a imprensa e seguiu para Brasília.
 Do G1 27/01/2013 18h01 - Atualizado em 27/01/2013 19h20

 http://saraiva13.blogspot.com.br/2013/01/governo-divulga-lista-com-nomes-de.html

 http://saraiva13.blogspot.com.br/2013/01/dilma-chora-ao-consolar-pais-das.html

domingo, 27 de janeiro de 2013

Em 25 mil telefonemas, o último tiro contra Lula




Vazamento da Operação Porto Seguro coloca em poder do jornal Estado de S. Paulo todos os grampos captados pela Polícia Federal. Dali emergem um corruptor (o ex-senador Gilberto Miranda), dois corruptos (Paulo Vieira, da Anac, e José Weber Holanda, da AGU), um ministro titubeante (Luís Inácio Adams), uma secretária que fala demais (Rosemary Noronha) e até mesmo algumas ligações do ex-prefeito Gilberto Kassab. Sobre Lula, nada capaz de machucá-lo de verdade

247 - O jornal Estado de S. Paulo publica, neste domingo, seu último tiro contra o ex-presidente Lula relacionado à Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. Numa reportagem assinada pelos jornalistas Fausto Macedo e Bruno Boghossian, o jornal revela ter tido acesso a 25.012 telefonemas captados pela PF durante a ação e disponibiliza, em seu portal, a seleção dos melhores trechos.
Apesar do furo jornalístico, a reportagem vale pela mais quantidade de informações do que, propriamente, pela revelação de algo inédito sobre o ex-presidente Lula. Na capa, há a chamada "Áudios mostram ligação entre máfia dos pareceres e o poder" e um trecho de uma conversa entre Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil e pivô da quadrilha, com a secretária Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da presidência. Na conversa, Paulo e Rose citam o nome de Lula.
No entanto, uma conversa banal – em que os dois, aliás, falam sobre um episódio que envolveu o ex-presidente com certa dose de razão. "Aquilo que fizeram com Lula é palhaçada", diz Paulo. "É", responde Rose. Os dois comentam uma reportagem de Veja, antes do julgamento do mensalão, em que o ministro Gilmar Mendes se disse intimidado pelo ex-presidente Lula. Testemunha dessa "intimidação", o ex-ministro Nelson Jobim negou a versão de Gilmar e rompeu a amizade com o ministro do STF.
Das gravações em si, poucas novidades, que apenas reforçam o que já se sabia. O ex-senador Gilberto Miranda é o corruptor da história. Tenta fazer com que Paulo Vieira, pivô da quadrilha, obtenha um parecer favorável à liberação de um projeto privado na Ilha de Cabras, em São Paulo. Paulo Vieira é o principal corrupto e tenta obter o parecer valendo-se de sua relação com outro possível corrupto, o número 2 da Advocacia-Geral da União, José Weber Holanda, que promete a ele a vantagem.
Há também um registro do momento em que a PF dá uma batida na casa de Holanda e este liga para o chefe Luís Inácio Adams, chefe da AGU. Holanda diz se tratar do caso relacionado à Ilha de Cabras e Adams responde de forma monossilábica.
Rose, por sua vez, é a secretária que fala pelos cotovelos. E comenta conversas privadas que teve com personagens como o ex-ministro José Dirceu. "Ele tá bem chateado", diz ela, referindo-se a um comentário de Lula sobre o "desespero" do ex-ministro com o julgamento do mensalão.
Por fim, sobram algumas pequenas curiosidades como a intimidade do ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com o senador Gilberto Miranda. Neste domingo, as gravações estarão no site do Estadão. E o jornal promete dar sequência à reportagem na segunda, com gravações relacionadas a José Dirceu.

 http://www.brasil247.com/pt/247/poder/91815/Em-25-mil-telefonemas-o-%C3%BAltimo-tiro-contra-Lula.htm

Globo elogia “apagão” de FHC e leitores da Folha pedem luz cara



O primeiro e o segundo maiores jornais do país, entre outros, continuam enveredando por um processo kamikaze em que se recusam a aceitar a derrota da tentativa que fizeram de criar, antes para Lula e agora para Dilma, um problema energético como o que se abateu sobre o Brasil durante o governo Fernando Henrique Cardoso, de triste memória.

Entre sexta e sábado, esses dois veículos publicaram textos literalmente surreais sobre o tal “racionamento” que depois reduziram para “apagão” e depois para “apaguinhos”, mas que terminou em desconto maior nas contas de luz. O Globo, em editorial, e a Folha de São Paulo, na sua seção de cartas de leitores, mostram uma direita à beira da histeria.

Comecemos por O Globo. Em editorial em que diz que Dilma “erra ao explorar energia como tema político” – veja só, leitor: quem explora politicamente o tema é… “Dilma”! – o jornal não se limita a tomar partido da oposição, como faz em qualquer assunto há pelo menos uma década. O Globo, acredite quem quiser, elogiou o racionamento de energia de 2001/2002.

Segundo a Wikipedia, porém, “A crise do apagão foi uma crise nacional ocorrida no Brasil que afetou o fornecimento e distribuição de energia elétrica” e que foi causada por “Falta de chuvas, que deixaram várias represas vazias, impossibilitando a geração de energia, e por falta de planejamento e investimentos em geração de energia”.

No tópico “causas” (do apagão), a Wikipedia elenca fatores que ninguém, absolutamente ninguém tem condições de negar, razão pela qual a tese explicativa sobre por que o país teve que racionar energia sobreviveu aos filtros políticos da “enciclopédia” eletrônica, que extirpam dela qualquer referência que não possa ser comprovada.

Conheça, abaixo, as causas, segundo a Wikipedia, para o Brasil ter tido que racionar energia elétrica durante cerca de oito meses.

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A crise ocorreu por uma soma de fatores: as poucas chuvas e a falta de planejamento e ausência de investimentos em geração e distribuição de energia. 

Com a escassez de chuva, o nível de água dos reservatórios das hidroelétricas baixou e os brasileiros foram obrigados a racionar energia.

Após toda uma década sem investimentos na geração e distribuição de energia elétrica no Brasil, um racionamento de energia foi elaborado às pressas, na passagem de 2000 para 2001. 

O governo FHC foi surpreendido pela necessidade urgente de cortar em 20% o consumo de eletricidade em quase todo o País (a região sul não participou do racionamento, tendo em vista que suas represas estavam cheias e houve retomada de investimentos no setor).

[FHC] Estipulou benefícios aos consumidores que cumprissem a meta e punições para quem não conseguisse reduzir seu consumo de luz. 

No dia 7 de dezembro de 2001, felizmente choveu às catadupas e o racionamento pôde ser suspenso em 19 de fevereiro de 2002.

Não obstante, segundo os cálculos do ex-ministro Delfim Netto cada brasileiro perdeu R$ 320 com o apagão ocorrido no final do governo FHC.

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) publicada em 15 de julho de 2009 mostrou que o apagão elétrico gerou um prejuízo ao Tesouro de R$ 45,2 bilhões.

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Qualquer pessoa minimamente sensata concluirá que o Brasil passou por um problema terrível que torturou a população por absoluta falta de capacidade administrativa do governo de turno. Contudo, para o diário carioca O Globo, o autor do apagão merece elogios.

Leia, abaixo, trecho do editorial “Dilma erra ao explorar energia como tema político”.

Desde as eleições gerais de 2002, ocorre esse tipo de exploração, pois o PT fez do racionamento um dos seus principais cavalos de batalha [sic], atribuindo à administração Fernando Henrique Cardoso inteira responsabilidade pelo que tinha acontecido (embora a mobilização da sociedade para evitar consequências mais drásticas de uma eventual escassez de energia elétrica possa ser apontada como uma das iniciativas mais positivas do governo FH ao fim de seu mandato)

Só para refrescar sua memória, leitor, lembro que o racionamento tucano de energia previa pesadas multas para quem não reduzisse em 20% o consumo de energia em casa ou nas empresas e ameaçava com desligamento do fornecimento quem reincidisse no “crime” de “gastar” mais luz do que o permitido.

A despeito disso, o jornal diz que a “mobilização da sociedade” que, em verdade, foi fruto do medo de ficar nos escuro, constituiu-se em “uma das iniciativas mais positivas do governo FHC”. Ou seja: a falta de investimentos que causou tantos prejuízos à sociedade não foi negativa, foi positiva porque o ex-presidente teria feito toda uma nação, alegre e de mãos dadas, enveredar por um esforço cívico.

Enquanto isso, o mesmo jornal critica o desempenho energético dos sucessores de FHC, que, segundo o presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE), Maurício Tolmasquim, fizeram o país chegar, em fins de 2011, com o Sistema Interligado Nacional (SIN) superando 105 mil MW, instalados em hidrelétricas (77%), termelétricas e fontes alternativas.

O número acima, isolado, não quer dizer muito sem a informação de que a demanda por energia, naquele ano, foi de 56.000 MW médios. Ou seja: os investimentos dos governos Lula e Dilma nos tiraram de uma situação em que só produzíamos 80% da energia de que precisávamos para uma situação em que produzimos quase o dobro de nossas necessidades.

Registre-se que O Globo faz cortesia para FHC com o chapéu alheio, ou seja, do povo, pois a economia compulsória que este teve que fazer não se deveu a FHC, mas às ameaças de represálias do governo tucano a quem não economizasse.

Todavia, mais engraçadas são as seções de cartas de leitores dos jornais oposicionistas. Na Folha de São Paulo, por exemplo, esses leitores, na contramão do sentimento nacional de júbilo com o forte alívio nas contas de luz, praticamente pedem que elas continuem caras, demonstrando amplo desconhecimento sobre a real situação energética do país.
Vale a pena ler e rir, já que chorar não adianta.

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Folha de São Paulo
26 de janeiro de 2013
Painel do Leitor
Energia
Atenção, presidenta Dilma, eu não quero desconto na conta de luz. Quero é ter luz todos os dias, o que já não acontece e só vai piorar se o seu governo sucatear as hidrelétricas para obter essa redução de tarifa. Já fico sem luz com demasiada frequência. Como será agora? Não sou pessimista nem do contra, só quero pagar para ter o que eu preciso.
FERNANDA MADUENO (São Paulo, SP)
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Ao garantir energia elétrica a todos e com desconto, sem mostrar claramente como efetivar essa promessa, o governo parece estar fazendo “gambiarras” financeiras e “gatos” técnicos.
CARLOS GASPAR (São Paulo, SP)

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Não deve ter sido fácil a Folha encontrar essas duas peças raras que querem pagar mais caro pela energia elétrica. Uma delas, fica sem luz com freqüência. A tal senhora Fernanda por certo desconhece que quedas de energia que sofre devem ser cobradas do governo do Estado, que não fiscaliza o cabeamento pela cidade, que se rompe toda vez que chove.

Agora, o impressionante é que as únicas duas manifestações de leitores que a Folha publicou vêm de um microcosmo da sociedade que, ao contrário da quase totalidade dela, não deve ter onde enfiar seu rico dinheirinho e, portanto, quer doá-lo a concessionárias que cobram preços entre os mais altos do mundo justo no país com maior potencial de geração de energia.

Essa é a realidade paralela em que vive uma elitezinha minúscula, egoísta, pervertida, sonegadora, racista e, acima de tudo, golpista que infecta o Brasil. Eis por que insisto com a presidente Dilma que faculte às empresas geradoras e distribuidoras de energia elétrica poderem oferecer aos seus clientes a opção de pagarem mais caro pela energia.

 http://www.blogdacidadania.com.br/2013/01/globo-elogia-apagao-de-fhc-e-leitores-da-folha-pedem-luz-cara-2/

sábado, 26 de janeiro de 2013

Grupo Liberal fatura R$ 444 mil do governo de Jatene em 3 meses: Avião das ORM fez voos Belém-Belém

Depois da apreensão dos planos de voo das aeronaves com prefixo PT-ORM, pertencentes à família Maiorana, proprietários do jornal O Liberal, da TV Liberal, de rádios em Belém e no interior do Pará, o Ministério Público estadual está aprofundando as investigações sobre os contratos de voo feitos entre a empresa e o governo do Estado, sob forte suspeita de irregularidades.
forum.contatoradar.com.br

As planilhas incluem voos efetivados tendo como destino e retorno a cidade de Belém. “Estranho, pois sendo o destino o mesmo da partida não há prestação do serviço do transportado”, observa o promotor de Justiça, Nelson Medrado.
Segundo fonte do Ministério Público, "análises preliminares reforçam a necessidade de aprofundar a análise das planilhas de voos das aeronaves PT- ORM apreendidas em janeiro deste ano, no escritório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em Belém". As investigações se concentram no contrato assinado entre a ORM e o governo do Estado por meio da Casa Militar.
O exame pericial está sendo produzido pelas Promotorias Militar – Armando Brasil e de Direitos Constitucionais, Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa – Nelson Pereira Medrado.
Os planos de voos foram alvo de mandado de busca e apreensão no escritório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), determinada pela Justiça Militar.
“Os planos de voos que estão sob análise do Ministério Público do Estado são para verificar os deslocamentos das aeronaves checando rota de origem e destino. E, num segundo momento checar se esses deslocamentos referem-se a requisições feitas pelo governo estadual. E, ainda, se efetivamente esses serviços foram prestados, já que existem pagamentos”, explica o promotor de justiça Nelson Medrado.
“Foram pagos de setembro a novembro/2012 o valor de R$ 444.000,00 resultantes do contrato da Casa Militar do governo pela utilização das duas aeronaves do grupo ORM”, revela o promotor Medrado.
Agora, “precisamos investigar minuciosamente na planilha técnica se os trajetos voados justificam esses pagamentos”, disse o promotor de justiça Nelson Medrado.
 
As planilhas incluem voos efetivados tendo como destino e retorno a cidade de Belém. “Estranho, pois sendo o destino o mesmo da partida não há prestação do serviço do transportado”, observa Medrado.
“A origem do problema está também no contrato da ORM com o governo do estado do Pará (GEP). É possível que se configure nesse caso, crime de peculato cometido por militar além de improbidade administrativa”, diz o promotor de justiça militar Armando Brasil. Ele observa ainda que “Não existe um pagamento fixo, só quando solicitado o serviço é que paga-se a hora do voo”.
“A questão central é o contrato gerado de a Casa Militar do governo com a ORM para prestação dos serviços aeronáuticos e para onde voaram essas aeronaves”, analisam os promotores.
Os promotores de justiça Nelson Medrado e Armando Brasil
Nota MPE divulgada no dia da busca e apreensão:
Os promotores de justiça Nelson Medrado e Armando Brasil acompanhado de policiais federais e militares da auditoria militar e um Oficial de justiça cumpriram no dia 15 de janeiro do corrente, liminar com mandado de busca e apreensão dos planos de vôos do jatinho da empresa ORM realizados de maio de 2012 até a presente data, documentos que estavam em poder da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A busca e apreensão, a pedido do MPE foi determinada pelo juiz auditor federal José Roberto Maia Bezerra Júnior.
Diante da inércia da “Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que não respondeu a nenhuma das solicitações feitas pelo MP, decidimos requerer prontamente a busca e a apreensão”, explicou o promotor Armando Brasil.
“Existe um Inquérito civil em tramitação na esfera da improbidade e na justiça militar diante de possíveis irregularidades no contrato com a empresa responsável pelo jatinho. Precisamos de informações e, diante da omissão da Anac resolvemos requer judicialmente”, explicaram os promotores de justiça Armando Brasil da promotoria de justiça militar e Nelson Pereira Medrado da promotoria de direitos constitucionais, defesa do patrimônio público e da moralidade administrativa.
Informações da Assessoria de Imprensa do MPE
 
 http://blogmanueldutra.blogspot.com.br/2013/01/grupo-liberal-fatura-r-444-mil-do.html

Uma resposta de Dilma a Agripino Maia [DEM-RN]








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Ficha-suja salvo por filigranas do honestíssimo STF é o novo líder do PSDB do Senado. Eles se merecem.

APOSENTADO INVOCADO 

Senador afirma que teria garantido o mandato mesmo se lei estivesse valendo em 2010

 
Senador Cassio Cunha Lima rejeita a pecha de parlamentar "ficha suja" Ailton de Freitas / Agência O Globo

BRASÍLIA - Primeiro senador beneficiado pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender a aplicação da Lei da Ficha Limpa na eleição passada, o tucano Cassio Cunha Lima (PB) não só rejeita a pecha de parlamentar "ficha suja" como acredita que teria garantido o mandato que assumiu agora mesmo se a lei já tivesse em vigor em 2010. E, a despeito da polêmica em torno de sua candidatura e posse como senador, chega ao Senado declarando-se pronto para engrossar o coro da oposição contra os desmandos na administração pública. Cássio não hesita em apontar a defesa da ética na vida pública como uma das bandeiras que a oposição deve abraçar diante da sucessão de escândalos enfrentados pelo governo de Dilma Rousseff. Disposto a colaborar com o projeto do PSDB de voltar a governar o país, ele cobra o fim dos conflitos internos do partido, adiantando que considera hoje seu colega de bancada Aécio Neves (MG) com o melhor perfil para representar a legenda na disputa presidencial de 2014.

O GLOBO: O senhor chega como um reforço para a oposição, que tem tido dificuldades de atuar contra a ampla maioria da presidente Dilma, e adota o discurso da ética...
CASSIO CUNHA LIMA: A dificuldade de se fazer oposição com um desequilíbrio numérico muito forte exige da nossa parte muita qualidade naquilo que se faz e que se diz. Temos quadros qualificados que podem contribuir para um debate de uma agenda que o Brasil tanto necessita no campo da ética. O presidente Fernando Henrique (Cardoso) promoveu um avanço para o país, não tenho dificuldade nenhuma em admitir que Lula promoveu também, mas esse modelo de sustentação política que o governo do PT encontrou se exauriu. Seis ministros já caíram e ministérios se transformaram em verdadeiros feudos, capitanias hereditárias, que são usados, pelo que estamos vendo, como financiadores das máquinas partidárias.

O senhor considera que a "faxina" promovida pela presidente está dando resultados?
CASSIO: A presidente não tinha condições políticas de manter qualquer um deles (dos ministros acusados) para não comprometer de forma definitiva a sua imagem e a própria governabilidade. O que assusta é o volume de escândalos num curto período de tempo, o que demonstra claramente que há algo de errado no 'layout' da política brasileira, que precisa ser corrigido.

Com esse discurso, o senhor não teme ser provocado por colegas por ter tido problemas com a Lei da Ficha Limpa na eleição passada?
CASSIO: Se a lei tivesse vigorado para 2010, eu teria muitas chances de vencer no Supremo também. Até porque no TSE eu tive o voto de dois dos três ministros que compõem o STF, e no final obtive o registro. Por uma razão simples, eu já havia sido punido com a inegibilidade de três anos, e no estado democrático de direito ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo fato. Tenho a consciência tranquila. Eu sofri uma punição no campo eleitoral, não foi por compra de votos, mas interpretação subjetiva de um programa social que nós tínhamos no governo do estado, muito semelhante ao Bolsa Família, que teria interferido no resultado da eleição (ele foi acusado de distribuir cheque-cidadão às vésperas da eleição).

Mas prevalece junto à parcela significativa da população o sentimento de que a impunidade reina no país, na política. Seu pai mesmo (Ronaldo Cunha Lima) renunciou ao mandato de deputado federal para se livrar de uma condenação no Supremo.
CASSIO: As pessoas não podem perder de vista que todos nós temos direitos individuais. E a Constituição garante o direito de defesa. Meu pai nada mais fez do que exercer seu direito de defesa. Pouca gente registra, por exemplo, que foi ele o autor de um projeto de lei, logo que chegou ao Senado, que propunha o fim do foro privilegiado. Ele queria ser julgado pelo júri popular e se a proposta dele tivesse sido aprovada naquela altura, talvez já tivesse sido julgado.

Qual sua opinião sobre a Lei da Ficha Limpa?
CASSIO: A Lei da Ficha Limpa é um avanço, agora é preciso que ela esteja em consonância com outros princípios constitucionais e com conquistas da humanidade. Não podemos imaginar o que vai acontecer daqui a 50 anos, mas é preciso proteger as minorias das maiorias. A democracia tem essa característica também. Ter uma lei que pode atingir fatos do passado é extremamente grave e preocupante. A presunção de inocência é uma conquista da humanidade.

O senhor concorda com o resultado da pesquisa encomendada recentemente pelo PSDB, que concluiu que os tucanos não souberam defender seu legado e, por isso, acabaram perdendo parte de suas bandeiras para o PT?
CASSIO: Não acredito que essa tenha sido a razão para o insucesso nas últimas eleições. Acho que o PSDB precisa primeiro resolver o conflito de São Paulo, onde o partido tem uma disputa muito viva com o PT. Claro que estamos falando de um estado importante, mas temos o restante do Brasil, onde nem sempre o PT ou mesmo outros partidos da base aliada se contrapõem ao PSDB e a outras legendas da oposição. Só a partir do momento que conseguirmos compreender que não há como reproduzir São Paulo no resto do Brasil é que vamos conseguir ampliar nossas alianças, alargar o nosso campo de oposição para que possamos preservar o legado do presidente Fernando Henrique e apresentar os caminhos que o PSDB defende para o Brasil. Para onde vamos? Tenho certeza, por exemplo, que esse movimento da ética, da transparência é um desejo muito claro da sociedade.

Como resolver esse problema interno que acabou atrapalhando o PSDB nas últimas três campanhas presidenciais?
CASSIO: Todas essas questões, conflitos e contradições se resolvem pela via da conversa e do diálogo. Essa é a grande arma da política. E despersonalizar o debate é muito importante. Não vejo que haja uma fila, mas é preciso descentralizar as alternativas para que não fiquemos batendo na mesma tecla. Para ter chances novamente de governar o Brasil, será preciso enfrentarmos esses problemas internos, que passa notadamente pelas questões paulistas. É preciso que projetos pessoais não sejam colocados acima do interesse do Brasil e do próprio PSDB.

Qual seria hoje o nome mais forte do partido para a eleição de 2014?
CASSIO: Acho que, no momento, o senador Aécio desponta de forma muito visível como a grande alternativa do PSDB para os próximos pleitos. É claro que o nome de José Serra é sempre muito forte, mas neste instante o senador Aécio se apresenta como alguém que teria talvez uma maior capacidade de aglutinar novas forças.

Quando o senhor acha que essa candidatura deve ser definida?
CASSIO: Acho que esse timing deve ser definido a partir do momento em que quem tiver disposição de concorrer à Presidência tenha coragem de queimar navios. Queimar navios era a primeira providência tomada por generais quando desembarcavam as tropas. Ou seja, era vencer ou vencer, não tinha recuo, não tinha volta. É preciso que isso fique claro em relação àqueles que estão se colocando como postulantes. A partir daí temos de abrir movimentos para dialogar com partidos que estão na base do governo, dentro de uma nova coalizão e composição de forças. Há partidos importantes na base governista que podem dialogar conosco como PSB, PTB, PP, PR. Sem falar nas facções do PMDB que já estabecem diálogo conosco. Vejo o PSDB com uma responsabilidade enorme de reaglutinar essas forças. E indiscutivelmente Aécio tem um perfil muito talhado para esse desafio.

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, vem ensaiando movimentos para se colocar no jogo político de 2014, seja como vice na chapa petista ou até mesmo como candidato próprio à sucessão presidencial. Isso preocupa a oposição?
CASSIO: O governador Eduardo Campos é um dos melhores quadros da política brasileira. Além de ter com ele uma relação muito fraterna, eu o admiro no campo político. Ninguém é candidato a vice-presidente. Ele se coloca como um nome a ser lembrado como candidato à Presidência da República. E tem méritos para isso. Acho que a participação dele só vem a contribuir e somar.

O senhor chega ao Senado com uma pauta pesada pela frente. Dá para adiantar como o senhor vai votar, por exemplo, em relação à DRU?
CASSIO: A DRU foi criada em 1994, ou seja, por nós. Vamos votar contra a que título? Temos de ter coerência. O governador José Serra, por exemplo, apresentou a proposta de um salário mínimo de R$ 600 na eleição passada. Fosse ele o presidente, a proposta teria valido. Mas para uma bancada como a nossa, com ex-governadores que conhecem de perto a realidade dos estados e municípios, votar por votar para marcar uma posição não é o nosso estilo, não acho que seja a melhor postura. Você pode fazer uma oposição de resultados, apoiando uma iniciativa do governo como a DRU, que é colocada como essencial, fazendo negociações de alto nível em torno de temas, projetos e propostas, diferentemente do que se fez em alguns instantes.
 
 http://aposentadoinvocado1.blogspot.com.br/2011/11/ficha-suja-assume-seu-posto-na-oposicao.html
 

Nota de falecimento

Leandro Fortes

A reação formal do PSDB ao pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff sobre a redução nos preços das tarifas de energia elétrica, em todo o país, é o momento mais lamentável do processo de ruptura histórica dos tucanos desde a fundação do partido, em junho de 1988.

A nota, assinada pelo presidente da sigla, deputado Sérgio Guerra, de Pernambuco, não vale sequer ser considerada pelo que contém, mas pelo que significa. Trata-se de um amontoado de ilações primárias baseadas quase que exclusivamente no ressentimento político e no desespero antecipado pelos danos eleitorais inevitáveis por conta da inacreditável opção por combater uma medida que vai aliviar o orçamento da população e estimular o setor produtivo nacional.

Neste aspecto, o deputado Guerra, despachante contumaz dessas virulentas notas oficiais do PSDB, apenas personaliza o ambiente de decadência instalado na oposição, para o qual contribuem lideranças do quilate do senador Agripino Maia, presidente do DEM, e o deputado Roberto Freire, do PPS. Sobre Maia, expoente de uma das mais tristes oligarquias políticas nordestinas, não é preciso dizer muito. É uma dessas tristes figuras gestadas na ditadura militar que sobreviveram às mudanças de ventos pulando de conchavo em conchavo, no melhor estilo sarneysista. Freire, ex-PCB, tansformou a si mesmo e ao PPS num simulacro cuja fachada política serve apenas de linha auxiliar ao pior da direita brasileira.


O PSDB surgiu como dissidência do PMDB que já na Assembleia Constituinte de 1986 caminhava para se tornar nisto que aí está, um conglomerado de políticos paroquiais vinculados a interesses difusos cujo protagonismo reside no volume, a despeito da qualidade de muitos que lá estão. A revoada dos tucanos parecia ser uma lufada de ar puro na prematuramente intoxicada Nova República de José Sarney. À frente do processo, um grande político brasileiro, Mário Covas, que não deixou herdeiros no partido. De certa forma, aquele PSDB nascido sob o signo da social democracia europeia, morreu junto com Covas, em 2001. Restaram espectros do nível de José Serra, Geraldo Alckmin e Álvaro Dias.

Aliás, o sonho tucano só não morreu próximo ao nascedouro, em 1992, porque Covas impediu, sabiamente, que o PSDB se agregasse ao moribundo governo de Fernando Collor de Mello, às vésperas do processo de impeachment. A mídia, em geral, nunca toca nesse assunto, mas foi o bom senso de Covas que barrou o movimento desastrado liderado por Fernando Henrique Cardoso, que pretendia jogar o PSDB na fossa sanitária do governo Collor em troca de assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores. FHC, mais tarde chanceler e ministro da Fazenda de Itamar Franco, e presidente da República por dois mandatos, nunca teria chegado a subprefeito de Higienópolis se Covas não o tivesse impedido de aderir a Collor.

Fala-se muito da extinção do DEM, apesar do suspiro do carlismo em Salvador, mas essa agremiação dita “democrata” é um cadáver insepulto há muito tempo, sobre o qual se debruçam uns poucos reacionários leais. É no PSDB que as forças de direita e os conservadores em geral apostam suas fichas: há quadros melhores e, apesar de ser uma força política decadente, ainda se mantém firme em dois dos mais importantes estados da federação, São Paulo e Minas Gerais.

E é justamente por isso que a nota de Sérgio Guerra, um texto que parece ter sido escrito por um adolescente do ensino médio em pleno ataque hormonal de rebeldia, é, antes de tudo, um documento emblemático sobre o desespero político do PSDB e, por extensão, das forças de oposição.

Essas mesmas forças que acreditam na fantasia pura e simples do antipetismo, do antilulismo e em outros venenos que a mídia lhes dá como antídoto ao obsoletismo em que vivem, sem perceber que o mundo se estende muito além das vontades dos jornalões e da opinião de penas de aluguel que, na ânsia de reproduzir os humores do patrão, revelam apenas o inacreditável grau de descolamento da realidade em que vivem.

 http://www.cartacapital.com.br/politica/nota-de-falecimento/

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Globo tem medo da internet



Por Pedro Rafael, no jornal Brasil de Fato:

Um dos espaços mais fortes de contraponto à hegemonia dos grandes meios de comunicação são os blogs de jornalistas e ativistas espalhados pela internet. A velocidade da rede e a capacidade de disseminação de informações têm provocado reações que revelam o verdadeiro compromisso dos empresários da mídia com a liberdade de expressão.

Na mais recente investida contra blogueiros, na semana passada, o diretor de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, venceu em segunda instância o processo que move contra Rodrigo Vianna, repórter da TV Record e dono do blog Escrevinhador, que chega a ter mais de 30 mil acessos diretos por dia. O blogueiro, que foi repórter da Globo e saiu justamente por discordar da cobertura parcial da emissora nas eleições presidenciais de 2006 – em favorecimento à candidatura do PSDB – pode ser obrigado a pagar uma salgada indenização apenas porque exerceu o “sagrado” direito constitucional da livre opinião. O problema é que foi contra a Globo.

Vianna publicou em seu blog que o jornalismo da emissora comandada por Kamel era algo “pornográfico”, em alusão a uma infeliz coincidência: um ator pornô dos anos 1980 também usava o mesmo nome do manda chuva do jornalismo da Globo. Ao se apropriar da informação como metáfora, para produzir uma crítica, o jornalista atingiu o alvo.

“O que me interessava era a homonímia entre o ator pornô e o diretor da Globo, e não dizer que um era o outro, como afirma meu acusador. Tratou-se do exercício da liberdade de opinião, ou seja, usar uma metáfora para criticar o jornalismo pornográfico que a Globo pratica. Aí não pode, porque metáfora só quem pode fazer é o Arnaldo Jabor, que escreveu um livro chamado Pornopolítica. Eu recorri ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e perdi. O que eu vou fazer agora é recorrer aos tribunais em Brasília e seguir protestando, mostrando a hipocrisia dos caras que falam em liberdade de expressão, mas só para eles. É como os liberais do século XIX, que reivindicavam o liberalismo para serem donos de escravos porque abolir a escravidão, na visão de alguns desses liberais, atentava contra a propriedade privada, que eram os próprios escravos”, desfere o escrevinhador.

Rodrigo Vianna não é o único. Outros blogueiros bastante conhecidos como Luiz Carlos Azenha – também ex-repórter da TV Globo, Luiz Nassif, Cloaca News e Paulo Henrique Amorim colecionam no currículo ações criminais impetradas pelo diretor da vênus platinada. “Então, não pode fazer política, não pode brincar, criticar através do humor. Nem os militares fizeram isso com o Pasquim. É incrível como um sujeito como o Ali Kamel, que controla os noticiários da principal emissora de TV do país, que acaba influenciando outros veículos das Organizações Globo, quer processar um blogueiro como eu. É porque eles estão dando muita importância para a blogosfera”, desabafa Vianna.

“A mídia não aceita ser questionada. E as brincadeiras que a Globo faz com a Dilma no Zorra Total, por exemplo? Eles são ótimos para defender a liberdade deles, dos monopólios. Quando a brincadeira é com eles, não gostam e revelam um DNA fascista muito forte. Outro caso diz respeito ao jornal Folha de S. Paulo. Quando a turma fez uma crítica, como foi o blog Falha de S. Paulo, o jornal reagiu com ação judicial para tirar o site do ar”, aponta o jornalista Altamiro Borges, do Blog do Miro e presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé. Miro é um dos organizadores do Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que já teve três edições.

Desvendando o jogo

Já faz um tempo que a liberdade de expressão na internet tem incomodado os maiores conglomerados de mídia do país. Em 2006, durante as eleições presidenciais, o acirramento da disputa produziu um dos episódios mais constrangedores do jornalismo contemporâneo. Às vésperas do primeiro turno, com todas as indicações que o então presidente Lula confirmaria a vitória sem a necessidade de novas eleições, nasce um escândalo que daria sobrevida para a candidatura do PSDB, na figura de Geraldo Alckmin. Operação da Polícia Federal, duas semanas antes, tinha desbaratado a tentativa de duas pessoas ligadas ao PT em comprar, com R$ 1,7 milhão, um suposto dossiê contra José Serra e outros tucanos graúdos.

A denúncia não teve o efeito prático desejado. Faltava a bala de prata para sensibilizar o eleitorado. Foi aí que surgiu Edmílson Pereira Bruno, o delegado da PF que havia comandado a operação contra os “aloprados” – alcunha que teria sido dita por Lula ao se referir às figuras que tentaram adquirir o dossiê e acabaram prejudicando o próprio presidente. Bruno convidou quatro jornalistas para uma conversa reservada e repassou os CDs com as fotos do montante do dinheiro que havia sido flagrado nas mãos dos compradores do tal dossiê. A conversa foi inteiramente gravada e nela se pôde ouvir os apelos excitantes do delegado para que as imagens fossem parar na edição do Jornal Nacional (JN) do mesmo dia, 29 de setembro.
Dito e feito. Os jornais do dia seguinte estamparam a manchete com as fotos e o JN dedicou quase toda sua edição para mostrar as imagens da montanha de dinheiro. O uso político das fotos ficou ainda mais evidenciado pelo fato das matérias, todas elas, omitirem a conversa com o delegado, em que ele claramente condiciona a divulgação dos fotos para atingir a candidatura petista. Os próprios jornais difundiram a informação mentirosa de que as fotos teriam sido roubadas, quando, na verdade, tinham sido repassadas a eles pelo mesmo delegado.

No caso do JN, o uso político pôde ser constatado porque, na mesma noite em que se exibiram as fotos sem a contextualização de como foram obtidas, ocorreu a tragédia com o avião da Gol, em que morreram 154 passageiros no impressionante choque aéreo com o jato executivo Legacy, comandado por dois pilotos norte-americanos. Nada sobre o acidente foi informado, mesmo com a notícia repercutindo no mundo inteiro ainda durante a edição ao vivo do jornal.

Toda a ação orquestrada pela mídia nesse fatídico dia 29 de setembro de 2006 foi depois denunciada em reportagem da revista Carta Capital, assinada pelo jornalista Raimundo Rodrigues Pereira. Ocorre que a matéria, por sua vez, foi incrivelmente espalhada através de sites e correntes de emails pela internet e gerou uma onda de indignação que ecoou na redação da TV Globo. “Foi naquele momento das eleições que eu percebi o papel da internet”, relata Rodrigo Vianna, à época repórter da Globo em São Paulo. “Primeiro, porque as informações que foram colocadas por um colega de TV Globo na época, o Luiz Carlos Azenha, serviram de base para uma matéria da revista Carta Capital”. Azenha havia transcrito para o seu blog, o Viomundo, a íntegra da conversa com o delegado da Polícia Federal que vazou fotos da apreensão do dinheiro no escândalo dos aloprados.

“Os jornalistas que participaram da conversa com o delegado fizeram de conta que o encontro nunca existiu. A matéria da Carta teve uma repercussão muito grande na internet, nos blogs, tanto que a Globo teve que responder. O Ali Kamel admitiu que teriam que responder. Nem tanto por causa da revista, mas principalmente pela repercussão na rede. Foi aí que eu percebi que a Globo tem medo da força internet”, calcula. Foi em decorrência desse episódio que Rodrigo Vianna se desligou da emissora. Meses mais tarde, o próprio Luiz Carlos Azenha também desembarcaria do grupo de comandados de Kamel. Atualmente, ambos são repórteres da TV Record e mantêm, de forma autônoma, alguns dos blogs mais prestigiados da internet quando o assunto é política, jornalismo e temas da conjuntura, batendo a casa dos milhões de acesso/mês.

Mídia que incomoda

De lá para cá, o debate público, especialmente nos períodos eleitorais, tem ficado um pouco menos desigual. “Quando há a centralidade do modelo eleitoral, como tem sido no Brasil, a luta de classes se exacerba e as contradições ficam mais visíveis, aí a mídia alternativa cumpre um papel mais relevante e incomoda”, avalia Miro Borges, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Três episódios recentes estão entre os mais emblemáticos: a história da bolinha de papel é o campeão de preferência na internet. “Não fosse a mídia alternativa, a bolinha de papel teria virado um míssil na cabeça do Serra”, brinca Miro, em referência a bolinha de papel que atingiu a cabeça do tucano durante uma atividade de campanha no Rio de Janeiro. Ele alegou que tinha sido atingido por um objeto pesado e duro e criou toda uma cena, comprada pela maioria dos meios de comunicação, inclusive e novamente, o Jornal Nacional. A história virou piada.

Outro episódio foi a guinada conservadora da campanha de José Serra durante o segundo turno das eleições. Começou-se a espalhar um boato de que Dilma Rousseff seria defensora do aborto. Uma das porta-vozes do discurso obscurantista foi a própria esposa do candidato, Mônica Serra. “Até que uma aluna dela, através do facebook, escreveu uma mensagem dizendo estranhar a postura da Mônica Serra porque ela já tinha confessado ter feito aborto para as alunas, durante uma aula de dança. Aí eles tiveram que calar a boca e encerrar esse assunto imediatamente porque ficava evidente que era pura hipocrisia eleitoreira”, conta Miro.

Não à toa, também nessa época, José Serra cunhou a expressão blogueiros sujos, ao discursar para militares de pijama durante uma reunião na sede do Clube Militar, no Rio. Uma historia menos conhecida foi o clipe que a Globo preparou, em 2010, para comemorar o seu aniversário de 45 anos. “Por pura coincidência, justamente nos seus 45 anos de fundação, a Globo usou o mesmo refrão da campanha do Serra, o tal do ‘Queremos Mais’, utilizando, claro, atores globais e nas mesmas cores da campanha tucano. O clipe terminava com um número 45 gigante na tela”, ironiza Miro Borges. No dia seguinte, a blogosfera não deu sossego e a Globo, após uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que confirmou se tratar de propaganda irregular, acabou tendo que tirar o clipe do ar em menos de 48 horas.
 
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Tentar calar a presidente Dilma tampouco é uma boa idéia



Apesar do poder que a mídia revelou recentemente de intimidar ou aliciar setores do Judiciário, entre tantos outros, o desenrolar de sua tentativa de fabricar hipótese de um catastrófico racionamento de energia só fez comprovar, mais uma vez, que ter dinheiro e poder político não significa que o detentor dessas vantagens seja inteligente.
Se pensarmos bem, no entanto, descobriremos que isso que se diz “imprensa” vem dando, ao longo dos últimos dez anos, reiteradas exibições de ausência de neurônios. O dito Partido da Imprensa Golpista e seu braço político, o PSDB, lá atrás, foram contra o Bolsa Família.
Foram, também, contra as cotas nas universidades.
Foram, também, contra o programa Luz Para Todos.
Foram, também, contra os aumentos reais do salário mínimo.
Foram, também, contra o PAC – e continuam sendo.
Foram, também, contra o Minha Casa, Minha Vida.
Foram, também, contra a liderança estatal em investimentos durante a crise de 2008/2009.
Foram, também, contra a redução dos juros.
Agora, mídia, PSDB e alguns satélites deles são contra, obviamente, redução nas contas de luz. E persiste a mesma estratégia fracassada de darem explicações complicadas, ininteligíveis mesmo sobre por que mais uma medida tão popular seria ruim para o país.
Li uma versão dessas explicações do inexplicável que é hilariante. Como não podia deixar de ser, a matéria saiu na Folha de São Paulo eletrônica de ontem. O título da tal cretinice é “Luz mais barata ‘corroi’ verbas sociais”.
Segundo três repórteres malucos que assinam a matéria, “A conta de luz ainda não está mais barata, mas a medida (…) já tem efeitos colaterais. Para compensar a perda de receita com a diminuição das tarifas, as estatais elétricas estão cortando investimentos em patrocínio social, esportivo e institucional”.
Quem, aí, topa pagar mais caro pela energia para que essas abnegadas “estatais elétricas”, que de “estatais” não têm nada, continuem financiando times de futebol como o Avaí e o Figueirense?
Se algum infeliz industrial que não consegue competir porque o preço da energia elétrica no Brasil é um dos mais caros do mundo vier a ler essa matéria, terá uma síncope. Aquela mãe de família que conta os centavos todo mês para alimentar seus filhos e que terá alívio na conta de luz, idem.
A burrice é tão gritante que chega a dar vergonha alheia.
Com tanto dinheiro e poder, será que não tem ninguém no PIG com competência para informar a Marinho, Frias, Civita e Mesquita que a estratégia de criticar tudo o que o governo faz de bom e que o povo apoia, é fria?
Pelo visto, não tem.
Mas, agora, vemos o PSDB e a mídia se superarem ao investirem contra o direito da presidente da República de expressar publicamente a sua opinião sobre as críticas públicas que esses seus adversários vêm fazendo e de anunciar medida que revolucionará a economia do país.
Parênteses para explicar essa revolução econômica: o ganho de competitividade da indústria e o alívio nos orçamentos familiares dos setores mais pobres da sociedade tornarão os produtos brasileiros mais competitivos e injetarão quantidade gigantesca de recursos na economia.
Voltando à pretensão destro-midiática de calar Dilma para que não comprove que quem previu desgraças se deu mal, tal conduta só mostra que a oposição assumida e a enrustida não têm como travar debate público, restando-lhes, assim, a “ideia” de tentarem calar a adversária.
Se todas as “idéias” anteriores dessa gente se revelaram uma pior do que a outra, pois tudo que a oposição-midiática combateu deu tanto certo que teve que parar de criticar, essa última “ideia” em nada difere daquelas. E talvez seja até pior…
O que o cidadão irá pensar ao descobrir que tentaram impedir a presidente da República de dizer ao povo que a elegeu que discorda das críticas ao seu governo e por que discorda, além de anunciar medida que fortalece tal discordância? Não irá concluir que tentam impedir a presidente de melhorar a sua vida?
Depois, na próxima eleição, os tucanos farão como Serra em 2010, quando pôs Lula em sua propaganda e jurou ao eleitorado que, eleito, continuaria a obra dele. Em 2014, quando o tucano da vez fizer isso com Dilma, estará muito bem documentado tudo o que o PSDB disse sobre medidas que o povo vem apoiando com tanto entusiasmo.
*
PS: seria democrático da parte do governo Dilma abrir a quem não curtiu a energia elétrica mais barata a opção de continuar pagando mais caro por ela, não acham?

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