quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Nos dez anos de governo PT, total de novas matrículas no ensino superior aumenta 91%

 
O ensino superior no Brasil atingiu, no ano passado, 7.037.688 de matrículas na graduação, o que representa crescimento de 4,4% em relação a 2011. Desse total, o número de matrículas nas instituições públicas chegou a 1.087.413 e, nas privadas, a 5.140.312. Nas escolas privadas, houve crescimento de 3,5% e, nas públicas, de 7%. Os dados são do Censo da Educação Superior de 2012, divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC).
"O setor privado é maior, mas foi o setor público que sustentou o crescimento", disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Levando-se em consideração graduação e pós-graduação, as matrículas somaram 7.261.801. "Temos 7,2 milhões na universidade e 7 milhões no Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] querendo entrar. Apesar de toda a expansão no ensino superior, temos um número igual [aos que estão no ensino superior] batendo na porta, querendo entrar", ressaltou ele.
O crescimento em 2012 foi inferior ao apresentado no último censo. De 2010 para 2011, o número de matrículas cresceu 5,6%. O ministro justifica a queda pela diminuição da abertura de vagas nas instituições privadas. "O que observamos foram acomodações no ensino privado [com fusões e aquisições] e não a expansão", explicou o ministro.
Ele destaca, porém, que o número de estudantes que ingressou no ensino superior chegou a 2,7 milhões, alta de 17,1% em relação a 2011 e de 91,9% nos últimos dez anos. Do total de novos alunos, a maioria está na rede privada - 2,2 milhão, alta de 18,5% em comparação a 2011. As públicas receberam 547 mil calouros, 6,7% mais que no último ano.
O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia responsável por compilar os dados, Luiz Cláudio da Costa, diz que o resultado mostra que "quem quer, tem acesso ao ensino superior". Ele se refere principalmente à faixa de 18 a 24 anos. Segundo ele, 1,8 milhão deixam o ensino médio, número inferior ao total de vagas oferecidas.
Mercadante estima que se mantido o ritmo de crescimento, até 2022, será possível chegar a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - também meta do Plano Nacional de Educação (PNE), em tramitação no Congresso Nacional - de 34% da população de 18 a 24 anos matriculada no ensino superior ou graduados. A taxa atual é 17,8%. Agência Brasil
 
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2013/09/nos-dez-anos-de-governo-pt-total-de.html

Telejornais (?) da Globo despencam

 
Assa a batata do Gilberto Freire com “i” (*). Novela no Tibet: a conta não fecha !
O Conversa Afiada reproduz chapa do exame de ressonância magnética feita no (comatoso) Jornalismo (?) da Globo.

Quem manda trocar informação por editorial ? Clique aqui para ver que a Urubóloga e a Renatinha atacam pela manhã.

E remar contra a corrente ?

Como se sabe, o Google vai googlar a Globo.

Os custos fixos da Globo – que faz abertura de novela no Tibet – só se pagam com a SECOM e uma audiência que ela não tem mais.

Por que os anunciantes vão continuar a investir nos produtos do jornalismo (?) da Globo e pagar os preços que ainda pagam  ?

No mínimo, vão querer desconto.

E embolsar o BV…


Paulo Henrique Amorim


(*) Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da história da Globo (o ansioso blogueiro trabalhou com os outros três), deu-se de antropólogo e sociólogo com o livro “Não somos racistas”, onde propõe que o Brasil não tem maioria negra. Por isso, aqui, é conhecido como o Gilberto Freire com “ï”. Conta-se que, um dia, D. Madalena, em Apipucos, admoestou o Mestre: Gilberto, essa carta está há muito tempo em cima da tua mesa e você não abre. Não é para mim, Madalena, respondeu o Mestre, carinhosamente. É para um Gilberto Freire com “i”.

domingo, 15 de setembro de 2013

POR QUE LUIZ GUSHIKEN FOI O NIPO-BRASILEIRO MAIS ODIADO DA HISTÓRIA

 Amoral Nato o Blogodita


Walter Falceta Jr.

Como jornalista, compartilhei 
do espaço e do tempo de Luiz Gushiken algumas poucas vezes. Encontrei-o sempre afável, justo, disciplinado e espiritualizado.

Na campanha à presidência da República, em 1994, afigurou-se um bom conselheiro do metalúrgico. Pedia organização, controle e ética em todas as ações da militância de seu partido.

Gushiken foi um homem honesto, decente e cooperativo, durante seus 63 anos de vida. Por que, então, terá se tornado o nipo-brasileiro mais odiado pela mídia brasileira?

Por que sua morte está sendo ruidosamente comemorada pelos leitores comentaristas dos grandes jornais brasileiros?

A primeira resposta é chocante, mas deve ser tentada. Foi sempre vítima de um tipo sofisticado de racismo que permeia todas as relações em nossa sociedade farisaica.

Os poderosos e a elite esperam do nipo-brasileiro sempre uma conduta servil, quieta, alinhada, como se fosse um diferente com direitos limitados.

Não à toa, durante a Ditadura Militar, a repressão agiu brutalmente contra todos os japoneses que se insurgiram contra o regime.

Torturaram barbaramente e mataram Hiroaki Torigoe e Luis Hirata. O metalúrgico Francisco Seiko Okama foi metralhado pelas costas.

Cercada por agentes do exército, Suely Yumiko Kamayana foi assassinada aos 25 anos, crivada com mais de 100 balas de grosso calibre.

Gushiken tornou-se odiado justamente por praticar uma desobediência pacífica e jamais rejeitar incumbências na luta dos trabalhadores.

Viveu sempre como ser humano integral, respeitando a tradição dos antepassados de Okinawa e, ao mesmo tempo, aperfeiçoando a brasilidade.

Filósofo discreto, pensava-se um cidadão do mundo, admirador de mestiçagens biológicas e culturais.

Mas esse samurai sem espada é também odiado porque, à frente da Secretaria de Comunicação, no governo Lula, iniciou uma campanha ousada e genial para acabar com a síndrome de vira-latas propagandeada dia e noite pela mídia hegemônica.

Veio desse homem de saúde frágil, que escapou várias vezes da morte, a ideia de que somos brasileiros e não desistimos nunca. Nos últimos anos, esse mote tem sido fundamental no resgate do orgulho nacional.

Mas a grande imprensa passou a odiá-lo também porque deu o primeiro passo da necessária democratização da mídia. Por conta de Gushiken, as verbas de publicidade oficiais puderam alimentar inúmeros pequenos veículos, muitos deles no Brasil profundo.

Não à toa, a revista Veja valeu-se de uma fraude para tentar destrui-lo, adulterando fatos e números de um jantar de serviço. Mentiu e foi, posteriormente, desmascarada.

Logicamente, o PSDB e seu Ministério Público não poderiam deixar de inclui-lo no chamado escândalo do Mensalão. Como deixariam o atrevido japonês de fora?

Durante 3285 dias, Globo, Folha, Estadão e revistas da Editora Abril atacaram barbaramente Gushiken e sua família.

Neste período sombrio, o Ministério Público escondeu os documentos que provavam sua inocência, mantendo sobre ele o estigma de "ladrão" até o julgamento da ação pelo Supremo Tribunal Federal.

Gushiken passou a vida lutando. Guerreou contra a pobreza quando era criança, trabalhando duro desde cedo. Enfrentou a repressão policial quando jovem.

Nos anos finais da vida, teve a residência atacada de forma suspeita e foi difamado diariamente pelos colunistas dos grandes jornais.

Odiado foi. Odiado será. A considerar, no entanto, a natureza de seus inimigos, convém que o amemos, muitíssimo, hoje e sempre.

http://amoralnato.blogspot.com/2013/09/por-que-luiz-gushiken-foi-o-nipo.html

Eu acuso o Supremo, os políticos e a imprensa




O grau de cultura de um povo se mede sobretudo pelo
modo com que se salvaguardam os direitos e a liberdade
do imputado em um processo penal

Gian Domenico Pisapia

A citação é oportuna ante a mancha vergonhosa e inapagável que se alevanta sobre a Nação à luz da mutilação da Lei e do Estado Democrático de Direito que os dias que correm veem ser gravada com letras de fogo pelo julgamento da Ação Penal 470, vulgarmente conhecido como “julgamento do mensalão”.

Não é concebível que uma defesa individual hígida prescinda de dois pressupostos: a independência judicial – a primeira face da garantia de cautela pelo lado do desvelo, da atenção, do escrúpulo, do esmero e do cuidado do juiz – e o duplo grau de jurisdição – o reverso da garantia de cautela pelo lado da guarda, da observação, do sobreaviso, do resguardo, da prudência, da circunspeção, da vigília e da precaução de um tribunal.

O flagrante constrangimento ilegal do Direito que a transformação do pleno do Supremo Tribunal Federal em “reality show” produz nesta era de incertezas e de sobreposição do ego e da ambição sobre a Justiça advém de duas fontes primárias, amparadas por duas outras secundárias.

Das primárias, a ausência de aplicação do favor libertatis na definição da competência da Corte, em contradição ululante com o art. 8º, 2, h, do Pacto de San José da Costa Rica e da falta de decorum do ministro Joaquim Benedito Barbosa Gomes pela atitude inadequada, inapropriada e inconveniente de assumir o lugar da acusação em detrimento das funções judiciárias, e dos ministros Luiz Fux e Gilmar Ferreira Mendes por confundirem seus interesses pessoais com o caso concreto, exercendo papeis secundários, o que os impede de funcionar como juízes no caso.

Das secundárias, a desumanidade da política, infensa aos preceitos mais comezinhos de humanidade, solidariedade, pudor e repulsa à traição, como feito máximo da vilania entre iguais de chão, de língua, de cultura, de sangue e de Pátria. É da política, pois, que vem a síndrome de Pilatos, dos que tentam lavar as mãos sujas de um sangue que não sai, ou da síndrome de Barrabás, assassino covarde que ataca pelas costas até os congêneres de crimes análogos.

Ainda das fontes primárias, vem o vampirismo da imprensa amasiada à política, com sua sede irrefreável pelas vísceras expostas pelo infortúnio dos caídos em desgraça seja por moto próprio ou por ação da arapuca dos adversários.

Sob o prisma judiciário, a máxima violada é a imparcialidade do julgador e ela, mais uma vez, para que não se a olvide, se dá em dois patamares hierárquicos, a independência do magistrado e a garantia recursal como pressuposto para a revisão de erros processuais.

Sob o prisma da imprensa e dos amigos e inimigos da política, o desprezo por direitos que, ao serem negados a um só entre nós, serão negados, tacitamente, a todos.

Os pacientes da Ação Penal 470 têm, pois, o direito inalienável de serem julgados por juízes isentos, que não assumam as funções exclusivas da acusação ou, por outro lado, que não tenham interesses seus tangenciados por pessoas envolvidas, pelos fatos narrados ou pelas consequências políticas da questão sub judice.

O que resta ao cidadão cioso de seus deveres e consciente do momento histórico diante do risco insuportável à Nação de se tornar abrigo da injustiça e arena da selvageria institucional, é lutar. E é lutando que acuso os que, por atos e omissões, preparam-se para perpetrar um crime contra a garantia de cada brasileiro a, no mínimo, um processo legal hígido.

Eu acuso, então, o ministro Joaquim Barbosa por inconveniência, impropriedade, inadequabilidade, impertinência, inoportunidade, incompatibilidade, destempero e vulgaridade incomuns na condução da causa, no trato com pares, defensores e, especialmente, com pacientes, desrespeitando-os a todos do início ao fim.

Assumiu o papel da acusação abandonando a imparcialidade do julgador, voltou-se com desdém ou virulência para ministros discordantes, confrontando-os publicamente como se as teses dos colegas de Corte fossem excentricidades ofensivas ao Direito que só ele enxergara e como se não houvesse hipótese de opinião divergente e igualmente respeitável, salvo a sua, afrontando advogados, desprezando suas prerrogativas, tratando requerimentos como estultícias.

O ministro Joaquim Barbosa, a um só tempo, não tirou a beca de promotor de carreira e não vestiu a toga de juiz do Supremo.

Eu acuso, também, o ministro Gilmar Mendes. Com ele, nenhum réu, inocente ou culpado, deve sentir-se seguro. Inconsequente, parece ainda permanecer no cargo do governo a que serviu.

Após sessões do julgamento da AP 470, ainda sem trânsito em julgado da causa, foi ao lançamento de um livro chamado “Mensalão”, apelido desairoso dado à causa e usado por uma torcida para rotular e ofender adversários. Uma obra escrita por outro que será acusado no âmbito da acusação à imprensa, alguém de nome Merval Pereira, conhecido prosélito das condenações.

Eu acuso, ao fim do capitulo judiciário, aquele que teve talvez o comportamento mais indecoroso, o ministro Luiz Fux. Não bastasse a falta de decoro em si consistente na confissão pública de sua obstinada busca pela indicação ao cargo de ministro do Supremo, disse ele que durante o périplo teve contatos pessoais com um dos réus e com parte significativa da direção do partido daquele réu.

É tanto viciosa a sua indicação ao cargo quanto é viciosa a sua participação no julgamento. “Matar no peito”, disse ele. A máxima tem o claro significado de amortecer a bola, de dar conta do recado. O ânimo do magistrado estará adulterado tanto se confirmar as expectativas do réu quanto se não o fizer com a intenção de futuramente provar sua imparcialidade. Neste último caso, se o réu possuir qualquer mínima circunstância que eventualmente o beneficie perderá as chances de reconhecimento. Terá transformada a sua condição de sujeito de direito em objeto de apropriação.

Eu acuso, no capítulo da imprensa, os muitos veículos e seus estafetas que adonisam a iracúndia do ministro Joaquim Barbosa. Não estão preocupados com o decoro na Suprema Corte de Justiça e com a integridade do “due process of law”, mas com o troféu, a cabeça, a condenação a qualquer preço, mesmo que ela despreze um preceito exógeno ao interesse individual, o preceito de todo paciente de acusações de usufruir de um processo legal limpo e sereno, imperturbável pelas torcidas.

Eu acuso, no capítulo da política, a todo aquele que acusou crimes dos pares que sabe que se tornaram regra na política sem ter a decência, o decoro e a hombridade de reconhecer: acuso, mas eu também fiz.
Eu acuso os políticos de não terem se calado quanto aos adversários réus do julgamento do “mensalão” assim como os acuso de se calarem em relação a correligionários que, em sua profunda ignorância e patética covardia, não percebem que sucederão como alvos das deformidades legais e constitucionais ante as quais se calaram.

O que me resta, parafraseando Émile Zola, é concluir este brado por justiça com outra conclusão, a do histórico libelo do escritor e jornalista francês pela inocência do Capitão Dreyfus, no estertor do século XIX:

Não ignoro que, ao formular estas acusações, atraio sobre mim os artigos da Lei que se referem aos delitos de difamação. Voluntariamente, ponho-me à disposição dos tribunais, pois um só sentimento me move: o desejo de que se faça luz. Meu ardente protesto nada mais é que um grito de minha alma. Que se atrevam a levar-me aos Tribunais e me julguem publicamente. Assim espero

http://www.blogdacidadania.com.br/2013/09/eu-acuso-o-supremo-os-politicos-e-a-imprensa/

Congresso é a favor de infringentes! E agora, STF ?

 
FHC bem que tentou eliminar os embargos infringentes do STF, mas os deputados discordaram.

Saiu no Tijolaço:
 

E agora, Gilmar? E agora, Marco Aurélio? E agora Fux?

Não há mais desculpas para se revogar os embargos infringentes.

Após a Constituição de 1988, ficou acertado que apenas o Congresso tem direito de mudar leis ou regimentos. Pois bem, em 1998, uma análise da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara sobre a manutenção dos embargos infringentes chegou a uma conclusão expressamente “em favor” deles.

Em mensagem presidencial ao Congresso, Fernando Henrique bem que tentou eliminar os embargos infringentes do STF, mas os deputados da Comissão de Constituição e Justiça discordaram do governo e aprovaram moções fortemente favoráveis à manutenção dos mesmos.

Os ministros que fizeram discursos violentíssimos pela revogação dos embargo terão que rever, portanto, suas posições após esta revelação, visto que a Constituição de 88 garante a soberania do Congresso na formulação de leis e regimentos.

O Jornal O Globo, que faz campanha contra os embargos, dessa vez não teve como ocultar uma informação que explodiria do mesmo jeito, a qualquer momento, num jornal concorrente ou na blogosfera.

Abaixo, a matéria do Globo:

Em 1998, Congresso decidiu manter embargo infringente

Proposto por FH, artigo foi rejeitado na CCJ da Câmara e acabou não incluído na Lei 8.038

PAULO CELSO PEREIRA, GLOBO
Atualizado: 13/09/13 – 22h45

BRASÍLIA — A Câmara dos Deputados manteve, deliberadamente, a possibilidade de apresentação de embargos infringentes nos julgamentos do Supremo Tribunal Federal. O GLOBO encontrou nos documentos de tramitação da mensagem presidencial número 43, de 1998, a análise da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara sobre a manutenção dos embargos e a opção dos parlamentares foi expressa a favor desse último recurso.

O debate foi suscitado pela chegada do texto do presidente Fernando Henrique Cardoso que propunha a extinção dos embargos. Em seu artigo 7º, a mensagem presidencial acrescentava um novo artigo à lei 8.038, de 1990. O texto sugerido pelo governo era claro: “Art 43. Não cabem embargos infringentes contra decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal”.

No entanto, ao longo da tramitação da mensagem na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o então deputado Jarbas Lima, hoje professor de direito constitucional da PUC do Rio Grande do Sul, apresentou um voto em separado pedindo a supressão do trecho que previa o fim dos embargos. E argumentou:

— A possibilidade de embargos infringentes contra decisão não unânime do plenário do STF constitui importante canal para a reafirmação ou modificação do entendimento sobre temas constitucionais, além dos demais para os quais esse recurso é previsto. Perceba-se que, de acordo com o Regimento Interno da Suprema Corte (artigo 333, par. único), são necessários no mínimo quatro votos divergentes para viabilizar os embargos — explicita o voto do deputado.

Lima ainda defende a necessidade de manutenção dos embargos justamente pelo fato que hoje tanto anima os condenados do mensalão: a possibilidade de uma nova composição do tribunal levar à revisão de condenações:

— Se a controvérsia estabelecida tem tamanho vulto, é relevante que se oportunize novo julgamento para a rediscussão do tema e a fixação de um entendimento definitivo, que depois dificilmente chegará a ser revisto. Eventual alteração na composição do Supremo Tribunal no interregno poderá influir no afinal verificado, que também poderá ser modificado por argumentos ainda não considerados ou até por circunstâncias conjunturais relevantes que se tenham feito sentir entre os dois momentos. Não se afigura oportuno fechar a última porta para o debate judiciário de assuntos da mais alta relevância para a vida nacional — diz.

Apesar de o deputado Djalma de Almeida Cesar, que era o relator da matéria, ter defendido em seu primeiro voto a extinção dos embargos, conforme proposto por FHC, ele muda de posição ao longo da discussão e, no voto final, que acaba se transformando em lei, recebe a sugestão de Jarbas Lima e suprime o trecho que punha fim aos embargos. Na avaliação do doutor em direito Constitucional pela PUC-SP Erick Wilson Pereira, a existência desse debate dentro do Congresso dará novo argumento para os defensores dos embargos:

— Você deve levar em consideração qual foi a vontade do legislador. Quando o plano da expressão não consta em determinado texto normativo, no conteúdo você pode levar em consideração o que o legislador debateu. Esse fato não foi debatido em nenhum instante. Se tivessem ciência disso, pode ter certeza que os defensores teriam levantado isso. É um fato novo — explica.


Por: Miguel do Rosário


Clique aqui para ler “Dias na Carta: pressão é reacionária”.

Aqui para ler “PiG (*) age e pressiona Celso de Mello”.

E aqui para ler “Gilmar Mentes – alcunha criada por eminente colonista (**) – pressiona Celso de Mello”.


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2013/09/14/congresso-e-a-favor-de-infringentes-e-agora-stf/

O legado de Luís Gushiken


Por José Dirceu, em seu blog:

Gushiken, nos deixou. O sindicalista, ex-deputado e ex-ministro Luís Gushiken não esta mais entre nós, para nos alegrar e sempre nos fazer refletir. Não dará mais suas broncas homéricas e não nos ensinará mais como viver com dignidade e feliz. Sim isso mesmo, Gushiken sabia, como poucos, ser feliz mesmo nos duros meses finais, quando o visitamos há dias, eu, Aloizio Mercadante, Vagner Freitas, Arthur Henrique e João Felício…

Ele acompanhado de Beth sua esposa, a filha e os filhos, nos deu uma lição de vida, de paixão pela vida e por aquilo a que dedicou sua existência, a luta social e política. Era um humanista sempre em busca da paz, da justiça social e da liberdade. Sindicalista, presidiu seu sindicato (o dos Bancários de São Paulo) onde defendeu os direitos da categoria e, em 1982, enfrentou a ditadura liderando uma greve nacional de três dias que paralisou 700 mil bancários no país.

Fundou a CUT e o PT. Juntos enfrentamos os anos duros da construção do partido e as sucessivas campanhas do candidato Lula. Em 1986 foi deputado à Assembleia Nacional Constituinte e se reelegeu em 1990. Na verdade, elegeu-se e reelegeu-se deputado federal três vezes pelo PT: nas legislaturas 1987-1990 (constituinte); 1991-1994; e 1995-1998.

Um combatente nos anos duros da construção do PT

Em 1989 coordenou a campanha do presidente Lula e o substituiu na presidência nacional do partido durante aquela campanha ao Planalto. Em 1998, não foi candidato à reeleição e, de novo, integrou a coordenação da campanha do candidato presidencial petista.

Quando Lula assumiu a Presidência da República a 1º de janeiro de 2003, tornou-se seu ministro-secretário da Comunicação até deixar o governo por uma das maiores injustiças da Ação Penal 470 (no momento em tramitação no Supremo Tribunal Federal – STF): ele foi denunciado e sem respeito à presunção da inocência. Como todos nós.

Como bem disse o Gushiken quando pediu demissão do governo, as acusações no processo, na mídia e para a opinião pública haviam se transformado em “prova de culpa”. Em sua carta de demissão ele afirmou: “Os aspectos deletérios daquela crise (2005) também não podem ser esquecidos. Na voragem das denúncias abalou-se um dos pilares do Estado de Direito, o da presunção de inocência, uma vez que a mera acusação foi transformada no equivalente à prova de culpa.”

Acusações, antes de julgadas, já se transformaram em “prova de culpa”

No julgamento do processo na 2º semestre do ano passado foi absolvido por unanimidade a pedido do próprio Ministério Publico. Para ele o período aberto com o que os adversários do PT intitularam mensalão é uma fase heróica, quando enfrentamos a maior ofensiva da direita e da mídia contra o PT e o presidente Lula.

Perdemos um companheiro e um amigo. O Brasil e nosso povo perdem um lutador. O PT perde um pouco de sua alma. Nós perdemos Gushiken, mas ficamos com seus exemplos de vida, de dignidade, de coragem. Isso mesmo: de coragem e acima de tudo sua disposição de luta.

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/09/o-legado-de-luis-gushiken.html

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Espionagem: Ataulfo (*) quase culpa a Dilma


Merval disse que a diplomacia brasileira é boa para o governo mas não necessariamente para o Brasil, que é próximo de “países hostis” aos EUA.

 
O Conversa Afiada reproduz texto de Luiz Carlos Azenha, extraído do Viomundo:
 

por Luiz Carlos Azenha

“Vacilou”, diz na capa a revista Veja, com uma admoestação a Barack Obama que equivale a um tapinha nas costas de pai.

“Xeretou”, diz Carlos Alberto Sardenberg, ao debater o tema com Merval Pereira na rádio CBN.

Mais cedo, na mesma emissora, Kennedy Alencar deu o tom da reação na mídia corporativa: é ruim essa coisa de ser espionado, mas acontece.

Tratavam, todos, do novo capítulo da espionagem dos Estados Unidos no Brasil, contra a Petrobras.

Merval se superou. Embora tenha elogiado o comportamento do governo Dilma, disse que a diplomacia brasileira é boa para o governo mas não necessariamente para o Brasil, que é próximo de “países hostis” aos Estados Unidos.

Só faltou dizer que a espionagem se justifica por isso.

Ah, sim, alertou que não se deve fazer “bravatas”, como cancelar a viagem de Dilma a Washington.

Sobre eventual suspensão do leilão de Libra, do qual certamente vão participar empresas norte-americanas, nenhum deles se pronunciou. Presumo que seria cutucar o patrocinador com vara curta.

O ponto alto foi quando se disse na CBN — um deles, Merval ou Sardenberg — que Obama talvez pedisse moderação a seus espiões.

Merval, o imortal, tem razão num ponto: espionagem não é exatamente novidade.

No caso brasileiro, como contou aqui a Heloisa Villela, é coisa bem antiga.

Quando eu ainda morava em Nova York e acompanhava de perto o governo dos Estados Unidos, no primeiro mandato de Bill Clinton, Ron Brown foi indicado secretário de Comércio com a tarefa explícita de aproximar o Departamento de Estado de empresários norte-americanos, promovendo missões comerciais como as que o próprio ex-presidente Lula promoveu a partir de Brasília, muito mais tarde, quando decidiu diversificar os parceiros comerciais brasileiros.

Clinton queria colocar a burocracia diplomática completamente a serviço dos interesses comerciais, numa versão Foggy Bottom da “gunboat diplomacy”, a diplomacia das canhoneiras, que tão bem serviu aos interesses comerciais dos Estados Unidos em várias partes do mundo.

O importante é ter isso em mente: o que interessa aos Estados Unidos é o dinheiro, perseguido se necessário à bala, mas nem sempre.

A derrubada do presidente do Irã Mohammed Mosaddeq, em 1954, num golpe promovido pela CIA, não foi exatamente por discordâncias com o cerimonial de Teerã. Saddam Hussein seria invadido muito mais tarde, no Iraque, pelo mesmo motivo: controle do petróleo e dos preços internacionais do petróleo.

Foi assim com os golpes promovidos na América Central em defesa dos interesses da bananeira United Fruit. Ou a quartelada contra Salvador Allende, no Chile, promovida com o beneplácito da mineradora Anaconda e da telefônica ITT.

O ponto é que o governo dos Estados Unidos — qualquer governo — é representativo de imensos interesses econômicos, aos quais a espionagem serve direta ou indiretamente. Indiretamente? Sim, através da porta giratória pela qual burocratas do governo se tornam funcionários de megaempresas e vice-versa.

Num interessante artigo publicado recentemente na London Review of Books sobre o futuro da União Europeia, Susan Watkins descreve como o governo Obama monitorou as decisões cruciais tomadas por inspiração de Angela Merkel durante a crise europeia para evitar que elas prejudicassem os interesses de Wall Street. Ganhou todas.

Portanto, não será o beicinho do Itamaraty exatamente o instrumento para causar algum tipo de preocupação em Washington. Nem um eventual cancelamento da visita de Dilma à Casa Branca. Seriam medidas simbólicas mas, como costumam dizer os próprios norte-americanos, se de fato a espionagem rendeu dividendos econômicos a empresas dos Estados Unidos, elas vão “gargalhar até o banco”.

A única forma verdadeira de punir os Estados Unidos por espionagem, se é mesmo isso que se pretende — e não estou advogando que deva ser — é mexer com o bolso, com interesses econômicos de Washington.

Mas isso nem a mídia acima descrita, nem o próprio governo parecem inclinados a fazer.

Se é para fazer teatro, prefiro o Zé de Abreu.


Clique aqui para ler “Contra os espiões, mais Petrobras”.

(*) Ataulfo de Paiva foi o mais medíocre – até certa altura – dos membros da Academia. A tal ponto que seu sucessor, o romancista José Lins do Rego quebrou a tradição e espinafrou o antecessor, no discurso de posse. Daí, Merval merecer aqui o epíteto honroso de “Ataulfo Merval de Paiva”, por seus notórios méritos jornalísticos,  estilísticos, e acadêmicos, em suma. Registre-se, em sua homenagem, que os filhos de Roberto Marinho perceberam isso e não o fizeram diretor de redação nem do Globo nem da TV Globo. Ofereceram-lhe à Academia. E ao Mino Carta, já que Merval é, provavelmente, o personagem principal de seu romance “O Brasil”.

http://www.conversaafiada.com.br/pig/2013/09/10/espionagem-ataulfo-quase-culpa-a-dilma/

O Gigante está ficando sóbrio



Certos grupos políticos amanheceram, no domingo, de cabeça inchada, tal qual o torcedor de futebol que, no dia anterior, viu seu time ser goleado. Apostaram que 7 de setembro marcaria a interrupção da recuperação de popularidade pelo governo Dilma, bem como pela própria, por obra e graça de imensas manifestações que voltariam a ocorrer no país.
Ao longo das últimas semanas, a blogosfera e as demais redes sociais foram inundadas por comentários de militantes políticos de extrema-direita – e, também, de partidos que se intitulam “de esquerda” mas que fazem a alegria da direita, tais como PSOL e PSTU – que anunciavam o apocalipse para o que chamam de “governismo”.
As primeiras páginas dos grandes jornais no “day after” do pretenso “dia do juízo final para o PT”, entretanto, coroaram o rotundo fracasso da tentativa da centro e da extrema-direita e de seus aliados na “esquerda que a direita adora” de conseguirem, por meio de protestos de rua, o que as urnas vêm lhes negando ao longo da última década e no limiar desta.
 
Mas por que fracassou a “Operação 7 de setembro”? Para começar a entender, é preciso rever o que esteve por trás de sua articulação. Nesse aspecto, matéria de um colunista da revista Carta Capital chamado André Barrocal, formulada sob o eloquente título “O Desfile Golpista”, esclarece melhor quem esteve por trás do malogrado plano de destruição política.
Abaixo, um trecho da matéria.
—–
(…)
O alvo da “Operação Sete de Setembro” é a presidenta Dilma Rousseff. O caráter político-ideológico da “operação” fica claro quando se identificam alguns de seus fomentadores pela internet. Entre os mais ativos consta uma ONG simpatizante de uma conhecida família de extrema-direita do Rio de Janeiro, os Bolsonaro. E um personagem ligado ao presidente da Assembleia Legislativa e do PSDB paranaenses, Valdir Rossoni. É uma patota e tanto. Envolvidos em algumas denúncias de corrupção, não surpreenderia se eles mesmos virassem alvo de protestos.
A ONG em questão é a Brazil No Corrupt – Mãos Limpas, sediada no Rio. Seus principais integrantes são dois bacharéis em Direito, Ricardo Pinto da Fonseca e seu filho, Fábio Pinto da Fonseca. Há cinco anos eles brigam nos tribunais contra a Ordem dos Advogados do Brasil na tentativa de acabar com a exigência de uma prova para obter o registro de advogado. Os dois foram reprovados no exame da OAB. Em sua página na internet e no Twitter, a ONG promove a “Operação Sete de Setembro” e a campanha Eu não voto em Dilma: Eleição 2014, Brasil sem PT.
Um dos principais parceiros da entidade nas redes sociais é o deputado estadual fluminense Flávio Bolsonaro, do PP. Pelo Twitter, ele compartilha informações, opiniões e iniciativas da ONG. A dobradinha extrapola o mundo ­virtual. Bolsonaro comanda na Assembleia do Rio uma frente para acabar com a prova da OAB. Em Brasília, a ONG conseguiu um neoaliado, o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que encampou a ideia de extinguir o exame.
Filho do deputado federal Jair Bolsonaro, Flávio tem as mesmas posições do pai, célebre representante da extrema-direita nacional. Os Bolsonaro são contra o casamento gay, as cotas raciais nas universidades e os índios. Defendem a pena de morte e a tortura. Chamam Dilma de “terrorista” por ter ela enfrentado a ditadura da qual eles sentem saudade. “Naquele tempo havia segurança, havia saúde, educação de qualidade, havia respeito. Hoje em dia, a pessoa só tem o direito de quê? De votar. E ainda vota mal”, declarou o Bolsonaro mais jovem não faz muito tempo.
A ONG adota posturas parecidas com aquela dos parlamentares. Em sua página na internet, um vídeo batiza de “comissão da veadagem” alguns dos críticos da indicação do pastor Marco Feliciano para o comando da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Divulga ainda um vídeo de ­teor racista contra nordestinos, no qual o potencial candidato do PT ao governo do Rio, o senador Lindbergh Farias, nascido na Paraíba, é chamado de… “paraibano”.
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Como se vê, os articuladores de uma jornada de protestos abraçada pelas extremidades esquerda e direita do espectro político são “tutto buona gente”…
Não foi por outra razão que a mídia conservadora, apesar de seu recém-proclamado “arrependimento” por ter se envolvido tão intimamente com uma ditadura militar que massacrou e roubou desavergonhadamente o Brasil por mais de duas décadas, tratou de divulgar o quanto pôde os mega protestos que (não) ocorreram no último sábado.
Durante o 7 de setembro, na emissora de tevê a cabo Globo News, por exemplo, a jornalista Leilane Neubarth parecia tentar dirigir as manifestações, enquanto torcia pela invasão do Congresso Nacional por um grupelho de militontos que ali se manifestava. Ironicamente, porém, pouco depois, na mesma Capital Federal, a sede da Globo na cidade seria atacada.
Apesar disso, a mídia oposicionista passou o dia enfocando até briga de vizinhos para tentar inflar a repercussão das manifestações. Foi tudo tão patético que uma charge sobre esse comportamento midiático (abaixo) circulou o dia inteiro pelas redes sociais.
 
O revés da direita em um dia em que planejava o juízo final para o governo Dilma e para o PT, porém, não parou por aí. O tradicional protesto Grito dos Excluídos, que ocorre todo ano no 7 de setembro e que tem um viés diametralmente oposto ao dos extremistas de direita e esquerda, levou (abaixo) esqueletos da Globo às escadarias da Catedral da Sé, em São Paulo.
 
Ainda em busca de compreensão sobre o fracasso da “Operação 7 de setembro”, há que analisar a questão da imensa massa de inocentes úteis que passou a ser instrumentalizada a partir de junho e que ao longo de julho e agosto foi pulando fora do barco golpista.
Um dos motes do que os entusiastas daquela estupidez chamaram de “jornadas de junho” foi o de que “O Gigante” teria “acordado”, ou seja, de que o país teria descoberto que estava sendo mal governado pelo PT, quando, em verdade, quem luta de verdade pela democracia jamais dormiu, estando aí os movimentos sociais e sindicais que não deixam mentir com suas lutas históricas por direitos civis.
Muito ao contrário do que dizem, portanto, o “Gigante” jamais esteve adormecido. O que ocorreu, a partir de junho, é que ele foi embriagado por espertalhões que manipularam as massas e se valeram de vândalos para criarem um clima no país que conspurcou sua imagem diante do mundo.
No fim de agosto (29/8), aliás, este Blog antecipou que os protestos dos últimos meses provocaram desmoralização internacional do Brasil, no post Política e ideologia conspurcam a imagem do Brasil no exterior. No último dia 6, o jornalista Fernando Rodrigues, em seu blog, publica post sob o título “Cobertura negativa sobre o Brasil na mídia internacional bate recorde após protestos de junho”.
O texto de Rodrigues mostra que “O número de reportagens com teor negativo sobre o Brasil veiculadas na imprensa internacional atingiu 36% do total no 2º trimestre do ano, um recorde desde que a pesquisa começou a ser feita, em 2009”.
Segundo o jornalista, “Foram 425 reportagens negativas nos meses de abril, maio e junho, de um total de 1.167, segundo levantamento da agência Imagem Corporativa em 15 veículos internacionais. O principal motivo da alta é a cobertura dos protestos de rua de junho”.
Tudo isso somado, o que se conclui é que o “Gigante” está em processo de retorno da “viagem” em que mergulhou nos últimos meses, com a sociedade se dando conta de que não havia sentido em repudiar um governo que melhorou tanto a vida dos brasileiros, tirando dezenas de milhões da miséria e, na contramão do resto do mundo, proporcionando grande oferta de empregos e salários cada vez melhores.
A mídia conservadora tenta “explicar”, agora, o fracasso da ofensiva antidemocrática das extremidades do espectro político. Diz que os brasileiros desembarcaram do porre dos últimos meses em razão do grupo Black Bloc – que rejeita ser chamado de grupo.
Matéria da Folha de São Paulo do primeiro dia útil desta semana reproduz explicação do escritor e jornalista norte-americano Chris Hedges, apoiador do Occupy Wall Street, movimento crítico ao modelo atual de capitalismo que chacoalhou os EUA em 2011 e 2012.
Segundo Hedges, “Entregar os protestos para o Black Bloc ou deixar que esse movimento o sequestre é o que afasta as massas e transforma o movimento em marginal, exatamente o que o Estado quer”, pois a violência “Faz as pessoas terem medo dos protestos”, além de facilitar a infiltração policial”.
A avaliação não faz sentido, pois a força dos protestos de junho em diante no Brasil, que obrigaram o Estado a ceder a reivindicações como a de baixar o preço das tarifas de ônibus, esteve justamente no vandalismo, que tornou as manifestações insuportáveis. Sem o vandalismo, elas poderiam ser suportadas e, assim, o Estado não teria que ceder.
Sem violência, o Estado recupera as condições de diálogo com a sociedade. Por isso, o quebra-quebra foi a grande arma das oposições à direita, à esquerda e na mídia para criar no país o clima que propiciou a queda estrondosa da popularidade de Dilma, que agora se recupera. Para desespero do fascismo, o Gigante está ficando sóbrio.

http://www.blogdacidadania.com.br/2013/09/o-gigante-esta-ficando-sobrio/

Quem quer ser um bilionário?

 

Por Daniel Fonseca, no Observatório do Direito à Comunicação:

Os três irmãos herdeiros de Roberto Marinho têm se destacado porque foram classificados, pela revista Forbes, como três das dez pessoas mais ricas do Brasil - e entre os 130 do mundo. Divididos, cada um tem R$ 17 bilhões e alguns milhões de casas decimais; somados, chegam a mais de R$ 51 bilhões. Este valor é maior do que toda a riqueza produzida em um ano (PIB) por cerca de 70 países do mundo.

Engana-se, no entanto, quem vê nessa informação exemplos de "self-made men", como se tivessem conquistado tal patrimônio com muito trabalho. O mercado de TV, na linha do “capitalismo à brasileira”, deixa claro o grau de cumplicidade entre governos e o capital privado e de que forma os empresários dependem do Estado, que tanto atacam, para sobreviver. Para tanto, há boas doses de retroalimentação e mesmo de coincidência de interesses – cerca de 30% dos senadores e de 10% dos deputados são donos de mídia.

Anedótico, o início da TV por aqui se dá em 1950, com o contrabando de aparelhos por Assis Chateaubriand, que logo presentou o presidente Dutra com um exemplar. Em seguida, veio a Globo (1965), que cresceu à sombra da Ditadura Civil-Militar (1964-1985), que lhe garantiu a infraestrutura de rede. Em troca, houve um global apoio político à repressão.

Essa relação é parasitária: um levantamento da Folha de S. Paulo mostrou que, nos 18 primeiros meses, o governo Dilma Rousseff deu mais de R$ 161 milhões para a mídia comercial. Destes, o grupo Globo, sozinho, ficou com R$ 53 milhões, e a Record, com R$ 24 milhões. Isso somente da administração direta. Ainda assim, a Globo é acusada de sonegar milhões em impostos, fato que, obviamente, só é notícia no seu principal concorrente.

Em resumo, os concessionários de televisão, sobretudo os Marinho, apesar de explorar um serviço público, pouco se preocupam com diversidade e pluralidade. Mal disfarçados de “liberais” e de empresários bem-sucedidos, estão mais interessados em manter seus feudos de um capitalismo sem riscos – garantido até agora, em grande parte, por um estado muito conivente e pouco regulador.

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/09/quem-quer-ser-um-bilionario.html

TV Globo tem recaída e faz propaganda pró golpe e ditadura

 

Não durou uma semana o editorial em que a Rede Globo se declarava "arrependida" de seu apoio à ditadura, e a emissora sofreu uma recaída. O Jornal Nacional (JN) do dia 7 de setembro fez propaganda subliminar para o pedido de uma ditadura no Brasil.

A série de matérias sobre protestos no telejornal do dia 7 teve uma edição para golpista nenhum botar defeito.

O JN abriu o noticiário escolhendo a dedo como primeiras imagens de cartazes, um grupo muito pequeno de pessoas no Rio, com um cartaz "Fora Dilma" ao lado de "Militar no poder". Foi o abre-alas escolhido pelo telejornal.

Em seguida engatou a fala de um cidadão com um adesivo "Educação em greve"... Uau! A Globo finalmente dando voz a professores em greve? Ledo engano. O formato da edição fez parecer que aquele cidadão ali que falava contra a desigualdade social, estava no conjunto do grupo anterior que pedia a volta da ditadura.

Daí em diante o noticiário focou nos black blocs, sem sequer contextualizar pelo que protestavam. O jornalismo da Globo está tão ruim e manipulado que disse apenas "Eles ocuparam a pista lateral, gritando palavras de ordem, em frente ao palanque das autoridades". Que palavras de ordem, para entender o protesto? O telespectador ficou sem saber.

O fato é que a Globo quis fazer proselitismo de que o Brasil estaria em clima de baderna e caos. Foi assim que fizeram para preparar o golpe em 1964.

Mas a ênfase que a Globo deu não corresponde ao conjunto do que aconteceu no 7 de setembro. Os desfiles cívicos e militares transcorreram normalmente, a exceção de Maceió, que cancelou. Mesmo no Rio, onde manifestantes invadiram áreas que tinham cordão de isolamento no final, não atrapalhou o curso do desfile. Manifestações pacíficas do grito dos excluídos também transcorreram sem maiores problemas. Os problemas foram localizados entre black blocs, que escolheram agir de forma isolada, e a polícia. É assim que a Globo deveria mostrar, se não estivesse tão assanhada com um golpe. 

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2013/09/tv-globo-tem-recaida-e-faz-propaganda.html

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Alckmin será alvo de protestos contra o propinão tucano hoje




Às vésperas da comemoração do 7 de setembro, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), será o alvo de novos protestos no Estado. Hoje, movimentos sociais vão protestar contra o propinão tucano  e pedirão a punição dos envolvidos na corrupção da Siemens e Alstom. No sábado, entidades irão às ruas novamente contra o propinoduto tucano de Minas . No mesmo dia, policiais planejam fazer um ato para pedir reajuste salarial. 
Hoje, a partir das 8h, o Movimento dos Atingidos por Barragens e o Levante Popular da Juventude, com apoio do MST, farão um ato na Lapa, na zona oeste da capital, contra as supostos irregularidades em contratos na área de transportes e de energia. Além de Alckmin, serão alvos a Siemens e Alstom, acusadas de participarem do suposto cartel. A previsão dos organizadores é de reunir cerca de 2 mil pessoas. 
Os manifestantes pedirão a punição dos crimes  propinas cometidos por empresas responsáveis pelas grandes obras no país (metrô, estradas e barragens) , segundo nota das entidades, e o acerto de contas com as empresas corruptoras . Reivindicarão melhorias no transporte público e a abertura da caixa preta dos transportes . O Movimento dos Atingidos por Barragens deve levar a maior parte dos manifestantes.
O Sindicato dos Metroviários e alguns integrantes do Movimento Passe Livre protestarão contra corrupção nos transportes (Metrôs e trens) no sábado, no Grito dos Excluídos.
No tradicional desfile militar do dia 7 de Setembro, Alckmin deve ser alvo de protestos de policiais. Arregimentados pelo deputado estadual Major Olímpio (PDT), representante da categoria, policiais civis, militares e funcionários do sistema prisional prometem ir Sambódromo do Anhembi, onde ocorrerá o desfile. Protestarão contra a espera que já dura seis meses pelo envio do reajuste à Assembleia Legislativa. 
Outras demandas serão levadas: delegados querem o reconhecimento da função como carreira jurídica; já policiais militares cobram isonomia com a polícia civil. 
Alckmin deve agir antes para debelar esse protesto. Associações policiais receberam ontem informações de que o governador fará um pronunciamento sobre eventual reajuste para a Polícia Civil. Assembleia da categoria, prevista para sexta-feira, decidirá se o protesto será mantido. 
 
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2013/09/alckmin-sera-alvo-de-protestos-contra-o.html

Esquema Siemens operou na administração de Aécio Neves, denuncia empresário

Amoral Nato o Blogodita
Brockveld denunciou esquema da Siemens no governo mineiro durante a era FHC
 
correio do Brasil
Em meio ao escândalo do chamado ‘propinoduto tucano’, denunciado pelaSiemens, em que empresas fornecedoras de equipamentos e de serviços em trens e metrô nas gestões Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin superfaturaram R$ 577 milhões, o equivalente a 30% a mais do que os governos pagariam se não houvesse esquema, outros casos envolvendo a empresa igualmente estão sendo investigados, mas ainda permanecem ofuscados. Os fatos foram publicados no jornal mineiro Novo Jornal.
Leia, a seguir, os detalhes da denúncia:
Até 2005, repousou em uma gaveta do empresário catarinense Edson Maurício Brockveld um envelope lacrado de papel pardo. Em uma das faces do invólucro estão registradas cinco assinaturas de membros da Comissão Especial de Licitação dos Correios. Dentro, segundo ele, está a prova de que a corrupção na ECT começou, ou tinha prosseguimento, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso.
Dono da Brockveld Equipamentos e Indústria Ltda., o empresário esperou até 2005, ocasião da CPMI dos Correios para abrir publicamente o envelope. Seu objetivo era provar ter sido preterido em uma concorrência, em 2000, em favor de duas empresas estrangeiras, a alemã Siemens e a francesa Alstom, ambas com propostas supostamente superfaturadas.
Brockveld alega ter calculado em R$ 48 milhões o contrato de compra de equipamentos de movimentação e triagem de carga interna oferecido à ECT. A dupla vencedora cobrou quase o dobro. De quebra, diz o empresário, as escolhidas passaram a gerenciar outros três contratos no valor de US$ 100 milhões (R$ 230 milhões).
Em 22 de dezembro de 1999, a ECT abriu a concorrência internacional 016/99 para compra e manipulação de equipamentos de sistemas de movimentação e triagem interna de carga. Interessado no negócio, Edson Brockveld conta que, nos dois anos anteriores à licitação, desenvolveu, junto ao setor de engenharia dos Correios, diversos equipamentos e realizou testes em parceria com as empresas Portec e Buschman, ambas dos Estados Unidos.
Segundo ele, a pedido da diretoria da ECT, a Brockveld Equipamentos chegou a trazer engenheiros americanos para fazer as demonstrações e, assim, ganhar a confiança da direção da estatal. O presidente da empresa era Hassan Gebrin, ligado aos grupos políticos do então governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), e do ex- senador e ex-governador também do Distrito Federal José Roberto Arruda (PFL-DF).
A indicação havia sido avalizada pelo então ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. Para garantir uma boa posição no processo licitatório, a Brockveld fez um consórcio com a japonesa NEC, uma das gigantes mundiais do setor de tecnologia de ponta. Pelo acordo, cada empresa seria responsável por um setor.
A empresa brasileira cuidaria do maquinário de movimentação postal e a NEC dos equipamentos de comunicação e segurança. Dois dias antes da licitação, no entanto, sem nenhum sinal prévio, conta Edson, o então diretor da NEC no Brasil, Marcos Sakamoto, informou à Brockveld que não poderia participar da licitação.
Alegou, segundo o empresário catarinense, atender a um pedido da direção da Siemens, que não queria a participação das duas empresas na licitação. No dia da abertura das propostas, Edson Brockveld diz ter sido diretamente convidado pelas empresas Mannesmann Dematic Rapistan, Siemens e Alstom a não participar da concorrência da ECT, pois estaria tudo certo que as duas últimas seriam as vencedoras da licitação.
Brockveld alega ter ignorado a oferta e participado, assim mesmo, do processo. No dia da licitação, o edital previa que fossem abertos os envelopes relativos à habilitação técnica e comercial. Porém, ao ser constatado que a Brockveld Equipamentos iria participar da licitação, e pelo fato de os concorrentes não saberem se a empresa estava ou não com os documentos em ordem, foi feita uma proposta à ECT de emissão de um parecer único da proposta técnica e de habilitação, em desacordo com o estabelecido no edital de licitação.
Feito isso, a Brockveld e a Mannesmann acabaram sumariamente inabilitadas tecnicamente. A Mannesmann imediatamente recorreu, mas teve o pedido indeferido. Ambas receberam, lacrados, os envelopes com as propostas de volta. Siemens e Alstom foram às escolhidas. Detalhe: a empresa francesa embolsou US$ 15 milhões e deu o cano na ECT, por este motivo foi processada pelos Correios e substituída em seguida, pela NEC.
Logo depois, a direção da Brockveld foi procurada pelas empresas vencedoras. Teriam pedido para que ela não entrasse com recurso administrativo. Em troca, os executivos da Siemens e da Alstom dariam parte do projeto para a perdedora. Ou seja, comprariam da empresa brasileira os equipamentos previstos no contrato.
Com a Alstom, o acordo foi assinado na noite do dia 23 de fevereiro de 2000. A empresa foi representada, segundo Edson Brockveld, por um diretor chamado Jean Bernard Devraignes. A Siemens, no entanto, esperou a data-limite para entrada de recurso, 24 de fevereiro de 2000, para assinar o acordo, em Brasília.
Naquele dia, para ter certeza de que tudo sairia conforme combinado, Hélcio Aunhão, diretor da Siemens, foi ao aeroporto da capital federal encontrar com Brockveld, então disposto a entrar com o recurso administrativo contra o resultado da licitação, o que nunca aconteceu. Depois de assinados os contratos, no entanto, as empresas vencedoras não honraram os acordos.
Edson Brockveld, então, esperou o momento certo de se vingar. A crise desencadeada a partir das denúncias de corrupção, justamente nos Correios, lhe pareceu à oportunidade ideal. O empresário foi ao Congresso Nacional para entregar toda a documentação sobre o caso a então senadora, hoje ministra Ideli Salvatti.
Disse a ela ter tomado a iniciativa de denunciar o caso cinco anos depois porque, impedido de participar da licitação e traído por empresas internacionais, achava que a CPMI dos Correios iria se interessar pelo caso. Por isso havia decidido ir pessoalmente ao Senado. Ele disse à senadora que, em princípio, não teria interesse em entrar em briga judicial contra a ECT, mas pretendia acionar a Siemens e a Alstom por quebra de contrato.
O diretor-regional de Vendas da Siemens no Brasil, Hélcio Aunhão, negou, na Sub-relatoria de Contratos da CPMI dos Correios, as acusações de que a empresa teria feito conluio com a Alston para que a Brockveld se retirasse da licitação do sistema de triagem interna de cargas dos Correios.
Aunhão confirmou ter assinado termos de intenção de compra de alguns equipamentos com a Brockveld, transação que, segundo Edson Maurício, serviria para compensar a empresa que se retirou, mas disse que a compra não foi realizada porque a empresa fornecedora não teria cumprido as condições estipuladas no contrato.
O sub-relator, então deputado federal, hoje Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, afirmou na audiência que a CPMI iria solicitar ao Ministério Público o aprofundamento da investigação sobre o caso.
O Ministério Público brasileiro obteve de autoridades da Suíça, este ano, a confirmação da existência de contas do operador do esquema junto ao Metrô de São Paulo, Roberto Marinho, no exterior. Agora, espera-se no MP a chegada de novas informações, vindas do Principado de Liechtenstein, vizinho à Suíça, de forma a rastrear o trânsito de grandes recursos no circuito de empresas e bancos do paraíso fiscal.
Segundo as autoridades o alimentador desse esquema seria a multinacional Alstom, que teria feito “acordo”, com os tucanos antes mesmo da Siemens e em relação ao Metrô de São Paulo, ou seja, no período que ocorreu às irregularidades no Correios, quando Pimenta da Veiga era Ministro das Comunicações de FHC.
Na multinacional alemã, o presidente no Brasil, Peter Loscher, foi afastado do cargo, numa responsabilização indireta sobre a gestão que teria participado de um cartel formado por 15 empresas, todas participantes de um esquema de pagamento de propinas aos tucanos.
Manga na carta
Ainda segundo o autor do texto, Marco Aurélio Carone, “os mineiros, desde o Império, têm sempre na manga uma carta, como agora que, enquanto o CADE vaza informações a respeito do ocorrido em São Paulo, os arquivos permanecem fechados em relação aos acontecimentos ocorridos em Minas Gerais, sob a guarda de Rutelly Marques da Silva, Conselheiro da Light indicado por Aécio Neves”, quando ainda ocupava o cargo de governador do Estado.
A” exemplo do ex-procurador de Justiça de Minas Gerais Fernando Antônio Fagundes Reis, Rutelly, no mínimo, exerce o cargo na concessionária em claro conflito de interesse. Depois de pesada crítica do MPMG, Fagundes Reis, por determinação do CNMP, optou pelo cargo na Light. Rutelly, nascido em 20 de janeiro de 1975, é Bacharel em Ciências Econômicas pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais e Mestre em Economia pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais. De 2003 a 2008, período que Aécio foi governador de Minas Gerais, exerceu o cargo de Assessor Técnico e Coordenador-Geral de Defesa da Concorrência e, posteriormente, de Coordenador-Geral de Energia da Secretaria de Acompanhamento Econômico, órgão do Ministério da Fazenda. Desde 04 de agosto de 2008 vem atuando como Secretário Adjunto desse mesmo órgão”, acrescenta o texto.
Ainda segundo o Novo Jornal, “numa entrevista para um programa de TV no auditório do Ibmec em São Paulo, Adilson Antônio Primo foi apresentado como o CEO que não fez MBA e que nunca foi demitido. Por quê? ‘Eu acho que a trajetória profissional acaba definindo os rumos que você toma dentro da empresa. Até agora, parece que não foi o rumo errado’, respondeu ele”. Dois anos depois, Primo foi demitido porque, segundo comunicado divulgado pela matriz na Alemanha, ‘foi descoberta uma grave contravenção das diretivas da Siemens na sede nacional, ocorrida antes de 2007′. A empresa nunca explicou o que quis dizer com ‘grave contravenção’, mas deixou vazar a informação de que Primo teve seu nome envolvido em um suposto desvio de dinheiro, ocorrido entre 2005 e 2006, que lhe teria rendido 6,5 milhões de euros”.
“Como CEO da Siemens, Adilson Primo também frequentava os eventos políticos e sociais. Não faltava aos encontros com autoridades, como ocorreu em julho de 2011, quando ele e o governador tucano Antonio Anastasia, de Minas Gerais, selaram com as mãos colocadas umas sobre as outras, como fazem os jogadores de futebol antes de entrarem em campo, o acordo para a construção de uma fábrica da Siemens em Itajubá, no sul do Estado. Já sem a presença de Primo no comando da Siemens, a empresa anunciou a desistência do projeto. O motivo seria a crise européia. Mas Adilson Primo foi para Itajubá, cidade que tem menos de 100 mil habitantes e é famoso no município por ocupar uma nova secretaria, encarregada entre outras atividades de conduzir a elaboração do novo Plano Diretor”, afirma.
http://amoralnato.blogspot.com.br/2013/09/esquema-siemens-operou-na-administracao_332.html

FHC: corrupção (i)mortal?




Por Izaías Almada

Comprei o livro "O príncipe da privataria", do jornalista Palmério Dória, ao meio dia numa livraria Saraiva. Comecei a ler por volta das duas e meia da tarde e fui terminar às duas e meia da madrugada, após pequenas interrupções para reflexões e dois ou três cafezinhos, além de um vigoroso e saudável sanduíche às oito da noite.

É um daqueles livros que lemos de uma enfiada só, como "A privataria tucana" do também jornalista Amaury Ribeiro Jr., e da mesma Geração Editorial. Elogiar o autor e a editora pela pesquisa e a investigação feita sobre a vida de um homem público, como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, seria gastar linhas a mais: a obra fala por si. E fala sobre o que se sabia mais ou menos, sobre o que se poderia desconfiar, mas – sobretudo – põe o dedo na ferida e expulsa o pus acumulado nos últimos anos de intensa e desavergonhada hipocrisia sobre ética e corrupção no Brasil.

Mais do que muitos dos fatos narrados e/ou lembrados, importa ler com atenção aquilo que o livro apresenta nas entrelinhas: o perfil e o caráter de um intelectual e político construído à luz de uma opção econômica e às sombras de uma definição ideológica. Em outras palavras: como aderir sem meias tintas ao neoliberalismo econômico avassalador dos anos 80, abrindo as porteiras do Brasil à espoliação impiedosa do capital internacional e abraçar uma ideologia voltada a atender aos interesses mais retrógrados e conservadores de uma elite (o leitor pode tapar o nariz se quiser) aculturada e servil a propósitos exógenos.

Está aí o grande valor da investigação do jornalista Palmério Dória com a ajuda do amigo e também jornalista Mylton Severiano: demonstrar a trajetória de uma personalidade inequivocamente submissa aos padrões e patrões que gerem seus negócios fora do Brasil, numa incansável batalha para vender um país com a porteira fechada. Bem como apontar a arrogância de quem, supondo-se extremamente inteligente, um intelectual à altura daquilo que sobrou dos restolhos de uma Revolução Francesa em termos republicanos, mas que conseguiu em oito anos, graças à compra de votos para a própria reeleição, criar um país de fancaria. Uma sociedade de renegados.

Uma leitura atenta aos capítulos 11 e 14 mostra a radiografia de um acadêmico, integrante de uma universidade que sofreu e ainda sofre, por parte de muitos de seus mestres, um impiedoso e rançoso ataque como defensores da tal modernidade ou posmodernidade, seja lá o que isso signifique em termos de desenvolvimento humano, capazes de tudo e mais um pouco para provarem ao mundo que o marxismo e o esquerdismo da sua juventude foram um mau passo dado na vida. “Esqueçam o que escrevi”, foi o brado de liberdade. Brado que, curiosa e paradoxalmente, não ecoou dentro da Academia Brasileira de Letras, que pelos vistos torna “imortal” em literatura alguém que renega as letras que escreveu. E nesse aspecto, sobre a obra acadêmica do personagem em questão, o capítulo 15 é saboroso. Corrupção (i)mortal?

O contingente de hipócritas no país, se não aumentou nos últimos anos do século XX e nos primeiros do XXI, acaba por deixar sua indelével marca do Acre, de mister X, ao Rio Grande Do Sul de Pedro Simon e Brossard, como bem demonstra "O príncipe da privataria", quando joga os holofotes sobre os mecanismos de construção para se criar no Brasil uma alternativa alongada de poder político e econômico neoliberal. No mínimo por vinte anos, mas interrompida em parte pela eleição de um metalúrgico nordestino e também, pela primeira vez, de uma mulher na presidência.

São os mesmos holofotes que fazem surgir agora, aqui e ali, já às vésperas de nova eleição presidencial, inequívocos traços de fermentação fascista, onde os seculares complexos da casa grande colonial, sempre submissa ao pensamento colonizador, não foram ainda superados por muitos dos brasileiros que não conhecem bem os “senhores do norte” e menos ainda os seus irmãos do sul.

O corredor polonês pelo qual tiveram que passar os médicos cubanos em Fortaleza é bastante emblemático...


http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/09/fhc-corrupcao-imortal.html

Globo faz pirraça contra blogs!

 Amoral Nato o Blogodita

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

 
Eu não queria acreditar que a Globo publicou aquele mea-culpa, esfarrapado e cínico, apenas por causa das denúncias que os blogueiros estão fazendo às suas truculências, de hoje e ontem. Para mim, a razão da Globo pedir desculpas ao Brasil era puramente mercadológica, ligada à abertura de um portal de arquivos contendo suas edições antigas. Mas fiz uma descoberta hoje que me espantou. A Globo realmente está incomodada com a turma da blogosfera.

O portal de memória do Globo tem uma aba intitulada “falsas acusações”. Uma delas é “o caso da bolinha de papel“. Depois de um monte de desculpas esfarrapadas, descritas com uma prolixidade exagerada e suspeita (como de quem tem culpa no cartório), o jornal conclui:

O que dizem, portanto alguns blogues sobre o episódio é pura distorção, pura invenção. É algo injusto com os profissionais da Folha de S. Paulo, em primeiro lugar, com os profissionais da Globo, com os profissionais do Estado de S. Paulo e com os profissionais do SBT. A função dos jornalistas é esclarecer os fatos. É o que o Memória Globo faz aqui.

A linguagem é vulgar, adolescente e partidária. Parece o próprio Serra se defendendo. Em nenhum momento, a Globo admite que deu “apoio editorial” a José Serra, e que a cobertura da “bolinha de papel” teve como objetivo produzir um factóide político que virasse o jogo eleitoral. A Globo não vai falar do caso Rubnei Quicoli, um ex-presidiário boçal que ganhou 8 minutos no Jornal Nacional, às vésperas da eleição presidencial de 2010, para dizer que o BNDES iria lhe emprestar 8 bilhões de reais?

Quer dizer, então, que a poderosa Globo montou um super portal para rebater blogs? Me parece todavia que a Globo cometeu um ato falho; ao usar as expressões “pura invenção” e “pura distorção”, ela se refere em verdade a si mesma.

O texto vacila, sobretudo, no tom irritadiço, desequilibrado; parece até escrito por um blog meia boca de direita. Relaxem, globais! Tomem um cafezinho!

http://amoralnato.blogspot.com/2013/09/globo-faz-pirraca-contra-blogs.html