segunda-feira, 30 de abril de 2012

Jornalismo e cumplicidade não são o mesmo


Não está em pauta, na CPI do Cachoeira, o sigilo de fontes jornalísticas.
Ninguém se interessa em saber qual foi a fonte do senhor Policarpo Júnior, da Veja, para os oito anos de matérias bombásticas, com gravações de diálogos escusos e revelação de supostos negócios ilegais.

Não tem interesse, porque todos já sabem: Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o “empresário de jogos”.

O que se quer saber é outra coisa: como foi o pacto de interesses políticos firmado entre a revista e o contraventor.

Carlos Cachoeira não forneceu uma ou duas informações à Veja. Teve, sim, uma longa convivência que, em termos biológicos, teria o nome de mutualismo: uma interação entre duas espécies que se beneficiam reciprocamente.

Cachoeira usava a Veja como instrumento de seu esquema de coação, chantagem, propinagem.

Veja usava Cachoeira como fonte de combustível para a fornalha de seu ódio político contra governos de esquerda, Lula e Dilma.

A maior prova é que as ligações de Cachoeira com Demóstenes Torres e Marcone Perillo, dois aliados de Veja no campo político, nunca foram objeto de apuração por parte da revista.

Ao contrário, o tal “grampo” do diálogo entre Demóstenes e o então presidente do STF, Gilmar Mendes, foi apresentado como resultado de arapongagem governista e fez estragos dentro da Polícia Federal.

Repíto: não se quer saber quem era a fonte de Veja, porque isso já se sabe, mas quais foram as relações entre a revista e a editora Abril no uso de gravações clandestinas, que eram as ferramentas de chantagem de Cachoeira.

Não existe “sigilo de fonte” na decisão interna de um órgão de imprensa em manter uma longa sistemática relação com um bandido.

Qualquer jornalista sabe a diferença entre receber informações de um bicheiro sobre algum caso e a de, sistematicamente, receber dele material clandestino que incrimine os policiais que lhe criem problemas. Sobretudo, durante anos e sem qualquer menção à luta de submundo que se desenvolvia nestes casos.

No primeiro caso, é jornalismo. É busca da informação e sua apresentação no contexto em que ela se insere.

No segundo, é cumplicidade. É uma associação para delinquir, criminal e jornalisticamente.

No crime, porque viola, de forma deliberada, direitos e garantias constitucionais. No caso Murdoch, o escândalo foi seu jornal ter grampeado telefones por razões políticas. Neste, o de ter utilizado por anos gravações clandestinas fornecidas por um terceiro, umn contraventor.

Sob o ponto de vista jornalístico, a pergunta é: se o “grampeador” de Murdoch tivesse trabalhado de graça, o seu jornal, News of the World, teria menos culpa?

Cachoeira trabalhou “de graça” para a revista, mas a revista sabia perfeitamente de seus lucrativos interesses em fornecer-lhe “o material”.

Seria o mesmo que o repórter de polícia, durante anos, saber que a fonte das informações que recebia as transmitia por estar interessado em “tomar” outros pontos de bicho e ampliar seu império zoológico.

É irrelevante se o repórter fazia isso por dinheiro ou por prestígio.

Repórter que agia assim, no meu tempo, chamava-se “cachorrinho”. E tinha o desprezo da redação.

Não se ofenda a profissão confundindo as duas coisas e nem se diga que o sr. Policarpo é mero repórter. É alguém, que pelo seu cargo, tem realções diretas com a administração empresarial da revista.

Não tem sentido falar em “preservação de fontes jornalísiticas” quando a fonte e o relacionamento entre ela e um editor – não um simples e inexperiente repórter – já são objeto de registro policial devidamente autorizado pela Justiça.

Sobre o que Veja e Cachoeira conversavam está no processo, não há sigilo a se quebrado aí.

O que se quer saber é como e porque Veja e Cachoeira viveram esta longa relação mútua e que benefícios para uma e outro advieram dela.

Por isso, o senhor Policarpo Júnior deve prestar, como testemunha, declarações à CPI.

Poderá alegar preservação de fontes quando for perguntado se a direção da editora sabia a origem do material que publicava?

Não parece que isso seja sigilo profissional, do contrário Murdoch escaparia ileso.

As gravações hoje pelo jornalista Luis Carlos Azenha,no Viomundo, reveladas a partir dos documentos publicados pelo Brasil 247, são uma pá de cal no tal segredo de justiça que, todos estão vendo, não existe mais.

Dois bandidos assumem que dirigiam as publicações de “escândalos” na Veja.

E isso é um escândalo, que não pode ficar oculto.

Ocultar fatos, sim, é que é um atentado à liberdade de imprensa.

Serra deu R$ 34 milhões à Editora Abril

Do portal R7:


Um levantamento feito junto ao Diário Oficial do Estado de São Paulo mostra que o ex-governador José Serra, quando ocupava o cargo, pagou cerca de R$ 34 milhões ao longo de um ano ao Grupo Abril, responsável pela publicação da revista Veja.
A pesquisa feita pelo jornalista Altamiro Borges em 2010, no jornal Correio do Brasil, revela que o dinheiro era transferido do governo paulista para o grupo por causa da assinaturas de revistas.

Parte do dinheiro foi destinado para a compra de cerca de 25% da tiragem da Nova Escola e injetou alguns milhões nos cofres de Roberto Civita, o empresário que controla a Editora Abril.

Além disso, na época, o tucano também apresentou proposta curricular que obrigava a inclusão no ensino médio de aulas baseadas nas edições do Guia do Estudante, outra publicação do grupo.

Depois de vários contatos, o R7 aguardava o retorno prometido pelos assessores do ex-governador.

Caso Cachoeira e a Veja

Nesta semana, gravações feitas pela Polícia Federal, à qual o R7 teve acesso, mostraram que Cláudio Abreu , ex-diretor da Delta Construções, deu orientações a um dos redatores-chefes da revista Veja, Policarpo Júnior, para produção de uma reportagem sobre Agnelo Queiroz (PT-DF).

Dias antes, foi publicada uma denúncia sobre a atuação do governador na operação Caixa de Pandora, que derrubou o antecessor e rival José Arruda (ex-DEM). Aparentemente, o grupo de Cachoeira tentava abastecer a revista com informações que interessavam a seus negócios.

Entre o dia 29 e 30 de janeiro, membros do grupo discutiram a repercussão da matéria e usaram a história para pressionar o governo pelo cumprimento de uma promessa não identificada pelo inquérito da PF.

Recentemente, Serra, atual pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, anunciou o jornalista Fábio Portela, ex-editor de Brasil da revista Veja, como coordenador de imprensa de sua campanha.
 
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/04/serra-deu-r-34-milhoes-editora-abril.html#more

E agora, Globo? Inquérito cita R$ 100 mil por mês para jornalistas derrubarem Agnelo


Num dos telefonemas gravados na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, de fevereiro deste ano, o ex-sargento Dadá diz que o jornalista Mino Pedrosa (ex-assessor de Cachoeira) teria um contrato de R$ 100 mil por mês com Filippelli (vice-governador do Distrito Federal e principal cacique do PMDB-DF) :

"Sombra" citado, remete ao jornalista Edson Sombra, que tem um blog de oposição ao governador petista.
A quadrilha de Cachoeira também queria trocar Agnelo pelo vice, conforme mostra o "viomundo".

A TV Globo andou investindo nesta linha de derrubar Agnelo.

Há 15 dias atrás, o "Blog da Helena" na Rede Brasil Atual, apontou que o "Jornal Nacional" noticiou de forma inversa aos fatos, e chegou a editar diálogos, transformando-os em monólogos para tirar o contexto da conversa que era favorável à inocência de Agnelo (aqui e aqui).

Agora, com o vazamento do inquérito na internet, merece destaque alguns trechos da conversa de Dadá com Cachoeira, após uma matéria na revista Veja atacando o governador Agnelo:

Mais informações »

Demóstenes tentou coagir ministros do STJ a inocentar aliado de Cachoeira


O MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES FOI O ÚNICO A VOTAR PELA ANULAÇÃO DO PROCESSO CONTRA AMILTON BATISTA FARIA, PRESIDENTE DA CÂMARA DE VEREADORES DE ANÁPOLIS, IMPORTANTE CONTATO DO BICHEIRO

247 – Em uma conversa com o bicheiro Carlinos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres pede informações para tentar anular o processo contra Amilton Batista Faria, presidente da Câmara de Vereadores de Anápolis, importante aliado do contraventor, junto aos ministros do STJ.Batista foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Goiás por contratar servidor fantasma às custas dos cofres públicos. O ministro Mauro Campbell Marques foi o único a votar pela anulação do processo

Leia na matéria do Globo:

BRASÍLIA - O senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) pediu a vários ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a anulação de um processo contra um aliado do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira

Gravações da Polícia Federal mostram que na véspera do julgamento, em junho do ano passado, Demóstenes telefonou para Cachoeira para pedir novamente o número do processo, para continuar o lobby pelos gabinetes dos ministros.

Mais:

http://brasil247.com/pt/247/poder/56975/Dem%C3%B3stenes-tentou-coagir-ministros-do-STJ-a-inocentar-aliado-de-Cachoeira.htm

Agnelo (PT) não era o "número 1" nas conversas de Cachoeira, mas sim Perillo (PSDB)


- por Simone de Moraes, no Câmara em Pauta


A tentativa de imputar ao governador Agnelo Queiroz a pecha de numero 1 no esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira, foram por água a baixo. Em um telefone gravado pela Policia Federal fica claro que o numero 1 é o governador Marconi Perillo. Agora resta saber se as sombras que ora pairam sobre o jornalismo de BSB, e que tentam a todo custo lhe botar no meio do escândalo, vão se retratar com o Governador?

Leia a transcrição dos diálogos:

TELEFONE NOME DO ALVO

31601002'7445095 CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS· MONTE CARLO

INTERLOCUTORES/COMENTÁRIO

CARLINHOS X CLAUDIO(I'LX)

DATAlHORA INICIAL DATAIHORA FINAL DURAÇÃO
15/07/2011 19:32:21 15/07/2011 19:33:16 00:00:55

ALVO INTERLOCUTOR ORIGEM DA LIGAÇÃO TIPO

316010027445095 316010027459804 316010027459804 R

·RESUMO

CLAUDIO pergunta se não tem jeito de EDIVALDO ir para o lugar de JOÃO FURTADO e como foi a conversa com o NÚMERO I (MARCONI).

CARLINHOS diz que MARCONI quer falar com ele pessoalmente e marcou um encontro na quarta-feira à noite na casa de MARCONT.

SERÁ QUE O JANTAR FOI BOM GOVERNADOR?

CONTATO ENTRE MARCONI PERILLO E CARLINHOS CACHOEIRA:

TELEFONE NOME DO ALVO

6293391661 CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS - MONTE CARLO .

INTERLOCUTORES/COMENTÁRIO

CARLINHOS X MARCONI(PLX)

DATAIHORA INICIAL DATA/HORA FINAL DURAÇÃO

03/05/201120:48:12 03/05/201120:49:05 00:00:53

ALVO INTERLOCUTOR ORIGEM DA LIGAÇÃO TIPO

ISEGREDO DE JUSTiÇA)

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

DEPARTAMENTO DE POLiCIA FEDERAL

SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL NO DISTRITO FEDERAL

SAIS - QUADRA 07 - LOTE 23 - SETOR POLICIAL SUL BRASfLIA-DF - CEP_ 70349-970

A

RESUMO

MARCONI parabeniza CARLINHOS por seu aniversário c confinnajantar entre eles.

DIÁLOGO

CARLINHOS: oi.

HNI: CARLOS?

CARLINHOS: é.

HNI: um momento. por favor, que o GOVERNADOR MARCONI vai falar.

MARCONI: liderança .

CARLINHOS: fala amigo, tudo bem?

MARCONI: rapaz, faz festa e não chama os amigos?

CARLINHOS: o que é que isso.

MARCONI: parabéns.

CARLINHOS: tudo bem? Obrigado pela lembrança, viu, GOVERNADOR.

MARCONI: ". que Deus continue te abençoando aí, te dando saúde, sorte.

CARLINHOS: amém, muito obrigado, viu?

MARCONI: um grande abraço pro você, viu?

CARLlNHOS; obrigado. aí, viu?

MARCONI: cu vou falar com o EDIVALDO pra gente marcar uma conversa, tá?

CARLINHOS: exatamente. Tô esperando, viu?

MARCONI: j á tá marcado. quinta-feira, não tem?

CARLINHOS: é, quinta-feira. O SENADOR me ligou, tá? Obrigado pela lembrança.

MARCONI: tá bom. Um abraço, tchau.

(encerrada) .

JANTAR ENTRE MARCONI PERILLO. DEMÓSTENES TORRES E CARLINHOS

CACHOEIRA:

TELEFONE NOME DO ALVO

316010027445095 CARLOS AUGUSTO DE ALMEiDA RAMOS - MONTE CARLO

INTERLOCUTORESICOMENTÁRIO

CARLINHOS X EDIV ALDO(PLX)(ECX)

DATAIHORA INICIAL DATNHORA FINAL DURAÇÃO

241031201 I 19:00:24 241031201 I 19:01:18 00:00:54

ALVO INTERLOCUTOR ORIGEM DA LIGAÇÃO TIPO

316010027445095 316010027450302 316010027450302 R

RESUMO

EDIVALDO fala que a GLORINHA da CASA CIVIL disse que o GOVERNADOR agendou um jantar na quarta feira.

Como o MARCONI vai explicar ou justificar agora sobre a casa dele que foi vendida e ele alega que não sabia que o Cachoeira era o comprador? Deixou cortar a água por falta de pagamento.

CASA COM CONTA DE ÁGUA NO NOME DE MARCONI PERILLO

TELEFONE NOMÉ DO ALVO

316010027445095 CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS - MONTE CARLO

INTERLOCUTORES/COMENTÁRIO

CARLINHOS X WLADMIR(PLX)

DATA l HORA INICIAL DATA/HORA FINAL DURAÇÃO

23/0812011 21 :08:04 23/081201.1 21 :08:54 00:00:50

. ALVO INTERLOCUTOR ORIGEM DA LiGAÇÃO TIPO

316010027445095 316010027450381 316010027450381 R

RESUMO

CARLINHOS diz que foi emitido aviso de corte c foi co~do o fornecimento de água na casa onde ANDRESSA está morando, que pertencia ao GOVERNADOR (MARCONI PERILO) em sociedade com CARLINHOS, vendida ao PROF,VALTER PAULO. .

DIÁLOGO

WALDM[R: Ô chefe. Ele tá ligando lá pro menino pra mandar religar ar. Vai ligar pro gerente lá pra ver como é que faz.

Conversei. C.lm 0l rópi io JULlNHO. Mas deixa eu te falar, c ... não é só tirar o lacre lá não?

CARLINHOS: não, mexer com esse trem não. (incompreensivel). E outra coisa: R$ 40.00, rapaz,. casa do GOVERNADOR e emite um papel de corte ... pega um papel desse aqui,. demite todo mundo lá.

WALDMIR: Demite mesmo. Me pede isso aí que eu vou reforçar pra ele, concorda?

CARLINHOS: Ta aqui na minha mão. Agora (ininteligivel).

WALDMIR:É.

ENCERRADA
 
http://tudo-em-cima.blogspot.com.br/2012/04/agnelo-pt-nao-era-o-numero-1-nas.html

Precipitado, Merval inocenta Policarpo e Veja



Foto: DIVULGAÇÃO

EM ARTIGO PUBLICADO NESTE DOMINGO, COLUNISTA DO GLOBO DIZ QUE NÃO HÁ NADA DE

ANORMAL NO RELACIONAMENTO ENTRE POLICARPO JÚNIOR E CARLOS CACHOEIRA. DAS

DUAS UMA: OU ELE NÃO LEU O RELATÓRIO VAZADO PELO 247 OU SUA DEFESA FAZ PARTE

DO PACTO DE NÃO AGRESSÃO FIRMADO ENTRE ABRIL, GLOBO E FOLHA29 de Abril de 2012 às 10:51

247 – Vazamentos. Este é o título da coluna do jornalista Merval Pereira, publicada neste domingo no jornal O Globo. Claramente, o objetivo é limpar a barra da revista Veja e do seu diretor Policarpo Júnior, que se relacionava frequentemente com o bicheiro Carlos Cachoeira.

Merval diz que o inquérito completo da Operação Monte Carlo, vazado pelo 247, comprovaria a lisura das relações entre Veja e Cachoeira. Várias hipóteses podem ser levantadas: (1) Merval não leu o inquérito; (2) Merval leu e não compreendeu; (3) a defesa faz parte do pacto de não agressão firmado por Globo, Abril e Folha (leia mais aqui).

Até agora, o inquérito já revelou vários pontos que merecem ser discutidos pela imprensa séria:

1) Cachoeira produziu os filmes ilícitos do Hotel Naoum, publicados na revista Veja, com o objetivo de “incendiar a República”.

2) Cachoeira produziu a denúncia contra o ex-diretor do Dnit, Luiz Antônio Pagot, publicada na revista Veja, para favorecer a construtora Delta – aliás, foi a revista Época, da Globo, quem fez a denúncia de que Cachoeira se vangloriava de ter “colocado no r...” do Pagot.

3) Cachoeira e Demóstenes Torres tentaram provocar o impeachment do governador Agnelo Queiroz, com denúncias publicadas na revista Veja, por meio do “PJ” (Policarpo Júnior). Sobre isso, leia mais aqui.

4) “Poli”, outro apelido de Policarpo Júnior, também aparece no inquérito numa tentativa de “f...” um secretário de segurança pública.

No mínimo, Merval Pereira foi precipitado. No relatório, Policarpo Júnior aparece também com codinomes. Em alguns momentos, além de “Poli” e “PJ”, ele é chamado de “caneta”.

Mas, para o colunista da Globo, não há nada de anormal neste relacionamento entre um jornalista e um dos maiores contraventores que o Brasil já produziu. Eis o que diz o jornalista do Globo:

“Eles (os vazamentos) demonstram mais uma vez que o relacionamento de jornalistas da revista Veja com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e seus asseclas nada tem de ilícito, ficando preservada, por tudo que se conhece até o momento, a tênue linha que separa a ética jornalística de atos que podem comprometê-la. O caso do jornal popular “News of the World”, que colocou seus diretores e proprietários no banco dos réus, é exemplar dessa diferença: lá os jornalistas contratavam arapongas para espionar celebridades e políticos. Aqui, até o momento está demonstrado que a revista se utiliza de gravações realizadas para revelar os escândalos da República.”

Ora, Merval. Aqui é muito pior: o bandido contratava os arapongas. As gravações – que Merval não define como legais ou ilegais - não eram realizadas para revelar escândalos da República. Mas, sim, para defender interesses comerciais privados, como os da construtora Delta ou do próprio Cachoeira.

Segundo Merval, o máximo que o inquérito revela é o tratamento “íntimo” do bicheiro com o jornalista e o pedido de uma notinha.

Na posição que ocupa, de principal articulista da Globo, Merval, membro da Academia Brasileira de Letras, acaba de chancelar a associação entre o crime e a imprensa.
 
http://dilma13.blogspot.com.br/2012/04/precipitado-merval-inocenta-policarpo-e.html

sábado, 28 de abril de 2012

Inquérito da PF cai na internet e comprova: Veja se imiscuiu com Cachoeira.


Cara de paisagem na capa da revista, diante do Inquérito nº 3.430 no STF que mostra como a revista se imiscuiu com Carlinhos Cachoeira. Desmoralização total.

A revista, em vez de tentar pelo menos se explicar, publica uma capa de amenidades que poderia ser da revista "Claudia", ou "Marie Clair", e faz de conta que o inquérito não existe.

Uma chamada de capa sobre Cachoeira, só para servir de garota de recados para supostas ameaças do bicheiro.

A Polícia Federal mapeou a ação de Carlinhos Cachoeira e seus arapongas influindo na revista Veja, o que levou a episódios como o vídeo clandestino no Hotel Naoum com José Dirceu, e a montagem de dossiê contra Dilma durante as eleições de 2010:
 
O bicheiro usa seus laços com a revista Veja para emplacar reportagens de seu interesse político:
A íntegra do inquérito está aqui.



http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2012/04/inquerito-da-pf-cai-na-internet-e.html

CPI do Cachoeira: não se pega os ratos sem colocar o queijo na ratoeira



Tem muita gente reclamando da CPI do Cachoeira não entrar direto de sola na velha imprensa. Mas convenhamos que não seria inteligente, nem produtivo.

Seria apenas prato cheio para a oposição criar confusão e "melar" a CPI (o que estão tentando fazer), igual aconteceu quando o então senador tucano Antero Paes de Barros (MT) encerrou a CPI do Banestado sem concluí-la, e o PT naquela época não teve habilidade (ou não teve maioria), para conduzir a comissão até seu desfecho final.

Até agora o gesto do relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT/MG), está perfeito. Só aprovou os requerimentos pedindo acesso compartilhado aos inquéritos das Operações Monte Carlo e Vegas.

A partir desse material é que se terá acesso, por exemplo, aos 200 telefonemas de Policarpo Júnior com Carlinhos Cachoeira, e sabe-se lá mais o quê. Uma análise destes telefonemas é que dará ideia do tamanho da encrenca em que a velha imprensa se meteu com a quadrilha de Cachoeira, e do encaminhamento a ser dado.

Sem isso, podemos tirar nossas conclusões, mas não passarão de suspeitas sem provas.

De nada adianta convocar Policarpo, Civita e outros para depor, sem fazer um bom trabalho prévio de "garimpagem" de informações.

Na CPI eles só dirão o que lhes interessam, ou recorrerão ao direito de se silenciarem. Nos autos da operação, acreditando estar imunes a grampos, com certeza há conversas tão inconfessáveis que a revista Veja não publicou nenhum deles.

De posse do que eles conversaram e do que fizeram, os depoimentos tornam-se mais produtivos, pois os parlamentares podem fazer as perguntas certas e, digamos, fatais.

Apesar da tentação em fazer revistas como a Veja provar do próprio veneno, seria pensar pequeno se as forças governistas se limitassem a isso. Os compromissos dos partidos da esquerda progressista não é o mesmo da oposição demotucana, que só pensa em destruição dos adversários para chegar ao poder.

O compromisso maior da esquerda progressista é construir uma nação com instituições democráticas mais honestas, com democratização da informação, com eleições limpas, onde governos continuem representando a vontade do povo, e não a vontade dos donos da imprensa, do poder econômico e das máfias.

A grande virtude da CPI no capítulo da mídia, será exumar a corrupção que existe na imprensa, através da promiscuidade da troca de favores econômicos (diretos ou indiretos) entre vendedores de notícias com fins lucrativos, oligarquias políticas, grupos econômicas e máfias.

Quanto mais factual for essa exumação e quanto menos "comícios" dentro da CPI, mais eficiente será. Lembrem-se que o importante não é saciar a nós mesmos com mais evidências de que Globo, Veja, Folha e Estadão formam um partido da imprensa corrupta e golpista, sem escrúpulos. O importante é provar aos outros incautos que não acreditam nisto, mostrando que é fato irrefutável.

Outro grande tento que a CPI deve buscar é esclarecer aos que ainda não caíram a ficha, que político, para defender o cidadão, não pode ser eleito financiado e devendo favor a banqueiros, empreiteiras e mafiosos.

Em tempo: a objetividade racional e séria dentro dos trabalhos da CPI não impede discursos fora dela, no plenário da Câmara ou do Senado, de opinião e de embate político, sejam inflamados ou não.

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2012/04/cpi-do-cachoeira-nao-se-pega-os-ratos.html

Resta à Veja fazer de Policarpo o seu bode expiatório



Se existia dúvida quanto à inclusão da revista Veja no rol dos que serão investigados pela CPI do Cachoeira, a partir do vazamento na internet do inquérito que foi enviado ao Congresso pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski, tal duvida virou pó.

Quem deu o furo foi o controverso site Brasil 247, que tem comprado briga com a Veja, com blogs progressistas, reacionários e que, entre seus colunistas, conta com figuras antagônicas como o petista José Dirceu e o tucano Artur Virgílio.

A importância do furo é tão grande e o conteúdo do inquérito tão explosivo que o Jornal Nacional citou a fonte, de onde eclodiu uma cachoeira de acusações contra o já exangue Demóstenes Torres e o governador Marconi Perillo, que mantém ar impoluto apesar da lama que já lhe chega à cintura.

E é aí que entra a revista Veja, apesar de, por enquanto, continuar de fora dos telejornais. A publicação aparece mal na fita, ou melhor, nas fitas das gravações da Polícia Federal que figuram no inquérito.

Em um dos trechos largamente divulgados na internet, Cachoeira e companhia aparecem decidindo em que seção da revista deverão ser publicadas informações que passaram ao editor Policarpo Jr., informações que a quadrilha pretendia que prejudicassem seus adversários nos “negócios”.

Como se não bastasse, a transcrição das escutas revela que as imagens do ex-ministro José Dirceu se encontrando com membros do governo federal em um hotel de Brasília que Veja publicou, foram fornecidas pelo esquema de Cachoeira.

E essas são só algumas das muitas garimpagens que estão sendo feitas por uma legião de internautas no material divulgado pelo 247, que ainda não inclui os contatos do editor da Veja com a quadrilha apesar de ele e a publicação aparecerem nos diálogos, o que sugere que ainda há material oculto.

Torna-se impossível, assim, que a CPI deixe de convocar, se não o dono da Veja, Roberto Civita, ao menos o seu editor Policarpo Jr. a fim de dar explicações, pois o que já vazou deixa claro que a mera relação fonte-repórter que a revista alega era muito mais do que admite.

Diante da confirmação de maior envolvimento da Veja no escândalo, parece lícito especular que, se a chapa esquentar, Policarpo pode receber uma proposta do patrão: assumir sozinho ônus dessa relação inexplicável que fez de Cachoeira uma espécie de ghost-editor da revista.

Esse tipo de proposta se baseia em pagamento de alta soma e apoio jurídico integral. Como o bode expiatório, supõe-se, não tem passagens pela polícia, torna-se réu primário, ou seja, não vai para a cadeia. E, depois de ultrapassado o desgaste do processo, sai rico dele.

A Veja sairia chamuscada, mas sem responsabilização criminal. É o que está acontecendo na Inglaterra, no caso Murdoch. Ele diz que “não sabia” de nada e empurra a culpa para os funcionários. Só que não está funcionando. Mas isso é na Inglaterra e estamos no Brasil.

http://www.blogcidadania.com.br/2012/04/resta-a-veja-fazer-de-policarpo-o-seu-bode-expiatorio/

Mino: os sonhos e as certezas dos Mervais




Saiu na Carta Capital artigo de Mino Carta:


Opinião pública, o que é?

Pergunto aos meus reflexivos botões qual seria no Brasil o significado de opinião pública. Logo garantem que não se chama Merval Pereira, ou Dora Kramer, ou Miriam Leitão. Etc. etc. São inúmeros os jornalistas nativos que falam em nome dela, a qual, no entanto, não deixa de ser misteriosa entidade, ou nem tão misteriosa, segundo os botões.

A questão se reveste de extraordinária complexidade. Até que ponto é pública a opinião de quem lê os editorialões, ou confia nas elucubrações de Veja? Digo, algo representativo do pensamento médio da nação em peso? Ocorre-me recordar Edmar Bacha, quando definia o País -como Belíndia, pouco de Bélgica, muito de Índia. À época, houve quem louvasse a inteligência do economista. Ao revisitá-la hoje, sinto a definição equivocada.

Os nossos privilegiados não se parecem com a maioria dos cidadãos belgas. A Bélgica vale-se da presença de uma burguesia autêntica, culta e naturalmente refinada. Trata-se de tetranetos da Revolução Francesa. Só para ser entendido pelos frequentadores do Shopping Cidade Jardim em São Paulo: não costumam levar garrafas de vinho célebre aos restaurantes, acondicionadas em bolsas de couro relampejante, para ter certeza de uma noite feliz. Até ontem, antes do jantar encharcavam-se em uísque.

Em contrapartida, a minoria indiana, sabe das coisas e leu os livros. Já a maioria, só se parece com a nossa apenas em certos índices de pobreza, relativa ou absoluta. No mais, é infelicitada por conflitos, até hoje insanáveis, étnicos e religiosos. Nada de Bélgica, tampouco de Índia. Nem por isso, a diferença, ainda brutal, existe entre brasileiros ricos e pobres, embora desde o governo Lula tenha aumentado o número de remediados.

O Brasil figura entre os primeiros na classificação da má distribuição de renda, pecha mundial. Na semana passada, CartaCapital publicou ampla reportagem de capa sobre vários índices do nosso atraso, a mostrar que crescimento não é desenvolvimento. De fato, o Brasil sempre teve largas condições de ser um paraíso terrestre, como vaticinava Americo Vespucci, e não foi porque faltou o comando de quem quisesse e soubesse chegar lá. Sobrou espaço para os predadores, ou seja, aqueles que, como dizia Raymundo Faoro, querem “um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”.

A opinião pública que os Mervais, Doras e Mirians da vida acreditam personificar, é no máximo, na melhor das hipóteses para eles, a dos seus leitores. Há outra, necessariamente, daqueles que não se abeberam a essas fontes, e muitos sequer têm acesso à escrita. Votam, contudo, e são convocados pelas pesquisas de opinião. À pressão midiática, que ignoram por completo, preferem optar por Lula e Dilma Rousseff. Temos de levar a sério esta específica e majoritária opinião pública claramente expressa e, em termos práticos, mais determinante que a outra.

A opinião pública que a mídia nativa pretende personificar já condenou o chamado mensalão e decidiu os destinos da CPI do Cachoeira. A opinião pública da maioria está noutra. O resultado do confronto há de ser procurado nas pesquisas e nas eleições, é o que soletram meus botões. Eles são exigentes e me forçam a um exame de consciência. Por que as circunstâncias me levam à referência frequente a mídia nativa? Acontece que a mídia é, sim, personificação da minoria. Aquela do deixa como está para ver como fica.

A mesma que conspirou contra Getúlio democraticamente eleito e contra a eleição de Juscelino. Ou que apoiou Jânio Quadros em 1960, tentou evitar Jango Goulart depois da renúncia e enfim implorou o golpe perpetrado pelos gendarmes fardados em 1964, e o golpe dentro do golpe em 1968. A mesma que desrespeitou o anseio popular por eleições diretas em 1984 e engendrou uma dita redemocratização, de todo patética, em 1985, e hoje ainda dá uma de galo no papel impresso e no vídeo. Será que a rapaziada se dá conta do que está a acontecer de verdade?

A mídia nativa, é fácil demonstrar, na sua certeza de representar a opinião pública do País todo pratica aquilo que definiria como jornalismo onírico. Neste mister, o Estadão de quinta 26 supera-se. Estampa na primeira página que a presidenta Dilma mente ao afirmar, ao cabo de um longo encontro com Lula em Brasília, a ausência de diferenças entre ela e seu mentor. A presidenta responde obviamente a uma pergunta e diz: “Não há diferenças entre nós e nunca haverá”. Então por que perguntam se estão certos de que seu sonho é a própria verdade?

http://www.conversaafiada.com.br/pig/2012/04/27/mino-os-sonhos-e-as-certezas-dos-mervais/

Com Cachoeira, Demóstenes combina ‘bater’ em Gurgel, um ‘sem vergonha’


Investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) chamou o procurador-geral, Roberto Gurgel, de “sem vergonha” durante o escândalo do caso Palocci, em 2011. Áudios mostram que, em conversa com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o parlamentar afirmou que tinha de “bater” em Gurgel para ele não se animar a investigá-lo.

Segundo a Polícia Federal, a interceptação foi feita na manhã seguinte a um pronunciamento no Senado em que Demóstenes criticava a atuação do procurador-geral, que arquivou a investigação contra o ex-ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff, Antonio Palocci, A representação foi feita pelos partidos de oposição. Na ocasião, o senador foi um dos maiores críticos à postura de Gurgel.

“Se não der nele, ele (Gurgel) começa a pegar a gente também, você entendeu? Agora, se ele está cumprindo obrigação do governo, agora ele inocenta o governo e depois pega um da oposição. Isso é sem vergonha. Se não bater nele, ele anima”, disse Demóstenes, em conversa às 10h06 do dia 7 de junho de 2011. Cachoeira elogiou o discurso do parlamentar e ressaltou que o procurador ficou “desmoralizado” depois da fala do senador.

Na época em que Demóstenes criticava Gurgel, a PF já havia remetido ao procurador peças do inquérito da Operação Vegas, que demonstravam a proximidade entre o senador e Cachoeira. Nos grampos, o parlamentar pede dinheiro ao contraventor para pagar suas despesas. Contudo, mesmo de posse do material desde 2009, o procurador só pediu autorização ao STF para investigá-lo em 2012, após a crise provocada pela Operação Monte Carlo.

Na quarta-feira, dia da primeira sessão da CPI do Cachoeira no Congresso, o senador Fernando Collor (PTB-AL) propôs a convocação de Gurgel, mas o requerimento foi rejeitado. Questionado pela imprensa sobre por que não pediu autorização para investigar Demóstenes em 2009, Gurgel afirmou que o inquérito daquele ano dependia de informações que só viriam a ser obtidas na Monte Carlo, deflagrada há dois meses.

‘Fumaça’.

As interceptações mostram que o senador e Cachoeira cogitavam representar ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra a recondução de Gurgel ao cargo. O procurador teria, segundo Demóstenes, deixado de cumprir sua obrigação funcional. “Seria uma ótima representar contra ele no Conselho,” diz o senador, animado com a proposta de Cachoeira de fazer um ato contra a recondução de Gurgel ao cargo.

Em 3 de agosto, durante a sabatina para a recondução, Demóstenes voltou a questionar o procurador sobre o arquivamento no caso Palocci. “Causou estranheza porque, para se iniciar uma investigação, bastam indícios, que são fumaças, e o que nós imaginávamos é que (ele) iria abrir um processo de investigação. Vossa excelência teve documentos a que nós não tivemos acesso, que são sigilosos, e há algumas situações muito estranhas. O Supremo já admitiu investigação a partir de matérias de jornal”, afirmou o senador.

Na época, Gurgel afirmou que não via indícios de crime e, por isso, decidiu arquivar as representações. “Não é possível concluir pela presença de indício idôneo de que a renda havida pelo representado (Palocci) como parlamentar ou por intermédio da Projeto adveio da prática de delitos, nem que tenha usado do mandato de deputado federal para beneficiar eventuais clientes de sua empresa perante a administração pública.”

Nesta sexta-feira, 27, a Procuradoria-Geral da República não comentou as críticas de Demóstenes relacionadas à atuação de Gurgel. Estadão

Por Helena

'Game over' para a Veja: Cachoeira dava ordens na revista


Fim de jogo para a revista Veja. Ela já não tem mais como alegar que Carlinhos Cachoeira era só "fonte".

Em um diálogo gravado pela Polícia Federal (acima), mostra o bicheiro dando ordens ao chefe da sucursal da revista em Brasília, Policarpo Júnior.

O bicheiro define o quê, quando e como seria publicada uma nota de seu interesse na revista.

Em outro diálogo abaixo, Cachoeira e o gerente da Delta tenta infiltrar na FOLHA, igual conseguiram na revista Veja.

Do diálogo se conclui que Cachoeira "entrou dentro" da Veja, que fazia uma "interface dentro" da Veja, para não publicar coisas contrárias aos interesses da organização criminosa:

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2012/04/game-over-para-veja-cachoeira-dava.html

Juiz tucano aprovou as cotas por medo de ficar isolado



Antes de chegar ao ponto que intitula este post, haverá que fazer um longo preâmbulo para que o leitor possa entender a questão. Vamos a ele, pois.
Na quarta-feira (25/04), o jornalista Elio Gaspari, em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, previu o desenlace do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) impetrada pelo DEM contra a política de cotas para negros adotada pela Universidade de Brasília.

A previsão de Gaspari: “No palpite de quem conhece a Corte, o resultado será de, pelo menos, sete votos a favor e quatro contra” as cotas na UNB.

Tratou-se de uma previsão para lá de otimista para os adversários da igualdade racial no Brasil, ainda que não parecesse, pois a chance de derrota do DEM era, previsivelmente, muito maior. E era maior por conta dos complexos fatores técnicos e políticos que envolvem a questão e que passo a explicar.

Quem o jornalista disse que “conhece a Corte” parece não conhecê-la tanto assim. Este blogueiro mesmo, às 16:14 hs., três horas antes do término do Julgamento (que ocorreu por volta das 19:30 hs.) previu, através do Twitter, que a decisão a favor das cotas poderia ser unânime. Abaixo, reprodução da mensagem que publiquei naquela rede social.


Mais uma vez, perguntaram-me sobre uma tal “bola de cristal” de cristal que eu teria por conta de previsões que fiz como aquela sobre a crise econômica de 2008, de que seria mesmo uma marolinha, o que foi dito em um momento em que todos, à esquerda e à direita, diziam que o país afundaria. Ou como a que fiz dias antes da publicação da última pesquisa Datafolha, a previsão de que a popularidade de Dilma dispararia.

Infelizmente, não tenho bola de cristal alguma. Se tivesse, trataria de descobrir o resultado de alguma loteria, eis que ando precisado… O que tenho é só um método de lidar com a lógica que só funciona quando disponho de elementos suficientes, o que dificilmente ocorre.

Certas vezes, porém, os fatos gritam para ser notados. E, nesse caso do julgamento das cotas, o fenômeno era intenso. Afinal, acolher a premissa do DEM seria uma aberração jurídica. Seria desmoralizante para qualquer juiz que preze minimamente a própria imagem. E não apenas para a sua capacidade técnica, mas do ponto de vista da imagem de pessoa pública.

Houve um tempo em que os juízes do STF não ligavam para o Direito ou para a própria imagem por não passarem de meros despachantes dos setores mais poderosos da sociedade que o presidente da República, que exercia a mesma função, guindava a postos dessa importância.

Foi uma era de trevas em que um presidente ousou manter no cargo, por oito anos, um único procurador-geral da República. Alguém cuja função era arquivar qualquer ação incômoda para o Poder Executivo, o que lhe valera o apodo de engavetador-geral da República.

Na era Lula, os despachantes da elite na cúpula do Judiciário ou do Ministério Público foram sendo substituídos por militantes do melhor Direito preocupados com a própria imagem e descompromissados com o banditismo que imperara naquelas instituições até a chegada do ex-operário ao poder, o que possibilitou que os procuradores-gerais indicados por ele aceitassem um processo contra quem os nomeou, como o do mensalão, o que jamais teria ocorrido quando o PSDB estava no poder.

Hoje, dos onze ministros da Suprema Corte de Justiça do país, oito foram nomeados por Lula ou por Dilma Rousseff. A moralização da mais alta instância do Poder Judiciário, pois, virou um fato. Com efeito, o mensalão jamais estaria para ser julgado se os governos do PT não tivessem optado pelo que havia de melhor para a Procuradoria-Geral da República ou para o STF.

Com a excelência dos ocupantes daquela Corte, seria praticamente impossível que as cotas perdessem. Até porque, entre os três juízes nomeados por antecessores de Lula, só dois já se envolveram em maracutaias: Marco Aurélio Mello, indicado por Fernando Collor de Mello (e que é primo do ex-presidente, vejam o absurdo!), e Gilmar Mendes, indicado por Fernando Henrique Cardoso. Celso de Mello, indicado por Sarney, sempre se portou direito.

Ora, a questão que aqueles juízes julgavam não poderia ter outro destino. Bastaria o menor conhecimento da situação social do país para perceber que o pleito do DEM não passava de uma tentativa de prestação de serviços a uma elite decadente, corrupta e racista.

Dados do IBGE mostram que qualquer outra decisão que não a que foi tomada, seria um absurdo. E de que os argumentos que a imprensa e essa elite esgrimem não passam de banditismo intelectual.

Vejamos, por exemplo, o que um desses impérios de comunicação corruptos que tentam atrasar ou mesmo impedir a justiça social no país diz em editorial publicado nesta sexta-feira, 27 de abril, um dia após a decisão unânime do STF em prol da igualdade racial.

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FOLHA DE SÃO PAULO

27 de abril de 2012

Editorial

 
Cotas raciais, um erro

Tratamento desigual para reparar injustiças deveria contemplar apenas critérios sociais objetivos – não a cor da pele, obsessão importada O Supremo Tribunal Federal declarou as políticas de cotas raciais em universidades federais compatíveis com a Constituição. A decisão será saudada como um avanço, mas nem por isso terá sido menos equivocada.

Ninguém duvida que a escravidão foi uma catástrofe social cujos efeitos perniciosos ainda se propagam mais de um século após a Abolição. Descendentes de cativos -de origem africana ou nativa, pois também houve escravização de índios – sofrem, na maioria dos casos, uma desvantagem competitiva impingida desde o nascimento.

As políticas adotadas por universidades que reservam cotas ou garantem pontuação extra a candidatos originários daquela ascendência procuram reparar essa iniquidade histórica. A decisão do STF dará ensejo à disseminação de tais medidas em outras instâncias (acesso a empregos públicos, por exemplo), o que ressalta a relevância do julgamento.

São políticas corretivas que podem fazer sentido em países onde não houve miscigenação e as etnias se mantêm segregadas, preservando sua identidade aparente. Não é o caso do Brasil, cuja característica nacional foi a miscigenação maciça, seguramente a maior do planeta. Aqui é duvidosa, quando não impraticável, qualquer tentativa de estabelecer padrões de “pureza” racial.

Não se trata de negar a violência do processo demográfico ou o dissimulado racismo à brasileira que dele resultou, mas de ter em mente que a ampla gradação nas tonalidades de pele manteve esse sentimento destrutivo atrofiado, incapaz de se articular de forma ideológica ou política. Com a mentalidade das cotas raciais, importa-se dos Estados Unidos uma obsessão racial que nunca foi nossa.

No Brasil, a disparidade étnica se dissolve numa disparidade maior, que é social -uma sobreposta à outra. A serem adotadas políticas compensatórias, o que parece legítimo, deveriam pautar-se por um critério objetivo -alunos de escolas públicas, por exemplo- em vez de depender do arbítrio de tribunais raciais cuja instalação tem algo de sinistro.

A Constituição estipula que todos são iguais perante a lei. É um princípio abstrato; inúmeras exceções são admitidas se forem válidos os critérios para abri-las. A ninguém ocorreria impugnar, em nome daquele preceito constitucional, a dispensa de pagar Imposto de Renda para os que detêm poucos recursos.

O cerne da questão, portanto, consiste em definir se há justiça em tratar desigualmente as pessoas por causa do tom da pele ou se seria mais justo, no empenho de corrigir a mesma injustiça, tratá-las desigualmente em decorrência do conjunto de condições sociais que limitaram suas possibilidades de vida.

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O editorial diz que a desigualdade “racial” brasileira não seria um “critério social objetivo”, mas uma “obsessão importada” porque, no Brasil, houve miscigenação enquanto que nos Estados Unidos, onde surgiu a política afirmativa das cotas “raciais”, não houve.
E daí? A miscigenação por acaso impede o racismo? O IBGE mostra que não. Segundo estudos da instituição, a proporção de estudantes de 18 a 25 anos de idade frequentando curso superior é de 19,4% da população para os brancos e 6,8% para os negros e pardos. E a proporção de pessoas de 25 anos ou mais de idade que concluíram curso superior é de 13,4% para brancos e de míseros 4% para negros e pardos.

A pesquisa completa do IBGE pode ser conferida aqui.

Sim, houve mistura racial no Brasil, mas tanto os negros “puros” quanto os mestiços sofrem tanto ou mais no Brasil quanto nos Estados Unidos. Isso sem falar dos índios, que a política de cotas também contempla tanto quanto aos negros e pardos, bem como os brancos pobres, que, apesar de existirem, são em percentual infinitamente menor.

Qualquer análise séria da questão revela que cotas por critério meramente econômico, as ditas cotas sociais – que já existem não só nas políticas afirmativas do governo federal quanto, exclusivamente, em governos mais conservadores como o de São Paulo, na USP e na Unicamp –, são insuficientes.

Se fossem adotadas unicamente, se o critério da pobreza prevalecesse sobre o critério racial para conceder vagas em universidades, o negro continuaria sendo prejudicado, pois os brancos, nos estudos do IBGE, sempre estão em melhor condição que os negros, inclusive entre os pobres.

No Brasil, os 2% mais pobres são compostos por negros e mestiços de brancos com negros, em situação ainda pior do que a dos índios, que também sofrem muito. Se entre os que ganham abaixo de determinado valor fosse usado o critério do mérito, por exemplo, os brancos continuariam chegando à frente de afrodescendentes e índios, o que perpetuaria o problema.

Os juízes mais preocupados com as próprias imagens, portanto, não cometeriam essa vilania de negar aos mais prejudicados a oportunidade de saírem da senzala cultural a que foram confinados durante a escravidão e após a libertação dos escravos.

Os únicos juízes capazes de dar uma banana para o Direito em prol de seus patronos políticos seriam Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes, que chegaram a pôr criminosos ricos em liberdade (Salvatore Cacciolla e Daniel Dantas, respectivamente). Mello, porém, de vários anos para cá passou a se portar melhor e tem marcado sua atuação por decisões libertárias e humanistas.

Só havia um juiz que pendia claramente pela desigualdade racial: Gilmar Mendes. Isso fica muito claro, aliás, em seu voto no julgamento da ADPF 186, a das cotas.

Outra matéria da Folha de São Paulo mostra sua tendência e permite, pela lógica, supor que votou contra o DEM, partido com quem andou tendo relações pra lá de esquisitas, por medo de ser o único entre os dez juízes a votar a favor do racismo.

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FOLHA DE SÃO PAULO

27 de abril de 2012

Cotidiano

Gilmar Mendes faz ressalvas a cotas raciais

Apesar de favorável à política de reserva de vagas, ministro chama a atenção para eventuais distorções de sistema da UnB
Depois de dois dias de julgamento da ação proposta pelo DEM, sessão foi encerrada sob sonoros aplausos

DE BRASÍLIA

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes votou a favor das cotas, mas foi o único a fazer críticas ao sistema adotado pela UnB.

Mendes afirmou que o critério racial não é o melhor para definir quem deve ser beneficiado pela reserva de vagas e que um modelo incluindo a renda seria mais apropriado.

Ele citou “distorções e perversões” que poderiam ser geradas pela atual política. Entre elas, a possibilidade de um aluno negro e rico, que sempre estudou em escola particular, entrar na universidade por cotas, enquanto um pobre, porém branco, não.

(…)

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Ora, a opinião de Mendes é incompatível com seu voto. Se julga que a política de cotas da UNB contém “perversões e distorções” como a de um negro rico ter possibilidade de tomar o lugar de um branco pobre, deveria ter votado a favor da ADPF do DEM. Se votou diferente, é porque sabia que ficaria isolado e porque essa sua questão poderia ser desmontada facilmente.

Inexiste a possibilidade de um “negro rico”, talvez filho de pagodeiro ou jogador de futebol – situações em que um negro pode enriquecer, salvo exceções –, tomar a vaga de branco pobre. A política de cotas exclui estudantes de escolas particulares, ora. E alguém acha que um negro rico colocaria seu filho em escola pública?

http://www.blogcidadania.com.br/2012/04/juiz-tucano-aprovou-as-cotas-por-medo-de-ficar-isolado/

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Brasil já é terceiro credor dos EUA


Por Mauro Santayana, em seu blog:

 
Até agora, ninguém deu a notícia. Com 372 bilhões de dólares em reservas internacionais, o Brasil acaba de se converter, aplicando mais da metade delas em “treasuries”, no terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos, como pode ser visto na própria página oficial do tesouro norte-americano. O acúmulo de reservas internacionais, cujo custo de carregamento tem caído em linha com a redução da taxa Selic, serve para valorizar o dólar com relação ao real, favorecendo nossas exportações, e é, sobretudo, uma arma geopolítica, que mantêm em situação positiva a imagem do Brasil frente às agências internacionais de classificação de risco e em uma posição de força em organismos como o G-20, o Banco Mundial e o FMI.
Conheço empresários brasileiros de linha mais desenvolvimentista, no entanto, que pensam que a política de acúmulo de dólares poderia ser complementada com a emissão de moeda, no mercado interno, destinada a investimentos diretos do governo na área de infraestrutura, por exemplo. Tal medida, com uma pequena expansão administrável da inflação, derrubaria o valor do real frente ao dólar, favorecendo as exportações, injetaria dinheiro em todos os níveis da economia produtiva, e criaria milhões de empregos.
 
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/04/brasil-ja-e-terceiro-credor-dos-eua.html#more

Lula e Dilma conversam por quatro horas e deixam orelha da velha imprensa ardendo




Por: Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual



A presidenta Dilma almoçou com o ex-presidente Lula em Brasília no Palácio da Alvorada na quarta-feira (25). Esticaram a prosa por mais de quatro horas. No encontro estavam os ministros Aloizio Mercadante (Educação), Guido Mantega (Fazenda) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), além do ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins.

Com um grupo destes reunido, o que conversaram? Evidentemente sobre política, conjuntura nacional, internacional, economia e eleições, além de amenidades pessoais entre velhos amigos. Mas certamente nenhum deles é fonte que falaria confidências em off para jornalistas da velha imprensa.

Mas sabem como é... jornalista em Brasília, do lado de fora, fica com a "orelha ardendo", imaginando se estariam falando mal de seus amados patrões ou de correligionários políticos de oposição.

Mas mesmo sem ter como saber o que conversaram lá dentro, a gente vê publicada no jornal O Globo uma baboseira destas abaixo, ao gosto do chefe deles, que nem com muito boa vontade a gente consegue acreditar. Aliás a matéria nem foi assinada. O título da nota é " No primeiro dia da CPI, Lula se reúne com Dilma e ministros".

Acompanhe alguns trechos, devidamente comentados:

“Para acertar os ponteiros da Comissão que vai investigar Carlinhos Cachoeira...”

A CPI já tinha feito sua primeira reunião pela manhã e já havia aprovado os requerimentos, enquanto Dilma e Lula só se reuniram à tarde, o que demonstra o quanto a notícia é inventada.

“No primeiro dia de funcionamento da CPI mista do caso Cachoeira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou quatro horas reunido com a presidente Dilma Rousseff ... para defender sua posição favorável à investigação e unificar o discurso do PT e do governo no Congresso.”

Ai, ai, ai... Lula, se tivesse que "defender sua posição" sobre a CPI junto a Dilma, faria isso em um telefonema de dois minutos, jamais precisaria ir a Brasília, se reunir por quatro horas com a presidenta, três ministros e um ex-ministro, depois que a CPI já havia começado a funcionar, pela manhã.

“Nas conversas desta quarta-feira, Lula repetiu sua tese de que a investigação será a oportunidade de atacar os opositores do governo que estão sob suspeita, ainda que isso represente eventuais perdas no próprio PT.”

Como "chutam" esses jornalistas. A CPI é uma oportunidade para levar o país a reformas moralizantes, tais como eliminar o financiamento de campanha por empreiteiras, bicheiros e bancos, e para esclarecer suposta corrupção na imprensa, através de espionagem clandestina, empresarial e partidária.

“Paralelamente à reunião de Lula com Dilma, o presidente do PT, Rui Falcão, teve reuniões com o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), um dos alvos da oposição na CPI Mista, e depois com parlamentares do partido que integram a comissão, também para unificar o discurso. Falcão negou que o PT não esteja apoiando Agnelo, mas nos bastidores já se fez o cálculo: se Agnelo tiver problemas com Cachoeira, não terá como ser preservado.”

Falcão visitou Agnelo, manifestou apoio público, desmentiu boatos plantados de que teria pregado a renúncia do governador na semana passada, e a "fonte nos bastidores" de O Globo deve ser gente da tropa de choque de Joaquim Roriz ou José Roberto Arruda.

“À noite, no Congresso, os líderes petistas foram orientados pelo Palácio do Planalto a ter sobriedade e conter os arroubos na CPI, mantendo o foco já estabelecido. Delimitar, por exemplo, a investigação a contratos da Delta que já estão sob suspeitas.”

De novo: a reunião da CPI foi de manhã, portanto não havia mais o que recomendar de noite, pois já estava feito. E, desde as denúncias contra Demóstenes, a maioria dos líderes petistas tem demonstrado bastante seriedade, evitando tripudiar e evitando tornar a CPI um circo de especulações como quer a oposição. Quanto à investigação sobre a Delta, o governo federal já disponibilizou os contratos na Internet no site do DNIT, portanto sequer faz sentido falar em "delimitar" investigações sobre estes contratos.

“O ministro da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, que esteve no almoço e é considerado um interlocutor de Lula no Planalto, já estaria trabalhando para convencer o ex-presidente a se acalmar e “tirar a faca dos dentes”.

Aqui O Globo se enrola todo na invencionice e cai em contradição: se escreveu no primeiro parágrafo que houve uma reunião de quatro horas "para aparar arestas", e se Carvalho é "interlocutor de Lula no Planalto", como diz acima, como ele poderia estar trabalhando para "acalmar" Lula? Trabalhando a serviço de quem? De Dilma? Mas a Presidenta estava na reunião. Para quê interlocutores? Fica claro que é tudo inventado. Aliás, Lula tem demonstrado bastante calma. Quem tem demonstrado estar à beira de um ataque de nervos são jornalistas de determinados veículos da imprensa.

“Um dos maiores temores do governo e do PT é em relação ao magoado ex-diretor do Dnit, Luiz Antonio Pagot, que pode comprometer o governo, ao escancarar detalhes de contratos do Ministério dos Transportes com a construtora Delta. Foi diante de argumentos como esses que Lula estaria moderando o tom beligerante em relação à CPI.”

Mais um "chute". Pagot já prestou esclarecimentos em duas comissões no Congresso antes de deixar o cargo no DNIT. O órgão já passou por auditorias e foi investigado. Se há mágoa agora é contra seus algozes: a turma da revista Veja com a turma de Cachoeira, que planejaram matérias na revista contra ele e comemoraram sua queda por estar atrapalhando interesses do grupo de Cachoeira em contratos da Delta.

“Outra suposta divergência entre Lula e Dilma foi na escolha do relator da CPI. Enquanto Lula brigou pela indicação do ex-líder Cândido Vaccarezza (PT-SP), considerado incendiário, Dilma queria o líder do PT na Câmara Paulo Teixeira (PT-SP). Com o impasse, a escolha recaiu sobre o mineiro Odair Cunha.”

Outra contradição: a divergência é "suposta", mas o jornalista advinha tudo dentro da suposição. É difícil acreditar que Lula e Dilma tenham entrado em disputas internas da bancada do PT, onde qualquer dos três nomes eram bem qualificados. No máximo, podem ter conversado sobre qual nome seria mais adequado. Daqui a pouco vão dizer que disputas de vereadores de qualquer município do Brasil é uma briga entre Lula de um lado e Dilma do outro. Além disso, qualquer jornalista bem informado sabe que Vaccarezza tem desempenhado nos últimos tempos papeis de articulação e conciliação, o que não tem nada incendiário.

“A conclusão hoje é que a escolha do Odair Cunha para relator da CPI foi a melhor, justamente por causa da sua sobriedade – disse um dos participantes da reunião no Alvorada.”

O único parágrafo da matéria que foi fiel à verdade, apesar de a conclusão não ter sido fruto dos motivos expostos
E tem mais

A matéria do jornal ainda fala do lançamento do documentário sobre a transmissão do cargo presidencial de Lula para Dilma, motivo da viagem de Lula, e termina quebrando a cara ao patrulhar o ex-presidente, quando conclui: "O ex-presidente foi a Brasília em jato fretado pelo Instituto Lula. O aluguel estimado é de cerca de R$ 30 mil."

O Instituto Lula se capitalizou no ano passado com as palestras do ex-presidente para empresas no Brasil e no exterior, portanto teve receitas de sobra para este gasto – que de resto também carece de comprovação. Mas não se vê o jornal ter a mesma preocupação com os vôos de líderes tucanos como José Serra e o senador Aécio Neves.

A irritação do presidente do PSDB


Por Leandro Fortes, na CartaCapital:


O que antes era só uma acusação, agora está documentalmente provado: no dia 7 de fevereiro passado, os deputados tucanos Rogério Marinho (RN) e Sérgio Guerra (PE), acompanhados de um assessor ainda não identificado, participaram de um ato de destempero no sétimo andar do anexo IV da Câmara dos Deputados, em Brasília. Estimulado por Guerra, que é presidente nacional do PSDB, Marinho simplesmente arrancou um cartaz de propaganda do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., então afixado na porta do gabinete do deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP). CartaCapital teve acesso às imagens captadas pelas câmeras de segurança pelas quais se constata, quadro a quadro, como dois parlamentares do maior partido de oposição do País se comportam de forma pouco democrática nas dependências do Congresso Nacional.

Os dois primeiros quadros das imagens captadas pelas câmeras de segurança mostram a dupla de deputados deixando o gabinete de Sérgio Guerra, localizado a 50 metros do gabinete de Protógenes Queiroz. Depois, no terceiro quadro, Marinho é flagrado à distância por uma das câmeras no momento em que arranca o cartaz, com Guerra bem às suas costas, enquanto o assessor observa a cena, um pouco mais atrás. O último quadro mostra o trio se afastando, Marinho com o cartaz na mão, ao mesmo tempo em que fala ao celular. O cartaz de “A Privataria Tucana”, livro que conta as peripécias de parentes, sócios e amigos do tucano José Serra em movimentações bilionárias por contas secretas no Caribe, acabou numa lata de lixo, ao lado de um elevador.

A atitude dos deputados tucanos poderá acabar mal. Isso porque o deputado Rogério Marinho confessou o crime. Segundo ele, arrancar o cartaz da porta de um outro parlamentar foi “um ato político”. O Código de Ética da Câmara dos Deputados enquadra a ação de Marinho, contudo, como infração “às regras de boa conduta nas dependências da Casa”, passível de ação de quebra de decoro parlamentar. O deputado Queiroz prestou queixa do ocorrido no Departamento de Polícia Legislativa da Câmara e, na quarta-feira 26, requereu ao presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), abertura de procedimento disciplinar contra Marinho e Guerra.

Caso o assunto chegue a ser julgado pela Comissão de Ética, os parlamentares do PSDB poderão sofrer censura verbal em sessão do plenário da Câmara e uma suspensão de seis meses do mandato parlamentar. É uma briga que vai se estender à CPI do Cachoeira, da qual Queiroz e Marinho são titulares. Guerra, ao saber da queixa do colega do PCdoB à polícia legislativa, apressou-se em também acusar Queiroz, delegado licenciado da Polícia Federal, de quebra de decoro por ter sido citado em gravações da Operação Monte Carlo, nas quais conversa com o araponga Idalberto Araújo, o Dadá, com quem trabalhou na Operação Satiagraha, em 2008.