terça-feira, 31 de maio de 2011

Carta complica senador Mário Couto na Corrupção da ALEPA




Sonegação fiscal, fraudes em licitação e na folha de pagamento, brigas de família, chantagem e ameaças, compõem o escândalo de corrupção na Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA).


Uma carta apreendida em um mandado de busca e apreensão na casa da ex-servidora da Assembleia, Daura Hage, abriu uma nova frente de investigação e que envolve o ex-presidente da ALEPA, hoje senador Mário Couto (PSDB/PA) e sua filha, a deputada estadual Cilene Couto (que foi chefe da auditora da ALEPA na gestão do pai).


O documento, classificado por promotores como “bombástico”, foi escrito pelo dono da Croc Tapioca, o ex-marido de Daura Hage, José Carlos Rodrigues de Souza, e foi uma das principais pistas que levaram ao organograma das fraudes nas licitações da ALEPA.


O Ministério Público já apurou que entre os anos de 2005 e 2006, cinco empresas de parentes de Daura Hage faturaram cerca de R$ 8 milhões em contratos com a casa. Concorrências montadas e notas fiscais sem recolhimento de impostos estão entre as irregularidades já constatadas.


Senador apontado como principal beneficiado


Na carta, José Carlos Rodrigues de Souza faz referência ao senador de Daura, apontado por ele como “principal beneficiado” do esquema. Os promotores acreditam que o senador a que Rodrigues ser refere seja Mário Couto.


A carta descreve ainda uma guerra particular travada entre os integrantes da quadrilha.

O documento não está datado, mas faz referência a Darfs (Documentos de Arrecadação da Receita Federal) de 2009, o que leva a crer que a carta foi escrita naquele ano, quando a Croc Tapioca começou a desmoronar, alvejada por uma série de cobranças da Receita Federal.


José Carlos e Daura já estavam separados. Pressionado pela Receita, ele exigiu ajuda de Daura para pagar os impostos e multas que chegavam à empresa. “Não tinha mais intenção de manter contato contigo, pois realmente tu és de um ‘extirpe muito elevada’ para ter vivido 17 anos do meu lado. Só resolvi te escrever para te comunicar que recebi uma citação da Receita Federal comunicando que a J.C está sendo interpelada judicialmente além de está [sic] em dívida ativa da União”, escreveu José Carlos Rodrigues de Souza.


Atraída pela movimentação de recursos feita pela modesta empresa de tapioca, a Receita Federal havia iniciado em 2006 uma investigação. O procedimento resultou nos Darfs emitidos em 2009. Rodrigues então ameaça: “Daura, vou te fazer mais uma proposta e te dar mais uma chance: até o dia 20 de maio aniversário de a tua [sic] filha tu Vaz [sic] me repassar o valor deste Darf (anexo). Como e aonde tu Vaz [sic] arrumar não é problema meu. Funcionária pública com o teu salário e gastando com plástica e tantos patrimônios e outras coisas, deve ter muita bala na agulha, mas posso te dar uma dica: reuni [sic] os verdadeiros cabeças da tua quadrilha, faz uma vaquinha, pede pro principal beneficiado, o teu senador, ou vende um dos teus patrimônios e resolve até o dia 20/05. Daura, eu não estou brincando”, escreveu o dono da Croc.


Denúncia atinge Secretário de Estado de Trabalho no governo tucano de Simão Jatene, filho da funcionária-bomba


No documento, José Carlos Rodrigues de Souza contou que chegou a conversar sobre o caso com a então deputada petista Regina Barata. Tinha prometido repassar a ela fotos e documentos. “Eu já prometi à dep. Barata. Vou mostrar quem é o verdadeiro cabeça dos esquemas de vocês”. Regina Barata chegou a fazer pronunciamento na AL, denunciando superfaturamento na compra de tapioca, mas o caso não chegou a ser investigado. Na carta, Rodrigues afirma ter fotos de malas com dinheiro, muitos documentos, além de três horas e 13 minutos de gravações de conversas de Daura “com pessoas gente boa como Rosa Hage [Conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios] e seu filhinho [o deputado licenciado e hoje secretário de Estado de Trabalho, Junior Hage], Cilene [provavelmente Cilene Couto], Cássio, Adailton, Rosana [pode ser Rosana Castro Barletta, chefe da Controladoria da AL], etc, etc, etc e mais outras coisas comprometedoras que estão guardadas a sete chaves”.


No final da carta, Rodrigues avisa que duas cópias dos documentos estão em poder de pessoas da confiança dele e ameaça em letras maiúculas “QUAQUER TENTATIVA DE ME PREJUDICAR OU TENTARES [sic] ELAS SABERÃO O QUE FAZER”.


O Ministério Público tentou chamar José Carlos Rodrigues para depor, mas ele não foi encontrado. Por isso, na semana passada, conseguiu mandado de busca e apreensão nas empresas dele. Computadores e uma centena de documentos foram aprendidos e ainda serão analisados. Por meio de advogados, contudo, Rodrigues já indicou que poderá depor ainda nesta semana. Os promotores querem acesso “às coisas comprometedoras” que ele diz ter guardadas a sete chaves.


“Essa carta está ligada a outros fatos como os Darfs que foram apreendidos em poder de Daura Hage. O dados mostram que o dinheiro transitou por lá, mas não foi tributado”, diz o promotor Arnaldo Azevedo, que comanda as investigações do escândalo da AL na esfera criminal.


O promotor diz que associada a outros documentos, a carta de Rodrigues se tornou uma prova importante.


“É essa carta associada àqueles processos licitatórios [encontrados com o ex-diretor Financeiro Sérgio Duboc, associados aos Darfs] que vão dar um contexto probatório”, explica.


Além dos documentos encontrados com Daura Hage e na Croc Tapioca, outro importante indício das fraudes são os contratos apreendidos com o ex-diretor Financeiro da AL, Sérgio Duboc.


Os papéis estavam no gabinete dele na diretoria do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Logo após a busca e apreensão, Duboc deixou o cargo. (do Diário do Pará)
Por Zé Augusto



Acabou a crise da inflação. Como o PiG (*) vai derrubar a Dilma ?




E ainda tinha a urubóloga




Saiu no Estadão online a informação da Agência Nacional de Petróleo sobre a queda do preço do etanol em todo País.


Em São Paulo, quartel general do PiG (*), o etanol no mês caiu 4%.


Já de manhã, a pesquisa Focus do Banco Central indica que a expectativa do “mercado” para a inflação cai há três semanas.


E olha que o “mercado”, ou seja, os economistas das maiores instituições financeiras do País que participam da Focus, costuma chutar a inflação para cima e forçar o Banco Central a elevar os juros.


Isso deu certo quando o presidente do BankBoston, Henrique Meirelles, acumulava a função de presidente do Banco Central.


Hoje, não há ninguém do “mercado” na diretoria do Banco Central.


A pirueta da pesquisa Focus hoje faz menos efeito.


Como o PiG (*) tentará derrubar a Dilma, sem a crise da hiperinflação ?


Os filhos do Roberto Marinho já trataram de “matá-la” na capa da revista Época.


Sobra agora o Tony Palocci que, a cada dia, solapa a estabilidade e a credibilidade da Presidenta.


Mas, por motivos óbvios, o PiG (*) bate leve no Palocci.


Tão leve quanto bate no Ricardo Teixeira.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.



Carro caro aqui ajuda Fiat a salvar Chyrsler nos EUA




O presidente da Fiat e do Grupo Chrysler, Sergio Marchionne, disse hoje que as vendas na América Latina salvaram em 2010 os resultados do fabricante italiano, sem explicar se os lucros obtidos pelo grupo nos países latinoamericanos ajudaram o grupo a pagar os US$ 7,6 bilhões que os governos americano e canadense emprestaram à Chrysler para que esta não falisse, em 2008
“América Latina “foi a salvação da Fiat, há de mais de um ano”, disse à Agência Efe, sem detalhar números, durante visita à fábrica de fundição da Chrysler em Etobicoke, nos arredores da cidade canadense de Toronto”.


Bom, não tenho também os números de toda a América Latina, mas o grupo Fiat vendeu 760 mil carros no Brasil, com lucro de R$ 1,6 bilhão aqui.


Sinal que o tal de “custo Brasil” não dá pra ser usado como “desculpa universal” para os preços dos automóveis ser tão alto, não é?



PSDB espanca “maconheiros” na rua e “alisa” na TV




Polícia tucana bate em quem leva tucano a sério





O Conversa Afiada reproduz texto sempre agudo do blogueiro sujo Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania:


No domingo, no Fantástico, da TV Globo, foi ao ar reportagem em que o principal líder político do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, defende que usuários de maconha possam plantar a erva em casa e, também, que a lei deixe de penalizar o usuário da droga.


Enquanto isso, em São Paulo, o governo mais importante comandado pelo PSDB, através da polícia sobre a qual exerce controle absoluto, reprime com violência jovens que foram às ruas defender aquilo que o mesmo partido defende na TV pela boca dele, do tal líder político.


Segundo a Polícia, o governo e a Justiça de São Paulo, os garotos que foram à rua defender o que defende Fernando Henrique Cardoso teriam feito “apologia” à maconha. Resta saber quem fez tal “apologia” para mais gente, se os jovens na rua ou FHC na televisão.


Diante dessa situação esquizofrênica desse partido reacionário e violento nas ruas e gentil e progressista na mídia, surge uma questão que deve interessar ao menos aos partidários das teorias pró-maconha: não dá pra trocar o comportamento do PSDB das ruas com o da TV?


Abaixo, reportagens do Fantástico alisando aquele que diz coisas que basta qualquer outro dizer para os pistoleiros do PIG chamarem de “maconheiro” e do UOL mostrando o lado, digamos, mais “careta” do PSDB.



Redação Conversa Afiada e inocenta Teixeira




Foi Triesman quem disse que Teixeira perguntou o que você tem aí para mim




Amigo navegante mineiro chama a atenção deste ansioso blog para a forma pela qual o G1, o Globoesporte.com e o Bom (?) Dia Brasil tratam do escândalo que enrola a Fifa e Ricardo Teixeira.




Na informação interna não há mais suborno.


O interessante, porém, é a informação que segue a reportagem do Bom (?) Dia Brasil o repórter informa que a própria Fifa considerou Ricardo Teixeira inocente de ajudar a Rússia a derrotar a Inglaterra na disputa pela Copa de 2018.


Como se sabe, um dirigente do futebol inglês disse ao Parlamento inglês que Ricardo Teixeira lhe perguntou o que você tem aí para mim.


A Fifa inocentou Teixeira. E a Globo inocentou a Fifa e Teixeira.


É mais ou menos como se o Vaticano inocentasse o Bispo de pedofilia.


Em tempo: o jornal nacional do Ali Kamel não ousou perder tempo com o Ricardo Teixeira. Fez uma reportagem que absolve o presidente da Fifa e sequer mencionou o presidente da CBF. O que seria do Esporte da Globo sem o Ricardo Teixeira ? Ou será o contrário ?


Paulo Henrique Amorim


Redação Conversa Afiada diz que Cerra destruirá Aecio





Saiu no Globo:


Ciro Gomes ataca Lula e dispara críticas a aliados e oposiçãoIsabela MartinFORTALEZA – Sem mandato há seis meses e afastado da cena política nacional, o ex-deputado federal Ciro Gomes (PSB) reapareceu, nesta segunda-feira, e criticou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela falta de discrição ao aparecer publicamente em Brasília, na semana passada, na tentativa de conter a crise a partir da divulgação do crescimento vertiginoso do patrimônio do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.


Para Ciro, Lula cometeu um erro e pode ter prejudicado o capital político da presidente Dilma Rousseff (PT).


- Ele, inclusive, na minha opinião, cometeu um erro: se ele quer ajudar, faça isso pelo telefone, discretamente. Mas essa ida a Brasília liquida com qualquer capital político que a Dilma possa e deva acumular, que é inerente à liderança que ela tem como presidente – disse após participar como palestrante no evento sobre Economia Verde na Assembleia Legislativa do Ceará.







Ciro faz falta ao ambiente político brasileiro.



Foi ele quem chamou de “calhordice” a forma de o Padim Pade Cerra explorar o tema do aborto na campanha.



Foi ele quem disse que Cerra numa campanha eleitoral era garantia de baixo nível.



Foi Ciro quem avisou ao PT quanto custa uma aliança com os padrões da Ética e da Moral PMDbista.



Faz ou nao faz falta, amigo navegante ?



Paulo Henrique Amorim


Tecnologia brasileira não é moinho de vento

Pás para turbinas feitas pela Tecsis chegam a Olimpia, Washinghton, EUA



Exceto pelo Estadão, que publicou uma boa matéria, quase não teve destaque nos jornais um negócio de extrema importância: o acordo que vai permitir a sobrevivência de um empresa brasileira com tecnologia de ponta, numa área estratégica para o Brasil e para o mundo: a energia eólica.


É um mercado que está crescendo de forma gigantesca no Brasil. O Brasil possui 44 parques eólicos em operação, todos construídos com incentivos do Programa de Infraestrutura (Proinfra).


Segundo a Carta Capital , “apesar do grande potencial dos ventos que sopram por aqui, os turboélices geram apenas 0,5% da energia produzida no País. A expectativa é de que este cenário mude daqui para frente. Nos últimos dois anos, o governo federal contratou a construção de 141 novos empreendimentos, que serão entregues entre 2012 e 2013″.


O potencial brasileiro está atraindo as grandes empresas, e não pratico a xenofobia de não dizer que são bem-vindas, se vêm para gerar energia limpa, pouco agressiva – agressivo, sempre é – ao meio ambiente.


Mas há duas questões importantes a considerar.


Uma, a de que este mercado tem, necessariamente, de estar articulado com a política energética nacional e com a geração hídrica que é a base de nossa matriz de energia elétrica. Por que? Porque a geração eólica não permite armazenar energia, como fazem as barragens das hidrelétricas, e seu fornecimento apresenta oscilações. Bom para nós é que, especialmente no Nordeste, o regime de ventos mais intensos coincide com o período de seca que baixa o nível – e a capacidade geradora – das usinas hidrelétricas.

A segunda é de que não podemos deixar de dominar, aqui, essa tecnologia. E é aí que entra a importância da Tecsis, um empresa que produz as gigantescas pás – algumas com 50 metros de comprimento – que exigem apuradíssima engenharia e tecnologia de materiais para reunirem extrema leveza e resistência.


São, a rigor, como asas de avião. E a Tecsis nasceu justamente da criatividade e perseverança de um engenheiro aeronáutico, formado pelo ITA, Bento Koike, filho de uma família japonesa que veio ao Brasil para escapar da recessão pós-guerra. Bento é um cara discretíssimo, segundo um dos poucos textos que encontrei sobre ele. Até para achar fotos dele é difícil, tamanha é sua aversão aos holofotes que se voltam para um projetista e empresário que tem seu produtos comprados pelas mais avançadas empresas do mundo, como a GE, a Alston e a Siemens e já vendeu mais de 30 mil pás, capazes de gerar tanta energia como Itaipu, que não fica tirando onda de “gênio” e curte mesmo é, além da filharada, fazer bem o seu trabalho.


Com a ajuda, essencialmente, de seus colegas de ITA. Em 2007, ele disse á Época Negócios que “o sucesso da Tecsis pode ser atribuído a uma engenharia muito competente e criativa”. E segue a revista, contando que “reza a lenda que, na Tecsis, só entram formandos do ITA. É uma quase-verdade. “Vou deixar muita gente chateada se disser que são todos do ITA. Então, digo que são do ITA e de outras escolas de ponta.”, diz Bento.


Sua empresa, diante das dificuldades que enfrentou, não saiu degolando os funcionários. No início do ano passado, teve de apelar para um lay-off , regime no qual os trabalhadores ficam afastados da fábrica, mas continuam recebendo seus salários e fazem cursos de qualificação. O salário pago aos afas­tados é integral. A faixa até R$ 800 é paga com verbas do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e o restan­te foi complementado pela empresa e a a Tec­sis manteria o emprego dos cerca de 3.500 funcionários. e a empresa conseguiu antecipar pedidos e, em poucos dias, voltou todo o pessoal para a linha de montagem.


Agora, com a reestruturação que encolveu o BNDES, a Unipar, o grupo Estater e os credores da empresa, a Tecsis vai ter gás para se consolidar como uma das líderes deste mercado, que só tende a crescer.


Parabéns ao Bento Koike e a todos os brasileiros que estão mostrando que desejar que este país ser líder não é perseguir moinhos de vento, embora possa ser fazê-los.


PS. Em respeito à discrição do Bento Koike, a foto que vai no post é de suas pás de turbinas. Mas que ele fique sabendo que ia uma ótima, em que ele é só sorrisos. E não por causa dos negócios, mas pelo novo filhote que chegou.



Presidente do PR em SC é preso sob suspeita de estupro




O presidente do PR (Partido da República) em Santa Catarina, Nelson Goetten de Lima, foi preso na tarde de hoje sob suspeita de estupro e aliciamento de menores.


Segundo o delegado Renato Hendges, o ex-deputado federal abusou, pelo menos duas vezes, uma em 2009 e outra em 2010, de adolescentes.


A investigação aponta ainda que o político realizava orgias em seu apartamento, em Itapema (70 km de Florianópolis), nas quais participavam menores de idades.


O professor Gilberto Orsi e Cristiane Alves eram os responsáveis por aliciar as meninas, ainda segundo Hendges. Os dois também foram presos.


Nelson passou o fim do dia em uma sala da Diretoria Estadual de Investigações Criminais, na Capital do Estado. O delegado afirmou que o político seria encaminhado a uma das celas da delegacia após prestar depoimento.


No local, outros seis presos dividem duas celas de quatro metros quadrados cada.


Nelson, que vem sendo investigado desde 2009, foi preso quando estava em uma barbearia em São José (12 km de Florianópolis). A prisão havia sido decretada na semana retrasada.


O advogado do ex-deputado, Roberto Carvalho Fernandes, disse que seu cliente vinha sendo ameaçado, por telefone, para dar R$ 50 mil a conhecidos da suposta vítima de estupro. Caso contrário, "iriam acabar com a vida dele".


Ainda segundo o advogado, a menina já passou por exames que comprovaram que ela não foi estuprada.


O método “Ricupero” às avessas volta a atacar




Vocês lembram que, não faz um mês – quando o caso Palocci não tinha estourado e a “aposta” na inflação crescente era a única arma da oposição – inclua-se nela a mídia , a pedido da presidente da Associação Nacional dos Jornais, D. Judith Brito” – contra o Governo Dilma?


Eram as tais “expectativas de mercado” empurrando lá para cima a inflação e pressionando – aí está o que queriam, mesmo – para a elevação da taxa pública de juros, a Selic.


Bom, o golpe inflacionário falhou e os “sabidos” do mercado estão, já há quatro semanas, realinhando para baixo suas previsões expressas na pesquisa Focus, feita todas as sextas-feiras pelo BC junto à instituições financeiras.
E a nossa imprensa, que noticiava cada alta do Focus como uma hecatombe, mal registra, em letras miúdas, as suas seguidas baixas.


Baixas que são a conta gotas, mas baixas: de 29 de abril, quando marcaram 6,37%, para a última sexta, 27 de maio, para 6,23. E pode anotar que vão baixar mais. As expectativas do mercado, segundo a Reuters, era de 0,58% de aumento para o IGP-M. Deu 0,43%, no número divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas. A inflação acumulada nos últimos 12 meses, por este índice, teve uma queda expressiva: ficou 9,77% em maio, ante 10,60% em abril em 12 meses, acumulados.


Mas, como eles querem é juro alto, mesmo assim não baixam a sua previsão para a taxa Selic. Ao contrário, fazem tudo para dizer que o consumo e o crédito ainda estão aquecidos demais e que o remédio são…mais juros.


O resto é o “método Ricupero invertido” da nossa mídia: o que é bo a gente esconde, o que é ruim a gente mostra. E ainda piora, se der.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mulheres na mira



Partidos têm quatro meses para atrair candidatas e atender à cota estabelecida por lei para o pleito de 2012.


A quatro meses do prazo legal para que candidatos às eleições de 2012 se filiem ou mudem de legendas, os partidos políticos se dedicam a um velho esporte no qual nunca foram bem-sucedidos: atrair as mulheres para concorrer às eleições das câmaras municipais. Ainda inseguros quanto a qual critério prevalecerá na montagem das chapas, os diretórios partidários sabem que poderão, às vésperas do pleito do ano que vem, esbarrar no entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que cada partido ou coligação preencherá nas chapas proporcionais o mínimo de 30% e o máximo de 70% das vagas para cada sexo. Nas eleições do ano passado, a determinação da minirreforma eleitoral, a Lei n° 12.034/2009, não foi integralmente aplicada: a média de candidatas à Câmara dos Deputados apresentadas pelos 26 estados e o Distrito Federal foi de 19%. Para as assembleias legislativas, as chapas proporcionais tiveram, em média, 21% de candidatas.


Para o ano que vem, os partidos não querem ser surpreendidos. Apressam-se em localizar mulheres interessadas em se filiar e concorrer às câmaras municipais. Elas resistem: envolvem-se em causas, associam-se em busca de seus direitos, mas sem estrutura e sem o know-how para se lançar à busca do financiamento das campanhas, não se sentem motivadas a ingressar na política partidária.


"Temos de implorar, pedir para os maridos. Elas não querem enfrentar o desafio porque, além dos filhos e das responsabilidades domésticas, também são lutadoras e trabalham fora", afirma a prefeita de Carmópolis de Minas, Maria do Carmo Rabelo Lara (PSDB-MG).


A dificuldade à qual Maria do Carmo se refere para arregimentar mulheres interessadas em concorrer a uma cadeira na Câmara Municipal da cidade ficou patente nas eleições de 2008. Trinta e dois homens concorreram a uma das sete cadeiras. Oito mulheres se aventuraram. Das urnas saíram seis vereadores eleitos e uma mulher, Maria Aparecida Lara (PSDB), pediatra, cunhada da prefeita eleita.


Gente fina é outra coisa…


O Globo publica hoje uma interessante matéria sobre a “indenização trabalhista” embolsada por executivos ao deixarem as empresas que comandaram.


“Ao deixarem a empresa, presidentes e diretores recebem uma espécie de reconhecimento pelo trabalho, o chamado bônus de saída, que, na maioria dos casos, fica na casa dos milhões de reais”, diz o jornal.


E narra que, além de um salário por ano, os superexecutivos embolsam o período de “quarentena” (?) antes de assumirem outros postos.


Veja o que diz o jornal:


“Considerando essas práticas, a estimativa de consultores é que o ex-presidente da Vale Roger Agnelli – que deixou a empresa no último dia 20 – tenha acertado uma quantia que beira os R$ 30 milhões. O cálculo se baseia no salário anual estimado em R$ 15 milhões e no tempo de casa, de dez anos. No caso de Roberto Lima, que deixa o comando da Vivo no próximo mês, estima-se que os ganhos possam ser superiores a R$ 6 milhões.”


Se forem empresas privadas, ok. Mas estas aí são concessionárias, que exploram minério e telecomunicações por delegação do poder público, não é?


Curioso é que, á menor dificuldade eles mandam embora, como fez a Vale, milhares de trabalhadores humildes e, além do mais, vivem reclamando da carga tributária. Você acha que eles pagam Imposto de Renda em cima destas remunerações todas?


E os executivos brasileiros, aliás, ganham mais do que os seus “colegas” americanos ou europeus, como você pode ler aqui.


Por isso, coloco aí em baixo um texto do presidente do Ipea, Márcio Pochman, feito a partir de uma pesquisa do instituto, em 2006, que mostra que as diferenças entre os maiores e menores salários praticados aqui já chegava, então, a 1.714 vezes. Se a gente considerar o cálculo de O Globo sobre o salário de Agnelli, ele recebia, todo mês, algo como 2.120 salários-mínimos.
Nada mau, não?



O Brasil e a desigualdade salarial



Dizer que o Brasil encontra-se entre os países de maior desigualdade do mundo não mais representa uma novidade. Mas perceber que a distância da separação entre o menor e o maior salário no país chega a atingir quase 2 mil vezes parece inacreditável neste início de terceiro milênio. E é isso que parece ocorrer no Brasil, cuja desigualdade salarial constatada no interior do setor estruturado do mercado de trabalho atinge 1.714,3 vezes no ano de 2006. Isso porque a menor remuneração paga recebida pelo trabalhador foi de R$ 70 mensais, enquanto o maior salário capturado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do IBGE foi de R$ 120 mil por mês. A desigualdade salarial no interior do mercado de trabalho pode ser ainda maior, uma vez que o estudo considerou tão somente o setor estruturado do mercado de trabalho, responsável por 7,7 milhões de trabalhadores.


No setor estruturado encontram-se os postos de trabalho ocupados por empregados formalmente contratados e que possuem, em geral, maior grau de escolaridade e maior tempo de serviço no mesmo local de trabalho, e têm entre 25 e 59 anos de idade. Caso fosse incluída também a remuneração praticada no setor informal, possivelmente a desigualdade de remuneração dos trabalhadores poderia alcançar níveis ainda mais expressivos. Se analisar o grau de desigualdade salarial entre o setor privado e a administração pública, verifica-se que a maior desigualdade decorre das remunerações pagas pela iniciativa privada. Enquanto no setor público a desigualdade salarial entre o menor e o maior salário alcança quase 190 vezes, no setor privado ela chega a ultrapassar 1.700 vezes. Mesmo sendo nove vezes menor, não parece haver justificativas para a enorme desigualdade salarial na administração pública brasileira. No setor privado, a injustiça é indescritível. Como pode alguém ser tão mais importante que o outro para justificar uma diferença de remuneração de quase 2 mil vezes?


Uma das características do desenvolvimento de uma nação é a justiça social. É por isso que as diferenças entre remunerações superam, em geral, mais de 30 vezes. Com a desigualdade salarial nesse patamar verificada no Brasil, percebe-se o quanto o país precisa avançar. Isso parece ser mais necessário justamente nas regiões onde o nível de desenvolvimento econômico encontra-se mais avançado, especialmente no setor privado. A região Sudeste, por exemplo, apresenta uma desigualdade entre o maior e menor salário equivalente a quase 343 vezes, enquanto a região Norte possui a menor desigualdade de remuneração (28,2 vezes). No caso da administração pública, a menor desigualdade salarial encontra-se na região Sul. Já a maior distância que separa o maior do menor salário no setor público localiza-se na região Centro-Oeste.


Frente a isso, caberia uma reflexão mais aprofundada a respeito das causas de tamanha desigualdade. Parte da responsabilidade pode ser identificada na contida remuneração dos trabalhadores de salário de base. Em outras palavras, a desigualdade é alta não porque os salários são muito altos, mas porque na base da pirâmide as remunerações são extremamente reduzidas. Embora existam salários altos para dirigentes de empresas e postos de maior responsabilidade na administração pública, sabe-se que o grosso dos trabalhadores ocupados percebe mensalmente remunerações de fome.


Por conta disso, uma das principais medidas de contenção da desigualdade na remuneração do trabalho diz respeito à elevação dos salários de base da pirâmide salarial. O salário mínimo, nesse sentido, possui um papel de inegável contribuição para reduzir a desigualdade, pois não se trata de reduzir os altos salários, mas subir os de menor poder aquisitivo.


De outra parte, o país precisaria reinventar a atual estrutura de tributação. Além de alta, a carga tributária termina se concentrando justamente nas menores remunerações. De acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, o trabalhador que recebe mensalmente até dois salários mínimos tem uma carga tributária de até 48% de seu rendimento. Por força dos impostos indiretos (que se encontram incluídos nos preços de bens e serviços básicos), quem recebe dois salários mínimos mensais deixa quase um salário mínimo com a Receita Federal. Já o trabalhador com remuneração superior a 30 salários mínimos mensais deixa para os impostos somente 26% de sua renda.


Em síntese, quem ganha mais paga menos impostos. Ao contrário de quem recebe menos, cuja carga tributária é quase o dobro da que incide sobre os salários maiores. Frente a isso, parece não haver outra solução para o caso da vergonhosa desigualdade salarial no Brasil que não seja a completa inversão da carga tributária. Com a progressividade na tributação (quem ganha mais paga mais impostos e vice-versa), a desigualdade salarial seria bem menor que a atual.



Faltou Aécio Neves na lista da “Folha”: o moralismo seletivo ainda é a regra


por Rodrigo Vianna


Nas últimas semanas, militantes de esquerda, blogueiros, lideranças políticas e sindicais concentraram-se num (saudável) processo de crítica ao governo Dilma e às atitudes recentes da direção do PT. Aqui no Escrevinhador, procuramos alimentar esse debate – o que gerou reação irada de alguns leitores que preferiam a “defesa firme” do governo. Recuso-me a seguir por esse caminho do “apoio incondicional”, e lembro que a crítica dura pode ser uma ótima forma de colaborar com o país – ainda que ninguém tenha me pedido colaboração alguma.


De todo jeito, a crítica ao governo não significa esquecer quem está do outro lado. E um bom exemplo é a reportagem de capa na “Folha” desse domingo. Em letras garrafais, o jornal anuncia a lista de congressistas que são donos de rádios e TVs, ou que mantêm parentes na direção das emissoras. Trata-se de assunto importante, sem dúvida. Mas é curioso que a “Folha” tenha “esquecido” um nome na lista!


Ora, há pouco mais de um mês o Brasil ficou sabendo que Aécio Neves, o impulsivo e notívago líder da oposição, é dono de uma rádio em Minas. A própria “Folha” fez matéria sobre o fato. Descobriu-se que o carro conduzido por Aécio, quando ele foi parado numa blitz da lei seca no Rio, estava em nome da tal rádio. E descobriu-se, ainda, que a rádio de Aecim é dona de uma estranha frota de carros de luxo. A oposição ao PSDB em Minas desconfia de repasse de recursos públicos para a rádio, e tenta abrir uma CPI. Quem não se lembra pode ler reportagem da “Folha” aqui.



Mas e o Aécio? Cadê? Por que não está na lista?


O jornal pode se eximir, dizendo que “apenas” reproduziu a lista – que está sendo preparada pelo próprio governo federal, numa tentativa de moralizar o setor. Ora, nesse caso a “Folha” é que devia lembrar o leitor sobre a existência da rádio de Aécio, estranhando que o nome dele não esteja na tal lista! Não se trata de qualquer um: é o líder da oposição!


Outra observação: a “Folha” não deu destaque para o fato de, depois de 8 anos de governo Lula, não haver nenhum parlamentar do PT dono de rádio ou TV! Imagine se houvesse um? Unzinho só? Viraria manchete. Mas Aécio (que tem rádio), esse passa longe da reportagem de domingo no jornal de maior circulação do país.


O moralismo seletivo continua a ser a regra na “Folha”, na “Veja”, no ”Estadão”, em “O Globo”.

Claro que os jornais cumprem seu papel ao divulgar o estranho enriquecimento de Palocci. Não há do que reclamar no caso isolado. Mas salta aos olhos que não se faça o mesmo com a filha do Serra! Quem pagou a casa onde vive a família Serra no Alto de Pinheiros, em São Paulo? Por que Verônica Serra multiplicou o patrimônio de sua empresa em 50 vezes, como se lê aqui?


Não faço aqui qualquer acusação contra Verônica. Mas não é curioso esse moralismo seletivo que poupa a família Serra e a rádio do Aécio, enquanto tenta emparedar o Palocci?


Por essas e outras (quem não se lembra da “ficha falsa” de Dilma na “Folha”, do pé na bunda de Lula na “Veja”, e das armações de Ali Kamel – o jornalista da bolinha de papel - na Globo?), todo mundo que acompanha as comunicações no Brasil estranhou quando Dilma tentou fazer de conta que isso tudo não existe, e adotou a tática de “normalizar” relações com a velha mídia: foi à festa da “Folha”, fez omelete na Globo e mandou recados de que “o clima precisava melhorar de parte a parte”.


Dilma errou feio (também) nessa estratégia. Como diria Mané Garrincha, faltou combinar com os russos!


Sob comando de Otavinho Frias, Ali Kamel (o jornalista) e da turma barra pesada da Abril, os russos seguem a adotar a tática de sempre: tentaram “matar” Dilma na capa de “Epoca” essa semana, livraram a cara de Aécio na capa da “Folha”, e seguiram a bater em Palocci.


O governo deve ter apreendido algo nesse episódio. Os russos continuam sendo os russos. Palocci, aliás, é daqueles que se dão bem com os russos. Dilma poderia aproveitar a crise, mandar Palocci tomar chopp no Pinguin em Ribeirão Preto, e voltar a tratar os russos como eles são. Pra isso, seria preciso adotar outro tom.


A Dilma precisa ser aquele Dilma do primeiro debate do segundo turno. A Dilma que não ouve marqueteiros nem Paloccis - e faz a boa e velha política.


Deputados gastam US$ 300 mil em missões turísticas



Câmara gastou mais de US$ 300 mil em diárias nos últimos dois anos para deputados marcarem presença em roteiros célebres.


À custa do dinheiro público, os deputados estão fazendo as mais diferentes e incompreensíveis viagens em missão oficial, termo técnico para dizer que alguém viaja em nome do interesse do país. Os principais destinos são, coincidentemente, os mesmos de qualquer turista: França, Espanha, Estados Unidos, Itália e China. Nos relatórios para justificar a utilidade pública das visitas há de tudo. Desde o argumento de que passear no trem de alta velocidade coreano é fundamental para formar ideia sobre a proposta do governo para construir algo semelhante no Brasil, até a importância para a cultura nacional de visitas a museus franceses e norte-americanos. Essas viagens — sob o pretexto do interesse público— custam caro. Somente em diárias, a Câmara pagou mais de US$ 300 mil nos últimos dois anos, o equivalente a meio milhão de reais. Some-se a isso mais de 400 passagens aéreas internacionais, algumas em classe executiva, cujo preço costuma ser o dobro da econômica.


A preferência dos deputados por desempenhar missões no exterior foi três vezes maior do que os pedidos feitos para a atuação em atividades oficiais nos municípios brasileiros, onde deveriam efetivamente prestar serviços. As ações das comissões da Casa e as audiências e visitas in loco pelo país renderam, desde 2009, 72 viagens pelos estados. Enquanto isso, o número de permissões para que os deputados deixassem o país em nome do parlamento foi de 207, considerando apenas os parlamentares da legislatura passada que continuaram na Câmara. Segundo técnicos da Casa, se o critério de busca for ampliado e incluir os que não renovaram mandatos, as autorizações passam de 400.


Este ano, o número de viagens disparou. Já foram 39 internacionais, contra 19 nacionais. Algumas delas foram, inclusive, realizadas durante o recesso parlamentar. O deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), por exemplo, esteve na Espanha entre 20 e 27 de janeiro para visitar a Feira Internacional do Turismo. Ganhou diárias de US$ 350 e passagens pagas pelo erário. Os cofres públicos bancaram também as passagens e cinco diárias para que o deputado Jorge Silva (PDT-ES) fosse à China participar do Festival da Peônia, flor símbolo da cidade de Luoyang. Em homenagem às cores das flores, os chineses celebram a festa da primavera.


Na lista de viagens realizadas pelos parlamentares cujo objetivo é difícil perceber está a ida do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR) aos Estados Unidos para visitar 20 museus, incluindo os famosos Museu de Arte Moderna e Metropolitan Museum, duas atrações da cidade de Nova York.


Este ano, o deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES) foi para Nova York no início do mês para participar da feira internacional de cafés especiais e Cleber Verde (PRB-MA) passou oito dias em Paris para participar de evento sobre saúde animal. Em diversidade de destinos, ninguém bate o deputado Átila Lins (PMDB-AM). Nos últimos dois anos, ele visitou Etiópia, Suíça, Tailândia, Estados Unidos, Panamá e Turquia. Os dois últimos, no início deste ano.


Parlasul


Os integrantes do parlamento do Mercosul são os autores de relatórios que detalham reuniões e eventos de interesse do Brasil. Por conta desses encontros, Dr. Rosinha (PT-PR), que presidiu o Parlasul e depois ficou como um dos integrantes da Mesa Diretora, é o deputado que acumula mais viagens. Foram 12 desde 2009, a maioria para o Uruguai. “Viajei muito por conta das reuniões do parlamento. Não há como faltar, mas cada viagem é um pedido feito à Presidência da Casa. Todo mundo tem de fazer a solicitação”, diz.


Por meio da assessoria, o deputado Jorge Silva, que foi à China durante o festival em homenagem às flores, afirma que a viagem serviu para fechar acordos de cooperação entre o prefeito de Luoyang e o município de São Mateus (ES). Até o fim do ano, o prefeito chinês deve vir ao Brasil assinar um termo que estabelece um laço de irmandade entre as cidades. Informações do Correio


sábado, 28 de maio de 2011

PSD de Kassab é o que sobrou a Serra





As coisas, como se previa, ficaram feias para José Serra.


Terminou agora à noite uma reunião dele com Fernando Henrique, no apartamento deste, em Higienópolis.


E o que assou no “churrascão diferenciado” hoje foi a pretensão de Serra em ser o presidente do Instituto Teotônio Vilela.


Fernando Henrique disse que não dá mais pra tirar Tasso Jereissati, porque dos 11 senadores do PSDB, Serra só tem a seu lado Aloyzio Nunes Ferreira.


Alckimin já mandou dizer que está “contemplado” com as indicações de Alberto Goldman e Emanuel Fernandes para primeiro e segundo vices de Sérgio Guerra.


Segundo O Globo, uma fonte próxima à alta tucanagem narrou assim a situação:


-Não é verdade que Alckmin insistiu com Serra e perdeu. Quem está dizendo isso é o Serra. Todos acham que se Serra ganhasse o ITV ele iria transformar o instituto numa máquina para a campanha presidencial de 2014 e ninguém quer mais isso. Ele já foi candidato a presidente duas vezes e agora precisa dar um tempo.


Fernando Henrique teria dito a Serra que se tivesse ganho o PSDB seria dele. Como não ganhou, parece que perdeu o “B” da sigla.


Sobrou, portanto, o PSD, o bote que lançou ao mar com antecedência.


Mas lugar em bote, nestas situações de naufrágio, vocês sabem como é, não sabem?


Lula fará palestra nas Bahamas e visitará Cuba e Venezuela




O ex-presidente Lula apresentará uma palestra sobre economia para o grupo mexicano Salinas nas Bahamas na próxima terça-feira e depois visitará Cuba e Venezuela, informou nesta sexta-feira sua assessoria de imprensa.


Lula deve chegar na próxima quarta-feira a Havana, onde ficará por dois dias, e provavelmente se reunirá com o presidente Raúl Castro e com seu irmão Fidel, com quem mantém uma estreita amizade há décadas.


Na sexta-feira, em Caracas, ele se encontrará com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que três dias depois deve fazer sua primeira visita oficial ao Brasil desde que Lula deixou a Presidência nas mãos de Dilma Rousseff (PT).



Petrobras terá mais seis petroleiros. Feitos aqui




Enquanto nossos jornais vivem falando que a Petrobras vai cortar investimentos, nossa grande empresa vai dando lições de que é possível fazer muito e fazer aqui no Brasil.


Hoje, ela fechou o afretamento de seis navios da classe Panamax, de 63.500 toneladas de porte bruto cada, sendo cinco para movimentação de derivados de petróleo e um para petróleo bruto, com a Hidrovia South American Logistics S/A. Os navios deverão ser construídos no Brasil e permanecer sob bandeira brasileira nos 15 anos de afretamento contratados.


São as últimas embarcações – por enquanto – do programa de modernização e ampliação da frota Petrobras, que contratou 39 navios, construídos em estaleiros brasileiros, no período de 2011 a 2017, gerando 30 mil empregos na nossa antes combalida indústria naval.


Quando se quer contratar e fazer aqui, comprando ou afretando, sempre há jeito. O Brasil, que já teve a segunda maior indústria naval do mundo, tem tudo para voltar a ocupar este posto. Se não aparecerem outros Agnellis.


Reforma política: Lula e centrais debatem Constituinte exclusiva




Reunido com centrais sindicais, o ex-presidentLula debateu a formulação de uma Constituinte exclusiva para a reforma política. Segundo lideranças, na saída do encontro, entre os vários temas relativos à reforma, foi debatida a possibilidade de instituir um Parlamento especial para alterar a Constituição de modo a regular o sistema eleitoral. O encontro durou mais de duas horas no Instituto da Cidadania, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.


Além da Constituinte, foi tratado no encontro o financiamento público de campanha - uma posição defendida de forma unânime por sindicalistas -, o fortalecimento dos partidos políticos, a regulamentação dos plebiscitos e a unificação dos pleitos como forma de baratear as eleições. O debate aventou a possibilidade de unificar as eleições para prefeito, governador e presidente da República a partir de 2014.


"Lula acha que deve ser feita uma eleição para fazer uma Constituinte exclusiva", disse o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP). O representante da Força Sindical foi ainda cético em relação à viabilidade da reforma política no caso de serem mantidas as divergências. De acordo com sindicalistas, o tema da crise do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, no governo federal não foi tratado no encontro.


"Cada central apresentou sua proposta e foi colocada a importância do envolvimento da sociedade no processo de reforma política", disse o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique da Silva Santos. "Não é uma reforma para o ano que vem, é algo para ficar para a história", disse o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto.



SP: pedágio faz viajar de carro mais caro que de avião




Saiu na Carta Capital que o pedágio em São Paulo atucana tanto os motoristas que muitos estão trocando o carro pelo avião, quando se trata de certas viagens, sem gastar mais nada com isso.


Com valores calculados por meio do site Mapeia.com, especializado em cálculos de viagem, revista dá alguns exemplos.


De Campinas a Presidente Prudente, a distância é de 557 quilômetros . De automóvel, o gasto seria de R$ 138, sendo R$ 65 de pedágio, em sete horas de viagem. De avião, uma hora e 30 minutos, por R$ 99, mais taxa de embarque.


De São Paulo a Bauru (330 quilômetros) o avião é mais econômico, também. A passagem pode ser comprada por R$ 65, contra R$ 88,33 de gasto com automóvel, dos quais R$ 44,20, ficam nos pedágios. “O passageiro demora 58 minutos de avião e por volta de quatro horas de carro”, diz a revista.


E de São Paulo a São José do Rio Preto, custa o mesmo. R$ 119 para ir de avião fica em e de R$ 120,59 viajando de automóvel, metade disso em pedágios: R$ 61,50. E quatro horas a menos de viagem. Os R$ 20 da taxa de embarque são gastos, fácil, num lanche na estrada.


Nada como um longo período de administração tucana para nos levar à modernidade, não é?



Dilma ameaça até recorrer à Justiça



A presidente Dilma Rousseff reafirmou ontem que o governo vai negociar mudanças no texto do Código Florestal durante a tramitação no Senado para suprimir a anistia aos desmatadores. Disse que não aceita a anistia e que, se esse ponto não for retirado, ela o vetará e pode recorrer à Justiça. A presidente cobrou fidelidade da base aliada na votação da proposta.


- O desmatamento não pode ser anistiado, não por vingança, mas porque as pessoas têm de perceber que o meio ambiente é algo muito valioso que temos de preservar. É possível preservar o meio ambiente e produzir os nossos alimentos - afirmou.


Ela admitiu que poderá vetar a emenda apresentada pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). E, em última instância, recorrer ao Judiciário, caso seu veto seja derrubado pelo Congresso.


Primeiro, tentarei construir uma solução que não leve à situação de impasse. Agora, eu tenho compromisso com o Brasil. Eu não abrirei mão desse compromisso. Somos Poderes e temos de nos respeitar: Judiciário, Legislativo e Executivo. Se julgar que qualquer coisa prejudica o país, eu vetarei. A Câmara pode derrubar o veto, não é? Tem ainda as instâncias judiciais - disse. - O governo tem uma posição, espero que a base siga a posição do governo. Não tem dois governos, tem um governo.


Em reunião com os 15 senadores do PT, voltou a tratar do projeto que altera o Código Florestal. Para ela, mudar o texto é questão de honra. Nos próximos dias, pretende repetir o almoço com todas as bancadas dos partidos aliados, e já deu o tom da condução do governo: partir para a luta política, buscando o apoio da oposição.


Dilma avaliou que está ganhando o apoio da sociedade, que ficou contra a emenda que anistia desmatadores. E não poupou críticas à articulação política do governo. Se tivesse sido mais eficiente, disse, não teria sido difícil virar os 45 votos que faltaram. Ela alertou para os riscos de suscitar questionamentos internacionais, provocando embargo à importação de produtos agrícolas brasileiros:


Temos que procurar a oposição para esse debate. O PSDB tem grande penetração na classe média, e vai ter que se posicionar nessa questão.




sexta-feira, 27 de maio de 2011

Empregar não pagará imposto. Faturar, sim




Tem muitas complicações e detalhes, mas em geral é muito boa a ideia do Governo de acabar com a contribuição previdenciária sobre a folha de pagamentos.


Essa intenção foi tema ontem do encontro entre as centrais sindicais e o Ministro Guido Mantega.
A contribuiçâo previdenciária seria, progressivamente, transferida da folha de pagamentos para o faturamento das empresas.
E escalonada: quem ganha muito e emprega pouco, teria uma alíquota maior. Quem fatura menos e emprega muito, pagaria uma percentagem menor.


Os bancos, por exemplo, que empregam pouquissimo e faturam os tubos, pagariam mais. Já o dono da lanchonete, que emprega muitíssimo mais, se comparado ao que fatura, pagaria percentualmente menos.


Não haverá a atual desigualdade , quando quem mais emprega (ou eleva salários) é punido com mais contribuição. Quem menos emprega, ou não emprega com carteira assinada, leva vantagem porque só contribui com a taxação sobre o faturamento, a Cofins. O sistema é um desestímulo ao emprego de trabalhadores com registro e à elevação dos salários.


De outro lado, isso vai financiar a previdência sem onerar o trabalhador ou sem que se tire deles mais direitos do que já foram tirados. o que acontece é que a informalidade no mercado de trabalho sempre fez que um enorme npumero de pessoas, mesmo trabalhando, acabasse se aposentando por idade, em lugar do tempo de contribuição.


Pouca gente sabe, mas das aposentadorias pagas pelo INSS, só 30% são por tempo de contribuição, enquanto mais da metade são por idade. Absolutamente justo que as pessoas com idade avançada tenham aposentadoria – que é necessário melhorar – mas isso deixa “capenga” o sistema e ainda isenta aqueles que se beneficiaram do trabalho informal das contribuições regulares que deveriam ter feito sobre o que lhes gerou renda.

Não é uma ideia nova, mas pela primeira vez ganha força de realizar-se aqui. Data dos anos 70, quando os avanços tecnológicos começaram a permitir que grandes empresas e bancos se expandissem enormemente ao mesmo tempo em que reduziam seu quadro de pessoal.


Não vai ser, como disse, uma mudança fácil. Do lado dos trabalhadores exige muita segurança de que não haverá prejuízos. A Previdência também terá de simular e simular as mudanças para não ter surpresas. Mas, podem crer, o sistema financeiro e a mídia vão gritar e tratar o assunto como “aumento da carga tributária”. De fato, para os setores que lucram sem empregar, assim será, como também para os que meramente operam negócios no país.


E é bom frisar que deve ser acompanhada de um convencimento da população de que exigir notas fiscais e recibos de mercadorias e serviços é um gesto que garante o seu futuro protegido pela aposentadoria, eliminando a sonegação da contribuição previdenciária sobre o faturamento de empresas.


È preciso pressa para mudar, mas calma para não propor uma mudança profunda sem as condições de viabiliza-la politicamente. É preciso “recompor o time” no legislativo, para enfrentar uma tramitação que não será nem rápida, nem fácil.


Taxa de desemprego é a menor para abril desde 2002, diz IBGE


A taxa de desocupação nas seis regiões metropolitanas avaliadas pela PME (Pesquisa Mensal de Emprego) foi de 6,4% em abril, de acordo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esta é a menor taxa para um mês de abril desde 2002.


O número de desocupados no mês foi de 1,5 milhão de pessoas e ficou estável em relação ao mês de março (que registrou variação de 6,5%). A população ocupada (22,3 milhões) também permaneceu estável em comparação com março.


A PME é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.


Em relação a abril de 2010, houve queda de 10,1% no número de desocupadas.


O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegou a 10,8 milhões e não apresentou variação significativa em relação a março. Na comparação com abril de 2010, houve aumento de 6,8%, representando um adicional de 686 mil postos de trabalho com carteira assinada.


O rendimento médio real (desconta a inflação) dos ocupados foi de R$ 1.540 e representa um recuo de 1,8% na comparação com março, enquanto registra um aumento de 1,8% na comparação com abril do ano passado.


O nível da ocupação --proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade economicamente ativa-- estimado em abril foi de 53,4% no total das seis regiões. Na relação com março não houve variação, mas registrou elevação de 0,5 ponto percentual na comparação com abril do ano passado.


Regionalmente, na comparação mensal, todas as regiões mantiveram estabilidade nesse indicador. Frente a abril de 2010, ocorreu variação significativa apenas em Porto Alegre (alta de 2,6 pontos percentuais).


A conta da lua-de-mel




Já dizia Milton Friedman, economista americano da famigerada Escola de Chicago, prêmio Nobel de economia em 1976 e inspirador da política econômica do ditador chileno Augusto Pinochet: “Não existe almoço grátis”. Eis que, assim, está sendo apresentada à presidenta Dilma Roussef a conta do idílio que, ao que se sabe, acreditou que poderia manter com a elite.


Não faltou esforço, de parte da presidenta, para enterrar a guerra entre governo e imprensa que vigeu durante o governo Lula. E agora, meses depois do início deste governo, o blog já tem condições de oferecer um relato fundamentado dos bastidores do atual governo no que diz respeito à sua relação com essa elite midiática.


Antes de prosseguir, é bom que fique clara uma coisa: todas as informações de que disponho foram obtidas em “off” e, assim, as fontes não serão citadas. Todavia, é possível garantir que as suas informações foram confirmadas e reconfirmadas.


Dilma Vana Rousseff, 63 anos, mineira, assumiu a Presidência da República Federativa do Brasil em 1º de janeiro de 2011 convencida de que não havia razão outra para a guerra político-midiática que permeara o governo que integrou e que acabara de terminar que não fosse produto de mera picuinha entre oposição, mídia e Lula.


Dilma se decidiu, pois, a apagar a chama do ódio e do ressentimento. E foi dessa decisão que agora decorrem os incríveis problemas políticos que está vivendo ainda no quinto (!!) mês de seu governo de quatro anos, que todos já podem mensurar o que pode vir a ser…


Observação: segundo disse Lula na terça-feira em encontro com parlamentares do PT, o que pode ser o governo Dilma é ele vir a ter que “se arrastar” pelos próximos quatro anos caso a mídia, a oposição e ex-apoiadores de Dilma, decepcionados com ela, consigam derrubar Palocci.

Tudo começou com o mutismo de Dilma logo após ela assumir a Presidência – e que persiste enquanto o circo pega fogo. Em seguida, coroando uma decisão questionável daquela que deveria estar em festa com seu povo e compartilhando com ele o seu início de governo, a presidenta decidiu deixar Brasília e ir fazer um gesto de boa vontade ao pior inimigo que teve, ao lado de Lula, durante os anos anteriores.


A ida de Dilma à festa de 90 anos da Folha de São Paulo e as palavras elogiosas que teceu ao patriarca morto da família Frias já prenunciavam o que ocorreria dali em diante, uma pretensa relação de quase afetividade com os seus algozes durante o governo Lula.


Não se cuidou tão somente de afagar a imprensa que durante seis dos oito anos da Presidência lulista a fustigara sem dó, piedade ou limites. Havia que acarinhar, também, a oposição, em uma vã esperança de conseguir um armistício impossível, mas que, vigendo, permitir-lhe-ia levar a cabo o seu edificante projeto de extirpar a miséria do Brasil.


Naquele momento, Lula relutou em corrigir a presidenta. Consta que chegou a achar que ela tinha razão, que fora a sua verve (dele mesmo) que rendera os problemas políticos que o seu governo enfrentara.


Apesar da campanha de desmoralização de Lula que corria simultaneamente à lua-de-mel entre Dilma e a direita midiática, com convites ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e elogios desabridos que a presidenta recebia dos jornais dia sim, outro também, tudo parecia caminhar para uma benfazeja distensão política no Brasil.


Quem pode culpar Dilma por querer distensão? Já há semanas que o Brasil está paralisado pelo caso Palocci. O prejuízo para a agenda pública se fez sentir na recente aprovação do Código Florestal, que, quase unanimemente, verifica-se um desastre justamente por falta de um debate que submergiu diante da volta do denuncismo seletivo e partidarizado.


E agora que o governo está sob a ameaça impensável de virar presa na temporada de caça a seus ministros e expoentes, Dilma verifica que medidas tomadas na área de comunicação para distender as relações com a direita midiática a deixaram com muito menos aliados. Sobretudo na internet, a arena mais dinâmica do debate político, atualmente.


Que medidas foram essas? Por exemplo, na Secom. A nova ministra da Secretária de Comunicação Social da Presidência da República, Helena Chagas, esteve entre os conselheiros de Dilma para distender as relações com a mídia e a oposição, enquanto que seu antecessor, Franklin Martins, saía de cena, tendo sido visto como um fomentador de confusão.


Franklin Martins, que estabeleceu pontes com a blogosfera progressista na era Lula, cedeu lugar a uma direção da Secom voltada a não se meter com esses “blogueiros encrenqueiros”. Para que se tenha uma idéia, a pessoa que comanda o Blog do Planalto acha que blog é coisa de “adolescente”… Precisa dizer mais?


Helana Chagas é uma excelente pessoa. Íntegra, sensata, inteligente. Não lhe falta competência. Este blogueiro esteve consigo durante a Confecom, em dezembro de 2009, aliás. E só fez confirmar a boa impressão que já tinha dela.


Todavia, tanto Dilma quanto Helena não tinham – e continuam não tendo – a experiência de Lula e de um Franklin Martins no trato com essa direita demente que infecta o Brasil. Não é por outra razão que um e outro estão sendo recrutados a coordenarem a reação ao que já ameaça se tornar o “mensalão” de Dilma.


Tudo muito parecido. Os petistas e simpatizantes “decepcionados” são o maior sintoma. A maioria, aliás, é composta por pessoas de boa fé, que, como as de má fé, já dizem as mesmas frases moralistas sobre Palocci que uma Eliane Cantanhêde, um Reinaldo Azevedo e companhia limitada.


Verifiquem os posts do blog sobre o assunto e verão trolls de direita e gente séria e que defendeu Lula com unhas e dentes dizerem as mesmas coisas sobre Palocci, sobre “ética” etc. E vejam os trolls se passando por petistas arrependidos, o que já dificulta identificar quem é quem em centenas de comentários.


Para coroar a dissertação, vale prestar atenção na cobrança da conta da lua-de-mel entre Dilma e a direita midiática. As gentilezas, os elogios, em fevereiro já se dizia por aqui que seriam usados como “prova” de que a imprensa golpista teve boa vontade com Dilma, mas seu governo não soube honrar o voto de confiança.


O colunista da Folha de São Paulo Janio de Freitas já apresenta a fatura à presidenta, hoje:

“Excetuado Fernando Henrique Cardoso, e por motivos óbvios, Lula [que criticou a mídia no caso Palocci] não demonstraria que algum outro presidente, desde o fim da ditadura de Getúlio, fosse tratado [pela mídia] com mais consideração pessoal e cuidado crítico do que Dilma Rousseff em seus cinco meses iniciais”


O ex-presidente tem toda razão quando diz que a queda de Palocci seria um imenso desastre. Cinco meses de governo. Se conseguirem derrubar Palocci tão cedo – a guerra contra Lula começou no terceiro ano de seu primeiro mandato –, estará aberta a porteira. E quem diz não é este blog, mas aquele que já é considerado o maior estrategista político do Brasil.


Não depende mais de nós, formiguinhas da política, fazer alguma coisa. Dilma tem que decidir se quer passar os próximos quatro anos discutindo a avalanche de acusações e picuinhas que vem por aí ou se, como fez Lula, atuará para dar à sua base de apoio na sociedade as condições de ajudar a fazer o país seguir avançando.


Os blogueiros “encrenqueiros”, por exemplo, nunca dependeram do governo. Apenas acreditaram que, ao apoiarem Lula, estavam apoiando o Brasil. Se não fosse a ressonância que as suas aspirações encontraram em seu governo, porém, não teriam podido ajudar. Mas ninguém pode ajudar quem não quer ser ajudado.


Para não terminar em tom de apocalipse este texto, porém, há que dar uma boa notícia: o país real, essa nação que trabalha, estuda, progride, anseia, sonha – que pulsa, enfim –, não está nem aí para a politicagem. Está subindo na vida. O problema é se a sabotagem conseguir paralisar o governo. Aí, o mundo da fantasia da política se materializará no mundo real.


Prefeitura usa nº do PSDB para emplacar carros em cidade no PR




Oito carros comprados pela Prefeitura de Candói (320 km de Curitiba) foram emplacados com a numeração 4545, repetição do número do PSDB, partido do prefeito da cidade, Elias Farah Neto.


O prefeito, que exerce o terceiro mandato, diz não ver irregularidades no emplacamento e afirma que o número 45 o persegue não só na vida pública, mas também em suas atividades privadas.


"Quando eu comprei o meu carro, ganhei do despachante [de veículos] a placa 4545", diz. "No ano passado, completei 45 anos de casamento. O número 45 só me traz alegria", afirma.


Farah Neto diz que não pretende mudar o número das placas voluntariamente. "Se houver uma decisão judicial eu me curvo diante dela", diz. O Ministério Público Estadual investiga o caso.


A numeração das placas, segundo o prefeito, foi escolhida pelo secretário de Administração, João Jardelon. Não houve, porém, a intenção de divulgar o número do partido, segundo Farah Neto, que não soube dizer se o secretário é filiado ao PSDB.


"Pode ser um cochilo do secretário, mas, para mim, é uma coisinha tão pequena que eu prefiro continuar com ele, porque é um bom secretário", diz Farah Neto.


O prefeito afirma que o episódio é "mais uma denúncia" contra ele em razão da proximidade das eleições municipais de 2012.


"À medida que vai chegando a campanha política, vai despertando a ira dos adversários que não se conformam com projetos sociais pioneiros [realizados em Candói]. Isso aguça o ódio, a cobiça, sei lá o que", diz.


O Ministério Público informou que as investigações estão em fase inicial e que um procedimento semelhante foi instaurado em Foz do Jordão, na mesma região.


Lá, o prefeito Anildo Alves da Silva, que é filiado ao PMDB, emplacou carros com iniciais do seu nome e o número 1515, numa referência ao seu partido.


Folha tucana


Não berrem nos ouvidos das crianças




Uma notícia curiosa, que eu não sabia, sobre uma coisa que todo mundo já sabia, saiu agora há pouco na coluna Digital & Midia, sempre muito boa, do jornal O Globo.


É que a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão de São Paulo entrou com uma ação contra a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), para que seja regulamentada lei que proíbe o aumento do volume nos intervalos comerciais de rádio e televisão.


Um estudo realizado em fevereiro pelo Ministério Público Federal comprovou o que todo mundo já sabia : há um aumento de até cinco decibéis entre a programação normal e os vídeos publicitários. E um detalhe cruel: é na programação infantil que as diferenças são maiores.


As emissoras negam que haja diferença, mas alegam que cumprir a Lei 10.222, de 2001, que manda padronizar o volume das emissoras epune com suspensões de 30 a 90 dias as que puserem os comerciais a berrar dependem de que haja um decreto do Executivo.


Que cara de pau, não é? Incomodam as pessoas, descumprem a lei e violam o direito dos seus espectadores e ainda vêm com essa: de que é preciso um decreto para que se comportem civilizadamente.


A Anatel, claro, como uma instituição coerente com sua história de inutilidade, não tá nem aí e diz que não é com ela.


Se Palocci cair, haverá castas políticas no Brasil




Entendo Lula e Dilma ao apoiarem Palocci com tanta veemência, cobrando apoio daqueles que se propuseram a ser aliados dos dois maiores líderes políticos do Brasil, um por sua liderança propriamente dita e outra pelo cargo que ocupa. Afinal, o que se está tentando fazer com o chefe da Casa Civil é lhe negar os mínimos direitos civis.


Esse fato já começava a ficar claro quando veio a público seu suposto “enriquecimento ilícito” através de matéria do jornal Folha de São Paulo. O jornal registra aumento patrimonial de vinte vezes em quatro anos sem informar que é comum que ex-membros de equipes econômicas do governo federal enriqueçam ao saírem dos cargos.


Nesse momento, começa a concessão de direitos “diferenciados” para petistas, de um lado, e para tucanos ou demos do outro. É imoral enriquecer rápido após passar pelo governo, mas só para petistas. Tucanos podem porque teriam mais títulos e mais experiência no setor financeiro. Então podem enriquecer 100 vezes no mesmo período que Palocci que “tudo bem” e não se fala mais nisso.


Agora, porém, veio o supra-sumo do absurdo. O crime que até há pouco mais de seis meses era passível de pena capital, na mídia, agora se torna irrelevante. Quebra de sigilo fiscal foi um tema que permaneceu por semanas a fio nas manchetes principais de primeira página com letras garrafais e em todos os telejornais, com matérias, às vezes, de VINTE MINUTOS de duração.


A então candidata Dilma Rousseff, ano passado, foi cobrada no ar, durante entrevistas ao SBT ou ao Jornal Nacional, por supostamente ter mandado quebrarem o sigilo fiscal da filha de seu adversário José Serra. A mídia, a cada minuto, soltava o nome de um envolvido, de um suspeito do “crime”, enquanto longos discursos sobre direitos civis enchiam as páginas dos jornais.


Hoje, o que se vê são notinhas de pé de página nos jornais e nenhum, repito, NENHUM artigo ou coluna se indignando com a violação dos direitos civis de Palocci, que já foi julgado e condenado sem que ninguém ao menos saiba dizer o que foi que ele fez.


Palocci fez o que? Tráfico de influência? De quem para quem? Quando? Em que área do governo? Onde está o objeto do crime? Silêncio. Os clichês sobre “ética” abundam. As ironias são cortantes. Mas fatos, que é bom mesmo, ninguém dá.


Admite-se que as operações de Palocci parecem legais, mas, no entanto, seriam imorais. Mas, detalhe: só para ele.


Cortem-lhe a cabeça que estará resolvida a imoralidade legalizada – só não há garantias de que não se repetirá, pois outros que passarem pela área econômica estarão liberados. Quebrem seus sigilos, ignorem a sentença da Justiça que o absolveu da acusação de violar o sigilo do pobre caseiro que após se reunir com o DEM ganhou 40 mil do mesmo pai que jamais lhe dera um pirulito.


Ora, a prefeitura de São Paulo, através de um secretário da cota de Serra, violou o sigilo de Palocci? “Bem feito. Ele violou o sigilo do caseiro”, dizem, sem dar bola para o fato de que a Justiça não aceitou nem abrir inquérito devido à total falta de provas.


Para Palocci, não vale nenhuma das garantias legais que valem para tucanos. Não só pode ser acusado sem provas como pode ter seus direitos civis violados e, achando prova ou não, deve ser punido ao menos com perda do cargo. Enquanto isso, os negócios obscuros da família Serra com Daniel Dantas permanecem na escuridão.


Entendo Lula e Dilma. Também estou indignado. E, como eles, no que depender de mim não conseguirão derrubar o ministro. Sua queda significaria a materialização de castas políticas, no Brasil. A uma, tudo seria permitido. Cometendo crime, passaria a vítima e poderia enriquecer sem questionamento; à outra, nenhum direito – sigilo fiscal, presunção da inocência…


Esse caso deixou de ser político e passou a ser institucional. Não se pode apoiar a criação de castas políticas neste país. Até porque, você nunca sabe se estará entre os contemplados a ser incluído na escala político-social mais alta.